Serendipidade

9 And the boys have some fun


Notas iniciais
Prometi e não cumpri, me desculpem! Eu fiquei sem o notebook e todos os capítulos estão nele. Agora ele voltou pra mim, agradecendo mentalmente. Esse é o maior capítulo até agora, segundo meus cálculos hahahah Espero que gostem, bjs

Harry POV's

A semana passou rápido. E, acabamos de certa forma, esquecendo que Rafa tinha ido embora.

Até porque ela parecia estar sempre presente. Todos trocávamos mensagens com ela, nos falávamos pela internet. Era quase impossível sentir saudade. Eu disse quase.

— Pretende visitar Rafa nas férias? — Pergunto a Anna que está a minha frente, mas um pouco distante.

— Harry, não faz nem uma semana que ela foi embora. E falta muito para as férias. Se acalma, cara — eu rio desconcertado.

— Tudo bem, mas vai visitá-la quando chegar lá?

— Não moramos tão perto. Mas, pretendo visitá-la sim. Só não me pessa para te levar na mala, por favor — ela ri.

— Droga — faço cara de desapontado e ela balança a cabeça num gesto negativo.

— Será que vocês podem deixar para conversar depois da aula? — Josh nos olha.

Tento me concentrar nas tarefas. Mas meu celular vibra.

"La Vie está quase acabando. Não rola fazer contagem regressiva para que a aula acabe logo, porque eu não estou aí hahahaha Ok gente, parei. Vocês vão sair hoje? Espero que sim, e tenham uma ótima sexta-feira. Não deixem Josh pegar o celular de vocês, não quero que peguem advertência por minha causa. Bom, é isso. xx"

Rafaella, sorrio de canto. Pelas palavras colocadas no plural, essa mensagem deve ter sido enviada para o grupo todo.

Fernanda POV's

Enfim, sexta. La Vie está sendo apenas um salão de estudos. Aproveitei para botar as tarefas em dia. Já que eu não faço isso durante a semana. Que orgulho que meus pais iam ter ao me ver aqui estudando, sorri mentalmente.

Descubro que meu instrutor ou algo do tipo, Josh, também será meu professor de La Vie. Nada mal. Ele não para de me olhar, mesmo que disfarçadamente. Mas ele não é bom nisso. Ou quer que eu ache que não é.

— Deixar as coisas pra última hora é tão você — Anna dizia baixo, quase que sussurrando, me tirando dos meus devaneios.

— Ah, sua besta — joguei uma bolinha de papel nela, mas com a minha péssima mira, acertei Harry. Ele me olhou espantado, cheguei a pensar que estava brigando comigo. Até que ele revidou.

Acertou a bolinha de papel no meu cabelo. Olhei para ele com cara de mafiosa. Sim, eu sei fazer cara de mafiosa ás vezes.

— Niall, troca de lugar comigo?

Harry perguntou a Niall que estava sentado entre mim e Anna. Niall aceitou e deixou Harry se mudar para seu lugar.

— Vocês vão a festa da Ashley?

— Anna vai, eu, como todos já sabem, não sou bem vinda — dou de ombros.

— Eu não sei se vou, não estou muito animada.

Anna, a mentirosa — quase gritei. Ontem mesmo ela estava falando de roupa comigo. Apenas olhei para ela e ri sarcásticamente.

— Podemos ir para outro lugar, juntos. Que tal?

Não era uma ideia ruim. Afinal, estou há uma semana aqui sem a supervisão dos meus pais, e ainda não fui a lugar algum. Sempre faço as mesmas coisas, vou até a Starbucks ou até o shopping que fica há duas quadras daqui. Apenas uma vez eu fui ao cinema com Louis. Eu não conheço Londres, que decepção.

— Podemos ir ao centro e decidir o que fazer lá... Não faltam opções. Que variam de bares a cinemas, restaurantes a boates.

— Eu topo qualquer coisa! — Malik se intromete e nós rimos.

Olhei para os lados e não vi Josh por perto. Juntei mais as carteiras para poder falar com todos.

— Vamos todos sair hoje a noite, certo?

— Errado — Louis disse, frio.

— Por que? — Harry questionou.

— Tenho que visitar Eleanor. Podem ir sem mim.

Eleanor, claro, a namorada do cara que eu sou afim. Essa semana estava indo bem demais, até estranhei.

— Por que não chama ela pra ir com a gente? — Katy teve a pior ideia do dia, mas eu não podia intervir.

O sinal tocou e todos se levantaram rápidamente, quase que correndo, para se livrar logo dos estudos. Épico.

— Melhor não — Louis disse e se retirou.

Ele não estava bem, era lógico.

— O que deu nele? — Todos olharam para mim.

— Eu que tenho que saber?

— Vocês passam a maior parte do tempo juntos agora... — Emma sorriu para mim e eu senti meu rosto queimar.

— Isso não é verdade, e eu não sei porque ele está assim — coloquei os livros na mão e nos dirigimos até a porta.

— Como não é verdade?! Vocês foram ao cinema na rua de baixo, estão sempre juntos no café da manhã, fazem práticamente as mesmas aulas, vocês até têm piadas internas...

— Vocês estão nos vigiando agora? — Eu ri alto.

— Não né, mas se os dois não estão conosco, estão juntos. Pelo menos tem sido assim — Niall fez beicinho e eu me apoiei nele.

— Hum, Niall e Anna estão sempre juntos e vocês não falam nada! — Eu precisava me defender.

— Eu e Niall? Desculpa mas, eu não costumo conviver com esse tipo de animal.

Gargalhamos feito malucos, e parecia que a escola toda estava olhando para o nosso grupo. Eu nem ligava.

— Niall, vai deixar? Eu empurrava ela da escada, aproveita a oportunidade — Emma colocava lenha na fogueira.

— Quando ela quiser ajuda para fazer os pedidos no refeitório, vou deixar ela passar fome!

— Desculpe Nialler, mas eu falo francês. Vou ajudar minha amiga, beijos — dei o braço a Anna e saímos desfilando, jogando o cabelo de um lado para o outro. — Gisele Bundchen, por favor — mandei beijos para todos que já estavam se contorcendo de tanto rir.

Harry se colocou entre nós duas. — Cadê o glamour de vocês?! — Tive vontade de me jogar no chão de tanto rir.

— Menos Harry, menos. Não estamos em um momento Larry Stylinson — Louis surgiu do corredor a nossa esquerda.

— Larry o que?! — Anna parou para entender melhor.

— É o nome do nosso "bromance", gostou? — Louis já estava com Harry pendurado em seu pescoço.

— Amei, que divino — Anna ria mais do que não sei o quê.

— Que gay, socorro — saí correndo. Todos estavam olhando pra mim. Decidi voltar ao meu estado normal. Digo, menos estranha. — Liam é tão calado — Já estávamos andando todos juntos.

Eu fui sincera. Desde que chegou, Liam não falou muito com todo mundo. Ele tem mais assunto com Katy e Niall. Ás vezes acho que ele me evita, quando não estamos em aula. A verdade é que acho ele calado. Ele não é como os outros meninos, que falam até não poder mais, que fazem piadas pelo menos uma vez no dia. Liam é muito na dele.

— Eu, calado? É impressão sua.

— Huh, que bom. Não curto gente muda.

— Mas Fernanda, nos falamos sempre nas aulas. E você é a minha parceira nas aulas de cálculo.

— Hum, então vocês se falam com frequência? E ainda são parceiros na aula de cálculo? Contem mais — Niall titubeou e nós rimos.

— Claro, somos muito legais. Merecemos a companhia um do outro!

E pela primeira vez na semana, vi Liam rir de verdade. Ele devia fazer isso mais vezes. Sua risada é extremamente encantadora. Apesar de não ser escandalosa e gostosa como a de Niall.

Eu nunca achei que fosse me apaixonar por uma risada.

— Engraçado, parecíamos tão mortos na última aula e agora estamos tão vivos!

— Bela metáfora, palmas para Katheryne, por favor! — Zayn parecia um desses caras que apresentam programas de auditório.

Chegamos ao dormitório e nos largamos nas poltronas do hall. Eram sete horas.

— Vou subir, preciso me arrumar — Louis foi em direção as escadas e eu subi logo atrás.

Não fui atrás dele! Eu só estava indo para o meu quarto, fazer nada.

Zayn POV's

— Vocês acham que... — Não me deixaram terminar de falar.

— Não! Não tem nada rolando entre eles — Anna disse séria.

— Tem certeza? Eu acho que se ainda não rolou nada, vai rolar em breve — franzi o cenho.

— Eleanor ainda existe, tá? — Katy suspirou cansada.

Tudo bem que Louis têm namorada. Mas, no futebol existe trave e goleiro e nem isso impede o jogador de fazer um gol. Eu devia falar isso pra alguém, na boa. Nunca pensei em algo tão bom. Ou será que foi tão idiota assim? Melhor eu continuar quieto.

Se Louis estiver afim de Fernanda, vou apoiar ele. Nunca vi esse garoto tão grudado em uma menina assim, e tão feliz por isso. Nem com a namorada dele é assim. Claro que eles andam juntos. Mas não é a mesma coisa. O que falta entre Eleanor e Louis, existe entre Fernanda e Louis. Eu não sei dizer o que é. Mas meu amigo parece muito melhor na presença da Nanda.

— E você, Malik? — Harry joga uma almofada em mim.

— Eu o quê?

— Como anda sua vida amorosa? — Meus olhos vão até Anna e eu simplesmente não consigo ter controle sobre isso.

— Vai muito bem, obrigado — devolvo a almofada.

— E a sua, Anna? — ela ri e revira os olhos.

— Digo o mesmo que Malik.

— Hum, não sei não ein — Niall olha para mim e para Anna, várias vezes, até cansar e nos fazer rir.

— Nada a ver, nada a ver. Eu não ficaria com um cara assim — Anna gesticula para mim.

— Assim como?! — Liam quis saber.

— Assim, como ele. Muito largado, muito debochado, muito sei lá — me sinto ofendido, mesmo sabendo que isso é brincadeira.

— Cara, achei que eu fosse morrer sem ouvir uma garota te dar um fora! — Harry dá uns tapas nas minhas costas e eu faço cara de velório.

— Eu nunca ficaria com Malik, nunca.

— Nunca? — Não escondo a ansiedade em meu tom de voz.

Todos me olham surpresos. Niall cochicha para Harry "eu falei...", e os dois trocam risos cúmplices. Grandes amigos eu tenho.

— É...Que...O...Que...não acho que...

— Tudo bem, Anna, nós já entendemos — sorrio.

Ela não podia estar falando sério. Eu não queria ouvir isso dela... Se fosse outra menina, eu não me importaria. Mas Anna estava dizendo que eu era "muito sei lá".

Eu preciso mudar isso.

Preciso mostrar pra ela que não sou assim. Mas por quê? Por que me importo tanto com o que ela diz? Com o que ela faz? Era fato, eu queria me aproximar da Anna. Não sei bem o por quê, nem pra quê. Mas por algum motivo que eu desconheço, é bom estar perto dela. Queria que ela fosse mais com a minha cara.

Pô, sempre fui gente boa, o que essa garota tem que não enxerga todo o meu carisma?, eu zoei em silêncio.

— Vamos subir? — Emma nos lembrou da hora.

Pegamos nossas coisas e nos arrastamos até a escada. Sorte de todo mundo que não morava no quarto andar, como eu.

— Sorriam, vocês não têm que subir quatro lances de escada — dou um sorriso falso.

— Ah, não reclama — Niall me cutuca.

Rimos e então eu subo a imensa esacadaria. Tudo bem, não é imensa. Mas não é o mesmo que ter que subir quatorze degraus até o primeiro andar. Balanço a cabeça e subo.

Louis POV's

— Ei, Boo Bear.

— Não começa.

— Ei! — Fernanda chegou perto de mim e me segurou pelo braço levemente.

— O que foi, Nanda?

— Tá tudo bem?

— Tá, tá tudo ótimo — minto.

— Seja sincero, Louis.

— Estou sendo!

— Não está não...

Me irrito e apoio a cabeça na porta do meu quarto, respiro fundo. Não me parece certo, mas não consigo pensar em nada melhor.

Destranco a porta e pesso para que Fernanda entre. Primeiro ela parecia um pouco incomodada, depois surpresa. Não entendi muito bem, e nem me esforcei pra entender.

— Quer mesmo me ouvir?

— Claro — ela sorri simpáticamente e meu coração bate forte, como toda vez em que ela faz isso.

— Sim, então só espera um pouco. Eu vou tomar um banho. Não vou demorar.

— Tudo bem — ela se senta na cama.

Tento pensar nas coisas que estão passando pela cabeça dela. Nada me vêm em mente. Talvez ela esteja reparando no quarto, que é típicamente britânico. Talvez ela já tenha reparado que nossos tapetes são iguais. A diferença é que o dela é verde, e o meu é vermelho. Talvez ela esteja vendo as fotos nos porta retratos.

Abro o chuveiro e deixo a água morna cair sobre minhas costas e me livro de qualquer pensamento. Depois de relaxar, ou tentar, saio do box. Me arrumo no banheiro mesmo.

Coloco uma calça jeans escura, uma blusa branca de mangas azuis longas, descalço, saio do banheiro passando a toalha pelos cabelos. Me surpreendo ao ver Fernanda olhando a foto de Eleanor que está em cima do criado mudo. Por mais estranho que possa ser, ela está sorrindo.

— Ei, quem deixou?

— Ah desculpa, eu não sabia que, nossa, desculpa...

— Eu só estava brincando — sorri.

— Rárá Louis rárá — ela revira os olhos.

— Então — me sento na cama e passo a toalha sobre os cabelos com rapidez. Fernanda toma a toalha da minha mão e vai fazendo isso por mim, com calma. — Eu me desentendi com Eleanor ontem. Agora ela não me atende, não responde minhas mensagens...Eu nem sei se ela está em casa. Eu decidi ir lá para resolver tudo. Mas não sei se vou encontrá-la. De repente, ela saiu, sei lá. E quando eu procurei alguém para conversar, todos estavam ocupados. Inclusive você!

Parei para olhar Fernanda.

— Desculpa Louis, ontem eu estava conversando com os meus amigos da antiga escola. Sabe que eu sinto muita falta de tudo, por isso não te dei devida atenção. Se eu soubesse que precisava conversar, eu teria falado com você. Mil desculpas.

— Tudo bem, Nanda — toco seu nariz e ela ri.

— Continue falando. Deito em seu colo mas logo Fernanda recua.

— Que foi? To incomodando? Foi mal...

— Não, não é você! É só a parede fria — eu rio e deito denovo.

Ela começa a mexer em meu cabelo, e por um momento sinto vontade de dormir. Seu carinho é tão bom. Parecia que tudo alí se encaixava perfeitamente. Eu e ela. Menos o fato de eu ter uma namorada, e Fernanda ser apenas uma amiga.

Desando a falar sobre tudo o que está acontecendo. Não é nada grave. São problemas no coração, digo, problemas sentimentais. O meu namoro está esfriando, e isso não é bom.

— Sabe Lou, eu acho melhor você não ir até Eleanor hoje...

— Por que?

— Deixa ela pensar um pouco. Vocês precisam de um tempo para colocar tudo no lugar.

— Tem certeza?

— Uhum, digo assim porque já passei por isso.

— E você e o seu namorado, se resolveram?

— Sim, depois de três dias sem nos falar, ele me procurou. Nós conversamos e ficou tudo bem. E a saudade, estranhamente, ajudou bastante.

— É, me convenceu.

— Que bom — nós rimos e eu me ajeito na cama.

— Então, aonde vamos?

— Ah, então quer dizer que o senhor vai? — ela gargalha. — Obrigada por lembrar que eu estou atrasada, mais uma vez. Todos já devem estar prontos, e só eu aqui, com esse uniforme ainda.

— Calma, vamos até o seu quarto. É como no primeiro dia.

Sorrimos ao lembrar do primeiro dia. Mantivemos um contato energético por algum tempo.

— Vamos? — Ela para de mexer no meu cabelo.

— Tô com preguiça — alcanço o olhar dela, sorrio.

— Levanta Louis, anda.

— Não.

— Sim! Vamos.

— Tá, chata.

— Chato.

Gargalhamos e com uma certa dificuldade, eu me levanto. Apoiando, sem querer, as mãos nas pernas de Fernanda.

Ela não sabe, mas sinto todo o corpo dela arrepiar com esse simples toque. Ela respira fundo, e solta o ar pela boca. Fazendo com que eu sinta um leve cheiro de menta. Sua pele macia, faz com que todo o meu corpo entre em transe. Não é possível! O que essa menina têm? Por quê me atrái?

Eu tenho namorada, Eleanor, minha namorada. Não posso deixar que as coisas acabem assim.

— Então... — Fernanda levanta com pressa e vai desnorteada até a porta.

Coloco um tênis e depois tranco a porta. Desco as escadas em silêncio.

Anna POV's

Fernanda está passando dos limites com essa coisa de atrasos. Céus, o que está acontecendo com ela?

Bato na porta mais uma vez...Nada. Ouço passos vindo da escada, me viro para o corredor.

— Nossa, pensei que estivesse ficando surda! — Rio e ela passa direto por mim, assustada.

— Quanta simpatia — ela diz ao abrir a porta, ainda sem olhar para mim.

— Você está atrasada, né.

— Sim. Fiquei lá em cima com Louis e perdi a noção da hora. Pelo menos consegui mudar a opinião dele.

— Sobre o que?

— Vou com vocês — Louis surge na porta.

— Que bom, Lou — sorrio.

Três corpos ocupando um quarto e eu percebo como aquilo é pequeno.

Me sento com Louis, conversamos sobre coisas mínimas até Fernanda terminar de se arrumar.

— Vinte minutos! Uau! Estou ficando boa nisso — Fernanda faz cara de vitoriosa e nós rimos.

— Tá, deixa seu amor próprio pra depois — arrasto Fernanda para fora do quarto, Louis vem logo atrás.

Enquanto fecho a porta, vejo pelo canto do olho, Louis chegando próximo ao ouvido de Fernanda, dizendo algo. Hum.

Saímos pelas ruas de Londres com pressa. O relógio marcava nove horas e doze minutos.

— Milk-shake City! — Louis vibra e eu acho graça.

— Nunca ouvi falar nesse lugar...

— Vocês vão gostar, eu garanto.

Entramos em uma loja, em um paraíso, eu diria. Apenas milk-shake. De todos os sabores e cores! Quando eu digo todos, eu quero dizer todos mesmo.

— Alí, eles estão naquela mesa — Fernanda aponta para uma mesa no canto direito inferior do local.

Nos dirigimos ao balcão para fazer o pedido. São tantas opções! Alguém me ajuda! Meus olhos fazem um passeio sobre a lista de sabores que estão escritos na parede. Eu não sei o que escolher.

— Louis, o que você pedir, pode pedir para mim também...— concordo com Fernanda.

Ele pede três milk-shake's médios sabor kinder bueno. Nem sabia que isso existia. Experimento e, meu Deus! Como isso é bom! Sinto vontade de engolir tudo de uma só vez. Nunca provei nada igual. E eu achava meu milk-shake ovo maltine tão melhor que tudo.

— E aí, gostaram? — Louis nos olha rindo.

Claro, eu e Fernanda estávamos parecendo duas crianças que acabaram de ganhar um presente incrível e não sabem o que dizer.

— Cara, eu tô com medo de acabar experimentando um de cada sabor... — nós rimos da Nanda e nos aproximamos da mesa.

— Achei que não viessem mais — Zayn puxa uma cadeira pra mim, meu rosto queima em vergonha.

— Sabe como é né, Fernanda e seus atrasos — Louis faz Fernanda estalar a língua e todos nós rimos.

— Louis! O que faz aqui? — Emma questiona.

— Eleanor...Eleanor, é, não estava em casa — ele dá de ombros.

Conversamos por horas. Onze e quarenta, já estava ficando tarde.

— Aonde vamos agora? — Niall se coloca entre mim e Fernanda.

— Não sou cabide não, cara — Niall coloca a mão na boca de Fernanda e faz "shhh".

— Você não é cabide, mas se pendura em todo mundo. Bonito isso! — Agora foi a vez de Fernanda fazer "shhh" para Niall, eu ri.

— Nós podemos dar umas voltas, sem rumo. Acho que não tem nada aberto essa hora.

— Que tal, cinema?!

— Não Fernanda! Você só pensa em cinema, por Deus — Emma se irrita.

— Aé, e vocês querem fazer o quê?

— Sei lá! Vamos andar. Ir a um parque por aqui.

— Parque de diversões? Não tô pra isso hoje... — Liam se emburra.

— Claro que não. Nem tem isso aqui, tem em Brighton. E nós certamente não vamos até lá agora — Louis diz.

— Eu quis dizer parque, do tipo Central Park. Sinto saudades de lá — Katy diz e me dou conta de que nunca perguntei a ela de onde veio.

Caramba! Nunca perguntei isso a ninguém.

— Emma, de onde você é? — Perguntarei agora.

— Sidney, Austrália — ela sorri.

— P. Sherman, 42, wallaby way, Sydney! — Liam grita e nós caímos na gargalhada.

— Acho que se fosse possível, Liam teria nascido na Disney. Mas só acho — Fernanda faz graça.

— E você, Niall?

— Irlanda. Nunca reparou no meu sotaque?

— Oh, não. Sou péssima nisso. Fernanda é boa nessa coisa de sotaques.

— Mentira. Eu reconheço mais o francês...

— Aiai. Bom, Katy é de New York, certo?

— Certo! — ela sorri.

— E os meninos, todos londrinos. Certo?

— Certo — rimos.

Tudo organizado. Agora sei de onde todos são. Opa, senti o celular vibrar.

"Estão prontas para uma grande surpresa? Espero que sim...Estou chegando! Beijos, Carol"

Estou chegando?! Como assim? Minhas mãos tremem.

— Fernanda! — Tento não gritar, mas não consigo.

— O que foi? — Ela se aproxima.

— Carol! Carolina! Carolina, está chegando! — Gesticulo como se isso fosse ajudar em algo.

— Como assim "chegando"? O que ela veio fazer em Londres? Ela está chegando em Londres? Calma, eu não estou entendendo nada — Fernanda ri e quase chora ao mesmo tempo.

Carolina é nossa melhor amiga também. Éramos um trio inseparável. Até SFL surgir na minha vida e na de Fernanda. Mas, agora, eu não sei o que está acontecendo. Não acredito que Carol esteja vindo para cá.

— Podem falar em inglês? Por favor? — Me dou conta de que todos estão olhando para nós com cara de interrogação. Voltamos ao inglês.

— Uma amiga nossa, está chegando. Pelo menos foi o que eu entendi!

— Que legal! E como é o nome dela? — Emma quis saber.

— Carolina. Mas vocês vão poder chamar de Carol, Caroles, Carolzona, enfim. Eu deixo — rimos.

Tento me acalmar, respondo a mensagem. Carol diz que chega no sábado, na hora do almoço. E que quando chegar, vai explicar tudo. Sábado, sábado, sábado. Preciso dormir para que chegue logo! Rio de mim mesma.

Caminhamos até uns jardins. Estava tudo bem calmo. O vento que passava era gelado, como sempre. Mas eu não estava sentindo tanto frio assim.

— Então, aonde vamos amanhã? — Harry pergunta.

Nos sentamos na grama. Zayn estava encostado em mim, mas com as pernas sobre Emma. Katy estava deitada no colo de Niall. Fernanda estava do lado de Liam falando sobre algo que eu não pude ouvir. E Louis estava entre Harry e Liam.

— Podemos almoçar fora e à noite podemos sair para uma balada, não sei.

— Hum, balada? Gostei disso — Fernanda entra na conversa.

— Então você é do tipo baladeira? — Zayn faz cara de sedutor, e aquilo quase me mata.

— Digamos que sim. Por que?

— Vamos nos dar muito bem então — ele ri.

— Você vai gostar das baladas daqui. Prometo te levar pra conhecer todas. Ou quase todas.

— Você tá brincando? Cara, que demais — Fernanda se joga em Malik e eles se abraçam.

Eu adoraria poder dizer que não senti ciúmes. Mas...nem tudo é como a gente quer. Eu sei que isso é idiotisse minha. Porque Fernanda gosta de Louis. E eu nem estou tão afim de Zayn. Acho que nem estou afim mesmo. Isso é só curiosidade. Claro.

Zayn faz carinho nos cabelos de Fernanda e eu sinto raiva por isso, sem querer. Devia ser eu alí. Eu.

Ai Anna Clara, deixa de ser idiota! Os dois são apenas amigos! Amigos. Não tem nada demais alí — grita meu subconsciente.

Mais algumas horas se passam e nos damos conta que já são três da manhã. Está muito tarde. Precisamos voltar.

— Anna, você pode me ajudar?

— Claro, com o que? — Me viro para Zayn, ele não parece precisar de ajuda.

— Ein, vamos indo? — Harry se levanta e gesticula desesperadamente para que todos façam o mesmo.

— Claro, vamos! — Louis faz os mesmos gestos, já estão todos de pé.

— Vamos né... — Olho para Zayn que diz para eu esperar.

Meu coração para. Olho para os lados e vejo que todos já estão na frente, caminhando para fora dos jardins. Minhas mãos começam a suar frio.

— Sabe, achei que fosse díficil ficar sozinho com você — Zayn passa a mão na nuca, ele está nervoso também.

Mas, espera. Ele queria ficar sozinho comigo? Zayn Malik queria ficar sozinho comigo? Ficar? Sozinho? Comigo? Meu Deus, o que está havendo? Onde foi que eu me tornei tão idiota? A ponto de achar que ele queria ficar comigo...Mas não foi isso que ele acabou de dizer? Ou não? Alguém me ajuda!

— É? — sorrio fazendo uma pausa. — E, por quê você queria ficar sozinho comigo?

Isso é pergunta que se faça? Cadê o pingo de inteligência que eu tenho? Nunca fui tão besta na frente de um garoto, e olha, não estou gostando disso. Minhas bochechas estão pegando fogo.

Zayn se aproxima, eu vou perdendo o ar aos poucos.

— Por que eu preciso fazer uma coisa...

Ele precisa fazer uma coisa. Legal. Comigo. Legal. Acho que é agora que eu acordo com o som do despertador irritante que está no meu quarto, e lembro de que tenho aula, e isso é apenas um sonho.

— O que? — minha voz falha, droga!

— Isso.

Zayn me puxa. Nossos lábios estão colados. Estamos nos beijando! Demoro a entender que aquilo não é um sonho. E quando percebo o quão real aquela situação é, demonstro tudo o que sinto.

Passo minhas mãos pelas suas costas, subindo até sua nuca. Arranho-a de leve. Ele repousa uma das mãos em minha cintura e a outra na minha nuca. Me puxa para mais perto. De repente estamos mais juntos do que nunca. Nenhuma distância parece haver entre nós. Nossos corpos estão grudados e isso não me incomoda. Sinto um calor excessivo tomar conta de mim. Todo o meu corpo está arrepiado. Zayn morde o meu lábio inferior de leve. Esse garoto sabe o que faz! Sua boca vai de encontro a meu pescoço, ele deposita uma mordida sedutora e depois um beijo carinhoso. Meu corpo estava explodindo em extase. Ao voltar com seus lábios para os meus, nos beijamos com mais carinho agora. Senti uma corrente elétrica passear por todo o meu corpo. Arrepios extremos. Mordo o lábio inferior de Zayn. E mais um beijo envolvente acontece. Encerramos com um selinho, afinal, precisávamos respirar.

Saio do beijo um pouco tonta. Não foi qualquer beijo. Eu posso estar completamente enganada, mas esse é o melhor beijo que eu já dei em toda a minha breve vida.

Um beijo tão feroz, com tanta coisa a dizer. Com tanto pra sentir. Não dá pra explicar. Talvez eu nunca saiba dizer como é o beijo de Zayn. Eu só sei que...Não quero que isso acabe por aqui.

— Nossa — digo rindo, surpresa.

— O que foi, não gostou? — Ele me olha espantado.

— Claro que não, quero dizer, é lógico que eu gostei! — Não escondo o ânimo que sinto.

— Eu também gostei... — sorrio para ele e volto meus olhos para o chão.

— Achei que eu não teria coragem. Estou tentando fazer isso há dois dias — ele ri abobado.

Não sei o que dizer. Zayn está tentando me beijar há dois dias? Como assim? É muita informação pra uma noite só...

— Bom, nós temos que ir né... — o garoto está sendo um fofo comigo e eu pensando em ir embora, ai.

— É, infelizmente — ele envolve os braços sobre a minha cintura e me olha bem de perto. Meu coração acelera os batimentos. E eu simplesmente esqueço de como respirar.

— O que eu disse na recepção hoje, sobre você...Não acreditou naquilo né? Ou acreditou?

— Eu, meio que, acreditei — ele ri —, sabe, suas palavras me atingem.

— Oh meu Deus! Desculpa, Zayn. Eu não devia ter dito aquilo, desculpa.

— Calma, Anna. Sem problemas. E você me chamou de Zayn! — ele ri e me encara.

— Qual é o problema?

— Não, nenhum. Só estou acostumado a ouvir Malik.

— Prefiro Zayn, é um nome bonito.

— Bonito? Está dizendo isso só porque gosta de mim... — ele me dá um selinho.

— Não estou não! Idiota — nós rimos.

— Mas você gosta de mim, não gosta?

— Sim... — sorrio o mais abobada possível.

— Aé?

— É, Zayn. Ai meu Deus, você está me deixando totalmente sem graça.

— Aé?

— Para de fazer isso! Eu vou embora!

— Aé?

— Zayn! — grito.

— Calma, eu só estava brincando. Sabia que você fica uma graça quando está nervosa?

— Aé?

— Não vale! — nós gargalhamos.

— É sério, você fica linda.

— Aé? Me acha linda? Huuum.

— É, bobona. Você é linda, muito linda. E não quero te ver com outros por aí...Anna, eu sinto ciúmes de você. Não gosto quando esses babacas chegam perto de você pra falar gracinha.

Ciúmes. Zayn sente ciúmes de mim. Aguenta coração!

— Eu também sinto ciúmes de você. Detesto quando essas meninas ficam te abraçando, te enchendo de carinho. E você gosta disso que eu sei!

— Eu gosto?! Como assim?

— Gosta! Elas ficam te endeusando e você adora. Se você não gostasse, sairia de perto delas.

— Mas agora eu não preciso sair de perto delas. Porque na verdade, elas não vão nem chegar perto de mim.

— É? E eu posso saber o por quê?

— Claro. Agora eu vou ficar do seu lado.

— Só do meu lado? — faço charme.

— Só do seu lado. Do lado da minha princesa.

Nos beijamos mais uma vez. E por incrível que pareça, esse beijo foi melhor do que os outros. Meu corpo estava se acostumando aos poucos com essa nova sensação. Interrompo o beijo intercalando palavras e selinhos.

— Nós precisamos ir...

— Harh... Já?

— Já? Zayn, são quatro horas.

— Tá, tudo bem. Só me promete uma coisa?

— Sim.

— Que vai me chamar de Zayn daqui pra frente?

— Prometo, Zayn — ele ri e me beija mais uma vez. Eu ia acabar ficando mal acostumada.

Saímos dos jardins de mãos dadas. E eu ainda não entendia aquela situação tão irreal.

— É isso né? — Zayn para na porta do meu quarto e me olha com um sorriso bobo.

— É — sorrio.

— Boa noite, minha princesa — ele se aproxima e me beija.

— Boa noite, Zayn.

Ele se despede me dando um beijo no topo da cabeça e pede para eu me cuidar. Espero ele se afastar e entro no quarto.

Me jogo na cama...

— Eu beijei Zayn — penso alto e depois caio na gargalhada.

Katheryne POV's

— Acho que eu sou um vegetal — digo emburrada e Niall cai na gargalhada.

— Como assim, Katy?! — Ele gira a cadeira na minha direção.

— Ah, sei lá, todo mundo gosta de alguém. Veja Zayn, já está ficando com Anna que chegou aqui semana passada...Eu estou aqui há dois anos, sozinha.

— Deixa de ser mentirosa, dona Katheryne. E os beijos que você trocou com Liam ano passado? Hein?

— Niall! — arregalo os olhos, estou realmente surpresa, eu achava que ninguém sabia disso. — Quem foi que te contou isso?

— Calma — ele ri —, foi o próprio Liam. Você sabe, somos muito grudados, ele acabou me contando.

Eu confiei em Liam. Achei que ele estivesse falando a verdade quando disse que não contaria nada a ninguém. E nem foram beijos direito. Eu só estava sozinha, ele também. Estávamos nas gincanas de culinária, e quando todos saíram da cozinha nos deixando sós, rolou um beijo. Nada além disso.

— Não acredito que ele te contou isso, ele deve ter falado pra mais alguém, cara!

— Calma! Ele não contou, eu garanto...

— Garante? Mesmo? — Me sento na cama novamente, e Niall me abraça.

— Claro que garanto, ele é o meu melhor amigo, me contou porque confia em mim, só isso. Fica calma, tá?

— Tá, mas eu ainda me sinto um vegetal — falo rindo dessa vez.

— Muito besta mesmo — ele ri e passa as mãos no rosto.

Era bom passar o tempo com Niall. Ele é o meu melhor amigo, não existe ninguém que me ature mais que ele. Ele é, simplesmente, a melhor parte de mim.

— Ouviu isso? — Ele se levanta da cama e eu franzo o cenho querendo dizer que não ouvi nada. — A porta do dormitório, foi aberta...Deve ser Zayn e Anna.

Corro pra janela e Niall vem atrás de mim, estamos rindo em silêncio.

— Alí, alí, alí — ele aponta para os dois na escada.

— Sério que nós vamos ficar olhando para eles se beijando? Não é muito legal.

— Se inspira neles, vegetal — ele me dá um tapa na cabeça e eu grito "ai".

— Shiu, não grita!

— Você é insuportável, Niall — saio da janela e me deito na cama.

— Interessante, e você continua me amando do mesmo jeito! — ele vem até a cama e se ajoelha no chão, de frente pra mim.

— Convencido demais hein — sorrio e me viro para ele.

— Não acho que você esteja virando um vegetal. Você ainda não achou a pessoa certa — ele respira fundo e passa a mão sobre os meus cabelos ondulados —, não achou alguém que te faça rir por nada, alguém que te faça bem só pelo fato de estar sorrindo, alguém que faça você ficar acordada até tarde pensando no cheiro, no jeito, na fala da pessoa...mas essa pessoa vai chegar, eu tenho certeza.

Havia mais do que um incentivo amigo alí, era nítido. Eu nunca tinha notado que os olhos de Niall são muito azuis, e por incrível que pareça, são sorridentes. Niall é tão bonito, com seus dentes tortos na frente, sua pele branca, seu cabelo loiro ressecado nas pontas...tão bonito.

— Talvez essa pessoa tenha chegado, mas eu ainda não tive a sorte de esbarrar com ela por aí... — eu não tinha ideia do que dizer, e acabei dizendo isso que não fazia sentido nenhum.

— Uma hora vocês se encontram, SFL e o dormitório não são tão grandes assim — ele me encara.

— Certamente — sorrio.

Me viro para o teto, encaro o nada. Queria tanto que minha mente fosse como as paredes do meu quarto: branca e vazia. Não queria estar pensando em nada, nem levantando hipóteses, nada disso. Mas era impossível com um silêncio enorme entre nós. Niall estava sentado no chão, encarando o nada também. Isso estava tão errado.

— Que horas são? — Pergunto.

— São... — ele tira o celular do bolso —, cinco e vinte seis da manhã. Acho que preciso ir embora.

— Está tarde já...

— É, e nós precisamos dormir...

— Verdade...

Que espécie de diálogo é esse?! Quero terminar isso logo, rápido. Eu não estou aguentando.

— Já vou — me levanto para abrir a porta.

— Boa noite, Niall.

Ele se aproxima e me encara por um tempo. Sinto meu coração doer. — Boa noite, Katy — ele me abraça e a dor passa, finalmente, sinto meu melhor amigo estar presente.

Ele entra na segunda porta depois da minha e eu entro no quarto. Acho que passei tanto tempo sem sentir nada que tenho medo do que pode acontecer agora. Tenho medo do que eu posso sentir. Na verdade, eu acho que eu não sei mais o que é gostar, ou amar.

Me envolvo nos lençóis amarelos com o cheiro de Niall e choro. Sem saber o porquê, choro. Acho que acumular sentimentos não é o meu forte. Uma hora transborda, e talvez essa hora tenha chegado. Como a pessoa a quem Niall se refiria. Talvez ele tenha chegado, mil vezes, e eu não tenha percebido. Ou eu estou fantasiando as coisas, porque lógicamente, ele é só o meu melhor amigo. E eu não posso me apaixonar por ele, nem ficar fim, nem ficar curiosa, não, eu não posso. Ou...posso?

Notas finais
Esse capítulo ficou bem clichê, eu acho haha mandem suas opiniões, bjs
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.