Notas iniciais
Postei esse texto em meu tumblr também e o escrevi já faz algum tempo, mas gosto tanto dele, das imagens que me evoca, e do modo como me é completamente, que decidi postá-lo de novo, como prosa-poética que veio a ser mesmo sem querer. Tomara que, de alguma maneira, ele seja algo para vocês também. As palavras nunca voltam vazias.

A escuridão profunda. Uma brisa morna. O cheiro de bolo. A palidez. O grito.

Os jeans rasgados. O vestido. A criança raquítica. A Oceania.

As pedras da parede. As caixas de som. As unhas roídas. A morte.

A insanidade. A felicidade. O chocolate. Uma rima inútil…

Aquele bigode. Aquele pentinho. Aquele piano. Aquele sorriso.

O irmão. Os amigos. A pastilha para a garganta. A menina hipocondríaca.

A cruz em preto na bandeira vermelha. A estrela dourada no pano do céu azul.

A Segunda Guerra Mundial. O Big Brother. À alienação, um brinde…

Ao dragão que matou o avô, sentença de morte!

Aqui se faz, aqui se paga. Dê a outra face.

Ao imbecil vestido de branco e sentado em Atenas; ao filósofo com o chapéu de palha perto do riacho. A ambos: meus cumprimentos.

A dor de cabeça. As boas novas. O inferno. O céu. A Terra. O calvário. A internet.

O professor. Os cachos. O traço. A letra. Cada um de vocês.

À criança que chora e ao poeta boêmio: um grande abraço!

O lápis. A pena. A inconstância. Caramba!

A árvore. O poluente. A bomba. O sincretismo. O pau. A pedra. O caminho. O fim.

Sem fim…

A história. A música. O livro. A senzala.

Aquela agenda. Aquele notebook. Aquela carta. A lagartixa.

O PENSAMENTO!

A razão. A emoção. A certeza. A dúvida.

A dúvida, principalmente.

Uma xícara de café. Um sonho. Nada. Dadaísmo.

Que surreal…

Abri a janela do quarto. Os primeiros sinais da iminente aurora já o adentravam.

- Bom dia! — gritei.

- A quem? — respondeu o Sol, aborrecido.

- A qualquer um queSEJA!

Ele sorriu um sorriso de sol da madrugada. O mesmo Sol que iluminou Descartes, disse-me, cansado de tanto brilhar:

- Bom dia a você também.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!