Era meio de junho, estava meio chuvoso e o frio era grande. Na varanda de uma casa duas mães conversavam. Duas crianças, uma menina e um menino, de quatro anos, no jardim brincavam. O sorriso delas era contagiante, mas a conversa das mães era muito séria para que isso as afetasse.

–Nós duas sabemos que isso é perigoso – disse a mãe morena

–Mas isso vai ser muito difícil pra eles – disse a mãe loira

–Os deuses nos deram duas semanas para fazermos isso. Faltam três dias, apenas!

–Eles não vão saber...

Um raio sacudiu o céu.

–Luana! Eles são deuses! Não seja estúpida! – disse a morena

–Mas, eles se divertem juntos, ficam tão felizes um do lado do outro – falou Luana.

–Vou morrer um do lado do outro se não fizermos o que nos mandaram!

–Depois não diga que eu não avisei!

–Do que você está falando?

–A profecia diz: “separados serão, unidos se vingaram”.

–Nós avisamos, mas eles não ouviram. De nada temos culpa. Um dia ou outro eles vão se encontrar novamente. Vão ver tudo o que lhe foi feito, vão se vingar. Afinal, eles precisam de treinamento.

Olharam as crianças juntas, brincando com as flores, jogando terra. A última vez que se divertiam juntas por um longo tempo. As mães suspiraram.

–Então, isso é um adeus? – perguntou Luana.

–Sim – pegou o menino no colo. – Adeus, Luana. Nunca vou me esquecer de você.

–Adeus.

Imediatamente as crianças choraram como se soubessem que o próximo encontro iria demorar ou não iria acontecer.

PROFECIA

Poderosos de mais juntos eles são,

O supremo, o astuto e o confiante os subestimaram.

Uma decisão imatura atrapalha tudo,

Mudando, ou não, o futuro.

Separados serão, unidos se vingaram.

O medo eles causam, o sofrimento eles levam.

E pelo último suspiro, a última gota,

O amor tudo concerta.