Serious
1 Doesnt have to be Serious... - One-Shot.
Notas iniciais
Espero que não achem o Byakuya muito OCC. Realmente é bem complicado trabalhar com a personalidade dele em um romance sem deixá-lo um pouco diferente.
Espero que gostem!
Kuchiki Rukia sentia-se completamente entediada. Tudo bem que estava feliz por voltar à Mansão Kuchiki e rever seu irmão, mas mesmo assim sentia falta de Karakura, das pessoas, dos amigos... A Mansão não deixava de ter um ar melancólico e entristecedor quando comparada a casa de Ichigo.
Suspirou. A pedido de Ukitake ela viera, mas ainda desconhecia os motivos. Ele ainda não a chamara. Então para passar o tempo, decidira ficar um pouco em casa, que por sinal ainda estava vazia.
“Onde será que o Nii-sama está?” – Pensou.
– Não sabia que você já tinha chegado, Rukia– As palavras foram ditas em voz baixa, mas mesmo assim ecoaram pelo aposento.
Ela virou-se, já tendo conhecimento de quem falara.
– Cheguei agora, Nii-sama – Curvou-se – Espero que não se incomode de eu ter vindo diretamente para cá. O Ukitake Taichou–
– Não me incomodo. A casa é sua também, lembre-se disso – Disse interrompendo-a.
Ela assentiu com o olhar fixo no chão.
– Deseja alguma coisa? – Rukia perguntou tentando parecer agradável.
Ele pareceu hesitar com o pedido, mas por fim sua expressão continuava tão impassível e fria como sempre.
– Não. Pode passar o dia livre. Acho que irei resolver alguns assuntos e pode ser que chegue tarde – Disse – Não espere por mim nas refeições.
Assentiu novamente com o olhar triste. Está certo que eles nunca foram muito próximos, mas ela sentia falta de alguém para conversar. Sentia falta da família.
– Nii-sama... – Sussurrou.
– O que houve? – Perguntou com seu olhar gélido.
Então fechou os olhos tentando ignorar os pensamentos.
– Tenha um bom dia – Disse apenas.
Ele pareceu se surpreender. Não costumava a ouvir palavras assim em sua rotina.
– Hm... Obrigado – Respondeu com uma pitada de confusão.
Sem mais nada dizer ele fechou as portas no aposento e se retirou. A cabeça ainda fervilhava de muitas informações e pensamentos. Coisas que nunca lhe vieram a mente começaram a perturbar sua consciência de maneira insistente.Ele sacudiu a cabeça com leveza tentando afastar aquilo.
“Isso é ridículo. Não entendo por que estou pensando nessas coisas. Deve ser a falta de descanso. Só pode ser...” – Byakuya pensou enquanto se distanciava da Mansão Kuchiki.
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Rukia simplesmente não sabia o que fazer. A casa estava completamente vazia e não havia com o que se distrair. Decidiu então procurar por Ukitake e perguntar para que ele havia lhe chamado. Assim talvez pudesse voltar para Karakura o mais rápido possível...
Cumprimentou algumas pessoas no caminho até chegar no 13º Esquadrão. Sorriu nostalgicamente. Não fazia tanto tempo assim que ela havia deixado a Soul Society, mesmo assim, ainda parecia que ela não fazia mais parte daquele universo.
“Acho que passar muito tempo no Mundo Real está fazendo isso comigo. Vou tentar passar algum tempo por aqui” – Pensou satisfeita consigo mesma.
– Kuchiki! – Uma voz masculina e doce a chamou.
– Ukitake Taichou! – Exclamou feliz.
A aparência bondosa de Ukitake permanecia intacta. Mesmo sendo jovem, havia algo nele que o deixava mais velho.
Era ótimo para a garota revê-lo, estava realmente sentindo falta de suas palavras.
– Por que o senhor mandou me chamar? – Ela perguntou.
Ele pareceu confuso.
– Eu mandei chamá-la? Tem certeza disso?
– S-Sim... O Nii-sama me mandou uma mensagem quando eu estava em Karakura dizendo que o senhor queria me ver... – Começou a ficar confusa também.
De repente o olhar de Ukitake ficou vago e piedoso. Havia algo realmente assustador em suas feições.
– O que houve? – Perguntou.
– Kuchiki... Você ainda não entendeu o que está se passando?
Ela o olhou com uma cara de transtorno.
– Claro que não! Eu esperava passar um tempo agradável aqui na Soul Society e o senhor me vem com essa? – E em seguida ela desculpou-se – Sinto muito mesmo, Ukitake Taichou, perdoe minha insolência...
Ele fez um gesto com a mão em sinal de ‘tudo bem’. Mas seu olhar ainda estava num misto de piedade e preocupação.
– Não seja dura com o Byakuya, certo?
– Como assim?
– É só... Nada. Acho que você não tardará a entender minhas palavras.
Ela apenas confirmou com a cabeça, sem entender.
Ukitake sabia muito bem o que estava se passando ali. Há muito tempo ele suspeitava das ações do Kuchiki mais velho, mas nunca transformara em palavras. Apenas observava seus gestos e sua maneira de agir. Isso o deixava preocupado... Tinha medo do que poderia acontecer depois dos sentimentos ocultos finalmente se transformarem em palavras.
Mas esse não era um assunto que ele devia se meter. Kuchiki Rukia já era bem crescida para lidar com uma situação dessas. Mesmo com esses pensamentos, ele ainda sentia-se hesitante.
– Kuchiki, acho que você deveria voltar para casa...
– Ah, mas o Nii-sama não está lá. Ficarei completamente só...
– Tenho impressão que ele voltará para jantar – Ele disse esboçando um sorriso simpático – Você deveria preparar um daqueles seus deliciosos pratos...
Ela sorriu. Suas habilidades culinárias ficaram bastante conhecidas desde o dia que havia cozinhado Curry com arroz para seu irmão em certo dia*.
Com um aceno de despedida, a garota encaminhou-se para a mansão Kuchiki. O jantar estava longe, mas ainda faltava muita coisa para ser feita. Ao chegar, amarrou um avental na cintura, um pano na cabeça e tomou uma vassoura nas mãos.
– Yosh!
Ela cantarolou algumas canções enquanto limpava o lugar. Não sabia por que, mas sentia-se feliz. Estava gostando de fazer algo pelo irmão, afinal ele merecia. O sorriso não saia de seus lábios e as frases da música ganhavam musicalidade a medida que cantava.
Horas se passaram até tudo ficar limpo. Depois ela tratou de cozinhar algo e por a mesa. Assim que acabou, olhou para tudo vendo que estava perfeitamente impecável.
– Rukia você está aí? – Aquela voz baixa e tão reconhecível a chamou.
– Sim, Nii-sama! – Respondeu com um tom de alegria na voz.
Ele entrou e viu a Mansão completamente mudada. Mas a mudança não era em nos fins estéticos e sim... Ele não sabia explicar. Quando ela não estava perto o lugar parecia triste e sem vida. Mas assim que Rukia colocara os pés na casa, ela parecia ter um novo ar. Parecia aconchegante... Um verdadeiro lar.
– Rukia o que você...
– Nii-sama, espero que tenha gostado! Eu... Fiz com muito gosto – Um sorriso contagiante se espalhou pela sua face.
Byakuya não sabia como reagir. Tudo aquilo parecia tão... Anormal. Nem quando morava com Hisana a casa tinha toda aquela vida. Muito pelo contrário, a melancolia reinava quando a falecida esposa estava em casa, pois quase sempre estava doente.
Ela esperou uma resposta dele. Talvez aguardasse por uma reprovação...
– Isso é... Notável, Rukia.
Ela curvou-se com um sorriso.
– É um prazer.
Os sentimentos começaram a se embaralhar na cabeça de Byakuya. Será tudo estava arranjado devidamente para que finalmente...?
Ambos sentaram e deram início a refeição. Estava tudo cuidadosamente preparado e bem feito. Rukia ainda cantarolava uma canção quando o irmão começou a falar.
– Nunca tinha a visto tão feliz – Comentou.
– É ótimo ver que o senhor está finalmente apreciando o meu esforço.
Finalmente?
– E eu nunca aprecio seu esforço? – Indagou, deixando o hashi de lado.
Ela foi pega de surpresa. Gaguejou um pouco até responder.
– N-Não é isso... É que o senhor é muito frio e... Distante... Achava que talvez não se importasse com minhas ações ou algo assim...
Byakuya a encarava, fazendo com que parasse de falar.
– Rukia... Acha que eu não me preocupo com você? – Havia um certo tom de indignação no meio de sua voz gélida e baixa.
– E-Eu... Acho que não, Nii-sama – Estava na hora de finalmente resolverem esse problema.
– Só por causa do meu jeito, é isso?
– O senhor nunca pareceu se importar com as minhas ações. Nunca pareceu querer que eu fosse promovida... Achava que talvez não se importasse muito comigo. Principalmente quando decidiu me executar – As lembranças daquele tempo fizeram a pequena shinigami estremecer.
– Eu errei ao fazer isso. Aquele moleque me fez perceber isso... – Disse meio a contra gosto– A minha cabeça estava muito confusa naquele época...Não vê o quanto eu estou tentando compensá-la por isso?
– Me compensar?
– Quantas vezes eu me sacrifico para protegê-la? Quantas vezes eu já me feri tentando evitar que algo lhe atingisse? Não está sendo um pouco injusta comigo, Rukia? – Sua voz parecia um sussurro, porém não havia qualquer sentimento nela.
E ela esboçou isso em palavras.
– Me perdoe por dizer isso Nii-sama, mas as vezes o senhor parece não ter sentimentos... Não sei como lidar com isso – Disse, perdendo o sorriso.
– Eu sabia que eu ainda faria isso... Eu sabia que eu ainda acabaria tirando o seu sorriso... Rukia eu não sei como expressar... Não consigo expressar... Isso ainda me perturba de maneira irritante – Seu tom de voz não mudou.
A garota aguardou com ansiedade.
– Eu disse que não amaria ninguém a não ser Hisana... Mas isso vem mudando. Eu sinceramente não consigo imaginar isso na minha a cabeça. Que escândalo seria!
– Nii-sama, não estou conseguindo compreender o que o senhor quer dizer...
– Isso... Não precisa ser sério... – Disse quase para si mesmo.
Ela levantou-se da mesa com uma expressão estranha. Pegou seu prato e levou para a cozinha. Sua respiração estava acelerada. Realmente não sabia como lidar com aquela situação.
“Nii-sama quer dizer algo... Mas tenho medo do que seja...” – Pensou, mas foi interrompida quando passos suaves chegaram a cozinha fracamente iluminada.
– Nii-sama o que–
Mas ela não teve tempo de concluir. O Kuchiki mais velho a puxou encarando-a nos olhos.
– Está me machucando... – Ela disse sem conseguir se desvencilhar.
– Rukia... Por favor, entenda... Mesmo que a minha consciência fique pesada... Eu preciso fazer isso...
Então ele a puxou para mais perto de si, sentindo o corpo frágil da garota se aproximar levemente do seu. Antes que ela pudesse protestar, ele a selou com seus lábios. Uma sensação completamente nova invadiu o seu peito. Ela nunca pensou que o irmão alimentasse aquele tipo de sentimento... Mesmo que um dia ela chegasse a sentir algo assim por ele.
O beijo desesperado se intensificava, fazendo com que a garota se arrepiasse levemente. Aquilo não poderia ser verdade...
Até que finalmente Byakuya a largou ofegante.Ela não tinha palavras para se expressar.
– Nii-sama... Eu...
Ele não respondeu. Parece que ainda estava remoendo seus pensamentos em busca de algo.
– Eu... Não sei se posso correspondê-lo – Disse finalmente.
Sua expressão não mudou, mas havia uma leve centelha de contentamento.
– Suspeitava que você pudesse dizer algo assim... – Disse – É aquele moleque não é?
Ela sentiu o rosto aquecer.
– N-Não sei ainda... Eu só... – Algumas lágrimas caíram de seus olhos – Eu só estou muito confusa...
Byakuya tomou o rosto da pequena em suas mãos.
– Meus sentimentos não precisam ser um fardo para você. É só... Confiar em mim. Isso não precisa ser sério... – E consolou os lábios molhados de lágrimas da garota com outro beijo.
“Não precisa ser sério... Não precisa... Apenas por esse momento faça a minha alegria, Rukia”
FIM
Notas finais
Espero que tenham gostado e obrigada por lerem!
Então vamos a frase clássica!
- Reviews??
Até a próxima o/
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