Notas iniciais
Um pouco atrasado, mas o que vale é a intenção.

FELIZ NATAL E ANO NOVO POVITO.

Para Park Jimin, datas comemorativas como o natal, tinha um significado especial, principalmente para cada etapa de sua vida.

Primeiro, sua infância com seus pais biológicos. Jimin se lembrava com muito carinho dessa época. Seus pais se esforçavam pra dar todos presentes e mimos, sempre com uma ceia farta, músicas natalina e no dia seguinte sempre tinha guerra na neve.

O que ele mais guardava para si, era o sentimento de serenidade.

Quando seus pais morreram, Jimin tinha apenas oito anos. Ele passou a morar em um orfanato e não podia dizer que as festas eram ruins. As crianças recebiam presentes doados e todas dividiam e brincavam entre si.

Ele gostava principalmente porque ninguém se importava se ele gostava de brincar de bonecas, cozinha ou de pintar. Gênero era algo inútil no orfanato. Todos ocupados demais tentando ser feliz e adotado.

A refeição não era completa, nem a melhor do mundo. A única música natalina era “Jingle bells” e parabéns para as gêmeas que faziam aniversário no dia vinte e cinco.

O dia seguinte era de bonecos de neve, e ainda assim não ficavam muito. A saúde deles não era mais a melhor coisa do mundo para se arriscarem do lado de fora por muito tempo.

O sentimento era de gratidão.

Foi quando completou doze anos e foi adotado por uma nova família, que Jimin finalmente entendeu o que era odiar datas comemorativas.

Os pais novos eram exigentes. Jimin só podia usar roupas sociais, sem tons femininos. O cabelo que ele tanto amava, foi cortado, escurecido e partido ao meio.

Jimin aprendeu uma vida sobre gravatas, reuniões, sorrisos falsos e ‘coisas de homem’. Tapas com marca de anel e gritos. Sobre não ter sonhos e não respirar. Jimin aprendeu sobre depressão e a falta de amor.

Os natais eram sempre em reuniões empresariais. Não tinha brinquedos, músicas natalinas e nem bonecos de neve. Jimin as vezes preferia ficar sozinho em casa trancado em seu quarto, a ter suas memórias boas apagadas. Infelizmente não tinha mais decisões próprias.

Quando fugiu de casa aos dezessete, o sentimento era de mágoa e alivio.

A partir daí, Jimin passou a ignorar as datas comemorativas no calendário. Para sobreviver ele começou a trabalhar parte em uma loja de roupas e outra em um café. Ele sempre se oferecia a cobrir a folga de todos, férias e quando faziam o quadro de trabalho para feriados, Jimin se oferecia para tudo.

Ninguém questionava, apesar que o chefe dele sempre o lembrava que ele era humano e merecia um descanso tanto quanto os outros funcionários. Jimin não se importava com ano novo e natal. Não tinha família, suas memórias boas foram massacradas e ele apenas fugia desses dias.

Quando era obrigado a não trabalhar, ele se trancava em seu apartamento com ramen e algum dorama antigo.

Jimin tinha quase vinte e quatro quando ele sentiu como se pudesse respirar de verdade pela primeira vez.

O sentimento era como se tivesse renascido.

—/-

Jimin tinha vinte e quatro, estava trabalhando a virada de natal no café como estava tão acostumado nos últimos anos.

“Eu não acredito que finalmente achei um café aberto a essa hora!!! Eu vou matar eles por me darem essa tarefa em pleno natal!” Um cliente entrou prestes a matar algúem e Jimin achou melhor atender ele de forma ágil e eficiente para poupar sangue no estabelecimento.

“Boa madrugada!! No que podemos ajudar?!”

“Eu sinto muito por você ter que trabalhar nesse dia a essa hora.” A sinceridade do cliente o fez tomar um passo para trás, pego de surpresa.

Ele recebia sorrisos, agradecimentos e desejos de boa festas, mas nunca alguém tinha realmente se importado com o fato de estar ali a essa hora.

“Obrigado, mas eu que escolhi estar aqui hoje.” Respondeu com o melhor sorriso e deu de ombros.

O cliente não pareceu gostar da resposta, cenho franzido, mas fez seu pedido mesmo assim. 3 frappuccinos, 2 chás e um cappuccino com bastante canela.

Jimin preparou as bebidas enquanto cantarolava a música que saia do rádio do estabelecimento.

“Você gostaria dos nossos coockies também? Nós temos alguns especiais de natal que são exclusivos para essa data, e o dinheiro é convertido para dar um natal melhor ao orfanato aqui do lado!!!”

“Eu não acredito em orfanatos.” Foi a resposta curta e grossa que recebeu enquanto ele pagava pelas bebidas.

Jimin acabou fechando a cara. Não importa como ele havia vivido todos esses anos, ele ainda tinha um 'que' especial pelo orfanato que cresceu.

“Você não deveria desmerecer um lugar que tenta seu melhor para amar crianças abandonadas ou que perderam tudo que tinham.”

“O orfanato nunca fez isso por mim e meus irmãos.” O cliente ergueu as sobrancelhas como se desafiasse Jimin, que bufou como resposta.

“Suas bebidas senhor. Obrigado pela compra, boas festas!”

Apesar de atender mais outras três pessoas, ele percebeu que o cliente ainda não havia ido embora, no celular enquanto tomava o cappuccino.

Quando Jimin menos esperava, ele tinha mais duas pessoas no café, encarando ele como se tivesse cometido um crime e seu chefe estava dando folga à ele com gritos de alegria e quase soltando fogos de artíficios.

—/-

Jimin não poderia dizer que se arrependia daquela noite. Não agora, quanto tinha vinte e sete e caminhava para casa na noite do dia 24. Ele tinha que correr para chegar antes da meia noite ou os outros nunca o perdoariam.

Jimin se lembrava de todos os natais. Desde os que se lembrava quando ainda tinha seus pais biológicos. A noite estava fria, mas ele não se incomodava.

Jimin começou a rir sozinho, pensando que um deles provavelmente começaria a cantar Frozen se soubessem desse tipo de pensamento seu.

Não importava as memórias e os sentimentos que carregou todos aqueles anos, nada poderia se comparar ao abrir a porta e sentir o calor do ambiente e da energia.

De um lado, Taehyung e Jungkook brigavam para ver quem colocaria a estrela no topo da árvore. Jimin achou que chegaria com a casa já decorada, mas deveria ter suspeitado que os dois causariam.

Então um grito desviou a atenção dele, e viu Namjoon e Seokjin na cozinha e um prato, graças a deus intacto, no chão. Deveriam estar finalizando a ceia e a sorte de Namjoon decidiu bater a porta justo essa noite e transformá-lo no deus da destruição.

E por último, sua atenção caiu na mesa, onde Hoseok e Yoongi arrumavam os copos e bebidas enquanto riam. Jimin sentiu a respiração falhar com o amor que sentia com essa cena. Principalmente quando o loiro direcionou o sorriso dele para a porta.

Jimin finalmente fechou a porta do apartamento atrás de si, retirando o casaco e Yoongi estava a sua frente, ajudando ele.

“Achei que não ia chegar para o natal!”

“Me seguraram um pouco mais na clínica, mas estou aqui! E sabe que não perderia isso por nada nesse mundo!” Acabou dadno uma risada cheia de vida e amor.

Yoongi sorriu mais ainda com isso, roubando um selinho do mais novo e o puxando para a sala.

Taehyung e Jungkook começaram a gritar ao vê-lo, largando tudo em favor de receber ele com um super abraço.

Jimin teve muitos natais e sentimentos. Família biológica, orfanato, família adotiva, sozinho.

Mas nada nunca ia se comparar ao amor, felicidade e completude que sentia ali com os seis. Ele nunca trocaria esse natal. E repetiria tudo de novo, se terminasse assim todos os dias.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!