Notas iniciais
Sei que demorei mais e porque a história estava sem reviens mais com o comentário que teve decidi voltar com a ficha então vamos ao cap espero que gostem

Fatinha achava esquisito demais ter que olhar para aquele rapaz, ele parecia demais com o seu moreno, tinha até medo de confundir os dois, apesar de já ter percebido a personalidade totalmente oposta. E ela achava ainda mais estranho o fato de sua ex-mulher parecer tanto com ela, queria manter distância dele, a maior possível. Mas então, seus planos foram por água abaixo quando ele teve alta, ele ainda teria que tomar certos cuidados e não poderia voltar para São Paulo ainda, só daqui algumas semanas. Ele disse a Bruno que tinha dinheiro o suficiente para passar esses tempos em um hotel, mas Martha não queria deixa-lo sozinho e o trouxe pra sua casa.

— Eu nem sei por que ele veio parar aqui. Ele teve um piti e veio logo pra minha casa, pensei que ele nunca quisesse me ver. – Bruno bufou pela décima vez, e se jogou no sofá da casa de Fatinha .

— Vai saber o que passou na cabeça dele, né? Mas é muito estranho ter ele aqui, o que você vai fazer? – ela disse, lhe oferecendo um copo de água.

— Eu? Eu nada, só quero que ele melhore logo e tome o rumo dele, não vai ser fácil ter que conviver com um clone.

— Realmente, um clone. – ela riu, ele sorriu só de ouvir a risada.

Bruno puxou Fatinha pela cintura, a fazendo sentar no sofá, lhe dando uma mordida na bochecha, ia ficar marca, certeza, ainda mais com aquele pele branca que ela tinha.

— Mas, logo eu não vou mais morar aqui, a gente vai estar na nossa casa lembra? e não vai existir clone nenhum pra me atormentar.

Ela lhe deu um tapa no ombro em troca, a bochecha ardia.

— Isso dói ! Você vai ver!

Marlon não tinha noção do que estava fazendo ali, realmente foi um ato sem pensar, queria sair correndo agora. Ir para a China, pro Japão, pra qualquer lugar, menos ali, se sentia um intruso. E pior, se sentia um lixo. Estava sentado na cama de Bruno , enquanto Martha arrumava o sofá pra ele. Ele se recusou a dormir ali e obrigar o irmão a deitar no sofá, quem era o hóspede era ele. Percebeu o quanto Martha sua mãe biológica era uma boa pessoa, queria ter tido alguém assim, um exemplo de mãe. Só tinha a mulher que o adotou e criou , que a esse ponto deve estar morrendo de preocupação dele. Tinha perdido o celular no acidente, iria ligar pra ela quando pudesse.

Os remédios ainda estavam agindo, ele se sentia grogue, sabia que a dor de cabeça ia voltar em breve. Tentou focar sua atenção em outras coisas, ficou observando os detalhes do quarto do irmão, era simples, mas organizado, provavelmente era Martha que arrumava tudo, Bruno não tinha jeito que gostava de arrumar qualquer coisa. Viu um quadro no criado mudo do lado da cama, era ele e a tal Fatinha . Marlon pegou o quadro e ainda se sentia impressionado com a aparência da moça que lembrava tanto sua Alice (Lili), não sabia quanto tempo perdeu olhando a imagem, mas quando notou já era hora de dormir, Martha o chamou pra tomar um pouco de chá, ele detestava, mas sabia que era para o seu bem.

— Obrigado, Martha . – ele estava sentado no sofá, pegou a caneca que a senhora lhe oferecia, ainda estava bem quente. – Por tudo, mas não precisava eu ia me virar bem sozinho.

— Não tem importância, meu filho. Eu quero te ajudar.

Ele sorriu pra ela e assoprou o líquido da caneca antes de tomar um gole.

— Mesmo eu tendo o Bruno aqui eu sentia sua falta sempre senti ...

Ele ficou sem graça, sabia disso, mas parecia estranho estar ali diante da sua mãe biológica .

— Desculpa, eu não quero te assustar mais tanto eu como o Olavo e a Juliana sempre sentíamos a sua falta sempre faltou um pedaço pra nossa família ficar completa .

— Sem problemas, a princípio eu realmente não queria conhecer o meu passado mais diante do que me aconteceu eu realmente fiquei perdido sem saber aonde ir e vim parar aqui-disse ele mas seu corpo lutava contra sua mente,o sono lhe tomava forte
-Se você veio meu filho e porque estava na hora mais agora dorme porque esses remédios da sono-Matha disse
—Eu realmente vou dormir um pouco e mais uma vez obrigado por tudo-ele disse e se deitou no sofá enquanto Martha foi dormir mais antes apagou a luz da sala

Ela apagou a luz, e ele ficou ali no escuro, ouvindo o barulho do bairro ainda acordado ao seu redor, se cobriu com um edredom, o sofá era macio, até mesmo confortável. E o travesseiro ajudava muito, mas pouco importava, dormiu, segundos depois.

Ele acordou assustado alguém forçava a porta, e batia, será que era um ladrão? Ouviu as batidas de novo, se levantou do sofá meio zonzo, e foi até a porta. Não abriu, forçaram a porta novamente, não entendia porque alguém batia na porta se tinha campainha.

— Quem é? – ele fez a sua melhor imitação do tom de voz de Bruno.

Ninguém respondeu, olhou para a chave pendurada do lado de dentro e resolveu abrir, se fosse um louco, tentaria impedi-lo. Ao abrir a porta se deparou com ela, ela estava vestida de preto, uma blusinha preta, uma calça preta e saltos altos da mesma cor, a maquiagem destacava seus olhos, e os lábios com um batom quase incolor.

— Marlon ! – ela não parecia feliz em vê-lo. – E nem adianta fingir que é o seu irmãozinho mequetrefe que eu sei que é você.

Ela entrou, invadindo a pequena casa, olhando ao redor com desdém, carregava um envelope nas mãos. Marlon observou seus cabelos para ter certeza, e era ela, sim. Os cabelos longos, que por tantas vezes ele acariciou, mas ela nunca tinha lhe tratado assim.

— O que você tá fazendo aqui, Alice? – ela olhava para o sofá bagunçado.

— Vai morar aqui agora?

Parece que ele nunca tinha conhecido a pessoa com quem fora casado, ela o olhava de um jeito mesquinho, o nariz meio empinado, não parecia em nada com a doce pessoa que um dia ela tinha sido. Ela pegou o envelope em uma das mãos e veio até ele, lhe jogando encima do peito. Meio desajeitado, ele conseguiu pegar o envelope, e abriu, ele conhecia bem aquelas letras, era um pedido de divórcio.

— Já quer se divorciar de mim? – ele olhou pra ela, indignado com aquilo.

— Claro, você não me deixou lá, sozinha? Agora é minha vez, eu quero mais é que você fique sozinho, eu vou tirar tudo de você, Marlon. Tudo!

Ele sentiu o coração disparar e doía, como se ele tivesse cortado, metáfora maldita.

— EU NÃO VOU ASSINAR NADA!

— Ah, você vai! Vai sim, você vai ficar sozinho, sem mim, sem amor, pra sempre. Porque tudo o que você pensa é no seu trabalho. Ta aí! Casa com o seu trabalho!

— VOCÊ ME TRAIU, era eu que tinha que estar puto com você!

— TRAÍ MESMO, E TRAIO DE NOVO, QUANTAS VEZES EU QUISER, PORQUE VOCÊ É UM OTÁRIO, UM BABACA, IMBECIL!

Ele queria que uma cratera abrisse embaixo de si, queria ter morrido naquele acidente, mas nunca ter a ouvido dizendo isso pra ele.

— Eu não vou assinar nada, sai daqui, VAI EMBORA!

— Marlon, Marlon... você não aprende mesmo... – era uma voz que ele odiava com todas as forças. Ele se virou para a porta e viu William ali.

Que merda! Nem pra morrer ele prestava, aquele acidente devia te-lo matado de vez, Lili foi até William e lhe beijou na frente dele.

— Você sempre foi um brinquedinho pra ela, e agora, ela vai casar comigo, você vai assinar isso, porque senão... Sabe essa casinha aqui? Ela vai pras alturas, voar pelos ares, e pode crer, você vai ficar sem nada, e a culpa vai ser sua. Quem é o estranho que entrou aqui mesmo?

— SAI DAQUI, SAI! SOME DAQUI! – ele gritava com William , não entendia como Martha, não tinha acordado ainda.

— Não se esquece de assinar no lugar certo, amorzinho. – Lili disse.

— Lili , não! Por favor, para com isso, você só pode estar louca...

— Ah, Marlon, quem sabe, não é você que tá pirando?

Já passava da metade da manhã quando Fatinha resolveu ir ajudar Martha com o café, os trabalhos estavam fracos, e ela precisava se distrair, ela parou em frente da porta e bateu, o toque deles, nada, então girou a maçaneta, ela abriu. Alguém já tinha saído provavelmente Bruno já tinha ido pra agência, e Martha comprar alguma coisa, ela ouviu uns resmungos esquisitos seguidos de gritos.

— NÃO! ALICE! NÃO! NÃO ME DEIXA! LILI! NÃO! – os gritos vinham do sofá, era o clone que gritava.

E ele estava todo suado, o edredom lhe grudava nas roupas, e as roupas no corpo, ela não sabia o que fazer, a não ser acorda-lo.

— EI, EI, EI... ACORDA! – ela começou a mexer em seus ombros.

— NÃO, NÃO! – ele continuou gritando.

— ACORDA, RAPAZ! OW, ACORDA, ANTES QUE EU TE JOGUE UM BALDE DE ÁGUA NA CARA.

Ela sentiu que o corpo dele fervia em febre, provavelmente ele não tinha tomado o remédio direito. Merda. Ela gritou mais uma vez, e ele abriu os olhos, assustado. Ele jogou o edredom no chão, e ela se levantou do sofá, receosa com a reação dele.

Ele levantou quase como um pulo, e a expressão de dor no rosto, a cabeça doía, ele se afastou dela.

— Sai de perto de mim! Encostando-se à parede mais próxima. – colocou a mão na cabeça. – Sai de perto, eu nunca mais quero te ver.

— Eu não sou a Lili , eu sou a Fatinha, você tava sonhando.

— Que merda! Tá doendo demais. – ele ficou o mais longe dela possível.

— Você tá queimando em febre, é melhor tomar um banho.

Ele sentiu o corpo molhado, olhou pra ela, se acalmando agora, o coração se acalmava do susto. A reconheceu pelo cabelo, pelo tom de voz diferente.

— Desculpa, eu... Você pode imaginar...

— Eu imagino, eu só te acordei porque você gritava. Não quis te assustar. Desculpa.

— Tá tudo bem, eu me esqueci de tomar o remédio de madrugada, na verdade, eu apaguei.

— É bom você tomar um banho morno, eu vou preparar o café. – ela se virou e foi pra cozinha. – Depois você toma os remédios! – ela gritou de lá.

Ele estava ficando louco mesmo, como podia ter um sonho desses? Pensar que Lili iria trata-lo assim! Ele precisava de roupas novas, ficar usando as roupas do Bruno não iriam ajudar em nada também. Pegou uma bermuda que Martha tinha lhe oferecido na noite anterior, e decidiu que assim que sua dor de cabeça melhorasse iria para uma loja. Ficou debaixo do chuveiro por alguns minutos, a dor de cabeça lhe incomodava, principalmente quando abaixava o pescoço, vestiu a bermuda e foi pra sala. Começou a procurar uma camisa que tinha jogado dentro do carro quando saiu de casa.

— O café tá pron... –Fatinha ficou parada, o cara tava sem camisa no sofá da sala. Virou imediamente.

Não que fosse santa, mas não queria dar motivos.

— Desculpa, desculpa, Fatinha eu to procurando a camisa. – ele começou a fuçar com mais rapidez na mala agora.

— Tá tudo bem, é que... Isso é muito esquisito, você tá sabe né? – . Encontrou a camisa toda amassada na mala, mas era melhor colocar do que ficar sem.

Colocou a camisa, e fechou os botões.

— Eu sei que é esquisito, pra mim tá tudo muito doido. Imagina pra vocês.

— Acho que pra você deve estar pior, vem. A Martha vai trazer o pão, você precisa comer alguma coisa antes de tomar os remédios.

Ela voltou pra cozinha com o clone no seu encalço, ele se sentou à mesa, e enquanto servia o café, ela percebeu o quanto ele estava desconfortável e deslocado. Ela tinha prometido ficar longe dele, mas vê-lo daquela forma te deixou abalada, ele tinha o olhar perdido, como de um doido mesmo. Já não gostava da Lili, e agora, muito menos, ela deve ter o magoado profundamente.

— Obrigado. – ele pegou o café, e tomou um gole, fazendo uma careta.

— Tá ruim? – ela se sentou à mesa, de frente pra ele.

— Não, só tá forte. Mas assim tá ótimo. Quero ficar acordado mesmo.

Ela sorriu sem graça, ter pesadelos ou delírios não era fácil, ela podia imaginar. O celular dela vibrou com uma mensagem de Bruno: “Minha Loira , bom dia. Tô na agência já, depois só dá uma olhada lá no clone, porque minha mãe foi fazer compras. Te amo ”. Antes de responder, ela sorriu: “Ok, meu moreno . Tenha um bom dia e eu também te amo demais ”. Com Bruno ela sempre foi assim não se cansava nunca de dizer que o amava sempre dizia

Marlon a olhava, e quando ela notou, se assustou, tamanha era a profundidade do seu olhar. Ele a olhava como se fosse um animal de zoológico que nunca tinha visto antes, com muita curiosidade. E pra ela não era normal ter alguém parecido com o seu noivo na frente dela.

— Bom dia! Trouxe os pães! – Martha surgiu na cozinha e Fatinha suspirou aliviada, sem que Marlon notasse.

Ela tinha o pressentimento de que muita coisa ainda ia acontecer, sabia que o Bruno queria que ele fosse embora logo, ela também queria. Mas ele ia precisar muito mais deles e de Martha,Olavo e Ju do que ele jamais pensara.

Notas finais
Espero que tenhao gostado da ficha. Será mesmo que Lili e tão ruim assim como Marlon sonhou ou ela ainda continua a mesma isso só saberemos nos próximos caps