Seriam apenas Palavras

10 Parte Dois: Apaixonado


Estávamos andando pela praça onde estava acontecendo a festa em comemoração a mais um ano de paz em Konoha. Foi nessa mesma data que foi declarada oficialmente o fim da guerra. Foi também nesse dia que todos os habitantes das cinco grandes nações puderam sonhar novamente.

Há dois dias fez dois anos que eu tinha novamente me juntado a Konoha. Tantas confusões aconteceram nesses últimos dias que eu acabei me esquecendo dessa data. E hoje fazia dois anos que eu tinha novamente entrado em Konoha, há dois anos eu recebia olhares de ódio e medo, há dois anos eu via Naruto e Sakura lançarem olhares de repreensão a todos que me xingavam.

Olhei para a rosada que assim como eu se mantinha calada olhando apenas olhando para frente. Seus olhos vagavam pelas barracas coloridas e brilhantes do local. Às vezes algumas crianças passavam correndo pela nossa frente e seus olhos verdes se fixavam na cena encantados.

Voltei a olhar para frente e meus olhos faiscaram de raiva assim que vi o mosquito ruivo, Saito. Nossos olhos se encararam saltando raios invisíveis em direção um do outro. O mosquito ruivo direcionou os olhos a rosada e quando eu estava me preparando para tirar a rosada do local para que ela não o visse, ela gritou.

- Saito-kun! – acenou para ele. A olhei irritado. Essa merda de Saito-kun ainda não havia acabado? O que eu tinha que fazer para que ela parasse com essa intimidade como o mosquito? Será que ela não via o ódio que emanava de mim quando ela fazia isso?

O ruivo veio como um cachorro abanano o rabo.

- Oi Sakura-chan! O que faz aqui com esse ser? – olhou para mim com desprezo, olhar que retribui com muito gosto

- Meninos, vocês não vão brigar agora, não é? – uma mensagem implícita de que se fizermos isso nos ferraríamos.

Olhei pro lado, tentando evitar um assassinato nesse local tão movimentado. Apesar de não estar olhando para eles, meus ouvidos estavam bem atentos a tudo que eles falavam, principalmente ao ruivo.

- Eu queria agradecer por você ter me ajudado na cirurgia. Foi tanta confusão hoje no hospital que nem deu pra agradecer.

- Não precisa agradecer, apenas fiz meu trabalho. Mas se você quiser me dar uma recompensa... – uma voz maliciosa irritante preencheu meus ouvidos. Não consegui mais ignorar a conversa.

- Você apenas fez seu trabalho, como você mesmo disse. Ela não precisa e não vai lhe dar nenhuma recompensa. – estava mais que claro o ciúme em minha voz. Mas meu nível de irritação com o mosquito estava chegando ao limite para controlar-me. Eu apenas queria terminar essa conversa e levar a Sakura para bem longe do ser insuportável que era o ruivo.

- Érr...Vocês não acham que está linda a festa? – a rosada queria acabar com o clima que estava entre mim e o ruivo, mas não conseguiu com muito êxito.

- Vamos Sakura. – a chamei. Nem olhei para trás, sabia que ela me seguia. Segui com passos lentos, dando chance dela emparelhar comigo. Pelo canto do olho a vi parar em uma barraquinha com vários ursos de pelúcia espalhados. Seus olhos verdes brilhavam olhando pros urso

- Quer um? – falei apenas para que ela ouvisse. Olhou pra mim com os olhos surpresos e brilhantes e acenou com a cabeça.

Aproximei-me da barraca e comprei um fixa. O desafio era simples. Eu tinha apenas que acertar uns blocos e derrubá-los e não podia errar uma vez sequer. Acertei todos com o mínimo de esforço. O dono da barraca, um homem gordo e de cabelos branco, perguntou qual dos ursos eu queria, apenas chamei a rosada e perguntei.

- Aquele. – apontou para um urso até pequeno. Pensei que ela escolheria o maior da barraca, um rosa que era fofo demais pro meu gosto. O urso que ela pegou era negro, seu rosto não tinha aquele sorriso idiota que todos ali tinham, ele apenas expressava uma face séria. Mas como todos os ursos ele era fofo – e novamente dizendo: Fofo demais pro meu gosto.

Queria pergunta o porquê de não ter escolhido o gigante rosa, mas decidi ignorar. Voltamos a caminhar, e ela como uma perfeita criança estava agarrada ao seu urso de pelúcia, coisa que me fez apenas revirar os olhos. Olhei uma barraquinha de comida resolvi entrar. Escolhi um lugar e logo após olhei para Sakura, esta me olhava irritada. Levantei uma sobrancelha e com um gesto com a mão mandei ela se sentar.

- Posso saber por que estar irritada?

- Acho que é porque você me chama para sair e passa o caminho quase todo sem falar nada. Posso até contar nos dedos às palavras que você dirigiu a mim. – respirei fundo. Era verdade. Mas a principal questão é o porquê de ter-la chamado para ir nessa festa. A verdade é que eu ainda não sabia responder essa pergunta.

- Desculpe-me. – falei com o rosto abaixado e pedi algo pra comer, coisa que a rosada fez logo em seguida. Olhei pra rosada que estava emburrada olhando para alguma coisa. – Hoje, depois do beijo, você comeu alguma coisa? – não sei bem o porquê de frisar a palavra beijo, mas seja lá o motivo, eu amei ver a velocidade que o rosto dela adquiriu um vermelho intenso.

- Nã-Não deu tempo. – percebi que ela tentava deixar a voz firmar.

- Não devia subjugar tanto sua saúde. Como você, uma médica, pode cuidar da saúde dos outros se nem da sua você cuida.

- Assim que cheguei tive uma cirurgia de urgência, já que os outros cirurgiões estavam ocupados com seus casos. Sorte que Saito-kun pode me ajudar, se não... – parou assim que viu áurea negra ao meu redor – Acho melhor não falar do Saito.

Encerramos ai nossa conversa. Apenas alguns olhares eram direcionados um ou outro naquele silêncio.

- Vou pagar a conta. – se levantou. Peguei seu pulso a impedindo de ir.

- Não. Eu pago. – falei firme. Com passos rápidos para que ela não mudasse de idéia paguei. Voltei a mesa e a vi com uma cara emburrada.

- Não gosto de homem que acha que tem que dominar tudo. Mulher também pode pagar a conta Uchiha. – virou o corpo em direção a saída – Vamos.

É impressão minha, ou eu acabei de receber uma ordem? Com uma veia saltitante comecei a andar. Desde quando ela pensa que pode mandar em mim? E também, desde quando eu tento agradá-la?

- Não gosto de homem que acha que tem que dominar tudo.

Minha cabeça repetiu sua fala tentando emita-la. Essa Haruno! Só por que eu estou parecendo um cão atrás dela, não quer dizer eu queira que ela...

Um grito escandaloso da minha mente dizendo que eu era um grande mentiroso me irritou.

- Sasuke-kun, olhe!! – ela apontou pro céu escurecido na hora que vários fogos de artifício explodiram no céu de Konoha. Com várias cores eles enfeitavam o céu da vila, trazendo consigo alegria ao rosto dos habitantes e da rosada. Estávamos um pouco distantes do centro da festa, por isso pouquíssimas pessoas passavam no local. – É lindo! – a voz angelical me atingiu como um jutso poderoso, me fazendo desejá-la em meus braços.

As luzes dos fogos de artifício pareciam ser refletidas nos olhos verdes, provocando um brilho especial que me encantou. A boca rosada estava aberta num sorriso, as bochechas estavam coradas de um rosa sutil.

Meu coração bateu descompassado no peito, parecia querer sair. Algo no meu estômago mexeu-se e cheguei a pensar que poderia estar doente. Mas doença nenhuma faria meus olhos se fixarem de tal maneira na mulher mais linda que eu já tinha visto na vida.

E mais uma vez eu desejei beijá-la. Desejei tê-la para mim em 100%. E sem esperar que os brilhos coloridos acabassem a puxei para junto do meu corpo. Meus lábios mais que exigentes por contato tocaram os dela. Eu almejava por ela mais do que minha própria vida. E pela primeira vez eu percebi: Todo esse tempo eu nunca fui o primeiro, era sempre ela; ela era a que ocupava o primeiro lugar na minha vida.

Eu ainda podia ouvi os fogos explodirem quando eu parava para recuperar o ar e voltava a beijá-la. Eu estava ansioso por mais contato, mas me contentei com o que já tinha, pois era mais do que o homem que já a fez sofrer tanto merecia.

Paramos com os últimos fogos sendo lançados. Apertei o meu braço ao redor da sua cintura, impedindo que eventuais fugas acontecessem. Olhei tentando gravar cada parte do rosto ofegante e corado dela. Aquele movimento na barriga ainda não havia acabado e nem meu coração ainda não havia acalmado.

Percebi que algumas pessoas se aproximavam e bem, era constrangedor saber que eles poderiam nós pegar desse jeito, como dizer... Junto demais. Então apenas com muito sacrifício tirei meu braço da sua cintura. Ela em nenhum momento parava de olhar nos meus olhos, parecia querer descobrir tudo que eu guardava.

Entrelacei minha mão a sua e fui caminhando lentamente para o foco da comemoração. Eu não tinha pressa em acabar com esse contado físico entre nós e também não fazia questão que os outros vissem, principalmente se esse alguém fosse o mosquito ruivo. Seria até bom que ele visse, assim poderia perceber que ela era minha.

Foi andando por essas ruas que tanto quis destruir, que percebi uma coisa. Hoje fazia dois anos que eu havia voltado para Konoha, que havia aceitado definitivamente que esse era o meu lar. Depois de dois anos, hoje era o primeiro dia que eu novamente aceitava algo.

Hoje eu aceitei definitivamente estar apaixonado pela Haruno.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.