Será...?!
24 Muleque idiota, retardado, besta, irresponsável.. @$#%@¨#%
Notas iniciais
Ele fez uma pausa e decidi que já era hora de bater e entrar. Assim fiz.
–Tio Pedro ? –falei abrindo a porta com calma
–Ah, oi querida ! –ele diz e sorri. Abri um pouco mais a porta e vi Vitor me olhar assustado.
–A tia vai servir a sobremesa e pediu para vocês descerem –falei e ele assentiu. Sai e fechei a porta, mas ainda pude ouvir o tio rir.
–O destino te chama, filho, seja esperto... –ele falou e não ouvi mais nada.
POV Vitor
Ah sim, ótimo.. meu pai me chama, conta a historia de como conheceu minha mãe, diz que era igual a mim, diz que mudou por ter conhecido minha mãe, diz que não acreditava que estava apaixonado e ainda por cima diz que eu estou apaixonado pela tola da Lola..quer dizer, Heloisa. Argh ! Que raiva Vitor, deixa de ser idiota. Você é apenas um pegador que curte a vida, nem inculque com isso, continue curtindo sua vida, beba até perder os sentidos, coma garotas a hora que quiser e continue sendo você. Idiota ! O que eu estava fazendo ??Minha mente estava entrando em conflito comigo mesmo. Meu Deus, que idiotice eu estava fazendo ?Estavam todos na mesa, nos mesmos lugares de antes. Enquanto todos comiam suas sobremesas, eu olhava para a minha sem nem lembrar de come-la. ACORDA VITOR ! gritei na minha mente, comigo mesmo. Acho que isso é falta de álcool e sexo... sim, é isso. Por mais que eu gritasse e brigasse comigo mesmo, não conseguia para de lembrar o que meu pai me disse e logo em seguida a Lola... argh ! Quer dizer, a Heloisa entrar no escritório... foi muita coincidência, parece que foi como meu pai falou...o destino “o destino te espera, filho, seja esperto”. Que merda, o que eu estava fazendo ? O que minha mente estava fazendo comigo ? O que era aquilo tudo ? E por que eu estava me martirizando em pensar nisso ? Mas que praga foi essa que meu pai me jogou ? Pelo amor, eu estava entrando em conflito comigo mesmo, com minha mente, com meus pensamentos, e nada estava no lugar agora, eu não conseguia organizar as ideias. Apertei meus olhos com força, tentando me esvaziar dessa confusão, tentei pensar no telefone de alguma puta gostosa, ou o nome de alguma delas, mas eu não conseguia, minha mente sumiu, meu cérebro derreteu, evaporou, foi tomar ali no cu e não voltou. Pensa Vitor, lembra daquela garota lá, aquela que gosta de você, que te dá só porque te ama, como é o nome dela, lembra, vai... NÃO, pode parar, eu te proíbo de pensar nesse nome. Heloisa. NÃO, caralho, que merda, eu falei pra não pensar porra. Sai desse nome, esquece Vitor... agora,agora,acorda,agora... eu estava longe, parecia ouvir tudo longe.
–ACORDA VITOR ! –gritou alguém me chamando e olhei meio desnorteado algumas pessoas a minha volta. Apertei os olhos tentando desembaçar minha vista. –Vitor ?
–Vitor, filho...
–Cara, acorda, o que aconteceu ?
–Olha pra mim, ta me enxergando ? –falou alguém chacoalhando meu ombro. Fiz careta e tentei tirar a mão da pessoa de mim, mas nem minha mão, nem meu cérebro, agiram como eu mandei. Em vez de empurrar a mão da pessoa, a segurei, mas me senti mole, longe, parecia que o mundo rodava devagar e não lembro de mais nada.
*****
Acordei em um quarto totalmente branco e iluminado, tentei olhar a volta e não via nada além de alguns vultos embaçados. Levantei a cabeça e me senti tonto. Vi uma porta abrir e acho que eram meus pais com mais alguém vestido de branco.
–Olha aí –falou o homem que acompanhavam meus pais, chegando mais perto de mim –Como você se sente ? –pergunta o cara, que deduzo, ser médico.
–Nada bem –falei tentando olhar meu braço direito, que estava ligado a um caninho de liquido amarelado. Olhei para minha mãe que me olhava como se eu tivesse morrido. Meu pai acho que estava do outro lado da cama, mas não me dei ao esforço de tentar vê-lo. O médico ajusta o “pinga-pinga” do liquido amarelado e assente com a cabeça. O olhei apertando os olhos.
–O que sente em especifico ? –o médico perguntou, voltando a atenção para mim.
–Dor de cabeça, tontura, e visão embaçada –falei tentando me sentar mais na cama, mas senti meu abdômen dar uma fisgada filha da mãe, que me fez me curvar um pouco, mas logo me recompus.
–Está tudo bem ? –o médico se pôs em alerta.
–Só uma dor aguda, uma fisgada filha da mãe no abdômen –falei e o médico anotou tudo em uma prancheta que carregava para cima e para baixo.
–Ok, fiquem a vontade, podem chamar os outros se quiserem, vou buscar o resultado dos exames –ele falou e saiu do quarto. Entraram 5 pessoas, mais o médico, no quarto, todos me olhavam assustados. Apertei meus olhos na tentativa de ver alguma coisa mais nítido, e dessa vez funcionou. Vi o médico ao lado da minha mãe a minha direita, meu pai e a Heloisa a esquerda e o Gui, Lue, Leo e Nando, na ponta da cama. –Bom, pelo que vejo pelos seus exames –o médico falava e a merda da fisgada me apareceu de novo, devo ter feito cara de dor, já que a Heloisa interrompeu o médico.
–O que foi ? –ela perguntou dando um passo a frente. Fiz que não com a cabeça e o médico riu.
–Olhe rapaz, já sei a causa das suas dores no abdômen, sua dor de cabeça e sua tontura –ele fez uma pausa e todos olharam para ele –Deduzo que você deve adorar uma festa regada a muita bebida, não é mesmo ? –ele perguntou e em vez de me deixarem responder...
–Sim – disseram Nando e Lue.
–Pois é... –responderam minha mãe e a Heloisa.
–É, com certeza –diz o Gui e o Leo.
–Hum... –diz meu pai e me encara, reviro os olhos e ele faz que não.
–Pois bem rapaz, seu fígado esta nadando em álcool – ele falou e todos me olharam arregalando os olhos, enquanto minha mãe dava a volta para abraçar meu pai e a Heloisa. Olhei arqueando uma sobrancelha para o médico.
–Ok, já pode me dar alta hoje mesmo, néh ? –falei e o médico riu, o que me fez ficar puto com esse filho da mãe tirando uma com a minha cara.
–Calma meu jovem, você tem que acabar com esse soro com remédios para lavar seu estômago e aliviar suas dores, aí sim, amanhã pelo período da manhã ou tarde, poderei te liberar.
–Ahh caralho ! –falei quase gritando e inclinando a cabeça para trás.
–Olha a boca, Vitor... –minha mãe falou ficando um pouco seria e revirei os olhos. O médico pediu licença e saiu. Meus pais cochichavam algo um perto do outro. –Estaremos aqui fora querido, precisamos conversar, mas qualquer coisa chame. –diz ela e assenti.
–Err...oh tia Cristina, nós queremos fala com vocês também... –disse o Leo parecendo inventar uma mentira esfarrapada. Bem a cara dele. E o Nando foi atrás.
–Oh Gui... –diz o Lue cutucando o braço do Gui –Vamos ali comprar um refri, alguma coisa, vem...
–Não to afim não, valeu.. –o Gui falou dando de ombros e o Lue voltou da porta revirando os olhos e grudando no braço do Gui.
–Tá afim sim, vem logo caralho... –falou puxando-o pelo braço, que resmungou e saiu aos tropeços.
POV Lola
Eu estava meio confusa com tudo isso. Senti um puta medo quando o Tio Pedro trouxe ele pro hospital e eu, os meninos e a tia, viemos depois. Esse muleque é um idiota, um retardado, um besta, irresponsável com si próprio, não tem medo de morrer, só faz merda...
–Você é idiota... –falei ainda fitando o braço dele ligado ao soro amarelado.
–Iiih, já vai começar ?? – ele falou resmungando e olhando pro teto. Só serviu pra me irritar mais. Filho da mãe.
–Já vai começar, Vitor ?! É assim que você pensa ? As pessoas se preocupam com você e você acha que quando elas vem fala com você é pra te encher ?? Mas que idiota, deixa de ser babaca. Você deu o maior susto em todo mundo. A gente falava com você e você não respondia coisa com coisa, depois do nada apagou e o tio Pedro correu com você pra cá. E agora olha pra você, tá aí, ligado a um soro cheio de remédios pra vê se salva teu fígado... por que ? porque você é um imbecil que enche a cara até dizer chega, todos os dias. –falei e ele me olhava com cara de debochado –E aí fica me olhando com essa cara, como se estivesse pensando na próxima resposta idiota que vai me dar –bufei irritada, passando as mãos pelo meu cabelo. E ele continuava calado fazendo cara de idiota. –Vai, fala alguma coisa, Vitor ! –falei pondo a mão na cintura.
–Alguma coisa –ele falou arqueando as sobrancelhas e inclinando a cabeça. Bufei, me virando de costas e dando uns passos pra longe dele, antes que eu voasse no pescoço dele. Respirei fundo voltando pra frente.
–Você não cresceu, é um infantil e irresponsável, não toma conta nem de si mesmo, só faz merda pra depois os outros concertarem –falei cuspindo as palavras e enfiando o dedo na cara dele, que respirou fundo desviando o olhar. Assenti em não com a cabeça e ouvimos alguém bater na porta, à abrindo. Era tia Cristina.
–Com licença filha, só vim avisar que os meninos já foram embora e o doutor avisou, que talvez o Vitor seja liberado hoje de madrugada ou amanhã de manhã –ela diz e alterna o olhar entre mim e o Vitor, revirando os olhos ao ver ele ouvindo tudo com cara de pouco caso –Acho bom ouvir a Lola, ela tem toda razão –ela faz uma pausa e sorri –Não que eu esteja ouvindo atrás da porta... enfim, de qualquer forma, o senhor ainda vai ouvir quando chegarmos em casa –ela serra os olhos pra ele e peguei minha bolsa, saindo do quarto com ela.
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