Notas iniciais
E aqui vamos nós. Atendendo a pedidos,dessa vez será uma trama maior. Com mais capítulos e que Deus me ajude. Sejam todos bem vindos. Obrigada pelos comentários nas fanfics anteriores,e também muito obrigada pelas recomendações.Valeu pessoal♥♥

San Francisco, Califórnia.

A dor vinha em ondas, pesada e violenta, acertando em cheio o seu coração.

Em outros dias as ondas eram lentas e pareciam querer submergir, ameaçando afogar sua alma. Afinal, fazia dois anos que havia perdido a mãe naquele fatídico acidente automobilístico. Ainda lhe parecia muito difícil aceitar tamanha perda, sua mãe tinha todos aqueles defeitos que eram de conhecimento geral, mas ainda sim era a sua mãe. Como qualquer ser humano ela teve as suas falhas, mas suas qualidades foram infinitamente superiores.

—Papai,papai..Por favor! Você também não …

—Srta Quenn, por favor, deixe-nos fazer o nosso trabalho- Leo arriscou afastá-la de seu pai. Isso foi o bastante para Thea ficar revoltada. Ele era apenas um profissional da saúde, lidava com isso todos os dias, deduziu que para Leo, esse era apenas mais um paciente, ele não entendia aquele sentimento.

Ninguém entendia, primeiro sua mãe e agora o seu adorado pai.

Os paramédicos o colocaram na maca, pareciam apressados. Uma luta contra o tempo. Mentalmente Thea Queen escutava as badaladas tic tac, tic tac, tic tac.

—Eu vou com ele e se eu fosse você não encostaria essas mãos em mim -ameaçou quando Leo veio em sua direção.

—Só queria ajudá-la a subir na ambulância- Léo se justificou calmamente.

Thea olhou uma última vez na direção da mansão, e por fim entrou no veículo que levaria o seu pai ao hospital.

—Papai eu estou aqui- ela apertava a mão de Robert como se fosse sua tábua de salvação — Você vai ficar bem- falava entre prantos- Já liguei para o Ollie, ele está a caminho do hospital.

O patriarca Queen não parecia enxergar ouvir ou até mesmo pensar, estava pálido e muito fraco.

—Felicity. .Ligue..pra..Ela. .- falou pausadamente, a voz trêmula e baixinha. Quase inaudível.

Boston, Massachusetts.

Não era possível que a noite já estivesse cedendo lugar para o dia, aquele som estridente só poderia ser o despertador.

Felicity não sentia que havia descansado ou mesmo relaxado os músculos. Deveria começar a deitar mais cedo, pensou enquanto virava para o outro lado da cama. Tentou voltar a dormir, mas aquele som não parava.

Largou o travesseiro de lado, retirou o cobertor e sentou na beirada da cama, olhou para o despertador e concluiu que o barulho não vinha dele.

Eram 03:27 da manhã.

Agora mais desperta, localizou o celular que não parava de piscar o visor, seguido de um toque.

Um frio percorreu o seu corpo e todos os pelos se arrepiaram quando viu o nome na tela. Última que vez que recebeu uma ligação de Thea Queen durante a madrugada, era pra avisá-la que Moira havia falecido.

—Thea?- toda a sua atenção estava acordada agora, a amiga não estaria ligando sem motivos. Podia sentir.

Os soluços do outro lado da linha confirmaram a sua suspeita.

—Fê, estamos perdendo-o — sua voz misturada ao choro e soluços, não permitia entender o que ela falava.

As mãos de Felicity tremiam em antecipação, o coração quase saltando pela boca.

—Thea,calma..Respira fundo, isso calma...Agora tenta de novo ,explica devagarzinho. .O que aconteceu..?

Embora os dois tivessem as suas divergências, Felicity não estava pronta para perdê-lo, mesmo que Oliver Queen não pertencesse mais a ela.

—Fê,eu estava no meu quarto conversando com o Roy pelo skype...foi muito rápido. -os soluços começaram novamente- Escutei um baque forte,um barulho alto vindo do quarto do papai. Sai correndo para ver do que se tratava, e então o encontrei caído no chão, desacordado. Foi horrível.

Por um momento Felicity se permitiu respirar aliviada, não era o Oliver. .. Para logo em seguida sentir o coração apertar. Não somente pela angústia de sua melhor amiga, mas porque Robert Queen era a representação de um amor fraterno, o pai que ela nunca teve. Amava demais aquele senhor, e seu coração doía só de imaginar o que viria a seguir.

—Thea,estou indo pra aí. .Vou ver como posso fazer, qual meio será mais rápido. ...Qu. .Qual o quadro dele?- gaguejou, tinha medo do que iria escutar…

—Ainda não sabemos, os médicos estão com ele lá dentro... Ollie

e eu estamos quase loucos aqui fora sem saber de nada.

Oliver estava lá com ela, isso era bom. Ele poderia ter suas diferenças com o pai, mas ainda sim estava lá amparando a irmã. O loiro tinha esse princípio de guardar a própria dor, para poder amparar a dor dos outros. Oliver era fechado, exigente consigo mesmo, mas baseado na convivência que um dia tiveram, Felicity sabia que ele se doava ao máximo.

—Vai ficar tudo bem,Speed. ..Tenha fé -usou o apelido carinhoso que ela e Ollie a tratavam quando eram crianças- Estarei aí o mais rápido possível.



—Ollie,se o papai morrer o que vai acontecer?

Os dois irmãos aguardavam notícias num corredor pouco movimento, estavam sentados lado a lado, Thea com a cabeça apoiada no ombro esquerdo do irmão mais velho.

Mentalmente, Oliver se fazia a mesma pergunta. Mas não podia desmoronar, não agora na frente de Thea.Como se trouxesse algum conforto, o loiro acariciou os cabelos curtos da irmã com um vai e vem afetuoso.

—Você foi muito rápida Speed, muito esperta ao acionar a ambulância e contatar o Dr Gilbert para a emergência. Agora o papai está em boas mãos. Vai dar certo- ele mesmo tinha dúvidas se acreditava nesse discurso.

Speed parecia alheia a tudo que Oliver havia falado.

Aquele cheiro de hospital, aqueles profissionais com expressões impessoais, tudo contribuía para que o seu desespero aumentasse. Thea não tinha mais controle de suas lágrimas.

Parecia um Déjà vu, a espera, a agonia e por fim a notícia fatídica. Não tinha como não associar aquela lembrança ao dia que perdeu sua mãe.

Thea resmungou alto, chamando a atenção do irmão.

—Não tenho ninguém por mim, ele é o meu velhinho, não posso perdê-lo.

Oliver concluiu que sua irmã não estava falando coisa com coisa, provavelmente estava em estado de choque, desde criança era apaixonada pelo pai, enquanto Oliver era o mais apegado com a mãe.

—Não faça isso Thea...O papai é forte e vai aguentar. ..O que faz você pensar que está sozinha? Eu sempre estarei aqui pra você e por você. .Tem também o Roy,Thommy , Laurel.Caitlin,Barry e Raisa .

Thea levantou a cabeça e ergueu-se rapidamente do assento onde estava. Irritada a julgar pelo olhar ultrajado.

—Você?.. Oliver, você nem mora mais na mansão e está sempre preso no trabalho...Vive focado nesse seu mundinho perfeito, provavelmente nem se lembra a última vez que foi nos visitar ..Então não, você não estará ao meu lado..Roy é um amorzinho,mas também tem as obrigações dele,não dá pra ficar colado na namorada pra sempre..Thommy e Laurel tem os próprios problemas e preocupações com a gravidez de risco..Barry e Cait tem a família deles para se preocupar, um bebê recém nascido exige tempo e atenção ...Raisa é tão idosa quanto o papai,estou tão acostumada a perder, que provavelmente ela será a próxima.

—Não basta o papai,e agora você já está assassinando a Raisa?- Oliver segurou o riso.Não era momento pra isso,estava triste e preocupado, ao contrário do que muitos pensavam,ele também tinha os seus medos.E perder o pai era um deles.

Thea balançou os ombros como quem diz,tanto faz.

—Ollie. .E depois da Raisa?Quem será o próximo? -Queen mais nova bufou e secou algumas lágrimas.

—Não faça isso,por favor. Speed você é uma das pessoas mais doce que conheço, é muito fácil gostar de você. Isso vai passar e você poderá tirar a prova de quantos amigos a cercam.

Oliver engoliu em seco.Thea era a garota hiperativa cheia de energia, sem travas na língua, rodeada por amigos e barulhenta, o motivo de alegria, onde chegava ela despejava aquele tanto de risos e descontração. Ele era o oposto em todos os sentidos.

Ouvir as acusações da irmã o fazia refletir no quanto estava sendo negligente, Oliver tinha muitos defeitos, mas sabia assumir quando estava errado.. E nesse momento ele estava, tinha de admitir nem lembrava quando sentou para conversar com o próprio pai.Um aperto se formou no seu peito, provavelmente remorso. Sua consciência sussurrou baixinho.

Mas agora alguém tinha que ser forte e não desabar. Thea era cheia de carisma e encanto, mas também era sabido que ela era a rainha dos dramas, precisava de uma presença mais firme.

—Speed, ainda não sabemos ao certo, mas o papai ficará bem, por tanto pode ir parando com isso. E pare de dizer que outros serão os próximos...Veja,Raisa está vendendo saúde, aquela senhora é forte como uma rocha.-sorriu ao concluir e apertou a mão da irmã com um pouco mais de força.

—O papai também era como uma rocha e olha o que aconteceu.....Ainda bem que tenho a Felicity.

—Thea Queen, não sabemos o que aconteceu.! Mas vamos confiar nos méd. ..O que você disse por último?

Além de dramática, Thea estava surtando. Ela não disse aquele nome, ou afinal de contas ele que estava começando a pirar com todo o estresse.

—Disse que o papai estava saudável e foi de repente, passou mal.

—Não, essa parte não. Isso eu entendi. O que você disse no final?

Thea Suspirou dramaticamente.

—Até onde eu sei você é teimoso, pirracento e contido. Mas não surdo. Você ouviu muito bem.

—O que me causa espanto, não é o que eu ouvi você dizer. O que me deixa indignado é você ter ilusões com uma pessoa que nem lembra mais de você ou qualquer um de nós. Nem mesmo lembra-se do papai.

Não bastava ser dramática, Thea era alienada, recusava-se a enxergar a realidade. Oliver pensou irritado.

Por que Speed ainda esperava pela atenção de Felicity?..Era óbvio que a amiga não considerava tanto assim a amizade que sua irmã enchia a boca pra falar.

—Não diga bobagens,Ollie...Fê é o que eu tenho de mais próximo, você mora aqui na mesma cidade que eu, mas não sabe e nem faz questão de saber nada da minha vida ou do papai..Felicity pode estar a quilômetros de distância, mas ainda sim, ela está sempre disponível e pronta para me ouvir ou ajudar ..Inclusive agora.

Oliver esfregou as mãos no rosto e rogou por paciência. Thea estava afetada, ele sabia e entendia, pois também estava. Mas não achava justa a comparação.

—Não estou vendo ela aqui, agora- Ironizou.

—Não..Mas em breve verá..Ela está a caminho.

Oliver engoliu em seco, não esperava por essa postura. Nem mesmo imaginava que Felicity e sua irmã mantinha contato. Ultima vez que se encontraram foi no velório de sua mãe.

—Você a chamou- o loiro afirmou com a voz carregada de acusação .-Não devia tê-la chamado, Thea Queen.

Speed parecia mais preocupada em olhar o corredor por onde os médicos entraram, ao invés de ouvir o falatório de seu irmão.

—Não chamei..Papai pediu que avisasse e só. ..Quando liguei para contar o ocorrido, ela simplesmente falou "estou indo pra aí, o mais rápido possível"....- Thea narrava os fatos com a fala mansa e pouco interesse — Como eu disse,Fê está sempre do meu lado,do papai ...E do seu também. ..Porque esses médicos demoram tanto?- voltou a roer as unhas.

Oliver fez uma careta ao pensar que Thea não poderia estar mais insana.

Fazia sete anos que Felicity havia se mudado para Boston.

Desde então o vínculo foi quebrado, ou assim Oliver julgava.

Há dois anos quando Moira faleceu, ela voltou. Mas era nítido a pressa que Felicity tinha de ir embora, San Francisco não parecia representar mais nada na vida dela… Se Felicity importasse tanto com eles como Speed dizia. Por que ela foi embora depois do velório?

Se não fosse por ele, Felicity deveria ter ficado pelo menos para dar suporte ao seu pai e Thea, já que era isso que eles gostavam de falar, que ela era família.

Mas não, tudo o que Oliver lembrava era de uma pessoa que ele confiou à própria vida, foram cúmplices..E de repente ela foi embora, como se não fosse nada. Sem justificativas.

E agora Felicity estava voltando... Ele não precisava ser dramático como a irmã, mas o seu senso de realidade lhe dizia que seria outra decepção.

Felicity Smoak foi a sua perdição uma vez.E o que dependesse dele, bastaria. Estava imune às tentações que a moça representava.

—Familiares de Robert Queen?- Senhor Gilbert Handerson, médico da família a longa data,olhava para a dupla de irmãos, consternado.

Oliver e Thea deram as mãos, um tentando dar força para o outro. Sentiam o nó se formar na garganta.

Não é possível,tudo de novo. A mesma expressão no rosto do médico, aquele hospital, o cheiro da morte rondando. Com esse pensamento, Thea desmaiou nos braços de Oliver.



Notas finais
Vamos para algumas considerações. ♥Primeira delas, é que estou postando em agradecimento a todos que comentaram nas fanfics anteriores, vcs podem não acreditar, mas toda historia é movida a comentários.. Ajuda muito e contribui para que a inspiração venha...Essa história estava em andamento,mas devido a falta de participação dos leitores quase desisti de postar ..É muito frustrante escrever,ficar horas preparando capítulo para não ser reconhecido. ♥Não tenho nem coragem de me assumir como escritora,sou AMADORA e consciente das minhas falhas,e sei que a escrita tem muito para ser melhorada....Espero um dia chegar lá. ♥Vou ser bem direta, gosto de escrever capítulos detalhados, muitos diálogos e talvez para alguns, seja considerado cansativo. Vou adiantando que terá tudo isso, vou abordar amizade, companheirismo, drama familiar e claro, muita tensão sexual. Amo escrever cenas de sexo, mas para isso temos que ter um enredo em andamento. Teremos sexo também rsrsrs Não seria Olicity se não pegasse fogo rsrs Por tanto, quem acha tudo isso cansativo, parem por aqui. ♥Estou esforçando muito para postar regulamente, vou fazer a minha parte.E conto com vcs. Deixem comentários, ideias, criticas, sugestões. Ou apenas um “oi”, só para manter o pique ;-) ♥Depende somente da interação de vcs,tenho muitos capítulos prontos,vou postar quando receber os comentários de vcs. Combinado? Obrigada pela presença.