Notas iniciais
Olar etezinhos fofoletes de titia!
Estou lhes trazendo uma shortfic, que inicialmente era uma oneshot, mas achei mais charmoso dividir em capítulos curtos (sem comentários). Vai ter um total de esperados 5 capítulos, que eu não enlouqueça no meio do quarto (já estou escrevendo o capítulo 4) e queira aumentar isso. Não tô com disposição euoindlnlc Vamos só terminar isso e tals.
Meus personagens são malucos, como a sociedade os define. Algumas coisas eu até baseei em mim (porque é bom ser louco para escrever loucuras), o resto é pura ficção.
É um romance fofolete. Espero que fique assim. Necessito que fique assim. Er.
Agora vão ler pequenos etezinhos, go!

Chapter 1

Eu sou um tipo de louca que não é bem classificada como louca pela sociedade, mas a associação médica diz outra coisa. Pelo menos eu não era a louca com mania de lavar mãos e odiava sujeira, apesar dela me incomodar sim. Eu amava deixar tudo organizado. Meus livros eram por ordem de cor, às vezes eu mudava para ordem alfabética. Minhas roupas eram por cor. Sapatos também. Meus talheres eram simetricamente organizados dentro das gavetas. Panelas também, inclusive se eu conseguisse ordena-las por cor e tamanho me deixava mais tranquila.

As pessoas surtavam com Charlie, a Organizadora Compulsiva. Eu surtava comigo.

Crises de ansiedade ferinas me corroíam se algo não estava correto. Eu não dormia. Adorava fazer listas. Planejava tudo na minha vida. Resumindo: minha vida era organizada até os meus 30 anos de idade, pelo menos. Planejar todos os dias dos seus futuros 10 anos de vida era um hobby maravilhoso para mim. Eu ainda pensava em planejar até os 40 ou 50. Depois eu teria tempo para planejar os 60 e 70. Bom hobby. Mas nada saudável, de acordo com a terapeuta. Eu já tinha encarado que não batia muito bem da cabeça, e sofria por isso, mas digamos que era bem resolvida no aspecto “encarar que tem um problema”. Passei quase um ano tentando encarar isso, ter um problema e não poder organiza-lo – o que me deixou meio doente por algumas semanas. Mas agora, depois de quase 2 anos de terapia, eu conseguia lidar melhor.

Já tive a fase dos ansiolíticos, que me ajudaram bastante com a ansiedade, até conseguia deixar meu quarto desarrumado a noite toda, dormindo profundamente. Mas o vício me fez ser obrigada a parar. Já tive a fase de estar tão maníaca que não conseguia viver como uma pessoa normal. Já tive a fase de me trancar em casa e querer morrer por alguns meses. Mas agora, com bons 20 anos, eu tinha conseguido um certo equilíbrio satisfatório na minha vida. O TOC ainda era forte, às vezes eu me beliscava ou me arranhava para não correr e arrumar algo ou alguém. Mas não parecia uma catástrofe tão grande como a de quando tinha 17 anos e organizava a vida até de colegas de classe.

Então eu era uma jovem mulher aparentemente saudável. Eu não permitia me conhecerem o suficiente para perceberem o quão perturbada eu sou, já basta eu ter que lidar com isso.

Vivia em uma casinha pequena, própria para estudantes alugarem, perto da faculdade, onde eu estava avançando na gastronomia com muita honra. Meu problema até me ajudava às vezes no quesito cozinhar e estudar, tudo tinha que ser perfeito e milimetricamente correto. Claro que também sofri horrores quando falhava na faculdade, mas eu conseguia lidar melhor com aquilo. Nem tanto, mas eram avanços.

E naquela noite eu ajeitando minha estante em ordem alfabética. O som tocava Awolnation bem baixinho, apenas para criar um som ambiente. Eu já tinha feito minhas técnicas de respiração, escrito para desabafar, ligado para uma colega e desabafado para estranhos em um site de fanfics na internet. Mas o fato de ter comprado um livro novo me fez pensar que agora poderia arrumar a estante de um novo jeito. Porque aquele livro não poderia quebrar a regra ali. Nunca. Já tinha beliscado meu braço e até arranhado sem querer meu pulso, eu fazia aquilo sem perceber, como Tara, minha terapeuta, dizia. Eu tentava controlar, mas até minhas canelas já ficaram arranhadas... Em excesso em uma crise de ansiedade. Mantinha até as unhas bem aparadas, mas unhas eram unhas. Talvez, apenas talvez, a picada da unhada poderia soar melhor do que a do beliscão. Unhada me deixava, talvez, mais desperta. Mais consciente. Mais calma. Eu não sei se queria admitir aquilo em voz alta no consultório.

Eu possuía 312 livros. Já havia contado e recontado durante as arrumações, mas nunca fui muito ligada em números. Talvez houvesse uma mania com números pares, me sentia mais confortável quando a contagem terminasse em número par. Mas eu ainda não achava que aquilo era um problema. E o número 313 soava muito mal para mim, mas abafei o máximo que pude na minha cabeça. Foque na canção.

"I’m-a make a deal with the bad wolf, so the bad wolf don’t bite no more"

Ansiava muito conseguir fazer um acordo com o meu lobo mau, assim ele não me morderia mais. Mas enquanto isso eu não conseguia, vamos à organização em ordem alfabética dos livros. O tempo passou e eu mal percebi. Talvez porque eu tenha ficado insatisfeita no meio da organização e decidi que organizar em ordem alfabética, mas pelo nome do autor, era melhor. Me sentia bem mais confortável com cada autor junto de seus livros publicados.

A música ficou repetindo durante todo aquele tempo, algo que não liguei muito. Fico bastante focada quando estou organizando algo. Uma pessoa bastante centrada, responsável e organizada. Eu poderia muito bem ser classificada como normal. Não era de beber, não usava drogas, não era promíscua, não fazia nada que a sociedade taxava de “ruim”. Na verdade eu era tudo de bom. Mas era o excesso, não é mesmo? Excessos sempre são ruins, Charlie. Só percebi que havia beliscado minha coxa quando latejou um pouco mais. Provavelmente ficaria roxo. Olhei meu pulso também.

Um lembrete de ir de calça e blusa de manga longa na Tara na terça-feira.

Quando a música parou que me dei conta do tempo. O meu rádio minúsculo da China havia acabado a bateria. E eu tinha posto pilhas nele. Quando vi que já eram quase 3h da manhã fiquei surpresa. Talvez um pouco assustada. Logo o sol surgiria e anunciaria o sábado. Talvez eu tenha abusado um pouco na organização metódica. Sem avanços na terapia dessa vez.

Apenas quando vi me assegurei que estava completo que relaxei. E percebi que estava cansada. As férias estavam chegando, eu estava começando a ir dormir mais tarde, afrouxando as rédeas sem querer. Querendo. Talvez. Me estiquei e saí do quarto, planejando comer alguma coisa na cozinha-sala, alguma coisa com aparência boa, claro.

Mas claro que nada poderia ter me preparado para aquilo. E todo o meu organismo voltou ao nível de ansiedade máximo e alerta. Pois aquilo destoava demais do ambiente. Aquele cara deitado no meu tapete não era nada, nada comum. Nada normal na minha existência. A porta da pequena varanda estava meio aberta e minhas unhas cravaram no meu pulso ao perceber que não tinha trancado. Estava tão absorta em fugir da arrumação da estante, e depois na própria arrumação, que esqueci de trancar a maldita varanda. Isso era um claro sinal de avanços, não é doutora Tara?

Ele estava deitado, mais enrolado, na verdade, em posição fetal, no tapete. A luz da lua iluminava ele com uma doçura até, mesmo ele estando só de cueca ali. Sua cueca era verde, um detalhe bastante esquisito. Não tanto quanto ele estar ali, só com essa cueca, claro. Nem sabia que haviam cuecas verde musgo no mercado, porque homens pareciam comprar só preta ou branca. Enfim, ele dormia com uma expressão de puro deleite ali, até um pouco do seu bumbum aparecia. Uma cena maravilhosa, se não fosse ali, na minha sala-cozinha.

Peguei as chaves da mesa e corri para trancar a varanda. Suspirei e me senti mais segura. O que era uma burrice, claro, me tranquei em casa com um cara seminu dormindo no tapete. Eu não conseguia organizar minha cabeça, o que fazer primeiro. Obviamente acorda-lo e chuta-lo para fora. Escutei um barulho esquisito e olhei pra baixo. Eu já estava raspando uma chave no pulso, que estava talvez esfolado demais. Aquilo era sangue? Doutora Tara iria odiar aquilo.

Chutei de leve o corpo dele. Não houve muito movimento, talvez um gemido leve. Pelo menos ele não roncava. Mas atrapalhava muito a ordem ali. Chutei com um pouco mais de força.

- Deus, não... – ele resmungou baixo.

Pelo menos estava vivo.

Me preparei para dar um chute final quando ele virou para o outro lado. Acertei o sofá com o pé, fazendo um barulho forte. Como aquilo doeu, sei nem explicar, apenas manquei com sofrimento até o sofá.

Mesmo sentada, com um pé dolorido, chutei-o com o outro. E acertou bem a sua bunda. Agora ele acordou. Inclusive pulou, o que também me assustou.

- Puta que pariu! – ele gritou, alarmado e confuso.

Era uma situação incrível. Quase três da manhã, eu sentada com o pé dolorido, um maluco de cueca verde em posição de defesa na minha sala. Tara nem acreditaria se eu contasse.

Ele olhou ao redor, ficando cada vez mais confuso, até finalmente me achar. Então arregalou os olhos.

- Oh, merda, aconteceu de novo?

Notas finais
A música que ela escuta é Hollow Moon, do Awolnation. Adoro a banda, yay.
Charlie é bem diferente de mim, eu estou muito longe de ter TOC, cara. Muito longe de organizar tudo eujjkonjne Combino mais com o Tarzan de cueca verde que ela acha na sala dela. Mas estou adorando a Charlie. Espero que curtem as maluquices dela :v Eu imaginei a Charlie como a Isabel Lucas morena, ainda não pensei no Tarzan de cueca verde, hu.
Até o ano novo (dia 31, só pra deixar mais claro, eu vou estar bêbada, mas estarei postando, riam comigo :v) eu posto tudo.
See ya later ✌