Serenius Luna
4 Serenius
Tínhamos parado numa ilha para procurarmos suprimentos, achamos frutas e água, era uma dia alegre; os piratas estavam admirando os alimentos e planejando desembarcar em Pérolys para comprar rum e roupas para mim, eles finalmente não tinham mais nada contra mim, éramos muito próximos, havia me transformado no anjo deles. Eu os deixei só e entrei no salão para descansar um pouco, ao afastar a poltrona do Marquês uma lacraia de 25 centímetros apareceu, ela estava armada e pronta para atacar, tentei correr mas ela subiu no meu pé e acabei caindo, com as patas e tudo que a compunha ela ficou sobre mim e enfiou os ferrões abaixo dos meus peitos, senti meu corpo abrir no meio e gritei, Pinóquio e os outros apareceram assustados, ele bateu nela com um pedaço de madeira jogando-a na parede e depois a matou com o facão.
— Luna, Luna!! — ele me chamou desesperado.
Todos me olharam com medo e apavorados, meu corpo estava no chão imóvel; primeiro senti meu coração sendo perfurado com milhares de espinhos e sendo queimado ainda batendo dentro de mim, seguindo senti mil agulhas pegando fogo entrando no meu corpo a cada segundo. Ninguém soube o que fazer, eu estava me revirando de dor; o terceiro estágio foi o pior, senti meu sangue ferver como lava, meus ossos se dissolvendo e meu coração se partindo em vários pedaços, meu corpo estava se corroendo por dentro; olhei para Pinóquio e sua expressão me fez chorar, lágrimas caíram do meu rosto, eu não aguentei muito tempo toda àquela dor; parei sem força, senti uma facada nas minhas costas, a dor foi insuportável, suspirei forte e perdi a consciência. Pude ouvir o grito de dor e pavor de Pinóquio ecoando diante à minha morte.
Descobri quem sou quando adormeci, eu vi toda a minha vida e história. Eu sou Luna Sereny, filha do amor do mar e da Lua, meus pais me abençoaram com os poderes de controlar as fases lunares, os tempos climáticos, viajar no tempo e voar; tenho o dom mais raro do Reino de Marylunm, eu sou a única que pode amar, a única que pode sentir esse sentimento tão lindo e especial. Meus irmãos, egoístas e ambiciosos, tiveram inveja de mim, inveja ao qual cresceu muito, eles me traíram por querer meu dom, acharam que o teria se tirassem todo o poder de mim mas não foi o que aconteceu, eles me deixaram fraca e ferida, porém meu dom permaneceu comigo, porque eu sou o dom. Com raiva e enfurecidos eles me jogaram na Terra, poderia ter sido meu fim se uns homens de bom coração não estivessem me achado, eles me acolheram e cuidaram de mim, mesmo em momentos que duvidaram da minha palavra, as únicas lembranças que tenho como humana são às do tempo que passei ao lado deles. Por toda minha vida ser divina fiquei sem identidade ao acordar humana, não tinha nenhum fragmento dentro de mim, minha mente, coração e alma eram novatos nesse mundo, porém conforme meu corpo de Deusa foi voltando meus poderes foram surgindo e meu corpo humano sumindo fazendo minha memória voltar aos poucos.
Foi uma grande dor descobrir que eu fui a responsável pela morte de Dados, eu trouxe a chuva de granizo, eu trouxe a tempestade, eu o matei; por mais que doa e machuque a morte dele me faz forte, perder alguém que adora te faz fraco e forte. Forte, é assim que eu tenho que estar para me transformar em coruja, ela me protege quando estou na Terra protegendo e cuidando de todos que estão no mar; me transformei no dia do quarto crescente porque a lua me deu força e tranquilizou minha mente e coração, porém no dia que sai do espelho estava fraca e atordoada e permaneci assim por um bom tempo.
Meus poderes não estavam no máximo naquele tempo, eu posso controlar quando me transformar em coruja, posso trazer de uma brisa à um tornado, não viajo no tempo apenas com o espelho, esse é o modo que necessita de menos energia, a Lua pode ficar negra com bolinhas rosas se eu quiser, porém tudo isso só é possível se eu estiver forte e lúcida. Quando o veneno do Scorpedes Fifty, a lacraia que foi mandada pelos meus irmãos assim que descobriram que eu estava viva por sentirem minha aura, quando seu veneno equivalente à de 50 escorpiões me matou, ela havia matado apenas meu corpo humano deixando o meu divino livre para florescer, foi assim que me lembrei. No final o que foi mandado para me aniquilar me ajudou. Eu, Luna Sereny sou a Deusa da proteção da vida no mar, protejo tudo que estiver navegando nela ou que estiver sobre ela; marinheiros, piratas, pássaros, animais. Dito isso posso dizer que por tal motivo não pude deixar os piratas se ferirem ao caírem das pilastras, por tal motivo a morte de Dados ainda me dói tanto, e por tal motivo não deixo nenhum mal machucar àqueles que me salvaram.
Eu acordei deitada numa cama com um lençol me sobrepondo, o tirei, e ouvi alguns gritos vindos do convés, avistei quando cheguei várias vespas com uns 10 centímetros atacando os homens e o navio, havia um homem alto com os olhos muito escuros e outro com o cabelo longo loiro, eram os meus irmãos, eles sabendo da minha sobrevivência quiseram não só terminar o que começaram mais também se vingar daqueles que me salvaram. Às vespas agulha furam e perfuram tudo, causando muita dor, ⅓ da dor causada pelo veneno do Scorpedes Fifty, nem todas às vespas contém veneno, apenas as vermelhas, matam rápido enfiando o ferrão no coração. Não esperei muito para fazer algo vendo como as pessoas que adorava estavam sendo massacradas, logo chamei a atenção dos meus irmãos trazendo em segundos uma tempestade de raios e queimando metade das vespas, todos me olharam espantados:
— Luna. — sussurrou Pinóquio ao me ver.
— Vocês realmente acharam que podiam me matar!? Sempre fui a mais forte de nós três, só conseguiram me afetar e me jogar aqui porque usaram seus poderes juntos, e vocês sabem disso, por isso que os dois estão aqui. — insinuei séria enquanto andava em direção aos meus irmãos.
— Como você conseguiu sobreviver?! — indagou um deles.
— O veneno matou meu corpo humano e eu finalmente flori no meu corpo divino, como se deve. Estão surpresos!? Eu também, afinal quem diria que meus irmãos depois de tudo ainda teriam coragem e orgulho o suficiente para tentar matar novamente a irmã deles.
Todos os piratas olharam a cena assustados, pois não sabiam o que ocorria, meus irmãos pareceram muito irritados:
— Eu não vou deixar você voltar para Marylunm, pelo menos não viva! — exclamou um deles vindo em minha direção.
Ele tentou me atingir, mas eu me esquivei, às vespas que sobraram estavam atrás de mim mas os piratas para me ajudar saíram matando-as com facões, meu outro irmão quis me atacar por trás quando eu estava distraída, Pinóquio o puxou e eles brigaram:
— Você nunca mais irá me enganar! — exclamei para o que se encontrava na minha frente. — Sou uma Deusa mais poderosa do que era antes, vocês dois fizeram isso comigo, me tornaram resistente à dor e mais encantada pelo o amor.
Pinóquio se distraiu me ouvindo falar:
— Deusa! — destacou surpreso.
Meu irmã o atingiu no rosto, ele caiu, porém se levantou e enfiou uma adaga no peito dele, cambaleando seu corpo caiu no mar e os tubarões o devoraram deixando apenas o cabelo loiro boiando. Ao olhar para frente não havia mais ninguém, meu outro irmão havia sumido e às vespas também, os homens vieram me cumprimentar e abraçar, corri até Pinóquio, nos abraçamos forte; ele olhou meu rosto alisando minha bochecha, sua expressão era apaixonada e seu sorriso doce, até que o sorriso sumiu e sua expressão ficou assustada, olhamos para baixo e vi o que o ferrão de uma vespa ultrapassou seu coração, ela era vermelha.
— Ariel! — exclamei com os olhos cheios de lágrimas.
— Vai ficar tudo bem anjo, não se preocupe. — ele disse passando a mão no meu cabelo.
— Não, não posso ver você morrer! — lágrimas caíram de vez dos meus olhos.
— Eu sempre estarei com você Luna. Eu amo você! Obrigado meu amor, por me fazer sentir esse sentimento tão especial!
— Eu não vou deixar você morrer! — disse logo antes de o beijar. — Nos vemos na lua cheia! — sublinhei ao soltá-lo.
Seu ferimento cicatrizou, e eu virei pequenas conchas na frente dele; Pinóquio não ficou atordoado ou espantado, pois sabia que tudo ficaria bem, e sentia no seu amor que nos encontraríamos novamente.
Meu beijo não é um beijo comum, nele eu dou a minha vida para a outra pessoa, morrendo em seguida e virando pequenas conchas, porém na lua cheia quando ela está no ponto mais alto no céu e a luz lunar está vibrante e vibrando, eu nasço do mar onde a luz o ilumina. Meus pais diante do amor, me salvam dessa maneira.
Tudo ficou bem depois que parti, e pouco tempo depois eu e Pinóquio nos reencontramos; passamos um longo período apenas nos abraçando e um dia antes da lua cheia nos beijamos, assim no dia seguinte eu nasço e não ficamos nem um dia sequer sem nos ver. Não foi a última vez que fizemos isso, nós vivemos assim, passamos todo o tempo que conseguimos um ao lado do outro e um dia antes da lua cheia nos beijamos, pois no outro dia renasço para o meu amado.
Não sei como viver sem o amor, ele é tão belo e doce; consigo entender meus irmãos, eu ficaria louca se meu coração parasse de acelerar e minhas mãos suar ao ver Ariel, afinal eu o amo.
Eu, Luna Sereny uma Deusa Marylunmiana, amo Ariel Philip, o Pinóquio!
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