Serendipity

3 Quebra-Cabeça


Notas iniciais
~a música do início é "wild", de troye sivan~ vim aqui te desejar uma ótima leitura e espero que goste ♡ deixa teu comentário aí!! pode falar o que quiser ^^ ~gabinnie

Leave this blue neighbourhood
Never knew loving could hurt this good, oh
And it drives me wild
'Cause when you look like that
I've never ever wanted to be so bad, oh
It drives me wild

You're driving me wild, wild, wild

You're driving me wild, wild, wild

— E ele simplesmente foi embora? Sem mais nem menos?

Jungkook segurava a rosquinha no ar, indignado, enquanto encarava Jimin e esperava sua resposta. Em vez disso, foi Tae quem falou, rindo.

— O que ele iria fazer? Dar um beijo de despedida? — Brincou, com a boca cheia de batata frita. Kookie o olhou com desprezo, jogando uma rosquinha meio mordida no amigo e fazendo-o xingar baixinho, os dois iniciando uma discussão regada a risadas. Jimin apenas manteve os olhos no próprio milkshake de morango, com a mente vagando pelos acontecimentos dos últimos dias. Já havia se passado quase duas semanas desde o encontro peculiar na casa da mãe de Yoongi. Sua vida continuara do mesmíssimo jeito que estivera antes daquilo tudo acontecer – as aulas na universidade, os encontros semanais na lanchonete ao lado dela com Tae e Kookie, o trabalho de meio-período, as idas espaçadas à Busan para visitar seus pais – e ninguém além dele parecia sentir aquela estranheza em tudo que via e ouvia. Como se o mundo todo tivesse continuado girando sem se preocupar com o fato de que toda a atmosfera estava diferente, e Jimin fosse o único a ter percebido isso.

Uma batata frita voou dentro do líquido cor-de-rosa de seu copo, espirrando no rosto de Jimin e fazendo-o se afastar de surpresa.

— Vocês querem parar com essa palhaçada? — Reclamou, irritado, olhando para os dois amigos que ainda brincavam com a comida. Kookie e Taehyung pararam no mesmo instante, as risadas cessando ao que o tom alto de Jimin foi ouvido. Ele se arrependeu de imediato – não queria descontar o estresse nos amigos –, mas sabia que eles entenderiam. Suspirando, pôs uma das mãos no rosto. — Desculpa. Desculpa.

— O que você tem? — Tae perguntou, um misto de preocupação com confusão na voz. — Não devia ficar pensando tanto nisso.

Jimin não os olhou quando respondeu.

— Eu só fico irritado porque não consigo me lembrar — Resmungou, tendo plena consciência de que soava repetitivo, pelo menos para si mesmo. Não sabia se tinha comentado aquilo com eles ou se só ficara pensando nisso sozinho. Mas, àquela altura, tampouco se importava. — Ainda tenho a impressão de tê-lo visto antes em algum lugar, mas não consigo me lembrar.

— Sério? — Taehyung soava incrédulo, pelo que parecia a primeira vez em séculos, e isso fez Jimin olhar para ele. Tinha uma expressão surpresa no rosto, e não estava tirando onda dessa vez. — É sério que você não lembra?

E então o outro teve certeza de que não tinha comentado desse déjà vu com nenhum dos dois – não soube se deveria se sentir envergonhado ou como se finalmente estivesse perdendo os últimos parafusos que sobravam. Jungkook os observava como se estivesse assistindo uma partida de tênis.

— Como assim? Você já o conhecia? — Indagou Jimin.

— Jimin, por favor! — Taehyung deu uma risada meio forçada, como se estivesse esperando que o amigo dissesse que era só uma piada ou algo assim. Como ele não o fez, Tae não teve escolha a não ser se explicar. — Ensino Médio, Chim. Sala 2-1, te lembra alguma coisa? Qualquer coisa?

Jimin franziu o cenho – o que a escola que eles haviam frequentado tinha a ver com o que estavam falando? Agora era a vez dele de ficar bastante confuso.

— Sim, era a sala ao lado da nossa, a primeira do segundo ano. O que tem?

— E nós não tínhamos nenhum amigo nessa sala? — Insistiu Tae, a voz pausada como a de quem tenta fazer uma criança pequena entender algo. Jimin revirou as memórias daquela época, tentando dar nomes aos rostos que surgiam em sua mente.

— Hoseok-hyung, não era? Lembro que ele era repetente…

— Vocês dois eram de que sala? — Indagou Kookie, claramente sentindo-se excluído da conversa, já que naquela mesma época ele ainda cursava o Ensino Fundamental.

— 1-3. Mas Tae tinha amigos na escola toda — Provocou Jimin, mesmo sem entender a relevância daquele assunto para o que estava procurando.

— Certo, e Hobi-hyung tinha um amigo bem próximo. Quem era? — Continuou Taehyung, ignorando os dois. Chim se esforçou para lembrar, mordendo o lábio.

— Namjoon-hyung…? Eu sempre achei aquela amizade interessante, ainda mais por serem de séries diferentes e principalmente de personalidades tão diferentes…

— Foco, Jimin! Eu sei que você é capaz de se esforçar mais um pouquinho — Taehyung agora soava genuinamente frustrado, incapaz de acreditar que Jimin não se lembrava do que quer que fosse. O menino passou a revirar os confins da própria mente, fechando os olhos e se esforçando para trazer à tona aquela maldita lembrança, se é que havia mesmo uma. Viu os corredores do colégio, um jovem Tae ao seu lado, cumprimentando Namjoon-hyung and Jin-hyung na porta da sala deles. Jimin sempre tivera vergonha de falar com eles, parte por serem os terceiranistas mais populares e mais inteligentes e parte por sempre parecerem estar flertando um com o outro, apesar de nunca admitirem. Viu rostos conhecidos passarem, sorridentes e jovens, rostos de pessoas com quem não mantivera contato depois dos anos que passaram. De repente sentiu a saudade apertar o peito ao avistar o pátio, cheio de adolescentes tão idiotas quanto ele, recheado de amigos de uma época da qual sentia falta. Todos estavam ali: Tae, Hoseok-hyung, Jin-hyung, Namjoon-hyung, até mesmo Kookie fugira do seu prédio para ficar ali, e também…

Jimin arregalou os olhos.

Yoongi-hyung! — Exclamou, assustando Jungkook. Tae finalmente parecia satisfeito, apoiando a cabeça numa mão como quem diz “pode admitir que eu estava certo”. — Yoongi! Por isso esse nome me era tão familiar! Por isso ele era tão familiar...

Jimin ainda tinha a boca aberta, inclinado sobre a mesa, sem conseguir crer que a resposta estivera ali aquele tempo todo. Como não pôde lembrar-se de algo tão óbvio?

— Espera aí, ele estudava com vocês? — Indagou Kookie, claramente tão incrédulo quanto Jimin. Talvez até mais, por não ter convivido com Yoongi. Mas e Jimin? Qual era sua desculpa? — Que… que babado!

Tae gargalhou, jogando a cabeça para trás. Jungkook deu-lhe um soco no braço, tendo plena consciência de que ele e seu vocabulário eram o motivo da risada. Jimin deixou-os discutindo, parecendo distantes, enquanto seus pensamentos o traíam ao levá-lo novamente àquela pergunta. Não fazia sentido – ele se lembrava de todos os outros, mesmo não sendo tão próximo e não tendo mantido contato depois de terminarem a escola. Então por quê com Yoongi havia sido diferente?

— Então, seu problema tá resolvido, né? — Jungkook cutucou o braço de Jimin, acordando-o do devaneio com uma frase que o deixou confuso. Depois que ele não respondeu, olhando o amigo com uma expressão confusa, Kookie voltou a falar. — O mistério do Yoongi-hyung.

Jimin hesitou por um instante, balançando a cabeça positivamente. Kookie sorriu, e ele e Taehyung começaram a relembrar histórias da época do colégio e todas as memórias vergonhosas que vinham com elas. Contudo, Jimin mal os ouvia.

Certo, tinha descoberto de onde conhecia aquele menino estranho, toda a loucura que fizera valera a pena. Mas, agora, tinha outra pergunta mais intrigante ainda. Como ele não conseguira se lembrar de alguém que via todos os dias perto de seus amigos? Mesmo não sendo tão próximo, deveria ao menos lembrar-se de seu rosto. O que tinha acontecido para aquela pessoa específica sumir de sua memória?

E isso era muito pior, pois agora não tinha mais a quem recorrer para solucionar aquele quebra-cabeça. Dependia inteira e unicamente dele.

— Não ouse falar daquele dia fatídico! — Esganiçou-se Jungkook, por cima da risada de Tae e cutucando Jimin, o qual voltou ao presente como se fosse puxado para fora d’água. — Mande ele parar de me envergonhar.

Jimin moveu o olhar de um amigo para outro, sem mudar muito de expressão.

— Deixe-o em paz.

Taehyung aparentou sentir-se traído, mas estava sorrindo. Kookie deu uma gargalhada, como se tivesse ganhado do outro. Às vezes, Jimin sentia como se fosse o pai dos dois, por ser o mais velho e por sempre ter de apartar as discussões, até ficar de vela para uns olhares mais profundos. Claro, ele nunca mencionava isso em voz alta, pois lembrava-se da única vez que o fizera – Taehyung ficou escarlate e Jungkook parecia que nunca havia piscado os olhos na vida – e não era algo que desejava repetir.

— Enfim, vocês estão lembrados do que tem nesse sábado?

Jimin foi trazido de volta ao momento com a pergunta ansiosa de Taehyung. Ele olhava para os dois amigos quase nervoso, como se tivesse medo da resposta. E infelizmente, Jimin lembrava-se muito bem.

— Mais uma daquelas suas estúpidas corridas de rua — Respondeu Jungkook, suspirando e verbalizando perfeitamente os pensamentos de Jimin. Ambos olharam para Tae, como se tentassem passar pelo olhar o que já vinham dizendo há meses.

— Nem olhem assim pra mim. Eu vou correr e vocês vão estar lá para assistir — Delimitou Taehyung, encostando-se na cadeira. E cruzando os braços. — Vamos lá, dêem uma chance. Por mim? Podem ficar surpresos com as companhias que encontrarem lá.

— Olha, Tae, eu entendo que você precisa de suporte e tal, mas queria que você entendesse que eu morro de medo dessas companhias! — Constatou Kookie, a voz esganiçando-se. Taehyung riu. — Nós não conhecemos ninguém lá, então ficamos totalmente isolados. Da última vez tenho certeza que aquela... mulher estranha deu em cima de mim. Ela deu em cima. De mim.

Jimin sorriu, balançando a cabeça e olhando de volta para Taehyung, que dava tapinhas no ombro de Kookie.

— Além disso, é perigoso. Perigoso de verdade — Acrescentou, olhando para Jungkook, como que para dizer que mulheres dando em cima deles seria o menor de seus problemas. — Não podemos impedir que você vá e estoure seus miolos no asfalto, como quase aconteceu da última vez. Mas você sabe como lidar com aquelas pessoas, e tem quem proteja você caso precise. Nós somos isca fácil lá.

— Você nunca foi isca fácil, Chim. Pode proteger Kookie se algo acontecer. E posso garantir que não vai acontecer.

— Não, você não pode — Devolveu Jimin, firme. Jungkook os interrompeu.

— Ei, espera aí, desde quando eu preciso de babá? Não sou mais criança, parem de me tratar como uma — Ele cruzou os braços, emburrado, fazendo ambos os amigos rirem.

— Isso é exatamente o tipo da coisa que crianças falam — Provocou Tae, olhando para Jungkook com um sorriso e piscando. Kookie até tentou se manter firme, mas logo sorriu e moveu o olhar.

Jimin suspirou, mexendo no milkshake com o canudo. Apesar de tudo o que disseram, sabia que acabariam indo para essa corrida de qualquer jeito. E era até melhor assim – se Taehyung se machucasse e eles não estivessem lá, Jimin se culparia pelo resto da vida, e nem podia começar a imaginar como Jungkook ficaria. Suspirando, apenas aceitou que teria de enfrentar aquilo.

*

— Era exatamente disso que eu estava falando — Reclamou Jungkook, de braços cruzados e indicando com a cabeça um grupo encostado na parede perto deles; homens e mulheres em roupas de couro, cabelos coloridos, piercings e tatuagens pelo corpo todo.

— Não julgue as aparências, Kookie — Avisou Jimin, sorrindo complacente. — Se eu fizesse uma tatuagem, já receberia esse olhar de você?

— Cale a boca, tutti frutti.

Jimin riu, olhando de novo para o tal grupo. Ele não havia entendido o espanto do amigo até perceber como os encaravam – o pobre Kookie deve ter ficado apavorado quando uma das mulheres apertou o próprio seio e riu, claramente tentando provocá-los. Os outros ao seu redor riram, e Jimin apenas revirou os olhos e voltou-se para o centro da rua. Estavam num dos cantos do bairro geralmente escolhidos para corridas de moto como aquela, um beco, recheado de tudo que lugares como aquele tinham: lixo, pichações, prédios e armazéns abandonados, luzes coloridas trazidas pelos carros de som, hip-hop tocando alto, um cheiro insuportável e inconfundível de maconha e todo tipo de gente que a sociedade excluía reunida para fazer jus a reputação à qual foram impostos.

Pelo menos Taehyung está se divertindo, pensou Jimin, suspirando. O amigo conversava com pessoas que ele próprio desconhecia, rindo e trocando dinheiro das apostas. De repente, o som de um veículo acelerando se aproximou, e Jungkook teve de puxar Jimin para que ele saísse do caminho de uma moto que parou bem ao seu lado.

— Ei, olha por onde anda! — Gritou Jimin, pondo-se de frente para o motoqueiro, a identidade escondida por um capacete negro. Lentamente, ele tirou-o e balançou a cabeça, mexendo no cabelo, e o menino não pôde acreditar no que viu. — Ah, não é possível...

— Riquinho, você por aqui! — Provocou Min Yoongi, uma pitada de surpresa no tom usual de sarcasmo. — Cuidado, está bem longe de casa.

— Bom, se pessoas como você fossem menos desastradas, eu nem teria que me preocupar — Devolveu Jimin, sorrindo ironicamente. Sem olhar, notou Jungkook se afastar para falar com Tae.

— Pessoas como eu são bem comuns por aqui, é só olhar ao redor — Yoongi fez um movimento abrangente com o braço – o que revelou um pouco do colarinho da camisa debaixo da jaqueta. — É fácil de ver, mesmo que seja sua primeira vez no covil dos rejeitados e marginais.

Jimin revirou os olhos.

— Na verdade, é minha segunda vez aqui — Ele olhou e viu Jungkook ser apresentado aos amigos de Taehyung, mesmo que um tanto relutante. — Tae está correndo de novo, e eu vim apoiá-lo.

— Quem? V? Então é melhor pegar seus ponpons, líder de torcida, porque aquela lata velha que ele tem ali não vai ajudar muito — Disparou Yoongi, indicando a moto de Taehyung com o queixo. Jimin levou alguns instantes para lembrar-se daquele apelido do amigo, que ele dificilmente ouvia por não andar com as pessoas que o chamavam assim.

— Ah, cale a boca — Cortou Jimin, irritado. Estar rodeado de conhecidos e numa região familiar deu a Yoongi uma confiança que não demonstrara nas últimas vezes que Jimin o vira, e essa novidade definitivamente não o agradava. — Ele tem ótimas chances.

— Pode até ser, mas isso não importa quando essa belezinha está correndo — Provocou o mais velho, dando batidas amistosas na própria moto, quase como se fosse um bichinho de estimação. — Desculpa estragar a festa, mas seu amigo vai perder hoje.

— Veremos.

Yoongi, com o capacete pendurado num dos braços e um sorriso irritante no rosto, saiu com a moto para a frente da multidão, onde os outros começavam a se alinhar. Imediatamente, um grupo de meninas brotou ao lado dele, rindo como se tentassem esconder as verdadeiras intenções por trás das jogadas de cabelo e frases insinuantes. Antes que ele pudesse reagir em resposta, Jimin moveu o olhar.

Ele exalou o ar impaciente, andando até estar perto dos amigos. Jungkook, claramente assustado, se postava ao lado de Taehyung e os dois estavam numa rodinha de poucas pessoas. Quando Jimin se aproximou, Tae o indicou para o resto das pessoas.

— Olha ele, justamente de quem eu estava falando — Ao ouvir isso, Jimin olhou para os rostos ao redor e reconheceu um deles de imediato.

— Jimin-ah! Quanto tempo, hein? — Hoseok bradou, abrindo muito os braços e esticando uma mão para cumprimentá-lo. O mais novo, sorrindo de volta ao grande sorriso do veterano, fez menção a devolver o toque, mas assim que o fez Hoseok o puxou para um abraço apertado e o balançou de um lado a outro entre risadas.

— Faz muito tempo mesmo, hyung, que coincidência vocês estarem aqui! — Comentou ao ser libertado do abraço, olhando de lado para Tae com um olhar acusatório. O amigo só deu de ombros, mas estava contendo um sorriso.

— Já conhece Moon?

Hoseok indicou uma menina ao seu lado, de mechas azuis no cabelo negro, piercing no nariz e cigarro entre os dedos. Ela parecia entediada e não olhava para eles até que ouviu seu nome, movendo os olhos cobertos de maquiagem brilhosa para Jimin e sorrindo um sorriso sincero. Sua postura a fazia parecer muitos anos mais velha que ele, mesmo sendo um pouco mais baixa ao abraçá-lo.

— Prazer, Jimin-ssi. Gostei do cabelo — Ela tragou o cigarro, sorrindo, e ele viu suas unhas roídas pintadas de roxo apontaram para algum lugar além dele. — Vi que Yoongi estava conversando com você. Se conhecem?

De repente, Jimin congelou. Por algum motivo, sentia o peso de ter conversado a sós com o hyung, na frente de todos os seus amigos, que não tinham nada a ver com ele. E ela? Será que era a namorada dele, ou sei lá?

Antes que ele pudesse dizer alguma coisa e estragar tudo – ou não dizer nada e estragar tudo mais ainda – Tae se meteu.

— A gente era colega no Ensino Médio — Disse, simplesmente, como se Jimin não tivesse entrado numa briga de rua e quase levado um tiro por causa desse "colega". Moon fez que entendeu, mas não pareceu convencida. Jimin tentou não encará-la. Batendo uma mão na outra, Taehyung olhou para todos ao redor.

— É melhor eu ir indo, já está quase na hora.

Jungkook, sem dizer nada, o encarou enquanto ele cumprimentava Hoseok e Moon. Jimin pôs o indicador no peito dele.

— Quebre qualquer parte desse corpo, e eu farei questão de quebrar o resto.

O mais alto riu, assentindo como quem obecede a ordens importantes. E depois se voltou para Kookie, que permanecia calado de braços cruzados. Sorrindo gentilmente, ele apertou uma das bochechas do maknae, quase como se dissesse para ele não se preocupar, e saiu. Jimin abraçou Jungkook por trás, apoiando os braços em seus ombros e tentando fazê-lo relaxar.

— Vai ficar tudo bem, Kookie.

— É bom mesmo — Ele resmungou, a voz típica de criança abusada. — Não vou ficar em pé que nem um idiota enquanto ele se lasca no chão.

Jimin riu de leve, e os quatro se dirigiram para perto da linha de partida. Todos os espectadores gritavam e torciam, a música ao fundo dava um toque quase místico àquilo tudo, como se estivessem num daqueles filmes americanos. Todos os corredores já estavam a postos, cada um com uma moto mais equipada que a outra, diferentes pinturas e cores caracterizando cada uma delas. Moon os chamou para irem para um lugar mais alto, melhor para ver o que estava acontecendo. Eles subiram uma escada de incêndio e se apoiaram no parapeito de uma varanda, um nível mais altos que os outros mas ainda muito perto de tudo.

— Espero que ninguém morra dessa vez — Comentou Hoseok, e Moon olhou para ele com um meio sorriso. Na mesma hora, Jungkook arregalou os olhos.

O quê? — Esganiçou-se, e na mesma hora Hoseok pareceu ter se arrependido imensamente do que dissera, o queixo caindo ao parecer lembrar que o mais novo estava ali. Moon deu uma risada e Jimin pôs uma mão no rosto, balançando a cabeça e dando tapinhas nas costas de Kookie para acalmá-lo.

Um cara caminhou até a frente dos corredores – muitas pessoas gritaram. Ele ergueu uma bandeira preta e branca, rasgada e pichada – mais gritos. Por algum excelente motivo, Jimin encontrou Yoongi com o olhar. A viseira do capacete estava levantada, então pôde ver muito bem quando o mais velho o encarou, descaradamente.

— Preparar!

Jimin não conseguia desviar o olhar. Era como se um ímã o estivesse puxando em direção ao outro.

— Segurem as perucas, senhoras e senhores...

Todos gritaram. Yoongi ainda o encarava. Mas será que era mesmo para ele que estava olhando? Talvez fosse para Hoseok. Ou... para Moon. Claro, não fazia sentido ser para ele... fazia?

Mas não importou. Não importou para quem ele estava olhando, pois Jimin sentiu todos os seus nervos serem atingidos quando Yoongi sorriu, provocativo.

— VÃO!

As motos derraparam, e Jungkook se apoiou mais no parapeito para olhar Taehyung, que disparava em primeiro lugar. Ele gritou eufórico, rindo de nervoso, e olhou para Jimin, procurando reação igual. Porém, Jimin tinha olhos em outro lugar.

— Que merda é essa, Yoongi?! — Berrou Hoseok, ao ver o amigo parado, pleno como se não tivesse acabado de perder uma ótima vantagem. E ainda sorrindo para Jimin.

Segundos depois, ele acelerou, cantando pneu.

*

— Melhor segundo que último.

Jungkook afagava as costas de Taehyung, que estava coberto de fuligem e com lama em algumas partes da roupa. Jimin concordou, suspirando, enquanto dava mais uma garrafa d'água para o amigo. Kookie estava sentado ao seu lado, mas Jimin não conseguia ficar parado. Queria sair de lá o mais cedo possível, porque agora a única pessoa que estivera feliz em estar ali não estava mais. Só estava esperando Taehyung se recuperar e logo iriam sair dali.

O lugar não estava menos cheio do que antes, ainda havia muita gritaria e música, mas parecia estar mais calmo. Talvez porque a euforia de saber quem ganharia a corrida já havia passado. Atrás de si, Jimin ouviu gritos femininos que o chamaram atenção. Nada surpreso, viu Yoongi se aproximar dele na moto, e lançou seu melhor olhar enojado. Ele instintivamente afastou-se de Tae para impedir que o amigo ouvisse qualquer comentário desnecessário. Afinal, a última coisa de que ele precisava agora era que o vencedor viesse esfregar na cara dele que ganhara mesmo tendo começado por último.

O mais velho parou bem ao lado dele, tirando o capacete. Jimin não poderia estar num estado pior para conversar com aquele... ser, mas não tinha escolha – antes ele do que Tae. A camisa estava meio desabotoada no peito, revelando a pele branca e brilhante devido ao suor. Pôde ver a escápula fortemente marcada, além de uma marca que poderia ser uma tatuagem surgindo debaixo da camisa branca – agora, quase transparente. Jimin moveu o olhar.

Yoongi o olhou com o mesmo semblante insuportável de antes, como se achasse que o mundo o devia alguma coisa apenas por existir.

— Não queria dizer que eu te avisei, mas... — Provocou, sorrindo de lado. Jimin queria socá-lo no rosto.

Movendo-se um pouco para frente, Yoongi olhou para além de Jimin e assobiou.

— Ei, V. Boa corrida hoje.

Tae fez um movimento desleixado com a mão, sem olhar para o outro.

— Tanto faz.

Yoongi não se abalou.

— Espero ver você aqui mês que vem.

— Ah, não vai rolar — Cortou Jungkook, olhando para Yoongi por cima do ombro de Taehyung. — Posso garantir que não vai rolar.

Tae olhou para o amigo, compreensivo, mas logo dirigiu-se de volta ao mais velho.

— Não dá, cara. Estamos falando do Gran Prime aqui. Eu não sou louco nem iludido o suficiente para achar que tenho chance.

Yoongi sorriu de lado, dando de ombros.

— Quero um desafio de verdade na próxima vez, então trate de aparecer — Disse, simplesmente, se preparando para sair com a moto, quando algo voou em sua direção – flores. Flores sintéticas e horrendas, jogadas pelas fãs do grande ganhador da corrida que gritavam seu nome e diversos adjetivos um tanto quanto sugestivos. Yoongi apenas olhou-as de lado, pegando uma tulipa azul que caíra em sua moto. Ele a examinou por alguns segundos, e logo depois jogou para Jimin, sem mais nem menos. O mais novo se assustou, mas ainda reagiu a tempo para pegá-la no ar.

— Essa é pra você, riquinho.

Quando olhou de volta para Yoongi, este já tinha posto o capacete e desaparecera rua a dentro. Jimin não teve como saber se ele sorria ou não.

Yoongi sumiu pela multidão, deixando Jimin sozinho. Ele olhou da flor para a direção onde o menino sumira, a boca aberta em descrença.

— Quem aquele imbecil pensa que é?

Balançando a cabeça e amassando a flor com força, ele saiu, marchando furioso, automaticamente se arrependendo de todo o sufoco que passara para agora apenas ser tratado como a porra de uma tiete.

Já estava quase amanhecendo e exausto nem começava a descrever como ele se sentia. Se aproximou de Tae, o qual carregava um Jungkook quase adormecido até sua moto, dizendo que deixaria o mais novo em casa e que Hoseok poderia dar carona para Jimin.

— Tenha cuidado — Pediu Jimin, a voz fraca e cansada.

— Eu sempre tenho — Respondeu Taehyung, e Jimin revirou os olhos, mas estava sorrindo. Tae pôs o capacete e disse para Kookie fazer o mesmo, os dois desaparecendo pela rua até a avenida, vazia devido à hora.

Jimin caminhou até o hyung e a noona, ambos encostados numa caminhonete. Moon olhou para ele com um sorriso compreensivo, quase como se seu cansaço fosse palpável. Hoseok, com o mesmo sorriso largo de sempre, pôs um braço ao redor dos ombros do mais novo.

— Vamos, Jimin-ah. Vamos pra casa.

Hoseok entrou pela porta do motorista, iniciando o carro. Moon foi antes de Jimin, sentando-se no meio e apoiando os pés no painel, a cabeça jogada para trás e os olhos já fechados quando o carro começou a se mover. O vento que entrava pelas janelas abertas bagunçava o cabelo de Jimin, que tinha a cabeça apoiada na porta e olhava para o mar passando ao lado da avenida onde estavam. De repente, sentiu algo pontudo entre os dedos e olhou para ver o que era.

A tulipa. A tulipa azul, sintética e horrenda que Yoongi lhe dera depois de ganhar a corrida, o caule amassado e retorcido ao que os primeiros raios de sol tocavam as pétalas timidamente.

Jimin não sabia que ainda a segurava.

Notas finais
ps: não sei como é o sistema educacional na coreia, e como não vai ser tão importante apenas coloquei o brasileiro mesmo. ah, e pra nomenclatura das salas usei a japonesa: 2-1, segundo ano, sala um; 1-3, primeiro ano, sala 3, e assim por diante. ps2: sim, mudei as idades reais deles pra essa fic (nesse caso, a ordem está assim: namjoon/jin > hoseok/yoongi > jimin > tae > jk) ps3: moon é 100% fictícia ps4: ~ meu taekook ta vivíssimo ~ obrigada por ter chegado até aqui, eu nem te conheço e tu já tens um lugar no meu coração ♡ ei, fique com vergonha não, valorização é muito importante pra quem escreve, deixa teu comentário aí!! pode falar o que quiser ^^ ~gabinnie