Serenius Luna
1 Amnésia Lunar
Eu estava desacordada, na beira de uma praia deserta; estava ferida, sem força e sem consciência. Uns homens me encontraram, eles tiveram pena de mim vendo minha situação, um deles me colocou nos braços e me carregou até o barco. No outro dia, ao abrir os olhos, eu não lembrava de nada, nem quem era ou onde estava, como se tivessem apagado minha mente:
— Minha cabeça! — eu me queixava de dor. — Onde estou?
Observei o lugar atentamente, mas nada me recordei. Olhei no espelho me admirando, apertei minhas bochechas, puxei meu cabelo, arregalei os meus olhos, eram azuis, porém, tudo era estranho para mim, nem a janela da minha alma era familiar:
- Quem sou eu? — perguntei de frente ao espelho percebendo que nem meu nome me lembrava.
Um homem entrou no "quarto", ou o que pareceu ser um:
— Ela acordou!! — gritou quando me viu.
Eu o observei, estava muito confusa com aquilo tudo:
- Olá! — ele pareceu ser simpático.
— Oi. — respondi com estranheza.
Muitos homens suados, com roupas desleixadas, sujas e algumas até rasgadas entraram no quarto, uns me olharam com brilho nos olhos, outros me olharam com certa opressão. Um deles se destacou, era alto e grande, tinha uma barba engraçada e um nariz comprido, foi ele que se impões:
— Olá moça, qual seu nome? — questionou na minha direção.
Eu não respondi, o olhava torto, encarava todos:
— Moça? Está me ouvindo? — ele continou me questionando.
Disse sim com a cabeça:
— Como se chama? — indagou.
— Eu não sei. — o respondi calma.
Todos me olharam, pareciam me julgar, como se eu estivesse mentindo:
— Onde eu estou? Quem são vocês? — perguntei confusa, era só o que queria saber.
Depois de fazerem muitas perguntas e todas as respostas terem sido 'eu não sei', os homens fizeram uma reunião longa, eu fiquei trancada no quarto, não tinha banheiro, nem comida, pensava no porquê daquilo, quem eram eles e onde estava. O tempo que passava me deixava preocupada, até que eles apareceram, o de barba engraçada disse para mim:
— Você pode ficar conosco até se recordar.
De certa forma aquilo foi um alivio na hora, porém, eu ainda tinha que me lembrar da minha vida, da minha identidade. A porta ficou aberta depois que eles saíram do quarto, estava muito curiosa então resolvi sair, não pude acreditar no que vi, era um navio, eu estava num navio, tinham homens em todos os lados, nenhuma mulher. Um deles me abordou enquanto eu andava pelo convés, era baixo e loiro, parecia que não tomava banho fazia muito tempo, empurrando meus ombros ele me levou até um local e disse:
— Coma alguma coisa, peça ao Pinóquio que ele vai saber o que lhe dar para comer. — saiu logo em seguida.
Eu lembro de sentar numa cadeira, olhar para baixo e ao voltar a cabeça ver um rapaz na minha frente, ele era diferente dos outros, posso dizer baseada nos outros homens que vi pelo navio, que ele era o mais bonito. Ele me olhou e exclamou:
— Então você é o anjo que caiu do céu?!
O olhei séria, ele sorriu e explicou:
— É assim que estão lhe chamando, 'o anjo que caiu do céu', já que é única mulher nesse navio os homens estão encantados com você, pelo menos a maioria.
Eu não soube bem como reagir, então permaneci séria, ele pareceu ter se incomodado, pois mudou de assunto me vendo calada:
— Eu sou Ariel, Pirata Ariel Philip pra ser mais exato. Porém, pode me chamar de Pinóquio. — vendo-o falar seu nome tudo fez sentido.
— Pirata — sussurei.
— Sim, pirata, todos aqui são piratas, não sabia? — ele me olhou tentando ver meu rosto.
Olhei em volta, não vi mais homens suados com roupas sujas e rasgadas, eu vi piratas.
— Mais então, dizem que você não se lembra de nada, nem do próprio nome. — ele insinuou.
— É verdade. — confirmei avoada.
A expressão dele ficou chata, parecia que não sabia o que falar, então me impus:
— Estou com fome. — exclamei.
— Tenho algo perfeito para você comer, irá lhe ajudar a se recuperar. — ele pareceu feliz por ajudar.
Pinóquio colocou um prato de sopa na minha frente, eu o comi em menos de 5 minutos, estava faminta, não sei quanto tempo fiquei sem me alimentar.
Dias passaram rápido depois que eles me encontraram, eu já estava bem e acostumada com os piratas, não todos, só com os fofos e divertidos. Eu ainda não me lembrava de nada, então todos me chamavam de anjo, foi como me apelidaram, na época eu até gostei; num dia claro, eu estava no salão sentada lendo um livro, Capitão Anthonio, que era o pirata de barba engraçada, me chamou para o convés, todos estavam admirando o pôr do sol, eu levantei rápido e dei uma última olhada no livro. Ouvindo ruídos da conversa deles, uma palavra se destacou na minha mente, foi a única ao qual eu entendi, foi a única que ficou na minha cabeça. 'Serena', 'Serena', 'Serena', talvez eles estivessem falando da noite que chegava, do pôr do sol, ou de alguma deusa, eu nunca soube, sei apenas que perdi a lucidez com aquela palavra martelando em mim e desmaiei. Acordei no quarto, Pinóquio estava ao meu lado, junto aos piratas Chloves, Marquês, Gram e Dados, eles me olharam preocupados:
— Você está bem anjo? — Gram me perguntou como sempre calmo.
— Estou sim, o que houve? — eu não lembrava da noite passada.
— Você desmaiou ontem à noite, só retornou à consciência agora. — Dados me informou.
— Anjo, você ficou falando um nome durante toda à noite, achamos que seja alguém que conheça. — não gostei da expressão de Pinóquio quando disse isso.
Esperei ele dizer o nome:
— Conhece Luna? — todos me olharam ansiosos.
— Sim. — eu não pensei antes de responder. — Sou eu!
O olhar assustado de cada um está para sempre marcado na minha mente.
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