Notas iniciais
Uhuuuuul, ganhamos da Alemanha!! É OURO, É BRASIL!! Capítulo atrasado? Talvez, mas quem sabe amanhã rolê um para compensar. Boa leitura!

— Até que fim, pensei que tinha ido do outro lado da cidade! – Falou Clari ao abrir a porta.

— Você sabia que não da para correr com as mãos cheias de sacolas sem derrubar o que tem dentro delas?! – Falei revirando os olhos.

— Okay, deixa eu te ajudar. – Disse Clari pegando algumas sacolas.

Sacolas de papel fazem bem ao meio ambiente porque são biodegradáveis, porém no quesito praticidade...

Fomos para a cozinha e começamos a tirar as coisas das sacolas.

— Vou cortar os ingredientes. – Falou Rai pegando a cebola, alho, tomate, pimentão e algumas outras coisas.

Rai fez o molho, eu o arroz e fizemos a montagem da lasanha juntas, depois colocamos no forno.

— Bee, você sente saudades do interior? – Perguntou Clari do nada.

— Olha, eu até senti no começo. Como você sabe vim para cá com 10 anos e eu era apegada aos meus familiares de lá, nos primeiros anos eu esperava ansiosamente por um feriado ou pelas férias, tudo para ir lá e ver as pessoas que ficaram, mas com o passar do tempo as coisas mudaram, as pessoas mudaram, eu mudei... – Pausa dramática. – Então agora tanto faz, tenho saudades dos meus pais e dos meus irmãos, mas não de como era antes. – Respondi pensativa.

Faz quase dez anos que me mudei e conheci tanta coisa nova, tantas pessoas que se eu ainda estivesse lá não conheceria, um exemplo são elas. Não me arrependo de ter deixado tudo para trás, do mesmo jeito que meus pais não se arrependem de ter trazido eu e meus irmãos para cá. Nessa história de mudanças de hábitos eu me descobri, lá não era meu lugar e sou feliz com minhas escolhas.

— Entendi. Bom, qualquer dia vou lá conhecer. – Falou Clari.

— Vá mesmo, você vai gostar. Para mim não é tão legal porque gosto de animação, balada, shopping e tals, lá não tem nada disso. – Falei.

— Acho que você nasceu no lugar errado Bee! – Disse Rai.

— Também acho Rai, não me imagino morando mais naquele lugar. – Falei.

O almoço ficou pronto logo, comemos, limpamos a casa e depois jogamos mais conversa fora enquanto eu pintava as unhas, Rai pesquisava mais sobre o asilo que iria frequentar e Clari fazia um trabalho para faculdade. Todas aproveitando a folga.

— Gente, realmente desenho não é comigo, vou me ferrar na prova. – Falou Clari jogando o lápis em cima dos livros.

Clarice estuda engenharia mecânica, e a pior aula para ela é desenho.

— Amiga nem é tão difícil assim, pior que isso é ter que decorar o nome de todos os ossos e de cada músculo do corpo. Se eu não amasse o que faço... – Disse Rai.

Raissa estuda fisioterapia, é apaixonada por anatomia.

— Nossa, até agora não tenho muito o que reclamar. Minhas matérias são fáceis, a única coisa chata é quando a matéria da sono. – Falei.

— Também, foi escolher um curso fácil né?! Garota de humanas! – Falou Clari.

— Jornalismo não é fácil, as matérias da faculdade que são fáceis, mas fazer uma reportagem não é brincadeira. – Falei séria.

— Ok, ok. Vamos largar isso aí e dar uma corridinha antes da aula? – Perguntou Rai fechando os livros.

— Vamos sim, estou precisando. – Respondeu Clari.

— Vamos, não está aquele calor absurdo mesmo e minhas unhas já secaram. – Eu respondi – Sem falar que ver o mar é uma maravilha, vou aproveitar já que irei passar o final de semana sem isso. – Completei.

Trocamos as roupas por outras de academia e descemos para a praia. Essa é mais uma das vantagens de morar em frente ao mar, o paraíso a sua frente.

— Vamos até o canal 6 e depois voltamos de bike. – Falou Rai.

A parte boa em morar em uma cidade com um grande número de habitantes e muitos km de ciclovias são as bicicletas disponíveis para lazer usando apenas um aplicativo.

— Ok, mas quem chegar primeiro vai ter que esperar até a última chegar. – Falei.

— Isso mesmo, vou intercalar corrida com caminhada. – Disse Clari.

— É, eu também. – Falei e começamos a correr.

Rai saiu na frente, eu e Clari lado a lado no mesmo ritmo.

— Que disposição essa menina tem! – Falei para Clari quando Raissa já estava bem afastada de nós.

Entre a caminhada/corrida íamos conversando, rindo e observando as pessoas em volta.

Um pouco mais de uma hora depois de saírmos de frente de casa no canal 3, eu e Clari encontramos Rai no lugar combinado bebendo água de coco. Rai é do tipo que gosta de correr, então fez todo o caminho só correndo.

— Aff, vocês são muito moles. – Falou Rai quando chegamos perto dela.

— Muito engraçada, maratonista! – Disse Clari.

— Cansei! – Falei. – Vou comprar água. – Completei.

Fui até um quiosque e comprei duas garrafas de água.

— Obrigada! – Falou Clari quando entreguei uma das garrafas para ela.

— Agora vamos voltar, se não vamos acabar atrasadas para a aula. – Disse Rai.

Pegamos as bicicletas e em menos de 30 minutos chegamos na estação de bike perto de casa.

— Vamos dar uma mergulho? – Perguntei.

— Ah não, não vou ter tempo para secar o cabelo depois. – Disse Rai.

— Eu também não. – Falou Clari.

— Ok, vejo vocês lá em cima. – Falei entregando meu celular para que levassem.

Eu não sou muito de entrar no mar, talvez seja algum trauma de infância já que tenho um leve medo, ele piora quando é um rio ou lagoa. Porém estar perto do mar, sentir a brisa e ouvir o barulho das ondas me deixa bem. Sabe aquela famosa frase: “não é água com açúcar que acalma e sim água com sal”?! Então, é muito válida para mim.

Tirei a blusa e o tênis ficando só de top e shorts de corrida, estranhei a praia quase sem ninguém em uma sexta-feira com um calorzinho considerável. Entrei na água que estava um pouquinho fria.

O mar estava calmo, as ondas baixas, entrei até a cintura e me joguei na água flutuando. Fiquei deitada de olhos fechados ouvindo o barulho do mar e sentindo o cheiro de sal.

Após alguns minutos assim, senti alguém se aproximando. Abri os olhos e vi meu vizinho do 9º andar chegando perto de mim em cima de sua prancha.

Carlos tem 25 anos e mora com a mãe desde pequeno no prédio. Foi um dos primeiros que eu e as meninas fizemos amizade.

— Fala Betina! Aproveitando a sexta né?! – Disse Carlinhos.

— E aí Carlos! – Falei acenando. – Vim me refrescar depois da corrida, e você... hum, acho que não tem onda hoje. – Completei.

— Pois é menina, vim ver se consigo pegar pelo menos uma para relaxar. – Falou ele olhando o horizonte.

— Tá certo. Bom, vou subir que ainda tenho aula hoje. Até qualquer hora. – Falei levantando da água.

— Vai lá gata, beijos! – Disse ele acenando e indo mais para o fundo.

Peguei minha blusa e o tênis que estavam na areia e caminhei para casa.

Chegando em casa Raissa estava na cozinha preparando um lanchinho para nós, já estava trocada para ir á faculdade e Clarice ainda estava no banho.

— Nossa que rápida. – Falou ela ao me ver entrar.

— Falei um mergulho, era só para refrescar. – Disse indo para o banheiro de meu quarto.

Nossa sorte é ter conseguido um apartamento com 3 quartos e todos com banheiro, assim não temos briga na hora do banho e nem em relação a bagunça que cada uma faz.

Me arrumei para a aula já pensando na viagem, assim quando acabar é só pegar a mala e ir. Arrumei algumas coisas que faltava na mala, coloquei meu notebook na mochila e fui encontrar as meninas na sala.

— Quem vai dirigir hoje? – Perguntei me sentando no sofá e jogando a mochila do lado.

— Eu, vamos no meu carro. – Respondeu Rai.

— Ok. Depois volto com você, pego o meu e vou... – Falei.

Notas finais
Deixe um comentário para que eu possa saber se gostou Obrigada!