Notas iniciais
Me desculpem os erros de português.

Nick POV.

Vamos começar do princípio para não ficar confuso. Miley e eu só brigávamos quando éramos menores, afinal éramos crianças ainda. Quando nós dois completamos dez anos de idade, Miley foi morar na Califórnia, em Malibu. Seis anos depois ela volta à Nova Jersey. Problemas: ela tem curvas, tem mais bunda e seios. Eu: um pouco mais melhorado, certeza. Somos adolescentes e tudo poderia mudar entre nós. Os hormônios são os mais culpados.

Não acredito em destino, mas acredito em amor à primeira vista. Não sei como pude amar tanto ela quando a vi entrar pela porta do meu colégio em plena sexta-feira ensolarada. Não havia reconhecido ela no começo, mas na aula de química soube que era ela mesma, por causa do anel que ela roubou de mim.

— Miley? — soltei bem baixinho. Demorei três aulas para ter certeza que era ela.

— Só agora percebeu? Cabelo de mola. — ah, sim. Com certeza era ela mesma. Ela afirmou. Tenho que admitir que hoje não seja um dos meus melhores dias.

— Quer lanchar comigo? — perguntei baixinho ainda para o professor não perceber nossa conversa. Ela estava sentada na minha frente naquele dia.

— Vai parar de falar se eu disser sim? — ela falava no mesmo tom que o meu.

— Sim.

— Sim, eu aceito. — nossa conversa morreu aí. Mas nunca estive tão ansioso para a hora do intervalo como agora.



Miley POV.

Não estava a fim de falar com ele. Muita coisa mudou desde que me mudei para Malibu. Deixei meus melhores amigos lá, meu namorado perfeito também. Deixei simplesmente meu coração em Malibu. Agora aqui estou, eu e Nick. Não é fácil rever alguém que você sempre batia na hora do intervalo para roubar alguma coisa, como ele dizia. Não somos mais os mesmos e não sei o que vai acontecer.

Hora da verdade, chegou o intervalo. O que ele quer de mim?

— Oi. — ele sorriu. Aquele sorriso. Nunca me esqueci da primeira vez que o vi sorrindo. Não que seja muito importante agora, mas acho que depois seria.

— Oi. — sentei-me na sua frente. Estávamos lá fora, de baixo de uma arvore muito antiga.

— Você...

— Cresceu? É, mas você não mudou muito. Ainda parece o mesmo. Os anos são bons com você. — o interrompi.

— Não quando se tem espinhas. — ele brincou. Fez-me rir.

— O que você queria me dizer? Era é isso?

— Sim e não... — ele parecia em dúvida. Ai, garotos nunca sabem como chamar uma garota para sair.

— Sabia que eu estou menstruada e que se transássemos agora, eu não ficaria grávida. — soltei para ver onde isso ia dar.

— Você continua a mesma nojenta de sempre, só que sem rabo-de-cavalo na cabeça e acho que agora você não rouba mais as minhas coisas no intervalo.

— Me empresta dez dólares? — falei, não vou devolver.

— Não, eu te conheço.

— Espertinho.



Nick POV.

— Miley, você quer jogar boliche conosco hoje? — perguntei. Espero que ela diga que sim.

— Não posso, tenho que ficar de olho na Lindsay. — falou abrindo seu iogurte.

— Por quê? Ela ainda apronta muito? — Lindsay é irmã da Miley, só tem um ano de diferença entre elas, apesar de não ter muito contato com ela... Quem to querendo enganar já namorei a Lindsay e a conheço muito bem.

— O triplo agora. Ainda mais que deixamos à Califórnia.

— Você também não mudou muito.

— As pessoas não mudam, somos nós que as vemos com outros olhos. — não conhecia esse lado dela, mas vou ser persistente e perguntar mais uma vez.

— Você e Lindsay querem ir ao boliche hoje junto com o pessoal?

— Claro. Sim, nós duas vamos. Agora eu já vou, preciso falar com a Lindsay sobre uma coisa. — Miley disse e logo foi saindo, mas ela esqueceu sua bandeja, então ela vai voltar. — Deixei meu lanche e esqueci de te dar uma coisa. — não disse. Ela me devolveu o anel, peguei. Depois ela foi embora com sua bandeja. Fazia um bom tempo que o anel estava com ela.

Gatuna. Roubou meu anel e agora está roubando meu coração.

O tempo não passava. Quanto mais eu queria que passasse, menos isso acontecia. Logo era a última aula e faltava pouco para a hora da saída, queria encontrá-la e companhá-la até a casa dela, caso ela estivesse de a pé. O sinal tocou. Em meio à multidão estava procurando-a. Mas não a encontrava, mas encontrei Kevin. O que ele estaria fazendo aqui? Será que ele veio me buscar? Faz um bom tempo que nós não nos vemos. Faz falta. Coisa de irmão.

Tudo que ele me disse foi para entrar no carro. Obedeci, afinal era o meu irmão ali. Sabia que tinha coisa errada nisso tudo, mas não pensei que envolvia a Miley. Ela também entrou no carro. Ela estava ao meu lado no banco de trás e não segurei o riso. Miley me deu um tapa na cabeça e... Ai!

— Seu irmão apenas está fazendo um favor para mim. Não é, Kevin? — ela falava.

— Não vou me envolver nisso. — falou Kevin como resposta. Ele é do tipo: “não to nem aí”.

— Por quê? — perguntei.

— Porque minha mãe ta pagando ele para vir me buscar e agora isso vai ser assim até o último ano. Eu sei que você não me suporta, porque eu também não te suporto, mas vamos ter que nos aturar até lá, ta? — ela disse. Quem disse que eu não te suporto?

— Ta, por mim está tudo beleza. — respondi.

Eu deveria estar odiando, mas não, estou amando perdidamente isso.

Fomos até a minha casa e para minha surpresa, Miley era novamente minha vizinha. Descemos do carro e Kevin foi para casa dele. A única coisa que me separava de Miley era uma cerca branca. Ela ficou me encarando por uns dois minutos e depois entrou. Dava para ouvir a tarde inteira os gritos de Miley dando um sermão na sua irmã Lindsay. Daqui a pouco a policia aparece. Entrei em casa, comi alguma coisa que minha mãe deixou no micro-ondas e me joguei no sofá.

Os garotos da minha idade, que estivessem sozinhos em casa, dariam uma festa. Já tive várias oportunidades para fazer isso, mas nunca encontrei motivos e... Acho que agora tenho um. Miley e Lindsay amam festas, e seria a oportunidade perfeita de ficar com a Miley. Vou fazer uma amanhã.

Alguém bateu na minha porta. Atendi e ela foi invadindo.

— Lindsay?

— Ela não me entendeu... — ela começou a falar, mas tudo que eu pensava era na Miley. Cheguei a sentar no sofá e fingia escutá-la como o meu pai faz com a minha mãe.

— Você está ouvindo o que eu estou dizendo? — perguntou Lindsay, me dando um tapa na cabeça, desse jeito vou ficar com um galo.

— Não... Ai desculpa. Lindsay, você já tentou entender a sua irmã, pelo menos uma vez? — a questionei.

— Não. Como vou entende — lá se mal me entendo? — ela falou. — Eu aceito ir ao boliche com vocês. — disse sorrindo. Ela é bipolar por um acaso?

— Ótimo. — falei.

Agora vou poder dizer a Miley que estou vendo-a com outros olhos.

Chegou na hora, Joseph veio me buscar, sou o único da família que não tem um carro. Mas também sou o único que não é comprometido. Kevin tinha Selena e Joe tinha a Demi... Eu tinha apenas minhas palavras absurdas e meus pensamentos inúteis. Ou talvez, tinha a Miley.

— Lembra como se joga boliche, não lembra? — perguntei a Miley, que parecia que não sabia o que fazer com a bola de boliche.

— Claro que sim, jogava muito na Califórnia. — ela me respondeu.

— Você não gosta mesmo daqui, não é? — perguntei, enquanto ela fazia um strike.

— Não é que eu não goste, apenas acho que esse não é mais meu lar. — respondeu caminhando até a mim novamente. — Por quê? — ela me olhou nos olhos.

— Você sabe muito bem por que. — falei.

Ela apenas me deu um selinho. Depois aquilo virou um beijo. Não quero saber por que ela fez isso? Apenas quero continuar beijando ela.

Ela parou. Por quê?

— É... Melhor eu ir. — ela disse saindo. Mas fui atrás dela.

Fomos conversando o caminho inteiro. Ela me contou suas aventuras nesses últimos anos na Califórnia. Ela me contou sobre seu namorado, seus amigos e sobre seu primeiro emprego. O colégio, seus professores e suas inimigas. Senti que faltava alguém naquela conversa toda, alguém que viesse reclamando o caminho inteiro... Lindsay. Deixamos à irmãzinha para trás. Mas acho que é melhor não lembrar a Miley, se não teremos que voltar e... Prefiro do jeito que está.

— E você? Como passou nesses últimos anos? — ela perguntou, olhando-me.

— Normal. E diferente. — respondi, foi à única coisa que pensei. Andamos mais um pouco até chegarmos a uma sorveteria.

Ela pegou minha mão e arrastou-me para dentro da sorveteria. Ela pediu um de morango e eu de chocolate. Então, continuamos a conversa e ela não largava minha mão por nenhum segundo se quer. Estava adorando tudo aquilo, pena que o coração dela ainda continuava na Califórnia. Queria que estivesse aqui comigo.

Continuamos conversando. Às vezes, trocávamos olhares e beijos também. Não quero que essa noite termine jamais.

— Sabe quando eu voltar para a Califórnia, vou sentir sua falta. — ela disse.

Isso estava fazendo mal ao meu coração.

— Por que quer tanto voltar? — perguntei.

— Porque estamos separados... Não quero te machucar, mas não sinto o mesmo por você, apesar de estar te beijando, é que você me lembra muito ele, meu namorado. — ela respondeu. Eu podia viver sem isso.

— Então, estamos separados por causa da Califórnia e do seu namorado. Está terminando comigo sem antes começarmos?

— Nós já começamos há muito tempo. Quando odiávamos um ao outro, quando nos conhecemos. Faz dezesseis anos e um dia que estamos juntos, mas agora precisamos nos separar. — o que ela dizia era um absurdo, não podia acreditar nas palavras dela. Faz tempo sim, mas só hoje descobri. — Temos que buscar Lindsay.

— Temos?

— Só porque nos separamos não quer dizer que não podemos estar juntos.

Miley levantou-se e logo fui atrás dela. Eu sou um idiota. Estou apaixonado pela garota errada.



Miley POV.

Espero que ele entenda o porque nós não podemos ficar juntos, temos que seguir nossos caminhos separados por um tempo até eu realmente decidi se quero ficar ou ir.



Nick POV.

Estava perdido em meus pensamentos, estava querendo entender o porque a Miley estava fazendo isso comigo. Sei que sou chato e dramático às vezes, mas eu gosto mesmo dela, na verdade... Acho que amo ela.

— Miley. — falei. Faltavam três quadras até chegarmos ao shopping onde estava o boliche e a galera, principalmente Lindsay. Ela parou e olhou-me.

— O que foi? — perguntou.

— Eu te amo. — ela começou a me encarar, acho que ela não esperava por isso.

— Como? — perguntou com uma expressão confusa.

— Simplesmente amando. — não podia explicar o que estava acontecendo.

— Só foi um dia, uma noite. Isso não é possível. — ela falava.

— Agora é só um dia? Antes era a muito tempo. — disse com raiva.

— É mais difícil e complicado do que parece. — Miley tentava explicar-se. Então, ela me amava também. — Nick, não quero brigar.

— Então, por que não fica? — perguntei calmamente.

— Porque meu coração não pertence a esse lugar. — ela disse.

— Eu vou para casa, é melhor assim. — falei. Vir-me-ei e fui andando.

Enquanto andava houve um acidente. Veio policia, ambulância e o corpo de bombeiros. Não parei de andar, mas senti um aperto no peito. Quando cheguei a casa, só recebi a noticia pela madrugada, mais ou menos às quatro da manhã. Miley, o amor da minha vida ou a garota certa, talvez errada, havia sofrido um acidente e seu estado era delicado.

Fiz o impossível para ir ao hospital, passei o dia lá. Assim passaram-se a semanas e eu ficava sempre ao lado de Miley. Mas um dia seu coração parou. E o meu também.

A Miley se foi e com ela o meu coração...

Dizem que leva um segundo para você reconhecer uma pessoa especial, leva um segundo para saber com quem você vai passar o resto de sua vida ou que vai viver uma grande emoção.

Dizem que leva um dia para amar, apaixonar-se por essa tal pessoa especial que você reconheceu em um segundo.

Mas a outra coisa que dizem e que é o problema é que leva uma vida para se esquecer dessa pessoa.



FIM.

Notas finais
Mandem reviews!!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!