Serial Crime

6 Cp 4 - Aprendendo a matéria... Na marra


No dia seguinte, os professores e o diretor insistiram para que as aulas retornassem, como se nada tivesse acontecido. Todos já estavam em sala, só esperando o professor chegar. Melinda estava junto a Edgar em um canto da sala, Kamilla e Gabriel estavam sentados sobre uma mesa, com as costas encostadas, um apoiando no outro. Todos na sala estavam com cara de sono, mas nossos amigos estavam parecendo zumbis. Clara entrou com um pedaço de papel nas mãos e foi em direção à Kamilla e ao Gabriel.

- Kah, aqui está. A lista com os nomes de todos desta turma.

- Obrigada, Clara.

- Mas Kamilla – interrompeu Gabriel. – O assassino pode ser de outra turma.

- Minha intuição diz que não.

- Há! A sua intuição? O que a sua intuição acha de eu pular de um penhasco?

- Ela acha que esta é uma excelente ideia e que isso deveria ser colocado em prática, o mais rápido possível.

- Ai, parem com isso!! – gritou Clara.

Melinda e Edgar se aproximaram interessados.

- Oi, Clara. Hum... O que é isso? – perguntou Melinda.

- É uma lista com o nome de todos os estudantes neta sala.

- Ué, para quê? – perguntou intrigada.

- Kamilla acha que o assassino está entre nós. – respondeu Gabriel.

Melinda se encolheu e olhou pelo canto do olho para Edgar, que estava igualmente apreensivo.

- O que houve, Mel? – perguntou Kamilla.

- Tem um garoto olhando para cá... O jeito que ele olha... Está me assustando...

Kamilla procurou discretamente pelo garoto que sua amiga havia comentado. Ao olhar para trás de si, atravessando Gabriel, ela viu um garoto de estatura mediana. Usava óculos e tinha os cabelos escuros. Ela o conhecia era o nerd preferido da professora Lauren, de química. Ao lado dele tinha um garoto mais alto, bem mais forte. Ele pertencia ao clube de boxe da escola. Kamilla foi arregalando os olhos gradativamente enquanto processava e juntava todas as peças do quebra-cabeça.

- Ai, Deus... – Kamilla sussurrou.

- Talvez aqueles dois? – perguntou Gabriel, olhando para os garotos de forma despistada.

- Provavelmente. Vamos ficar de olhos neles.

- Ok.

O professor apareceu em sala e pediu que todos se sentassem. Em seus lugares, todos começaram a assistir as aulas, menos Gabriel e Kamilla. Os dois estavam observando cada gesto dos dois suspeitos. Conforme as aulas seguiam, um grupo de alunos, no fundo da sala, fazia um alvoroço. Bagunçavam o tempo todo e o professor precisava chamar a atenção deles. Eram três garotos e duas meninas.

- Os senhores poderiam fazer o favor de não atrapalhar minha aula? – disse o professor já nervoso.

- Ah, qual é, professor? Que preguiça dessa aula!

- Bando de irresponsáveis e preguiçosos... – sussurrou o nerd suspeito.

O comentário abafado chamou, rapidamente, a atenção de Kamilla.

Bom... As aulas seguiram até o horário do intervalo. Todos foram para o refeitório, menos Melinda e Edgar, que disseram que iriam atrás do professor de matemática, e o grupinho desordeiro. Havia um local na escola em que eles ficavam sempre. Conversando, rindo, falando mal dos professores e fazendo outras coisas também. E então, bateu o sinal, indicando o término do intervalo, agora seria a aula de educação física.

- Arg!! Adoro educação física!! – disse Clara, ironicamente.

- Eu também não gosto. – comentou Kamilla.

- Ah! Nem vem! Você é a nossa melhor esportista! Vôlei, futebol, handebol, basquete, esgrima, atletismo...TUDO!

- Tênis *-* — sussurrou Kamilla.

- Eh... Isso também...

- Vamos então? — disse Kamilla.

- Bora. – respondeu Gabriel.

Ambos caminhavam na direção do ginásio, um aluno abriu o portão e, assim que entrou, soltou um palavrão que chamou a atenção de todos os estudantes que o seguiam. Os alunos foram entrando aos poucos e ficando assustados. As meninas gritavam e choravam, os meninos ficavam incrédulos. Cada um dos cinco jovens bagunceiros jogados no chão, com as mãos arrancadas. Mergulhados em um rio de sangue e com um escrito na parede: “Os índios brasileiros eram considerados preguiçosos”.

Kamilla olhou aquela cena de horror, perplexa. Alguns minutos depois, Melinda e Edgar apareceram ofegantes, estavam com receio de chegarem atrasados à aula. Ao entrar e ver a cena, Melinda deu um grito tão agudo que deixou Clara desnorteada.

Os corpos estirados ao chão, eles deveriam ter morrido por perda de sangue. Devia haver litros e mais litros ocupando o chão do ginásio. Kamilla ficava processando a mensagem na parede, escrita com sangue.

- Os índios brasileiros eram considerados preguiçosos? – disse Kamilla, em voz baixa.

- Na época da exploração – começou Melinda, com a voz meio trêmula, nos braços de Edgar – os portugueses escravizaram os índios. Mas estes estavam acostumados com uma carga-horária reduzida, os índios trabalhavam apenas o suficiente para garantir sua subsistência. Então, quando não trabalhavam o tanto que os portugueses queriam, os índios eram punidos. Tinham as... – ela recuou ao tentar dizer.

- Mãos amputadas. – completou Edgar.

Todos estavam assustados, horrorizados com a cena sangrenta.

- História? É esse o truque? – perguntou Kamilla, indignada.

- Kah, o que você está falando? – Gabriel estava preocupado e intrigado.

- A cada crime ele usa os conhecimentos de uma matéria. Com Bianca foi química e com eles foi história... Que pessoa desprezível.

Gabriel viu o rosto da amiga e a abraçou, acolheu-a em seus braços como se a protegesse dos demônios que assolavam aquele internato.