Notas iniciais
E vamos ao delírio com tudo isso! Gritos e mais gritos de animação ocorrem para a alegria geral da nação.

Todos pararam de maneira tão repentina, com receio do que estaria atrás de cada uma. Esperávamos uma resposta o mais rápido possível. E quando o último parou, a mesma nos foi entregue.

– Pode até ser que seja meio sinistro parar aqui... – Meio sinistro, claro que não era meio sinistro, se fosse ninguém estaria aqui. Parecem todos acostumados a ver isso, mas não pessoalmente. – A teoria é algo que muitos de vocês já conhecem. Com exceção do Diego claro. O portão três tem algo bem maior por trás dele do que a aparência medíocre pode demonstrar. Eu escolhi vocês por um simples motivo, a capacidade de cada um. Mesmo que alguns ainda estejam para descobrir do que ainda são capazes, essa é a hora de quebrar a barreira do seu próprio limite.

Você pode até ter achado que isso é um desastre, não sabe nem por onde começar...

– Não vai ser tão simples a partir de agora não é? – Carol perguntou apertando os braços contra o peito, sem possuir medo, apenas sem saber o motivo de estarem ali. – Conhecemos o motivo desse portão não ser aberto, o porquê de essa área estar sempre vazia. Mas, mesmo assim, você nos trouxe aqui.

– Carol, acalme-se. – Era uma garota loira que pedia isso. Nunca havia reparado nela antes de tudo isso acontecer, antes de entrarmos nessa situação, já tinha visto ela muitas vezes conversando abertamente com todos, mas nunca quis me envolver...

– Não posso Jeniffer, é difícil para mim, estar aqui... Onde todos dizem que é amaldiçoado!

– Mesmo assim tente se acalmar. Por favor, por mim.

Todos estavam distraídos, apenas eu e o professor notávamos tal atitude das duas. Era algo que alguns tentavam ignorar para não passar também.

– Não, não será tão fácil. – Agora todos voltavam o rosto para o Almir, começou a se tornar um novo porta-voz do grupo. Isso era o que estava faltando para manter a calma neles. – Mas não precisamos entrar em pânico, juntos terminaremos isso rapidamente, são apenas seis portas, passaremos cada uma juntos, e em menos de quatro horas estaremos aqui novamente. Nada de fantasmas, monstros, demônios ou coisas semelhantes poderão nos impedir de fazer isso. Estamos entendidos?

Nenhuma resposta, o discurso não havia convencido ninguém. Era hora de alguém chegar e modificar a situação. Eu só tinha uma dúvida me corroendo por dentro, era preciso solta-la ou nem mesmo eu seria de grande ajuda ali.

– Pedro... – A atenção caia sobre mim. – Responda-me, o que realmente se passa por trás do terceiro portão?

– Não pode fazer muita coisa se estiver com essa dúvida não é?

– Exato...

– Você me perguntou o que realmente era a Serfon, e por isso não consegui te dar a melhor explicação... Lembra-se de toda a explicação da senhorita Dryka? – Fiz que sim com a cabeça, embora aquilo parecesse que foi dito há muito tempo. – “The Mystery Souls” Foi chamada assim em uma época onde as pessoas que aqui estudavam intitulavam umas as outras com o nome “Souls mysterious”. O diretor daquela época preferiu manter o nome assim, afinal teria alguma relação... Sobre os alunos você deverá descobrir por si só, é algo que eu só vou saber a medida do tempo. A cada ano muda. É difícil tentar acompanhar dessa maneira.

O único motivo de estar contando isso resumidamente é para chegar ao ponto chave. O terceiro portão levava a sete salas onde os alunos possuíam aulas. Seis delas eram salas especializadas em técnicas, onde só seriam abertas por fora. Nunca por dentro, evitando que o aluno fugisse de sua obrigação diária. As aulas teóricas ocorriam normalmente na sala que está acima de suas cabeças – Ele focou os olhos no teto e depois os voltou para todos os alunos. – Toda a área acima de nós era a sala da teoria. O motivo de ter sido interditado se deve ao fato que nenhum dos membros estudantil se conscientizou de manter as portas trancadas. Vocês podem ver as marcas nelas não é?

Ao colocar os meus olhos sobre a primeira porta podia ver, estava cortada, marcas antigas e fundas, feitas por garras, ou por algo parecido, manchas que não foram causadas pelo tempo, mas sim pelo envelhecimento da original. Sentia repulsa ao imaginar que aquilo poderia ser sangue, mas o meu pensamento foi apenas uma coisa banal para o que vinha a seguir.

– Sangue... Sangue foi derramado aqui há muito tempo atrás. Agora ninguém sabe como ou por que. Nesse ano sumiram exatamente 792 alunos. O colégio perdeu mais da metade, muitos falaram que teria sido o próprio colégio o preletor dessas mortes. Muitos comentários, poucas informações. E desde então chamam este lugar de amaldiçoado.

– Um belo resumo não é? – Pietro comentou, não pelo motivo de que aquilo não era importante, mas que não era nem a metade.

– Dê um desconto para ele, contar a história toda levaria dias. Tivemos quase 15 dias de aulas consecutivas para aprender sobre os primeiros dois portões e mais 15 apenas do terceiro. Esse resumo é bom o suficiente para deixar algumas informações à mostra... – Carlos falava com um tom brando, ele gostava de calmaria, mas naquele lugar, acho que ele sentia mal acostumado ao nervosismo alheio.

– Quem foi o primeiro a entrar aqui? – Perguntei receoso da resposta.

– Em que momento? – A pergunta voltou como uma faca encostada sobre o meu pescoço.

– Assim que os casos aconteceram.

– No começo ninguém sabe... No término, eu e um amigo...

– Quando isso acabou?

– Há 15 anos...

– Não preciso que responda mais nada... Está nos mandando para um tipo de tarefa suicida? – Esse grito causou euforia no local, a ruiva já não conseguia mais se segurar.

– Acalme-se Dryka! Não estou mandando ninguém para nenhuma tarefa suicida!

– Pois é o que parece!

– Certo, não tenho muito que perder...

– Como é a história Diego? – Dryka lançou um olhar perturbado, medo e terror se mesclavam neles, tão belos e ao mesmo tão trágico...

– Eu vou com você Diego – Clara já estava ao meu lado segurando o meu braço. Ninguém poderia evitar. A decisão foi nossa.

– Então parece que não posso ficar aqui parado não é? – Todos olharam espantados para o lugar de onde vinha à voz, erguendo-se do chão e tirando o capuz, José se encontrava sonolento. Isso não mudava. Mas a animação dele moveu mais algumas pessoas.

Almir, Joyce, Pietro e Jéssica também estariam entrando nessa tarefa. Se tudo isso fosse suicídio teria um lado positivo, seria um suicídio em grupo. Todos podem morrer sozinhos. Mas qual seria a sensação de morrer ao lado dos seus amigos?

– Carlos, você vai ou fica? – Jéssica perguntou com a maior delicadeza do mundo. E ele assentiu.

Não precisamos mais fazer nenhuma pergunta, todos concordaram em ir por pura e espontânea vontade, alguns cheios de medo e nervosismo, tipo eu, outros com um pouco mais de preocupação.

Todos se colocaram na frente da primeira porta. Não havia nada de errado, aproximei minha mão da maçaneta, ao toca-la uma voz me chamou, ela pertencia ao professor agora escorado à parede, recitava as últimas instruções.

– Só podem entrar três pessoas por porta.

Ingrid que já estava nervosa voltou-se com ira contra ele.

– O que você está dizendo?

Ele respirou fundo. Era difícil conversar assim com tanta gritaria e nervosismo.

– Apenas três por porta. Essa é a regra básica desde o principio. Mais do que isso pode ser perigoso.

Afinal de contas, o que não era perigoso naquela tarefa?

Minha mão caiu, abandonando toda a força que tinha para girar aquela maçaneta, me virei para analisar todos que ali se encontrava, ninguém prestava atenção na porta, e sim, nas palavras que a Eliane pronunciava.

– Então, eu irei junto ao Marcos.

Todos pensaram que ela iria ser do contra, mas ao escolher com quem iria, começou uma nova divisão.

Clara já havia dito que iria comigo.

E a ordem das portas ficou separada assim: Clara e eu na primeira. Ingrid e José na segunda. Pietro e Jéssica na terceira. Almir, Joyce e Carlos na quarta. Vagner, Eliane e Marcos na quinta. Dryka, Carol e Jeniffer na sexta e última porta.

Começaram a entrar um por um, até que ficamos apenas eu, Clara e Pedro. Era apenas a diferença de alguns segundos. Já estava para entrar quando ele me chamou.

– Diego, me escute por apenas alguns segundos tudo bem?

O olhar apreensivo que ele estava não podia ser escondido, todos já haviam entrado nas portas que escolheram, Clara me esperava na nossa. Não estava preocupada, não estava nem com um pingo de nervosismo. Embora no começo tivesse aparentado ter ficado, seus cabelos demonstravam uma cor nova para mim, era a primeira vez que vi um castanho avermelhado, era tão natural, mas ao mesmo tempo tão fora do real.

Uma mão pousou sobre os meus ombros me trazendo de volta a realidade passageira.

– Desculpe-me por estar contando isso para você neste momento, mas é algo que você tem que descobrir não é? – Uma pausa para diminuir a velocidade da respiração. – Quando estiver lá não se deixe enganar, devemos confiar em nossos parceiros, isso é um trabalho que só vocês dois podem fazer, na verdade vocês quinze. E espero que todos voltem... Eu realmente espero...

– Eu entendo o que quer dizer. Eu voltarei bem, todos nós voltaremos, confie nisso...

– Eu tento confiar. Agora vão, e voltem o mais rápido possível.

Se esforcem, é a única coisa que posso pedir a vocês nesse momento...

Encontrei-me com a Clara pronta para passar pela porta, suas mãos estavam trêmulas, coloquei minha mão sobre o ombro dela para tranquiliza-la, o esforço não foi em vão, ambos estávamos mais calmos para encarar aquela situação.

Adentramos...

Andamos por alguns metros em total escuridão, nenhuma palavra foi trocada, estávamos tensos. Até que caímos, sem ver para onde, sem notar quanto tempo, batemos no chão dolorosamente, machucando-se ao extremo, mesmo assim vivos... Por enquanto...

Notas finais
Galera vamos subir uma tag no twitter #SerfonDeveriaSerLançadoEssaHistóriaComoLivro Na verdade tô brincando kkk Mas se algum dia eu ver essa tag no twitter eu penso a respeito kkkk