Separados Pelo Passado
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Oliver parou o carro na lateral da casa e surpreendeu-se quando viu algumas plantas e flores crescendo pela propriedade, canteiros e plantas estrategicamente bem orquestradas. .
Ainda encostado no carro o empresário admirou aquela casa que agora era o seu lar,três semanas habitando naquele lugar e a propriedade já estava cheia de interferências de Felicity. Demorou subindo as escadas da varanda, suspirou pesadamente e decidiu que esperaria aquela angústia passar, estava sobrecarregado, tenso, preocupado e não queria que suas emoções afetasse sua esposa.
Sentou na namoradeira da varanda dos fundos, observou a arborização que o casal decidiu manter, árvores com mais de cinquenta anos de idade, Felicity jamais aprovaria fazer um desmatamento para erguer uma casa no local,foi categórica e resoluta quase levando o engenheiro a loucura,mas conseguiu o resultado que ela tanto queria..
No lado leste da construção estava a parte preferida de Oliver, o início de uma construção de uma casinha na árvore, um pouco mais pra baixo um balanço rústico e a instalação de um parquinho infantil..O loiro conseguia imaginar os risos e os gritinhos de satisfação que aquele local proporcionaria.Com certeza um dos seus cenários favorito.
O loiro Fechou os olhos e apenas sentiu a brisa fresca tocar a sua pele.Ouviu o agitamento do vento de encontro com os galhos e algumas folhas caindo no gramado.
—Ei..Olha quem chegou!-Felicity foi aproximando aos pouquinhos, retirou as luvas e o chapéu que usava para proteger o rosto do sol -O papai está em casa.
Oliver abriu os olhos e contemplou a imagem de uma Felicity com a face rosada,cabelos agitados,sorrisão no rosto e a mão na barriga.
A loira estava caminhando para o sétimo mês gestacional, sem qualquer indício de gordura exagerada, apenas os seios que estavam se preparando para amamentar e o quadril mais largo...Contudo era fato, a barriga antes plana, agora estava muito redonda e reluzente.
—Papai chegou em casa e quase pegou a mamãe em flagrante.. Estava cavando terra no jardim,de novo?..Querida,você precisa ficar mais quieta e aceitar a ajuda de um profissional..Você está vermelha e o fôlego cansado -beijou os lábios da esposa e em seguida tocou o seu ventre inchado-Ei mocinha,boa tarde!..Conta para o papai,como está aí dentro?..Como vocês duas passaram o dia?
Essa era a pergunta que Felicity mais escutava,fosse feita por Oliver, Robert,Thea,Raisa,Thomyy e todos os demais.Depois da brincadeira infeliz envolvendo o seu sogro e cunhada,todos os cuidados foram redobrados..As idas a obstetra eram mais frequentes e desde o ocorrido,a pressão havia oscilado mais duas vezes,nada exagerado.No entanto,a obstetra estava acompanhando de perto.
—Passamos o dia bem,seu pai e eu fizemos uma caminhada,cheguei tomei um banho e fui pra cama,dormimos de dia...Depois disso,Raisa e o seu pai ficaram alternando vindas para me ver, vieram quatro vezes aqui em casa….Oliver,para de fazer isso com eles,você fica ligando na mansão e deixando eles sobressaltados. .Estamos bem e eu tenho o celular do lado,qualquer problema eu vou ligar,já falei,mas você não escuta..
Felicity bufou desgostosa, o loiro pareceu nem notar. Não iria pedir desculpas por se preocupar e querer o bem delas.
—Bonequinha do papai..Espero que de todos os defeitos da sua mãe, você não tenha herdado esse..Porque o seu velho vai ser um grude querendo cuidar de você. .Vocês -corrigiu-se-..No mais, não importo se você for uma cópia escrita da sua mamãe. .
Oliver piscou pra esposa. E sorriu amarelo.
Felicity adorava ver a interação de Oliver com a filha, mas ali naquele momento ela observou que o sorriso do marido não chegava aos olhos.
—O dia foi ruim? ..-Ela sentou no colo do loiro e permitiu que ele colocasse a cabeça apoiada no seu pescoço. — Você não parece bem...Quer me contar o que está acontecendo?
Felicity era tão perceptiva,Oliver pensou..Adiantou nada ficar nos fundos da casa tentando se recompor.Bastava ela colocar os olhos nele e logo reparava.
—Acredita que o Roy pediu demissão no trabalho e trancou a faculdade?.-perguntou aborrecido.
Felicity esperou que Oliver continuasse, mas a explicação daquela preocupação não veio.
—Amorzinho. ..Não estou entendendo, estava na cara que isso iria acontecer. ..Roy ajudou Thea a montar a equipe, e era visto a olho nu que ele faria parte da banda.
O empresário bufou chateado.
—Não acho certo..Roy está embarcando numa aventura sem garantias,Thea sempre foi inconsequente, nunca ligou para os estudos ou tentou trabalhar. ...Roy não, .O garoto é diferente,tem atitude,disposição,ambição de crescer. ..Queria muito poder ajudá-lo nesse processo de evolução.
A loira continuou com o carinho que fazia nos fios curtos de Oliver, parou as mãos na parte de trás de sua cabeça e massageou-o.Achava tão bonitinho esse instinto de Oliver para com Roy. .Como se fosse um irmão mais velho.
—Primeiro,você tem que se perguntar se ele está feliz..Roy nunca gostou de estudar,assim como a sua irmã...A música sempre correu pelas veias deles...Aliás, os dois se conheceram através da música. Thea está tão feliz e o Roy não fica atrás, pensa? Ele é o baixista da banda, sempre sonhou em ganhar á vida tocando, e agora ele vai fazer esse sonho acontecer ao lado da melhor vocalista de todos os tempos, que por sinal é a namorada dele...
Felicity não entendia os receios do marido,ele poderia apresentar mil argumentos e mesmo assim ela colocaria um sorriso no rosto e diria que ele estava exagerando.
—Amor….Ninguém sabe onde essa carreira artística pode levar,não existem garantias..Thea foi criada como uma barbie mimada,se a carreira musical não der certo ela vai ficar chateada,mas ainda terá o papai para bancá-la...Ela será uma herdeira dele. Mas não sei até quando isso irá durar, porque dinheiro que vem fácil, vai embora fácil. .E o Roy??...O que vai acontecer com ele?
Felicity levantou do colo do marido e alongou o corpo,esticando as costas.
—Ser assim deve ser difícil demais... Você sofre antecipado, nem espera as coisas acontecer e logo começa a ficar cabisbaixo. .E daí se não der certo?..Oliver,eles são jovens,tem todo um futuro pela frente.
Oliver revirou os olhos, imaginando que a esposa diria exatamente essa frase.
—Eles são novos,mas o tempo passa,até mesmo para os jovens....E se eles estiverem perdendo tempo.? .Não consigo ver futuro em carreira artística. .Roy está empolgado porque esse mês eles estão com os quatro fins de semana agendado,farão shows em diversas cidades do estado..Perguntei, e o mês que vem,está lotado? .. Ele respondeu que o mês seguinte não tinha nada marcado..Felicity,você percebe?.. É inseguro..Não tem futuro.
Agora quem bufou foi Felicity.
—Sabe,Oliver?Você e esse discurso motivacional estão ajudando muito a minha situação. Imagina será o lançamento do meu livro e você começa a discursar essas teorias arcaicas?. Também estou entrando nesse meio artístico inseguro e sem futuro.
O empresário levou as mãos às têmporas, massageou o local e tentou consertar a sua colocação. Sabia que deveria ter guardado essas preocupações dentro dele.
—Felicity, não faça isso….Não tem comparação, a sua situação é completamente diferente.
Dessa vez os olhos da loira pareciam vorazes e raivosos.
—Pelo amor de Deus,não termine essa frase dizendo que a minha situação é diferente porque sou casada com você e caso eu venha a fracassar,teria você pra me sustentar...
A loira queria brigar,Oliver imaginou quando viu ela dando as costas e tomando distância dele.
O homem estava começando a se culpar por levantar uma bandeira tão complicada, queria mais que tudo que Felicity ficasse bem ,sem estresse e lá estava ele deixando-a agitada.
—Felicity ,espere por favor ..- começou a pedir, mas foi em vão. Ela só tomava distância..Definitivamente, alguém iria dormir no sofá essa noite.E essa pessoa obviamente, era ele.
Felicity Caminhou até o balanço e sentou por lá. Fechou os olhos e tentou relaxar.
Ouviu os passos de Oliver aproximando, mas permaneceu com os olhos fechados.
—Amor..Eu ia dizendo que o seu caso é diferente porque antes de se dedicar a escrita, você se especializou, tem uma boa profissão...Eu conheço o seu potencial, você vai estourar, o seu livro será aclamado. ...Mas se acontecer de dar errado,você teria outras opções. . .Tem uma mente ágil e empreendedora. Felicity, você adquiriu seis imóveis de locação no mês passado, só a renda mensal desses aluguéis permitiria que você nunca mais precisasse trabalhar…
Felicity abriu os olhos, estavam decepcionados. Porém ela fez um biquinho manhoso.
—É mesmo?.. Por empreendedora, você quer dizer nas costas de Malcom Merlim...Herdeira, não foi isso que você falou?
O empresário começava a ficar agoniado. Odiava ser mal interpretado.
—Nada a ver..Felicity,você aceitou aquilo que era seu por direito..Thommy conversou comigo a respeito da sua parte na herança paterna, eu disse que apoiaria o que você decidisse e você escolheu o certo.….E sabe de uma coisa? Até mesmo pra ser uma herdeira, a pessoa tem que ter estrutura e sabedoria. E meu amor,isso você tem de sobra e ainda por cima um QI super avançando, querendo ou não, você tem partes dos Genes Merlim correndo em você, a sua visão de negócios é muito parecida com a linha que Malcom seguia,assim como Thommy ...Você e o seu irmão herdaram esse tato dos Merlim..Recapitulando, você tem habilidades para desenvolver qualquer projeto,e isso é um dom,se você não progredir com o seu livro,ainda sim você teria o jornalismo, os seus empreendimentos. E a minha irmã e o namorado?. Consegue entender o meu ponto??....
Felicity sorriu em compreensão.
—Eu entendo o que você quis dizer..
—Não estou sendo negativo ou pessimista.. Espero ardentemente que Thea e Roy obtenham o sucesso que tanto almejam...Mas eu tenho medo por eles.
—Se não der certo..Roy pode voltar pra faculdade e você poderia recontrata-lo para trabalhar na empresa e a Thea pode começar a desenvolver em outras áreas, poderia abrir uma loja de instrumentos ou dedicar aos estudos e dar aulas de música. . .Existem múltiplas possibilidades.. ..Amorzinho,você está ficando grisalho e olha que esse bebezinho ainda nem nasceu...-Felicity colocou uma mão na barriga e conversou cheia de doçura, recebendo chutes leves como resposta-Vamos contar para o papai aquela novidade?
Oliver posicionou atrás do balanço e ficou segurando os dois lados da corda, atento no monólogo entre Felicity e a sua barriga.
—Por novidade, você quer dizer algo bom,né? ..Não preciso de mais preocupações na cabeça.
—Olha como o seu pai é enfezado, não vá por esse caminho querida..Mamãe não aguentaria duas pessoas com esse mesmo genes de preocupação e tanta paranoia. .
—Até parece que sou tudo isso ..-rolou os olhos, ficando enfezado exatamente como Felicity o descreveu.
Vendo que Oliver não estava levando o comentário numa boa, Felicity se apressou.
— A novidade é que eu escolhi um nome pra ela, se você concordar, é claro..
Oliver sentou no gramado e apoiou um braço no colo da esposa, a outra mão livre foi direto pra barriga, logo sendo recompensado com um novo chute.
—Qual o nome você está considerando? Qualquer um, menos aquele ,por favor.....
O casal teve um pequeno impasse semanas atrás quando Felicity sugeriu Mia. Para o loiro esse nome representava uma homenagem a sua mãe, seria Mia diminutivo de Moira.
Embora Oliver a tivesse perdoado pelas falhas passadas, o homem não queria usar a filha para prestar homenagens a sua falecida mãe. Felicity tinha carta branca para escolher qualquer nome,menos aquele.
—É outro nome, muito lindo por sinal...Imponente e pomposo. Um nome forte..afinal ela vai usá-lo em toda a sua existência.
—Imponente e pomposo? Tipo Elizabeth Diana?
Os dois gargalharam com a possibilidade, seria imponente afinal, nome de uma rainha e uma princesa. Imponente, porém horrível. Oliver concluiu.
—Esse nome seria típico de personagens de novelas mexicanas- a loira observou.
Oliver sorriu e tocou a barriga da escritora,ficou sussurrando palavras fofas.
—Olha só, ela conhece o meu toque e gosta da minha voz...Hoje ela está mais agitada.
—Desde a madrugada ela está assim, acho que ela puxou a inquietude da Thea..Mas enfim, pensei em chamá-la de Olivia...O que você acha?
A julgar pelos olhos azuis marejados, Oliver estava tocado. Um pouco assustado pela surpresa, mas com um sorriso brilhante no rosto.
—Olivia, hein?..E depois fica dizendo que não quer que ela seja parecida comigo,mas escolheu a versão feminina do meu nome para batizá-la. .
—Eu não quis dizer nesse sentido... Eu espero que ela tenha herdado todas as suas qualidades, mas não acho que será legal se ela for tão paranoica quanto você. -a loira continuou com a mão no rosto de Oliver- ...Se existe alguém que merece uma homenagem, esse alguém é você, o melhor marido e o melhor paizão que poderia existir….Mas se você quiser optar por outro nome ou quiser manter Elizabeth Diana,podemos tentar -zombou, sendo seguida por uma careta de seu marido.
Olivia!
O loiro se pegou pronunciando mentalmente.
Para muitos poderia ser considerada arrogância ou imposição de poder de sua parte,nomear sua filha com o próprio nome numa versão feminina.
Mas para o empresário significava muito que a iniciativa tinha partido de Felicity.
Olivia parecia perfeito.
—Agora que você sugeriu, não consigo pensar em outro nome..Se você, gosta..Eu aprovo...Espero que ela não me odeie por essa escolha..
Felicity riu alto.
—Como se fosse possível ela odiá-lo. .A garota nem nasceu, e já mostra preferências, adora a sua presença, tato e voz..
Não tinha como ficar mais feliz, o loiro pensou. Oliver sacou o celular do bolso e fez uma selfie do casal.
Uma imagem perfeita, digna de porta retrato. Felicity sentada no balanço, Oliver sentado no gramado e com os pés da esposa no colo,ao fundo um o céu azulado com indícios de tons laranja indicando que o dia estava acabando, dando lugar para a noite.Oliver postou a foto no Instagram e com a seguinte legenda. “Contemplando o alvorecer da natureza,papai,mamãe e Olivia"
Felicity acompanhava todo o processo de pastagem.
—Quem diria que entre nós dois,seria você o viciado em postar tudo no IG...Vamos entrar?Eu preciso de um banho e Olivia precisa ser alimentada..Amorzinho,você faz o jantar?Dizem que cozinhar ajuda a relaxar e alivia as preocupações.
Piscou inocentemente, mas foi entregue pelo sorriso debochado que devolveu ao loiro.
—Sei...Não pense que estou alheio ao fato de você estar usando a minha filha pra me colocar na cozinha.
Depois de muitas tentativas, Felicity finalmente havia encontrado uma posição confortável na cama…
—Oliver,trás aquele potinho branco com azul por favor?Um redondinho ...Ele está na primeira gaveta abaixo da bancada no lavabo.
O empresário voltou do banheiro com o produto na mão.
—Esse?...-Quando Felicity concordou,ele sentou ao seu lado na cama- Estou só observando,fiz o jantar...Estou praticamente sendo escravizado buscando produtos, ajeitando travesseiros pra você se acomodar. Qual a minha próxima missão?
Felicity abriu o pontinho e entregou pra ele.
—Que tal o meu mucamo fazer uma massagem nos meus pés? ..
Oliver rolou os olhos,mas cedeu..Adorava fazer esses mimos.
Felicity sempre foi muito independente, era raro a esposa ficar pedindo favores, mas devido às pequenas limitações que estavam surgindo conforme o avanço da gravidez, Felicity estava ficando dependente de ajuda e surpreendentemente, ela estava a vontade ao pedir ajuda. Para Oliver essa era uma forma interessante de ajudá-la a passar pelo período gestacional.
Até que o bebê nascesse não tinha como ele ajudar, tanto quanto ele gostaria.
—Pobre mucamo,uma casa com duas mulheres.Estou prevendo um longo período de escravidão. .Como faço para conseguir minha alforria? — massageou um pé, depois passou para o outro.
—Até parece que você deseja ser libertado.. Olivia ainda não nasceu e você já faz de tudo por essa garotinha...Mas falando em escravidão, eu quero transar..Foder bem gostosinho.Porém as minhas costas estão doendo e a barriga está ficando pesada..Qual posição podemos fazer?..Preferência por uma que você faça todo o serviço.
Oliver sorriu,beijou os pés, foi subindo pelas pernas e parou nas coxas. Beijou-a e em seguida mordeu de leve o local.
—Tenho dito que estou sendo escravizado. Meu pênis, foi condecorado apenas como um objeto pra satisfazê-la ..Você costumava ser mais romântica, baby.
Felicity abriu as pernas, apelou para o seu olhar mais sexy e bateu os cílios na direção de Oliver.
—Continuo romântica.Porém,no momento estou cheia de tesão e muito pesada pra ficar pulando em cima de uma rola..
Desta vez Oliver não se controlou, gargalhou alto.
—Felicity — falou surpreso e extrovertido. .- O que comeu hoje? Você está terrível, querida.
—O correto seria dizer que não fui comida hoje. . Ao invés de reclamar... Você poderia começar a nossa maratona me chupando.Sua língua é poderosa, amorzinho.
Oliver soltou um riso pelo nariz, Felicity era absurda às vezes, mas mesmo assim ele colocou a cabeça entre as pernas da loira.
—Agora você me chama de amorzinho né? ..Aproveita baby,você não vai ficar grávida pra sempre. -devolveu bem humorado. — Em algum momento no futuro, você vai cavalgar na minha rola.
Felicity piscou pra ele, toda risonha e sedutora.
—Pra um mucamo e capacho sexual,você faz ameaças demais- revidou, totalmente a vontade e ansiosa pelo oral que iria receber. — Mais língua e menos conversa.
Ele ergueu a cabeça e revidou a provocação.
—Vou colocar a minha língua dentro da sua boca, isso sim..-Oliver falou desobediente mas cheio de ideias- e talvez coloco dois dedos na sua bocetinha, o que você acha?
Felicity era só sorrisos.
—Acho que você está demorando demais. Estou tão molhada, que o seu condecorado pênis deslizaria num impulso só. .Mucamo,vamos pular a parte do oral e você pode começar a meter gostoso.
Oliver olhou divertido e espantado ao mesmo tempo.
—Cadê a minha doce Felicity e o que você fez com ela?-perguntou entre risos,mas utilizando os dedos ao acaricia-la por cima da calcinha.
—O que você não fez, né?Hoje de manhã você me deixou na mão.. Hummm delicia de dedos..Amorzinho estou com tanto tesão,que eu acho que vou pular na sua super rolar e mesmo com a barriga pesada, vou esfolar esse pinto de ouro de tanto pular em cima dele.
Nada de extravagâncias,o casal estavam numa fase onde o sexo era controlado e menos impulsivo.
—A oferta continua de pé, pode escolher a posição que você fica mais confortável, e eu vou comê-la devidamente....pode deixar o serviço por minha conta.Esse pinto de ouro,vai fazer o trabalho duro.- falou entre risos.
Pinto de ouro,Felicity era uma caixinha de surpresas. Pensou.
Antes que pudessem dar continuidade na brincadeira, o casal ouviu pancadas fortes na porta. Três vezes, uma seguida da outra.
—Ouwhh merda,logo agora .-Felicity resmungou- Apesar que eu posso imaginar quem é.
Oliver devolveu um olhar interrogativo,porém ajudou a loira a se erguer da cama.
Desceram as escadas juntos,Oliver um pouco na frente acendendo as luzes.
Quando abriu a porta, a primeira impressão era que havia acontecido algo ruim.Thea estava na porta com um olhar cruel e assassino.
—Imaginei que fosse você, Thea.-Felicity falou enquanto acenava para a cunhada..
Oliver continuava apreensivo.
—O que aconteceu Speed?São quase onze horas da noite..Por que você está com essa cara?
Thea bufou,mas foi entrando mesmo sem ter recebido um convite.
—Essa é a minha cara de decepção..Não aconteceu nada,ainda..Mas vai acontecer. .Só me explica por favor,por que papai e eu fomos os últimos a saber sobre o sexo do bebê? ..Pior que isso, eu descobri por uma legenda tosca numa rede social.
Felicity sentou.Suas pernas estavam doendo e pelo jeito a conversa seria longa.
—Por que você acha que fiz isso,Speed?..-Oliver nem disfarçou, perguntou custando segurar o riso.
O que fez a raiva de Thea aumentar.
—Não fale assim comigo,Oliver Jonas Queen..Não nasci ontem,depois que você postou aquela foto,o nosso grupo está chovendo comentários, aparentemente todos já sabiam..Fomos excluídos. EXCLUÍDOS!. ..Até hoje você não superou aquele ocorrido? ..Pedimos desculpas,papai quase se humilhou..Fê e a minha sobrinha estão bem..Aliás Felicity,estou muito decepcionada com você. .Oliver não me surpreende,mas você?
Felicity começou a falar quando Oliver a repreendeu.
—Não, Felicity. .Você não vai assumir a culpa..Speed,a ideia foi minha, Felicity não queria esconder ..E se quer saber não arrependo, faria de novo… .Isso foi pra você e o papai perceber que nem tudo é do jeito de vocês.
Thea fez um pouco mais de cena,soltou algumas lágrimas de crocodilo.Falou,falou e falou.
Mas obviamente não estava enganando ninguém, a raiva já tinha passado.
Estava surtando de tanta alegria, finalmente uma garotinha para ser o centro das atenções.
—Ohh meu Deus. .Deixa-me tocar esse barrigão -Thea nem esperou por uma resposta,logo estava com a mão e o rosto colado na barriga de Felicity. -Eu odiei a escolha do nome..Vão chamar a minha sobrinha de Olivia Palito,ela vai sofrer bulling na escola...Tem crianças que desde pequenas tem inclinação para o mal, Liv vai crescer traumatizada..Como você permitiu o Oliver fazer essa escolha, Fê? -Thea ainda continuava com o rosto colado na barriga da cunhada, como se a garotinha estivesse respondendo cada uma das perguntas que Speed fazia- Liv,princesa da titia..Você está acordada?
Oliver rolou os olhos,não seria Thea Queen se não houvesse drama.
—Liv? ..Quer dizer que a nossa pequena já tem apelido ?E você preocupada com Olivia Palito- Felicity exclamou e soltou uma risada ruidosa -..Quanto a escolha do nome não partiu do seu irmão..Quem escolheu foi eu… A propósito, ela está quietinha,suponho que esteja dormindo.
Thea fez uma careta,mas acenou as mãos no ar como se um nome fosse apenas um mero detalhe.
—Eu recuso-me a chamá-la por esse nome,ela será a minha pequena Liv,que aliás é um apelido,porém carinhoso,não tem nada de pejorativo. -Thea beijou a barriga da amiga e levantou para ir embora-Vocês estão perdoados. .Podem respirar aliviados.Agora se eu fosse você Oliver, daria um jeito de contar a novidade para o papai. .Ele não vai levar numa boa, diferente da minha atitude. Ele vai se sentir excluído se você continuar com esse joguinho, e olha que nem sempre quem rir por último, ri melhor.
Thea saiu e deixou Oliver pensativo.
De fato,ele tinha levado aquela brincadeira por tempo demais. No dia seguinte procuraria Robert e compartilharia a boa notícia com ele.
Do mesmo modo que Felicity decidiu convidar Thea para sair às compras e aumentar a diversidade de cores no enxoval da pequena Liv Queen.
—Felicity,onde você está? -Oliver gritou parado próximo a escada.
Não veio resposta.
O homem sentiu o medo lhe atingir.Estavam na reta final,mais precisamente véspera da cesariana que seria no dia seguinte.
A família e os amigos estavam seguindo cuidadosos e evitando que Felicity ficasse sozinha,meramente por precaução. Uma vez que a saúde da loira estava bem e saudável.
—Felicity- chamou novamente.
Não esperou por resposta, deu uma volta ao redor da casa,olhou os locais onde ela costumava sentar para relaxar,entrou dentro de casa e inspecionou cômodo por cômodo, finalmente encontrando-a na boblioteca/escritório,local que Felicity tinha planejado para escrever e dedicar aos futuros livros.
—Ei!Pensei que o posto de viciado em trabalho era meu...Você deveria estar relaxando,preparando as energias para amanhã. .Amor..O que foi? Por que você está chorando?
Oliver correu para alcançá-la,ajoelhou no chão e encarou aquele rosto lindo,mas que agora estava vermelho por causa do choro.
—Esse meio artístico é incerto,inseguro..você não estava errado...Eu fracassei.-soluçou alto e limpou o nariz-.Fui tola e confiante. .Olha esses números, Oliver..-ele olhou na direção do notebook, mas não viu nada demais no que estava escrito ali.
—Querida,o que tem de errado com os números? Pra mim eles estão normais.
Felicity não parecia compartilhar do mesmo pensamento.
—Meio artistico é inseguro e incerto.-Ela repetiu entre soluços.
Oliver estava mais preocupado com o equilíbrio emocional da esposa.Véspera de dar a Luz e seria inadmissível um desequilíbrio na pressão arterial, depois de todo o zelo e cuidado que tiveram pra ela chegar bem e saudável, sem contratempos.
—Amor..Venha,vamos para a nossa cama, conversamos lá. ..Eu te ajudo a levantar..
O último mês era o pior, Felicity pensou.
Em todos os sentidos. As visitas ao banheiro eram constantes, dormir era um privilégio, geralmente era acometida por falta de ar ou não encontrava posição que lhe acomodasse bem.. Estava se sentindo gorda,inchada,feia e muito sensível, qualquer motivo fazendo a loira derramar em lágrimas.
Felicity aceitou a ajuda de Oliver e se acomodou na cama de casal,deixou que o marido ajeitasse os travesseiros atrás de suas costas e então esticou o corpo.
—Felicity,por que você está ignorando as ordens da obstetra?..Ela foi clara-Oliver começou a enumerar as recomendações- Evitar estresse, tentar se manter calma e não sofrer fortes emoções, tudo isso causa um impacto na sua pressão. .Esqueça aqueles números.
Felicity suspirou como a maior derrotada do planeta.
—Eu não consigo esquecer. O lançamento foi há dois meses, ...Dois mês Oliver..E os números estacionaram, o livro não teve boa aceitação. .Logo a editora vai começar a considerar uma quebra de contrato.- divagou ansiosa, a loira precisava descontar a apreensão em alguma coisa, decidiu que seria na publicação do livro.. O evento do dia seguinte estava lhe tirando o sono.
Oliver secou uma a uma, as lágrimas que Felicity não conseguia parar.
—Você sabe que dois meses é um período muito curto, pare de exigir tanto de você. .Sabemos o tamanho do seu potencial, tenha paciência. .Essa é a sua primeira obra,quantos autores passaram por isso? Autores que hoje são considerados fenômenos tiveram a mesma experiência, outros nem mesmo tiveram a chance de vender tantos exemplares como você está vendendo . .. .E outra coisa, estamos vivendo o momento mais importante da nossa vida..Vamos focar o nosso pensamento no grande dia, amanhã vamos conhecê-la. .. .
Felicity sorriu pequeninho, mas pelo menos se permitiu ser tranquilizada pelo marido.
Ela não estava totalmente fissurada em números, de todas as suas posições na sociedade, fosse ela jornalista, empreendedora, escritora, esposa e mãe. .Ela queria realmente ser boa nas duas últimas, especialmente como mãe. ..Queria ser para Olivia, tudo que faltou na vida dela.
—Muito irônico você preocupado com a Thea e o Roy e veja só,sua irmã é o assunto mais falado nos meios de comunicação. .Está recebendo propostas de outras estrelas do meio artístico pra fazer participação especial,dois meses em ascensão e Thea já é considerada uma estrela. . .Nem por um minuto você considerou essa possibilidade ….Mas você está novamente correto, não vou focar nesse lado da minha vida,fiz o meu melhor e doei tudo o que podia para a criação desse livro..Agora vou dedicar a minha atenção e todo o meu cuidado para a Olivia. .É ela que vai necessitar de atenção e uma Felicity ligada vinte quatro horas,e que se dane os números.
Oliver deitou ao lado de Felicity, pegou uma mecha do cabelo claro e o colocou atrás da orelha.
—Estou muito feliz que Thea e Roy se encontraram na música, espero sinceramente que o sucesso deles não seja passageiro. .E quanto a você, apenas deixe acontecer. .No tempo certo virá e acredite você ficará surpresa. ...Como a nossa Olivia está se comportando? ..Até o momento não senti nenhum chute.-Oliver permaneceu com a mão na barriga da esposa.
Felicity fez o mesmo que Oliver e tocou o local onde imaginou estarem os pezinhos de sua filha.
—Passamos o dia bem,ela agitada pra variar. .Mas agora sossegou, penso que ela está dormindo..Oliver,quero pedir uma coisa. Mas não fica surtado, por favor..
Algo naquela colocação deixou Oliver preocupado..Conhecia todas as expressões faciais de Felicity, ela parecia estar calma e ter enterrado as frustrações com o livro..Porém, aquela expressão era de medo…
—Acho que o melhor agora é dormimos, amanhã sairemos cedinho..Temos tudo sobre controle..As bolsas estão no carro,todos os documentos organizados. .Só precisamos fechar os olhos e esperar.
Felicity percebeu a intenção de Oliver,ele estava fugindo do assunto e ao mesmo tempo tentando acalmá-la. Ou acalmar a ele mesmo.
—Amorzinho, lembra quando perdemos a virgindade?
Oliver nem precisou fechar os olhos para resgatar a lembrança. Estava nítido na sua mente.
—Claro que lembro como poderia esquecer? Foi uma primeira vez icônica para nós dois.
—Precisávamos quebrar o paradigma, mas foi horrível -Felicity sorriu com a expressão ofendida que Oliver fez — Doeu horrores, não consegui gozar ..Precisei fingir que o orgasmo tinha chegado pra acabar mais rápido, não aguentaria muito tempo com você metendo daquele jeito.
—Felicity. .Não tenho palavras.. isso que eu chamo de confissão impactante- Respondeu ultrajado.
—O que eu quero dizer é que pra mulher a primeira vez é mais difícil e pouco prazerosa..Mas mesmo assim fico muito feliz que tenha acontecido com você, não queria que fosse de outro jeito..Aquela vez foi ruim,tanto pelo desconhecido quanto pela inexperiência. .Mas as próximas que vieram a seguir só ficaram melhores..Não é por acaso que eu sempre quero recebê-lo dentro de mim..Meu corpo foi feito para acolher o teu….E olha só o resultado de tanta prática. .Fizemos do nosso amor um elo que será eterno..Olivia é a personificação da nossa história, da nossa luta e de todo o nosso amor.
Oliver piscou afetado..Não estava gostando do rumo daquela conversa.
—Felicity. .Por que isso agora?
Ela apenas sorriu, colocou a mão dela por cima da mão dele.
—Estou sem sono, um pouco ansiosa e queria fazer uma retrospectiva.
—Não faça isso comigo,por favor..Você está agindo como se ..estivesse se despedindo. Repreendeu com a voz alarmada.
Felicity o encarou, o olhar atento e firme.
—Eu não quero morrer,Oliver..Vou lutar até o final… Mas a vida é muito incerta, se algo acontecer me prometa que você não vai perder a cabeça. .E acima de tudo, você vai me garantir que Olivia será a sua prioridade de vida...
Oliver secou as lágrimas e a abraçou forte, não queria ouvir aquelas palavras, não queria nem mesmo considerar a ideia de algo dar errado.
—Amor..Não vou fazer promessas, porque elas não são necessárias. .Logo estaremos nós três passando por aquela porta, voltando para casa ..Você é forte, a pessoa mais determinada que eu conheço. .Vamos buscar a nossa garotinha, juntos vamos cuidar para que ela seja tão forte e especial quanto à mamãe dela.
Felicity selou os lábios dela junto aos lábios do marido.
Fechou os olhos e inalou aquele cheiro gostoso que era marca registrada de Oliver.
—Só preciso que você me prometa...Essa é a minha veia maternal tentando ser precavida.. Eu não tenho planos de partir tão cedo, alguém tem que ter pulso firme, já sabemos que você será aquele que fará todas as vontades dela….
Oliver suspirou vencido.
—Se uma promessa faz você ficar mais tranquila,então você tem a minha palavra..Mas vamos esquecer esse assunto,vamos ficar assim;grudadinhos e tentar dormir enquanto podemos..Dizem que o sono é drasticamente reduzido quando a criança nasce.
Felicity gemeu baixinho e se preparou para responder que ela já estava dormindo pouco,antes que pudesse falar precisou novamente ir ao banheiro.
—Acho que a Liv está sentada em cima da minha bexiga.
Oliver rosnou ao ouvir o apelido que a irmã tinha batizado sua filha,Felicity já estava falando sem perceber.
Não demoraria a acontecer, e Liv seria a forma que todos estariam chamando-a.
Inferno!..Até mesmo Oliver gostava do apelido diminutivo. Que Thea não soubesse disso,pensou.
—Oliver,espere- a Dra Grace Thompson tocou o braço do empresário — Você pode fazer isso?
A médica perguntou já abrindo novamente a porta atrás de si. Parecendo muito confiante e segura do que aconteceria dali por diante.
—Sim..E..Eu..Posso — Não iria admitir que estava apavorado e com medo, muito medo.
—Entenda Oliver, optamos por uma cesariana justamente pra evitar situações emergenciais, principalmente levando em conta a gestação anterior e todo o colapso que se seguiu...Tenha em mente que estamos com tempo, sem emergências, Felicity e Olivia estão sendo monitoradas e ambas estão bem..
Oliver apenas acenava tentando absorver tudo que a Dra Grace falava.
—Então a partir de agora, recomponha-se. Você não poderá participar se continuar desse jeito ....Estou acompanhando vocês desde o início, sei o quanto você tem medo..Mas peço que tenha confiança no meu trabalho e na minha equipe.Sua esposa não pode ficar mais nervosa,Felicity está ansiosa e preocupada ..E você, será o apoio e aquele que passa energia positiva, confiança. . Oliver,você precisa estar calmo ao lado dela,precisa tranquiliza-la.
Falar é fácil doutora,Oliver pensou. Mas seguiria todas as intrunções,ele sabia que tinha um papel vital naquele momento.
Felicity estava contando com o apoio dele.
—Eu vou apoiá-la.
—Ok..-a médica sorriu ,tirou a mão do antebraço do empresário- Vai dar tudo certo. .Vamos lá, trazer a sua garotinha ao mundo.
Oliver estava tão focado nas palavras de otimismo,que só então lembrou das pessoas que estavam ali,atrás dele.Seu pai,Raisa,Thomyy,Laurel e até mesmo Thea e Roy,que saíram da Austrália, passaram a noite voando de volta para a cidade,todo o esforço para estarem juntos no grande momento.…
—Vai lá e quando voltar traga a minha neta no colo -seu pai falou emocionado. Vai dar certo, filho.
Oliver assentiu com a cabeça, e seguiu os passos da médica. Uma mulher aparentemente na casa dos cinquenta anos, bem articulada e muitíssimo profissional.
Uma enfermeira entregou a Oliver as roupas verdes, dobradas e limpas.
—Vista isso. Troque-se naquela sala, quando estiver pronto entre na sala de parto.
Após passar as instruções, a profissional puxou o pano verde que lhe cobria o queixo e tampou a área da boca e do nariz, entrando na sala a esquerda.
Finalmente vestido, o empresário respirou fundo e saiu à procura de onde deveria estar.
Quando entrou na sala, Oliver notou que havia seis ou sete pessoas presentes,Felicity já estava preparada, deitada numa cama alta, um foco de luz muito forte e grande logo acima de sua barriga.
—Oi amor..-Oliver falou perto do rosto dela, fazendo-a se virar para olhá-lo.
Em resposta,Felicity sorriu enorme, soltou uma lufada de ar como se estivesse mais tranquila por tê-lo ao seu lado.
Oliver observou que ela parecia sonolenta, o que imaginou ter algo a ver com a anestesia.
—Quando ela nascer fica de olho -Falou pausadamente, com a voz um pouco viajada- Não queremos que ela seja trocada no berçário.
A obstetra soltou uma risada escandalosa, nada proporcionou com a expressão séria que ela ostentava.
—Felicity,querida!..Pode ficar despreocupada, temos dois meninos no berçário e o bebê da próxima cesaria também é um rapazinho..Olivia jamais seria trocada no meio de tantos meninos,e claro o nosso hospital é serio e comprometido, pode ficar tranquila .
Incrivelmente, a explicação da doutora fez com que Felicity relaxasse, parecia serena e feliz.
—Tudo bem?..-Oliver ouviu a voz abafada por debaixo da máscara, a obstetra perguntando ao homem que estava do outro lado da cabeça de Felicity.
—Tudo bem..Podemos começar.
O homem respondeu,e, logo as outras pessoas começaram a se comunicar, passando e repassando objetos.
Oliver segurou firme um das mãos da esposa, um pouco agoniado com a cena, tinha a impressão que a esposa sentia dor.
.Mas Felicity permaneceu igualmente suave e leve, olhando para o vazio no teto da sala.
Tentando ficar concentrada e calma.
—Está tudo bem?-Oliver não aguentou sem perguntar, sussurrou baixinho no ouvido dela.
Ela sorriu e muito lentamente acenou com a cabeça.
Oliver estava começando a pirar, ela percebeu.
—Acho que ela será cabeluda-Felicity falou baixinho, a boca seca e o raciocínio lento.
Ela fechou os olhos, e ficou daquela maneira por algum tempo. O aperto que sua mão fazia na de Oliver,afrouxou um pouco.
—E os olhos serão exatamente como os seus- Oliver falou por falar, apenas com o intuito de mantê-la distraída.
Felicity negou com a cabeça.
—Acho que não, amorzinho...Sempre que penso nela, vejo os seus olhos.
Oliver não sabia dizer quanto tempo havia passado, mas estava com o coração disparado.Ansioso para ouvir Dra Grace dizer que tinha acabado e as suas garotas estavam bem.
—Tenho que cortar agora- o loiro ouviu a obstetra falar, parecendo mais longe do que realmente estava.
A profissional que estava próxima da bandeja com objetos se mexeu com um pouco mais de pressa,e três pessoas começaram a agir por ali.
Oliver segurou todo o ar,e em seguida respirou profundamente..
Fazendo exercícios respiratórios, tentando manter distraído e não dando lugar a preocupação que começava a crescer.
O empresário levou à mão a testa de Felicity e ficou brincando com alguns fios loiros que saiam por fora da toca hospitalar,não tinha como ele ver o que acontecia na cirurgia porque havia um lençol estrategicamente posicionado entre eles e os médicos que cuidavam da operação.
—Vamos logo..-O coração de Oliver disparou ao notar alguma urgência na voz da médica.
Oliver respirou fundo outra vez, queria que aquilo terminasse logo.Os olhos azuis pareciam duas piscinas, lágrimas ameaçando cair.
De repente a sala parecia muito quente, tomada por uma energia pesada. O empresário puxou a máscara do rosto e abaixou para beijar a testa de Felicity.
Tufo o parecia fora do lugar.
Ele sentia que estava enfraquecendo, poderia desmaiar a qualquer hora.
As paredes brancas.
Os lençóis brancos.
A pele de Felicity branca.
Ela abriu os olhos e o loiro só conseguia focar nos incríveis olhos azuis.
Os mais belos que Oliver já viu.
—Lembra quando perguntei pra você, em qual ocasião ela foi feita?-Oliver sussurrou baixinho próximo ao ouvido de Felicity ,a voz embargada e trêmula -Eu acho que ela foi concebida naquele dia que fizemos amor no colchão da sala, lá na mansão....Todas as vezes que nos amamos foi intenso. Mas naquele dia -Oliver engoliu um soluço- Eu me entreguei por inteiro e tomei pra mim todo o seu amor..Pedi a Deus que se fôssemos merecedores, ele nos desse a oportunidade de ficarmos juntos e termos uma criança. .Um pedacinho nosso.
Felicity sorriu em câmera lenta,mas de forma verdadeira. Seus dedos se afrouxaram um pouco mais e ela demorou a responder.
—Aquele dia foi incrível-ela respondeu lento e macioso,dando pausas nas palavras -Você estava segurando o Theo, se aproximou e me pediu, vamos fazer uma criança?
Oliver não se lembrava desse pedido...Mas saber que ele falou em voz alta só reforçou a teoria de que Olivia foi feita naquela noite.
O Loiro observou as feições da esposa.
Logo,ela fechou os olhos outra vez.
—Agora..-a médica falou alto, tinha urgência naquela voz tanto Oliver quando Felicity ouviram.
Um desespero louco tomou conta de Oliver. .Lembranças da conversa na noite passada voltaram à tona.. Não era possível que ele a estava perdendo.
Não era possível.
Mentalmente,Oliver implorou a Deus que permitisse Felicity passar por toda aquela provação.
—Deus nos ouviu,amor..Em tão pouco tempo ele nos deu Olivia,tivemos o nosso casamento,construímos um lar..Temos tantos planos,tantos sonhos..Olivia e eu contamos com você para realizá-los. .- Oliver estava tão desesperado que falava sem pensar.
Não se tratava mais de distrair Felicity,ele queria revelar tudo que tinha guardado.
Queria compartilhar cada sentimento dentro dele.
—Calma,Oliver..- Felicity falava lentamente , mas ele não ouvia.
— Nossa família está lá fora, ansiosos para ver vocês — Oliver secou uma lágrima, e antes que pudesse continuar ele ouviu um choro.
Um choro alto,forte e estridente.
O som pelo qual ele ansiava por ouvir.
Por uma fração de segundos,Oliver se permitiu sorrir e ficar mais leve.
Uma fração de segundos.
Porque depois disso tudo começou a acontecer rápido demais.
—Rápido. .A pressão dela..
Bastou Oliver ouvir a frase, e tudo desmoronou. Ele queria explicações.
Ele queria sua esposa e filha. Ambas vivas.
—O que está acontecendo?-Oliver perguntou alto ,mas ninguém parecia ligar se ele estava ali ou não.
O choro de Olivia se misturava as vozes da médica. Oliver se apoiou na cama, sentindo as pernas começando a fraquejar.
—Agora ,vamos agora.
As vozes soavam assustadas e com urgência. -Oliver pensava enquanto ouvia cada frase.
—O que está acontecendo?-Oliver tornou a repetir a pergunta, dessa vez quase gritando.
—Amor..Ouça..Liv nasceu,ela está chorando, olha a força que ela tem no pulmão ..Felicity, por favor. Pediu com a voz embargada -Amamos você, meu bem..Você é forte..
Felicity ainda mantinha um sorriso fraco nos lábios, ela queria dizer. Vai lá e veja se a Liv esta bem.
Mas a respiração estava um pouco acelerada.Logo mostrando uma mulher cansada e abatida.
Oliver começava a descabelar quando ouviu alguém chama-lo.
—Senhor Queen..Venha..Precisamos continuar.- uma mão que Oliver nem sabia de onde tinha vindo, começou a puxá-lo com cuidado — O senhor precisa sair.
Tamanho era o seu desespero, Oliver não ouvia direito.
Não conseguia processar o que estava acontecendo. Demorou um último olhar na direção de sua esposa, frágil e pálida, conseguiu fazer a leitura labial quando ela movimentou os lábios, "eu te amo".
Um grito de dor ameaçou romper por sua garganta, dando voz ao tamanho da sua revolta e desgosto.
De repente, na cabeça de Oliver aquele eu te amo sussurrado, pareceu uma despedida..
Felicity estava sentindo que algo iria lhe acometer. Era tudo que o loiro pensava.
Sem perceber como, Oliver reparou que havia sido retirado de lá.
—Isso não é justo..Felicity é uma boa pessoa..Quando ela poderá se realizar como mãe? Está acontecendo de novo..Primeiro o William, agora Olivia e Felicity.
Oliver falava coisas desconexas, palavras rápidas e acusatórias.
—Sua filha ela está bem,senhor. .
Oliver piscou duas vezes e encarou a pessoa próxima a ele.
—O que você disse?- perguntou quando notou um homem a sua frente.Oliver lembrava de tê-lo visto na sala de parto.
—Sua filha está bem..Mas a sua esposa teve um pequeno sangrando e um pique na pressão. .
Oliver levou às mãos a cabeça. Estava descrente e magoado, muito magoado.
Foi deixando que o seu corpo escorregasse aos pouquinhos até o chão.
Sentiu quando o homem colocou a mão no seu ombro. Como se desse algum apoio.
—Senhor Queen,todos os dias lidamos com diversas situações, iguais ou parecidas...Tenha fé, vai dar certo.
Um soluço alto reverberou pelo imenso corredor. Oliver não conseguia se controlar. Prometeu a ela que não perderia a cabeça.
Mas já estava a perdendo.
Não conseguia imaginar o tamanho da gravidade daquela situação. Não conseguia imaginar viver num mundo sem a sua alma gêmea.
—Senhor Queen,o senhor está entendo o que falo ?
Oliver ouvia o que queria, assim como entendia o que queria.
Era tanta paranoia dentro da sua cabeça, que a julgar pelos seus ouvidos e olhos,Felicity estava morrendo.
Quando Oliver ergueu o olhar para pedir mais informações.
O homem havia saído.
O empresário escorou na parede, sentou no chão ao lado da porta.
Oliver não se julgava religioso,mas conversou com Deus. Argumentou,apresentou inúmeros motivos para deixá-la viva,se humilhou pedindo que Deus o levasse no lugar dela..
Olivia iria precisar mais da mãe, ela poderia sobreviver sem um pai..
Mesmo com o coração sangrando, Oliver se ofereceu no lugar de Felicity.
A movimentação na sala continuou, um entra e sai.
Oliver considerava entrar e ficar lá do lado de Felicity ,mas então pensava que uma invasão poderia comprometer o trabalho que a equipe estava realizando.
O loiro não soube precisar quanto tempo se passou, mas tinha consciência que era muito,uma eternidade.
—Oliver..-ele ergueu a cabeça para dar um rosto aquela voz que o chamava.
Era a obstetra.
Num só pulo,o homem ficou de pé. Um pouco tonto, quase se desequilibrando.
—Dra..Pelo amor de Deus..Minha esposa… ela morreu ?
A médica parecia cansada, porém ficou assustada com aquela pergunta ,retirou a toca da cabeça e colocou a mão no ombro de Oliver.
—Oliver ...de onde você tirou isso?..Tivemos um pequeno contratempo, mas não considero que a sua esposa esteve à beira da morte. Na verdade, a minha equipe estava mais preocupada com você.. Nós conseguimos...Olivia nasceu. Felicity vai ficar bem..
E então o peso que o homem parecia carregar nas costas se dissipou.
—Oliver, você está bem?.....Enfermeira,aqui por favor..O papai de primeira viagem apagou.- a médica falou entre risinhos.
Não era a primeira vez que Dra Grace via essa cena acontecer.
Quando despertou, Oliver estava sentado numa poltrona confortável. Dra Grace e uma enfermeira parada na sua frente. As duas mulheres sorrindo largamente.
Aquilo era um bom sinal?
Elas não estariam sorrindo, se Felicity estivesse morta.
—Ei,papai Queen...Será necessário arrumar um leito pra você e outro para a sua esposa?- Dra Grace sorriu,na verdade ela parecia fazer forças para segurar o riso..
—Isso quer dizer?..Um leito pra minha esposa viva?..Sangue correndo nas veias dela?
A enfermeira não era tão centrada quanto a médica, ela deu algumas risadinhas com a pergunta.
—Sim,Oliver. .Felicity está bem e está viva, com todo o sangue correndo nas veias.. Passando por alguns procedimentos, mas logo virá para o quarto.
Oliver se permitiu respirar, tranquilo e feliz.
Mais forte que isso, o alívio que sentiu foi tão grande que não tardou a ajoelhar no chão e agradeceu a Deus. Sua prece foi atendida.
—Dra, Obrigado..Muito,muito obrigado.-falou, abraçando-a com um ímpeto de gratidão.
Ela riu, aquela risada escandalosa e potente.
— Não há de quê, Oliver. E você deveria confiar mais na palavra do profissional- mas então a médica percebeu que o loiro não estava pronto pra ouvir, na cabeça dele a esposa quase morreu e nada que ela falasse iria removê-lo dessa alucinação- . ...Ouvi alguns boatos. Parece que Olivia é uma beldade, está arrancando suspiros na nossa equipe médica.
Oliver sorriu enorme, é claro que a sua filha seria um encanto , ela era filha de Felicity afinal de contas. Ele pensou.
—Como elas estão?Digo as minhas garotas.
—Olivia está passando pelos cuidados de higiene e o pediatra vai avaliá-la. .Felicity está sedada, provavelmente ela vai dormir algumas horas ..Enquanto isso você pode resolver toda a parte burocrática, preencher formulários. Vai lá fora conversar com o seu pai, familiares e logo poderá ver a pequena Olivia.
Oliver balançou a cabeça em negação.
—Não. .Eu não vou, se a minha filha está bem.. Posso esperar Felicity acordar, vamos conhecê-la juntos.
A médica sorriu. Trabalhando em hospitais desde novinha, Dra Grace já tinha presenciado muitas cenas, mas poucas foram tão cheias de amor, quanto ela estava vendo entre Oliver e Felicity. ..E estranhas também, a julgar pelo comportamento de Oliver a médica deduziu que o loiro sofria da doença do pânico, era a única justificativa.
—Claro,Oliver. .Você pode resolver todas as pendências e voltar para esse quarto, Logo Felicity estará aqui.
Fazia quase uma hora de espera e nada de Felicity acordar.
Oliver já tinha trocado de cadeira, poltrona e sofá. .Poderia ser o conforto que fosse,ambos não tiravam aquele aperto do peito.
O dia tinha sido longo.Muita tensão de uma vez.
Tudo que ele queria era ver aqueles enormes olhos azuis abertos.
Caminhou pra perto da cama, puxou uma cadeira e ficou lá, apenas zelando pelo sono dela.
Deitou a cabeça próxima ao braço de Felicity e simplesmente apagou.
Quando despertou, foi através de risadinhas roucas. .E Uma série de carinhos na sua cabeça.
—Amorzinho..-Como era bom ouvir aquele apelido carinhoso.
Ela estava ali,acordada.
Felicity estava viva e bem.
Oliver suspirou e se ergueu de uma vez.
Ele a inspecionou por completo, estava pálida e um pouco inchada, mas o sorriso era terno e feliz.
Os cabelos estavam presos numa trança lateral, percebeu que ela ainda estava recebendo soro, mas os fios que ela tinha abaixo do nariz haviam sido removidos.
Quanto tempo ele dormiu naquela posição? Pensou.
—Felicity,amor da minha vida. ...mãe da minha filha- ele começou a falar, engasgando no processo- Nunca mais teremos filhos e você, por favor!..Não me assusta desse jeito...
Tocou a face dela, deslizou os dedos fazendo vai e vem.
Felicity não parecia doente, apenas fraca e letárgica.
—Está tudo bem?..-ela perguntou intrigada, aparentemente alheia a tudo que o marido falava -Eu ouvi o chorinho da Liv. Quero tanto colocar ela nos meus braços ..-a loira abriu um sorriso emocionado- Oliver, o que está acontecendo?
Antes que ela descontrolasse, Oliver pegou o telefone e ligou no berçário contando que Felicity havia acordado e pedindo que trouxessem Olivia para o quarto.
Ainda muito abalado, explicou enquanto segurava as mãos da esposa.
—Está tudo bem..-respondeu tranquilizando a esposa- Foi um pouco assustador, por um momento pensei que você não sobreviveria. Mas segundo a Dra Grace, eu estava alucinando e vi a situação com certo exagero. ..
A loira acariciou o rosto de Oliver.
—Amorzinho, você é paranoico. — Felicity falou com a voz risonha e sorridente-Espero que você tenha se lembrado do meu pedido e acompanhado a nossa Liv por todo o trajeto até o berçário.
Oliver sorriu amarelo, levou às mãos a nuca e esfregou o local.A esposa o conhecia bem demais pra saber que algo estava errado..Oliver estava desconcertado e inquieto.
—Oliver..O que você não está me contando?....
—Ei..Calma,está tudo bem amor...Olivia está ótima, ela é a única garotinha entre tantos meninos e também o bebê mais gordinho do berçário. . E logo a enfermeira estará com ela aqui.
Felicity remexeu na cama e então fez uma careta de dor.
—Oliver, você não foi vê-la, né?- censurou, o olhar parecia reprovador – Não acredito que você não viu a nossa filha- as palavras saíram agoniadas, automaticamente Felicity colocou as mãos em cima da barriga.
—Eu pensei que seria interessante esperar você despertar para podermos conhecê-la, juntos…-Oliver omitiu a parte em que ele apagou e ficou alguns minutos desacordado- Você está com dor? Vou chamar a enfermeira.
Quando o loiro se levantou, sentiu as mãos de Felicity puxando o seu braço.
—Não. .Não precisa. Estou só um pouco dolorida. .Fica aqui comigo,amorzinho. .. .Não acredito que você não foi conhecê-la, na minha falta você é a pessoa responsável por ela.... Mas mesmo assim, obrigada por me esperar. Você não existe.
Felicity tinha um sorriso orgulhoso e satisfeito.. Os olhos não escondiam a felicidade que a escritora sentia por dentro.
—Eu não pude acompanhá-la o quanto eu gostaria, quase que me tiram da sala de parto na base de pontapés. .-exclamou horrorizado.
Felicity conseguia imaginar a cena.
Lembrava-se de algumas coisas, e Oliver desesperado olhando pra ela como se ela estivesse morrendo.
—O que aconteceu depois, Oliver?-Felicity perguntou divertida, ela tinha ouvido os comentários da enfermeira que estava cuidando dela, mas queria escutar da boca de Oliver.
Ele observou que a esposa não parava de tremer os lábios, tentando prender o riso.
—Parece que você já sabe... — ele parecia ofendido e envergonhando — Então não preciso contar. ..Que acompanhante você arrumou, hein? ..Desmaiando no corredor... Thommy vai acabar com os meus dias quando ele descobrir. A propósito, nossa família e amigos estão lá fora aguardando pra entrar.
—Você é o melhor acompanhante, não escolheria outra pessoa se não você. Pode ficar tranquilo, não vou contar para o meu irmão.
Dessa vez a loira riu mais forte, logo dando um gemidinho de dor.
Quando Oliver decidiu chamar por ajuda, a enfermeira entrou no quarto empurrando o carrinho, lá dentro estava um pacotinho com tecido branco, babados e fitas cor de rosa.
Felicity ergueu um pouco o pescoço, mesmo recém-operada ela conseguiu reunir forças para observar aquele embrulho.
A enfermeira parou do lado da cama, uma moça jovem e acolhedora.
—Boa tarde ,olha só quem chegou pra conhecer vocês.
A enfermeira retirou a pequena Queen do carrinho, Oliver tinha lágrimas nos olhos e o coração disparado. Felicity, no entanto, nem parecia acreditar, era tudo tão surreal. Finalmente, ela poderia pega-la... Todos os sentidos da loira estavam na criaturinha rosada.
Foi tudo tão rápido durante o parto, Felicity se lembrava da médica falando do sangramento, nem mesmo colocaram Olivia pra ela vê-la..
Mas agora ela poderia..
—Olivia..Filha..Você é perfeita.- Felicity falou engasgada, mesmo deitada a loira estendeu os braços, necessitava esse contato.
Quando a enfermeira a auxiliou, acomodando o bebê nos seus braços, a escritora se permitiu agradecer a Deus- Filha,você é tão linda..e séria.
Oliver aproximou e ficou coladinho nas suas garotas, apenas admirando e babando. Estava hipnotizado, pensando em como alguém tão pequeno já tinha nas mãos um poder tão grande..
— O pediatra não exagerou quando falou que ela é a coisinha mais preciosa e gordinha-Oliver segurou os minúsculos dedinhos entre os seus, um contraste enorme a mão pequenininha ao lado da sua mão enorme. Mãos que estariam sempre ali, para guiá-la e protegê-la.
-Filha, você parece emburrada...Olha amor, ela esta acordando –Oliver falou divertido e admirado — Esse mundo aqui fora pode ser assustador, mas o papai fará o possível e impossível pra vê -lá bem e feliz.
Felicity ouviu o suspiro que se seguiu, a loira olhou na direção da enfermeira e segurou o riso, não poderia culpar a moça por ter essas reações.
Oliver e Olivia eram uma dupla e tanto, impossível não derreter de amores.
Percebendo que estava sendo observada, a jovem profissional se recompôs e falou.
—Olivia está chamando a atenção por onde passa, primeiro porque ela é realmente muito linda e parece estar maquiada, e segundo porque, definitivamente, ela parece estar emburrada.
Felicity não cansava de admirar sua pequena criação e de Oliver..
A garotinha com a cabeça coberta de cabelinhos,fios dourados misturados a fios castanhos, aproximadamente da cor de mel..Aquele cheiro gostoso de bebê limpinho.
A pele clarinha, quase translúcida, dando pra notar os pequenos vasinhos e as veias azuladas..
E as bochechas? Gordinhas e rosadas, a mãe parecia maravilhada, como se alguém tivesse aplicado blush, os enormes olhos azuis tão cristalinos e contornados por cílios enormes e escuros, os mesmos olhos de Oliver. A boca Felicity reconheceu como um traço seu, lábios cheios e vermelhinhos. A escritora continuou a análise, observando os bracinhos, pernas e os dedinhos. Perfeita e saudável.
Como a enfermeira falou, Olivia parecia uma bonequinha toda maquiada e trabalhada na produção.
—Deus é tão bom..O tempo todo. .- Felicity olhou na direção de Oliver e sussurrou um"obrigada"- Qual o tamanho e o peso dela?
Antes que a enfermeira falasse, Oliver respondeu orgulhoso.
— Quase quatro quilos, 3,800 e 47 centímetros. .Geralmente os meninos que vem com esse peso, segundo o pediatra informou..
Felicity fez uma careta de dor, mas mesmo tentando disfarçar Oliver percebeu. O homem não perdia nada a sua volta, era um belo observador. Felicity concluiu.
—Enfermeira, a minha esposa está pálida e com dores..
A moça sorriu, pegou o prontuário de Felicity e observou as informações.
—Perfeitamente normal cesariana é assim mesmo. Vou providenciar um analgésico e quando voltar, vamos colocar essa fofinha pra mamar.
Quando a enfermeira saiu, Felicity chamou Oliver pra mais perto e pediu que ele segurasse a pequena Queen.
É claro que o papai babão não colocou porém. Pegou o pacotinho com cuidado e firmeza, como se tivesse nascido pronto para a missão de ser pai.
Felicity continuou deitada e observando aquela interação que ela descobriu ser melhor do que qualquer cena de filme ou novela.
Pai e filha se completavam, a dupla mais linda que a loira já viu.
—Ela tem alguns traços parecidos com o nosso William,porém numa versão cabeluda-Oliver comparou baseado na imagem do filho,a foto salva no celular — Mocinha,espero que você guarde essa expressão séria para todos os futuros pretendentes.
Felicity soltou risinhos, admirada era pouco. A loira estava vivendo o maior e mais terno milagre que Deus poderia lhe oferecer.
—E você acha que ela herdou a seriedade de quem?..Baseado naqueles álbuns com inúmeras fotos, tenho certeza que até o momento tudo que ela herdou da mamãe foram os lábios. .Liv nunca precisará considerar a ideia de fazer preenchimento labial..O restante, é todinha do papai, aliás é todinha Queen.. Os olhos e sobrancelha, até mesmo as bochechas lembram a Thea. .
Oliver cansou de ficar longe, aproximou da esposa e sentou ao seu lado na cama.
Família.
Agora ele podia falar que tinha uma família.
Não sabia se merecia tanto, mas estava muito grato pela dádiva alcançada.
—Obrigado,amor..Por me dar filhos tão especiais, mesmo que um deles não esteja no mesmo plano que o nosso, mas ainda assim obrigado por me escolher e permitir que eu faça parte da realização dos seus sonhos..Amo tanto vocês. .
Felicit beijou o braço de Oliver e suspirou satisfeita.
—Não queria que fosse de outro modo, tudo que passamos nos trouxe até aqui..Obrigada por me apoiar e ser o meu Porto seguro. .Amamos você. .Apesar de que perdi o título de mulher da sua vida-a loira sorriu ao mesmo passo que colocava a mão em cima de Olivia- Não importo de dividir o título com a Liv, apenas com a Liv.
Oliver riu alto, chamando a atenção da garotinha que começava a ficar sonolenta e os olhinhos pequenos.
—Desculpa,bonequinha.. Papai tem que ser mais cuidadoso — mal terminou de concluir a frase e Oliver foi agraciado com um pequeno sorriso,Liv estava com os olhinhos fechados e sorrindo, como se estivesse sonhando- ..Não acredito, ganhei o primeiro sorriso dela. Olha amor, acho que ela fez a conexão... -ele não tirava os olhos da garotinha, como se ela entendesse cada palavra que ele dizia- Reconheceu a voz do seu papai..Quando estava na barriga da mamãe,você gostava de ouvir o seu velho conversando com você, né? – o loiro dialogava todo derretido e cheio de ternura.
—É claro que ela gosta da sua voz, por que isso não me surpreende? Você passou toda a gravidez cantando pra ela....Liv,filhinha de papai..Vem cá, meus dois amores...Oliver, abaixa ela aqui perto..isso, deixa eu admirá-la mais um pouquinho.
Foram muitos obstáculos, muita luta.
Mas finalmente eles poderiam dizer que estavam felizes e realizados.
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