Sereia-Sol

1 Capítulo 1


Sereia-Sol

Você conhece a história
da sereia Janaína?
É a história da sereia
Inconformada com sua sina.
Não queria mais p’ra ela
Aquela vida de menina,
Que deseja, pede e clama
Pelo que não pode ter.
Confinada aos sete mares
Presa à cauda, sua dor
Ela chorava, pranteava
Implorando ao Criador
Que lhe desse, por um dia,
Um minuto, um momento,
Vida nova, mesmo sendo
Pouco tempo a conceder.
Foi ouvida sua história
E atendidas suas preces
A sereia Janaína
Era agora uma terrestre.
Com um belo par de pernas
Pôde então sentir a terra,
Deslizar por entre as matas
E correr junto do vento!
Foi então sentindo a brisa
Escorrendo por seu rosto
Que ela percebeu quão rápido
Era o vento mais que ela!
Fascinada, Janaína,
Quis então ser como ele.
Com tamanha rapidez
E incrível fluidez,
Poderia ver o mundo
Em apenas um segundo!
Janaína fez-se vento
E se pôs logo a voar!
Junto ao céu e as brancas nuvens,
Viu o brilho do luar
E estrelas muito belas
Que a fizeram desejar
Entrar para o grupo delas,
Ter o dom de cintilar!
Lá do alto, lá brilhante,
Poderia ver bastante!
E assim, ficou estrela
Radiante, luminosa,
Realmente esplendorosa,
Era o que queria ser!
Mas foi quando percebeu

Que ao seu redor havia
Mais magia, e o que ela tinha
Não era o mesmo tal poder!
Asteróides e planetas,
Meteoros e cometas,
Eram tantas coisas plenas
Que de tudo ela quis ser.
Mas foi quando viu o Sol
Majestoso, grandioso,
Que a sereia descobriu
Como deveria viver.
Astro-Rei incorporou
E portanto, Sol virou,
Sereia-Sol, feliz ficou;
Ou, então, assim achou.
Quando viu porém a Terra,
Assim de longe, assim tão bela
Desejou voltar a ela,
E ao mar, que era o seu lar.
Janaína percebia
Que de tanto querer ser
Já não se satisfazia
E nem conseguia viver.
Foi pensando dessa forma
Que a sereia decidiu
Voltar para suas águas
para aquele azul profundo,
Já que agora percebia,
Que deixá-lo não podia
Afinal, aquele mundo
Era o mais belo de tudo!
Janaína então voltou
Novamente sereia,
Novamente com cauda.
Entretanto, não ligava,
Pois enfim compreendera
Quão afortunada era.
Tinha a cauda de um cometa
Que a fazia poder voar
Tão mais rápida que o vento,
Pois p'ra ela, em pensamento,
O seu céu era o seu mar.
E o seu mar tinha estrelas
Estrelas-do-mar, é bem verdade
Mas quem se importa, que bobagem
Ao menos, ela as tinha lá.
E dessa forma, Janaína,
Tão contente em sua vida
Irradiando alegria
Ficou agora parecida
Com um lindo Sol no mar!

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