Serendipidade

1 capitulo único


Notas iniciais
oi! há muito tempo que não apareço por aqui, e para ser sincera, tô um tico nervosa (hehe). essa é a primeira one-shot que escrevo em muito (muito x10) tempo e por conselho de algumas pessoas, decidi começar por algo mais de boinha e acabei pensando nesse plot... é algo bem simples, mas acho que combina muito com meu minimoni ♥ espero que gostem!

Quem passasse perto de Namjoon, poderia ouvir o homem soltar um longo suspiro a cada minuto, além de correr o risco de se assustar ao perceber que ele murmurava e resmungava consigo mesmo. As pessoas na calçada o ignoravam, mas algumas lhe dirigiam um olhar desconfiado e já era possível ver umas senhorinhas comentando sobre o doido falando sozinho do outro lado da rua.

Se a qualquer momento uma ambulância vinda de um hospício viesse buscá-lo, ele culparia uma pessoa: Kim Taehyung.

Ele havia marcado com seu primo, também amante da arte, de se encontrarem às 15h na porta da galeria favorita de Namjoon. A ideia era prestigiar a exposição de alguns artistas independentes, que ele havia aguardado por longos três meses, e seu primo havia lhe prometido que iria consigo.

“Claro, hyung. Está combinado.”

Combinado uma ova.

Na verdade, ele nem sabia o porquê disso ainda estressá–lo. Taehyung era um jornalista e por conta disso, seu horário sempre fora uma bagunça. Estava sempre correndo para lá e para cá, apurando notícias, entrevistando pessoas e escrevendo matérias que deveriam estampar a capa do jornal na manhã seguinte. E uma coisa era certa: ele sempre se atrasaria para os compromissos pessoais.

O relógio já marcava 15:45 e Namjoon podia jurar que a qualquer momento explodiria seu celular com a força do pensamento.

Soltou mais um suspiro e tirou o celular do bolso, desbloqueando–o com o polegar e buscando o contato de seu primo na agenda.

Hyung! – ouviu depois do terceiro toque. – Eu estava pensando em vo–

— Kim Taehyung! – Namjoon gritou e conseguiu ouvir algo caindo do outro lado, provavelmente porque o outro havia se assustado com o grito. – 45 minutos.

Ah, então eu não estou tão atrasado!

O que?

— Como é? – sibilou. Que absurdo.

Eu estava achando que havíamos marcado 13:30...— Taehyung explicou. Namjoon conseguia imaginá–lo com um bico nos lábios, apoiando o queixo em uma das mãos. Sempre fazia isso quando estava pensativo. – Mas pelo visto eu não estou tão atrasado.

— Você esqueceu, não é?

Isso também não era incomum.

Há cerca de dois anos, Namjoon resolveu se aventurar por alguns países da América Latina e ficara três meses fora, na esperança de encontrar inspiração para algumas músicas que ele vinha produzindo. Quando voltou, seus melhores amigos, Kim Seokjin e Jung Hoseok, também amigos de Taehyung, resolveram fazer uma reunião para comemorar a sua volta. Seu primo fora designado para levar o soju favorito de Namjoon, mas só apareceu na sua casa dois dias depois, espantado pela ausência dos outros dois e perguntando se tinha chegado muito cedo.

Claro que não! — Taehyung exclamou, aparentando estar ofendido. Ele ficou esperando Namjoon dizer algo, mas só recebeu um silêncio como resposta. – Ok, talvez eu tenha me confundido com as datas...

— Aish... – ele suspirou e balançou a cabeça. – Tudo bem. Eu vou sozinho.

Desculpe, hyung — Namjoon pôde perceber o cansaço de seu primo pelo tom de voz, o que espantou sua chateação. – Eu realmente queria ir, mas minha semana foi uma bagunça. Esqueci completamente.

Ele entendia. Sua rotina também era uma bagunça e eram raros os momentos em que ele conseguia fugir um pouco para espairecer a cabeça. Ele, como compositor e produtor musical, sempre virava as noites ajustando arranjos, reescrevendo letras e tendo surtos de inspiração. Por isso sua irritação com Taehyung nunca durava muito.

— Tudo bem, Tae – ele suavizou o tom de voz e pôde ouvir o primo soltando um suspiro de alívio. – Na próxima você vem comigo.

Os dois se despediram e Namjoon guardou o celular no bolso, virando-se para a entrada da galeria. Pegou um dos ingressos que havia comprado e entregou à recepcionista, que o atendeu com um pequeno sorriso e lhe desejou boas-vindas.

Ao adentrar o local, se surpreendeu com a quantidade de quadros e esculturas espalhadas pelo salão amplo da galeria. Essa exposição acontecia uma vez ao ano, sendo uma tentativa do dono dar oportunidade aos novos talentos, e Namjoon era um frequentador assíduo, já que visitava a galeria há mais de quatro anos. Era a sua favorita.

As paredes brancas do lugar exibiam centenas de pinturas, todas emolduradas por um ornamento dourado. Embaixo de cada uma, havia uma plaquinha, também em dourado, que mostrava o nome da pintura, do autor e pequenas informações sobre a peça. Já as esculturas, estavam espalhadas pelo salão. Foram todas colocadas em pilares da mesma cor das molduras nas paredes, que estavam encobertos por um pano grosso vermelho. Além disso, todas as obras possuíam uma pequena luminária acima delas, destacando-as.

Namjoon rodou por todo o lugar e ficou impressionado pelos trabalhos dos novatos. Alguns deles estavam lá, conversando com críticos e compradores, outros estavam apenas batendo papo com os visitantes e observando as outras peças.

Quando já estava quase no final do salão, numa área onde poucas pessoas estavam, uma obra em específico chamou sua atenção.

— Não era exibição só de pinturas e esculturas? – murmurou consigo mesmo. – Por que há uma fotografia aqui?

Ele se aproximou e leu na placa dourada o nome da obra: Serendipity. Embaixo, onde deveria estar a explicação sobre o quadro, só havia o significado da palavra: uma feliz descoberta ao acaso.

O quadro era na horizontal, o que já o diferenciava da maioria dos outros, já que muitos eram retratos. Era todo preenchido por tons escuros de azul e salpicado por pontinhos brancos: um céu estrelado. No meio dele, havia a silhueta de uma pessoa e um telescópio ao lado, como se os dois estivessem prestigiando a imensidão daquele céu. Apesar de simples, os sentimentos que a obra provocou em si, fez com que seu coração desse piruetas e ele não conseguia parar de observar a imagem, que depois de se aproximar um pouco mais, ele constatou que de fato era uma pintura.

Namjoon ficou encantado.

Correu os olhos pela placa e encontrou o nome do autor:

— Park Jimin – leu em voz alta.

— Chamou? – alguém disse atrás de si e Namjoon não pôde deixar de dar um pulinho por conta do susto.

Envergonhado por conta do pulo, virou–se rapidamente e seus olhos encontraram a coisa mais bonita que eles já tiveram oportunidade de ver.

O garoto era um pouco mais baixo que Namjoon, o que o obrigou a inclinar ligeiramente a cabeça para poder olhá–lo nos olhos. Ele tinha os cabelos descoloridos e bagunçados, o que combinava com o suéter amarelo estampado com palavras azuis e os jeans que ele usava. As bochechas gordinhas, por conta do pequeno sorriso que ele dava, subiram e cobriam parcialmente seus olhos, que eram pequenos e brilhantes. Os lábios, cheios e pequenos, tinham um leve brilho por conta do hidratante que usava. Ele exalava um ar de relaxamento, além da expressão de divertimento no rosto, como se achasse a situação engraçada.

Ele deu uma risada e Namjoon jurou que estava ouvindo um canto angelical.

— Desculpe por assustá-lo – ele disse e fez uma breve reverência, estendendo a mão. – Park Jimin sou eu, ouvi você falando meu nome e achei que estivesse me chamando.

Ele era lindo.

A risada, o sorriso que fazia sua bochechas subirem e esconderem seus olhos, o cabelo, as roupas, a voz... Tudo nele era lindo.

Namjoon jurou que teria um treco a qualquer momento.

— Está tudo bem? – sua expressão mudou, parecendo preocupado. – Nossa, te assustei mesmo. Quer se sentar?

— Não! – Namjoon respondeu, um pouco alto demais, o que assustou Jimin. Droga. – Quer dizer... Estou bem, só me surpreendi com a coincidência.

Tudo isso não é uma coincidência, porque encontramos nosso destino...— Jimin cantarolou, o que fez Namjoon dar uma risada, logo sendo acompanhado pela do outro.

— Espero que me desculpe pelo susto – ele voltou a dizer, abrindo outro sorriso para Namjoon, que estava se segurando ao máximo para não suspirar e fotografar aquela obra de arte. – Você quer saber sobre Serendipity?

— O que?

— O quadro – ele apontou, chamando a atenção de Namjoon para a obra que ele estava observando há minutos atrás. – Meu quadro, por sinal.

Ele estufou o peito, demonstrando orgulho pelo seu trabalho. Adorável.

Completamente adorável.

— Claro! – Namjoon respondeu, voltando o olhar para o quadro.

Jimin ficou em silêncio por um momento, observando a tela. Ele inclinou levemente a cabeça e um bico surgiu em seus lábios, como se estivesse pensando em algo. Parecia muito concentrado no que estava fazendo, e depois de dois minutos, Namjoon começou a achar que havia algo de errado.

— Está...

— O que você acha que é? – Jimin o interrompeu e virou-se para o outro, erguendo uma sobrancelha. – Me diga o que acha que é.

— Bom... – Namjoon pigarreou e começou: – Há quem acredite que as estrelas, principalmente as de cinco pontas, signifiquem orientação. A ideia que tive é que, em alguma noite, você uma teve experiência que não esperava e foi surpreendido por isso – ele desviou o olhar de Jimin e voltou a observar a tela. – Mesmo que ela me passe uma sensação boa, ainda é uma obra com um ar muito solitário... Essa imensidão azul e a pessoa sentada sozinha, só com um telescópio do lado... É como se, as estrelas tivessem relação com a tal experiência e, através do telescópio, a pessoa tentasse se aproximar delas e...

— Procurasse um guia – Jimin completou, recebendo um aceno em concordância. – Mas onde se encaixaria com o significado de serendipity?

— A obra representa o momento em que a pessoa encontrou o tal guia – Namjoon respondeu. – Uma surpresa que não esperava.

Jimin suspirou e bateu palminhas, abrindo um grande sorriso na direção do outro.

— Você é incrível! – ele disse e Namjoon fez uma reverência, que fez o outro rir.

— Eu me esforço – e deu de ombros. Jimin lhe encarava e pelo jeito que seus olhos estavam, era um sorriso de verdade. – Mas então, qual é a verdadeira história?

— A parte de representar a noite em que tive a minha “experiência serendipity” – Jimin fez aspas com as mãos. – Está certo. Mas eu não estava buscando um guia, mas sim... Eu mesmo – completou, num sussurro. – Eu estava meio perdido e observar as estrelas era algo que me acalmava quando pequeno, sabe? – ele virou-se para a obra e Namjoon jurou que os olhos dele estavam brilhando mais forte. – E aí, numa noite, enquanto eu estava pensando em mil e uma coisas, decidi sentar no telhado e observá–las por um tempo e... Floresci – ele sorriu.

Namjoon nunca havia acreditado em amor a primeira vista, mas agora que conhecera Jimin, sentia que a qualquer momento seu coração sairia pela boca. A cada palavra e sorriso que o outro soltava, era como se as coisas ao redor desfocassem, e todo o brilho se concentrasse nele.

— Incrível – Namjoon sussurrou e sorriu para o outro, que deu outra risadinha. – É incrível, Jimin–ssi.

— Ei, não precisa dessa formalidade! – Jimin resmungou e ergueu a cabeça, como se tivesse dado conta de algo. – Como é o seu nome?

— Kim Namjoon – respondeu. – Sou de 94, então acho que sou seu hyung.

— Namjoon hyung... – disse Jimin, com um biquinho nos lábios.

Vou infartar.

— Err... – Namjoon murmurou e tentou esconder o rubor em suas bochechas, desviando um pouco olhar e batendo os olhos num relógio que estava na parede. – Droga!

— O que? – Jimin perguntou, virando-se para olhar na mesma direção.

— Estou atrasado – ele enfiou a mão no bolso e pegou seu celular, que já estava com três chamadas perdidas, todas de seu chefe. – Tenho que ir.

— Ah... – o outro murmurou e pareceu murchar um pouco, o que fez Namjoon se sentir mal.

— Se você quiser, eu...

— Pode me dar seu número? – Jimin o interrompeu novamente, surpreendendo o outro. As bochechas estavam um pouco coradas e o sorriso pequeno surgiu mais uma vez. – Gostei muito da sua companhia, queria poder vê-lo de novo e...

— Aqui – Namjoon ergueu o próprio celular e entregou a Jimin, com o teclado numérico aberto. – Te mando uma mensagem.

O sorriso de Jimin se abriu mais e dessa vez, Namjoon teve certeza que era a coisa mais linda que ele já tinha visto. Os olhos viraram dois risquinhos, escondidos pelas bochechas gordinhas do outro. Todo o rosto de Jimin estava iluminado, como se tivesse adorado sua atitude. Enquanto digitava e salvava o número na agenda do celular, Namjoon notou que ele se balançava brevemente, parecendo empolgado. Ele discou o número e ligou, fazendo o toque de seu celular soar de dentro do bolso do jeans.

— Aqui está – ele devolveu o celular. – Vou esperar pela mensagem, hyung.

Os dois sorriram um para o outro e quem visse de longe, com certeza se derreteria de amor com os olhares e os sorrisos que os dois trocavam.

[Você tem uma mensagem]

Namjoon-hyung ♥: Eu não deveria ter visto essa bochecha.

Notas finais
detalhes: 1. o trecho que o jimin canta é de dna 2. a mensagem de namjoon é uma frase de dimple 3. também tem referências a serendipity até mais! ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!