Separados pela distância de uma batida de coração.
4 Capítulo 4 - Degel
Notas iniciais
Suas forças se esvaiam lentamente, sugadas por todo aquele gelo que o envolvia, e por mais que Degel possuísse a habilidade de se mover dentro do gelo, sabia que de nada aquilo adiantaria agora. Tinha cumprido sua missão, tinha detido o poder de Poseidon de inundar toda a terra, então… porque ainda sentia que tinha algo faltando? Uma peça que não o deixava descansar em paz.
Seu cosmo pulsava procurando por ele… Desejando ele… o chamando…
“Kardia…”
O aquariano chamou mais uma vez, por mais que sua voz não se propagasse naquele gelo que se estendia rapidamente pelo templo submarino. Ele não podia ter morrido, não, por mais imprudente que fosse o escorpiano não seria vencido tão facilmente. Por mais que ele sempre dissesse daquele jeito teimoso que ele seria o primeiro a morrer, o francês sempre soube que aquela era uma grande mentira. Kardia podia ser imprudente, impulsivo, mas ele tinha algo que o mantinha vivo sempre… Sua ânsia pela vida, sua vontade de viver e lutar, e era por isso que o aquariano simplesmente não podia acreditar que ele havia morrido.
Um chamado forçou o aquariano a abrir os olhos, um cosmo conhecido, e logo um sorriso discreto surgiu nos lábios de Degel.
“Eu sabia… Eu sempre soube que você não perderia”
Não havia nada alem do branco gélido a sua frente, seu cosmo diminuía gradativamente, mas a esperança de ver quem amava vivo… De ver uma ultima vez Kardia ali na sua frente mais uma vez o mantinha lúcido dentro do caixão que moldou para si mesmo.
Um suspiro deixou os lábios do aquariano quando a figura dourada de longos cabelos azuis surgiu através do gelo límpido, tão contrastante com a figura que envolvia todo o salão. Seu peito parecia queimar, mas nem mesmo o calor absurdo que o escorpiano podia produzir conseguia chegar ate onde estava e Degel sabia que não importaria o quanto cosmo gastasse não conseguiria controlar a febre aquela vez… Não mais…
O cavaleiro de gelo se forçou a se mover pelo gelo ate se aproximar da grossa parede que o prendia, tocando-a como se quisesse alcançar seu amado de alguma forma impossível. Os olhos azuis antes tão cheios de vida agora estavam opacos e quase sem vida… De fato aquela era uma despedida, e só o que desejava era poder tocar seu Sol uma ultima vez.
“Eu te amo… Kardia…”
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