Serfon, um colégio nada normal

8 Apenas mais uma vez, o pesadelo de uma nova tentativa...


Notas iniciais
Capítulo que vai te deixar ansioso por mais, narrativa alterada, Pedro narra este capítulo. Nyah!!

“Desculpe-me por estar contando isso para você neste momento, mas é algo que você tem que descobrir não é?”

Realmente, eu deveria ter feito mais do que pedido essa simples desculpa, eu depositei minha fé neles, espero que cada um possa voltar melhor do que quando partiram. Não estarão tão longe, mas também não estarão ao meu alcance para serem ajudados...

Para eles estava realmente claro todo o meu objetivo ou apenas passei a mensagem errada desde o principio? Encenação, eu sou bom nisso, tentei manter até o final a cena de alguém que estava decidido, mas não os conheço tão bem que gostaria de mandar eles para tal lugar.

Observo agora cada uma dessas portas, lacradas por dentro, de fácil acesso por fora. Mas havia algo diferente nelas e nas paredes a volta de cada uma. Na primeira tinha símbolos pequenos e sem importância, algo que uma criança faria. Possuía letras minúsculas envolta dela. Não havia significado nelas. As outras portas os símbolos aumentavam de tamanho, dando agora para distinguir formas de animais e de objetos. As letras também pareciam maiores. Não era apenas impressão. No centro da última porta havia uma frase escrita, cortada ao meio que dava pouco entendimento aquilo.

“Wen... Corra.”

Pobre Wen, deve ter ficado para trás enquanto os outros tentavam fugir...

Ou isso pode significar outra coisa, agora o que?

Minha mente está martelando sem parar, tenho medo de que eles não consigam retornar e principalmente de que tudo comece novamente.

– Droga – Esmurrei a parede a minha frente, não tinha motivo especifico para tanto, apenas queria colocar em algum lugar a minha raiva.

Esse poderia ser o fim, até que me veio à ideia de que ainda não acabou. Eles acabaram de entrar. Ainda tinha alguma esperança que todos fossem retornar bem.

Mas não era tão fácil alimentar essa esperança e mesmo que eu conseguisse, não duraria por muito tempo. Eu não estou vivo até hoje para falhar na mesma situação... Não agora, não neste tempo.

Só falta pensar em como tentar mais uma vez cair em uma cilada da mente, ela já começou a me causar alucinações, vejo pequenas luzes brilharem em uma das paredes. Desviei o olhar dela, não queria continuar a ser enganado assim. Tentei seriamente colocar todos os meus pensamentos no lugar. Era realmente possível conseguir tal feito? Parecia que não.

“Eu voltarei bem, todos nós voltaremos, confie nisso...”.

Eu realmente quero confiar. Quero confiar de que vocês voltaram melhores do que antes, e que todos estarão presentes no festival.

Em muitos momentos, até mesmo todo o cansaço, vai valer a pena no final. É nisso que eu acredito, e ainda não existe ninguém no mundo que me fará mudar de ideia.

Isso parece estar tão repetitivo, tão semelhante à última vez, você poderia pelo menos estar por aqui nos aconselhando. Poderia dar uma bronca em todo mundo e depois rir como se fossemos crianças bagunceiras.

Eu apenas necessito saber se esse caminho é o melhor para essa geração, e estou prestes a descobrir...

Joseph, apenas mais uma vez, eu irei seguir os seus ensinamentos...

Mesmo assim, eu não posso dizer que estou bem, essa dúvida é egoísta demais, não posso compartilha-la, será que eu estarei bem com ela?

E mesmo que eu me esforce o máximo para contar, ninguém nunca te conhecerá tão cedo Joseph, ninguém nunca mais te encontrou...

Aquelas frestas de luz começavam mais uma vez a incomodar. Até que minha atenção caiu sobre elas.

Em um dos lados da sala uma parede com as marcas do tempo já estava a desmoronar em pequenos pedaços, caiam lentamente e não davam pista de quando cairia completamente. Era estranho, parecia que a cada pedaço que caia algo reluzente estava se mostrando atrás dela.

– Uma parede falsa? – Talvez, não adiantava fazer perguntas sem ter coragem de analisar e tentar descobrir a verdade. – Bom, me resta conferir se realmente é...

Aproximei-me da parede. Coloquei as minhas mãos sobre ela, tentei encontrar alguma abertura e nada.

Outro fragmento se desprendeu da mesma...

Comecei a tocar em cada parte dela, procurando um ponto onde pudesse puxar para acelerar o processo e ver o que se escondia por detrás daquela parede que há pouco tempo parecia tão normal.

Encontrei uma fresta com um espaço para uma mão, cravei meus pés no chão. Coloquei toda a minha força, e o que vi acontecer foi espetacular.

A parede caia aos pedaços como se estivesse em uma avalanche. Por trás dela havia uma parede de cristal, a primeira com certeza era falsa, feita apenas para encobrir o que se escondia aqui. Mas não pude admirar por tanto tempo. A parede de cristal começava a ceder, soltando fagulhas de contato uma com a outra e ruidosamente indo de encontro ao chão eu consegui ver. Pedaços fragmentados iluminavam o ambiente. Um brilho que cegava, desviei o olhar. Começava a cair mais rapidamente. Era algo que eu não queria contemplar de tão perto. Mas algo me chamou a atenção. Uma sombra, quando olhei, a parede fora totalmente destruída.

Agora na minha frente uma jovem estava usando símbolos de magia no ar, resplandecendo seus cabelos castanhos. E com uma única mecha loira na parte da frente do cabelo, podia perceber que ela já estava habituada a estar ali. O que me surpreendeu mais, foi a ter reconhecido...

– Você... Impossível. – O terror da minha voz era totalmente justificado, não sabia ao certo quanto tempo fazia desde que ela colocou os pés ali. Mas sempre que ocorria, era o começo de algo destrutivo.

– Há quanto tempo Drexus, ou deveria chamar você pelo seu nome atual, Pedro?

Um sorriso delicado, uma aparência que se transformou com o decorrer dos anos. Aquela pequena garota da pele pálida tinha uma cor mais chamativa, parecia bronzeada. Sua pele branca entrava em contraste com suas roupas. Uma blusa branca, uma saia preta. Seus olhos demonstravam cansaço, temiam que fosse tarde demais. Eles possuíam uma pequena sombra azul sobre eles.

Depois de tanto tempo ainda se demonstrava charmosa, era totalmente impossível distinguir que uma vez ela foi uma garota travessa.

– Adriana...

Notas finais
Sobre Joseph: Não esperem explicações sobre ele, ele não está relacionado a Serfon, um colégio nada normal (Fic) e sim ao meu livro, pensamentos sobre ele serão expostos, mas a sua personalidade não será abordada. Pode até aparecer em diálogos, embora sejam apenas lembranças. Sobre Adriana: Vocês logo descobrirão!!