Serfon, um colégio nada normal

5 Quando as cortinas se fecharem.


Notas iniciais
Agora é que as coisas começaram a ficar boas :3

Três dias acabam de se passar e aqui estou sozinho no terceiro portão. Não é pra menos que estou sozinho, e não, eu não cheguei atrasado. Cheguei duas horas antes. Acho que por precipitação eu acabei saindo bem mais cedo do que o combinado, e que seja dito de uma vez por todas, esse colégio fica totalmente macabro a essa hora do dia.

No horário ao qual estou habituado a comparecer neste lugar não vi tantas coisas que talvez pudessem se demonstrar “macabras”. Mas agora? Agora percebo que até as árvores tem um tom mais arrepiante.

Estou mais uma vez perdido em pensamentos, pelo menos o tempo está colaborando dessa vez, já havia se passado uma hora, então daqui a alguns minutos as pessoas começariam a chegar também. Era um bom começo, pelo menos um pouco de positivismo não me faria mal...

– Realmente, um pouco de positividade no ar não faz mal a ninguém, não é verdade?

Uma mão gélida tocou o meu ombro, já tinha reconhecido o modo de falar, então não me assustei, era para isso que eu tinha que chegar pontualmente, mesmo que ainda faltasse uma hora e ninguém tivesse aparecido, ele já se encontrava ali.

– Então dessa vez foi o primeiro a chegar... Parece que realmente começou a se interessar sobre os assuntos daqui...

– Pode até ser Pedro, não queria me atrasar e ter que vir os dois dias...

Ele riu como se eu estivesse contando uma piada para descontrair, eu sabia que o castigo por não ter vindo também seria drástico, não sou lá o melhor aluno para tantas questões.

– Você tem alguma dúvida que quer esclarecer primordialmente?

– Sim... O que realmente é a Serfon?

– Não se lembra do que a senhorita Dryka explicou na aula? – Ele questionou de uma maneira que eu não sabia se estava se referindo ao simples comentário que acabei de fazer ou dizendo que minha memória é fraca, mas prosseguiu explicando seu ponto de vista. – Ou para melhor entendermos, você quer saber verdadeiramente o que os alunos são...

– Sim, eu me lembro do que ela disse, mas não apenas quero saber o que os alunos são como também o que deu inicio a esse colégio.

– A história pode ser longa, mas vamos por partes. Ainda temos algum tempo antes que qualquer um chegue, marquei de sete horas sabendo que a grande parte chegaria de oito, mas na verdade era de nove horas que eu queria todos reunidos aqui.

– Espera um pouco, está dizendo que eu não cheguei duas horas antes de todos, mais sim quatro horas?

– A curiosidade nos faz mais ousados e sedentos pelas respostas. E você deveria saber que estava quase morrendo por não entender algumas coisas que foram mencionadas na primeira aula. Você pode ter me considerado louco nela, mas não sou tão idiota ao ponto de não saber o que verdadeiramente se passa entre os meus alunos.

– E poderia me dizer o que eu realmente querendo saber?

Ele sorriu de uma maneira convidativa, não esperava por tal reação. Era como se já soubesse todas as respostas antes mesmo que eu pudesse perguntar. Então qual seria o real motivo de deixar que eu questionasse? Na verdade não havia nenhum em especial, mas poderíamos dizer que tinha um sim, e esse motivo era ganhar intimidade.

– A sua principal pergunta não tem relação com os alunos e muito menos com o colégio em si, mas tem haver comigo, e com a pergunta: “O que você é?” Estou enganado?

Engoli em seco, essa era a única pergunta que me vinha a mente desde o começo dessa conversa, e sim, eu queria saber cada vez mais do que me aguardava no decorrer daquele ano.

– Sim, essa é a minha pergunta... Poderia responder? Ou não é permitido?

– Por qual razão não seria permitido? Estamos cometendo algum crime?

– Não, só pensei que...

– Estou brincando, mas sente-se, o que contarei será demorado como eu já disse. – Sentei-me com um pensamento de que estava conversando com um telepata, não que fosse total problema isso, apenas considerei o fato de que a minha mente poderia estar sendo espionado neste exato momento. Ele retornou a falar logo após ter se sentado. – E não, eu não sou um tipo de telepata, apenas sei o que você está sentindo e aponto exatamente a sua dúvida.

– Então como poderia afirmar que eu estava achando que você era um telepata?

– Todos acham. Isso é comum, desde a minha infância me consideram isso.

Dessa vez um sorriso tímido, fraco, apareceu no rosto dele.

– Desculpe-me. – Ele me interrompeu falando que não era necessário pedir desculpas, o que todos diziam ou deixavam de dizer não era necessariamente o que incomodava ele, era sim a incerteza de cada um que estavam a sua volta. – Você poderia me contar quem foi que fundou a Serfon?

– Até gostaria de dizer, mas nem mesmo eu sei...

Poderíamos dizer que essa ninguém esperava, com um olhar calmo e passageiro deixei que aos poucos ambos fossem se recompondo das perguntas. Os traços da idade já eram aparentes nele, mas sabia que ainda não havia passado dos 31 anos. Tinha cabelos negros, baixos, mas elevados na parte de trás da cabeça. Os olhos eram castanho claro. Uma leve cicatriz sobre o olho esquerdo. Eu poderia descrever mais, quando chegar a analisar mais, uma mão foi parar em minha cabeça desgrenhando todo o meu cabelo.

Rimos um pouco, foi um momento de descontração que eu não esperava, não apenas eu estava com um olhar analista, mas também ele. Era algo normal para alguém que podia sentir os sentimentos das pessoas.

Foi designado especialmente para nos ensinar, o motivo eu também quero saber, mas... O medo de ser algo totalmente ruim ainda não me deixa escolha de perguntar.

– E os alunos o que realmente são?

– O que você acha que eles são. A mente de cada um funciona de uma maneira diferente Diego, você vai ver isso futuramente, não pergunte o que eles são, faça a si mesmo uma nova pergunta.

– Eu não sei... Talvez a pergunta fosse, quando eles dirão o que são?

Um leve sorriso novamente em ambos os rostos, sim, a pergunta era aquela e a resposta viria com o decorrer do tempo.

– Pode até ser que sim.

E com isso parecia que a vida toda iria parar, não sabia exatamente o que estava acontecendo. Eu me sentia suado. Talvez porque já passava das sete da manhã e por também ter ido de social numa manhã para completar uma atividade, sim eu estava de social, era a única camisa limpa que eu tinha e não podia ir de social e de bermuda então fui com uma calça jeans.

– Não acho que vai demorar muito, no meio desse desafio você vai descobrir algumas coisas, basta prestar atenção ao que busca.

– Assim espero, assim espero...

Em um movimento inconsciente me escorei na parte da parede do portão, minhas pálpebras olhos começavam a pender e eu já estava dando as mostras do cansaço. Comecei a fechar os olhos, me escorei ao seu ombro, acabei cochilando e o mesmo nada fez talvez imerso em pensamentos, talvez por respeito. Quem pode afirmar isso agora.

Não sei quanto tempo foi que passei cochilando, poderia saber se eu tivesse a noção de qual foi o horário que eu dormi. Mas não tinha e logo uma voz meio que tossindo me fez acordar.

Notas finais
Próximo no dia 10, animado por isso hihi