Separados Pela Profecia
47 45- Batalha - Parte Um
Notas iniciais
POV Autora
Ao cair do dia e ao começo da noite todos os legionários estavam no Coliseu esperando os guerreiros que sairiam para defender o acampamento daquilo que ninguém sabia o que era. Estavam inquietos.
A primeira a chegar foi a filha da noite, Mayara. Vestia somente uma túnica negra brilhante e estava descalça. Ela andava calma, porém percebia-se certo medo em seu olhar.
Após ela, os filhos de Apolo chegaram. Vestiam armaduras bastante ágeis, com suas aljavas e arcos nas costas. Andaram firmemente até o lado da filha da noite.
Os filhos de Vulcano entraram ao lado do filho da forma grega de seu pai, todos com armaduras, Augusto com um arco e uma aljava prateados, Henri com sua espada avermelhada e Ricardo com uma lança, cada um carregando uma mochila camuflada de aparência vazia em um de seus ombros. Aproximaram-se do grupo, parando e cumprimentando os companheiros com o acenar de cabeça.
Logo após, saindo da floresta e não do caminho que vinha do acampamento, as filhas de Deméter vinham saltitando em vestidos com aberturas ao lado permitindo mais movimento com o tom de areia, cada uma carregava um cinto mais escuro que o vestido onde muitas adagas cintilavam conforme pulavam.
— Ora, — Henri olhou para as meninas. — vocês não vão se machucar sem proteção.
— Somos pequenas. — Oprah falou.
— Nós nos defendemos, somos a proteção uma da outra. — Orphelia disse lançando um olhar confidente para a irmã.
Silenciando todas as conversas do Coliseu entraram os filhos de Marte, que vinham correndo com Martin gritando.
— Yuri, me devolve!
Yuri corria a sua frente com uma espada e um cinto e começou a correr em volta dos outros guerreiros que riam da situação.
— Pelos deuses! Devolva pra ele Yuri! — Lucca entrou andando calmamente e rindo um pouco.
Lucca vestia uma armadura prateada, carregava em suas costas um tridente com pontas azuladas como seus olhos enquanto um pingente em forma de diamante tilintava no peitoral da armadura.
Yuri riu, parou de correr, entregou os pertences de Martin que agradeceu com um empurrão leve, e foi cumprimentar cada um junto com Lucca e Martin.
Passou algum tempo em que os guerreiros conversavam entre si até que algo os deixou em posição de ataque. Correndo montanha abaixo, um grande cão infernal vinha se aproximando. Quando chegou bem próximo uma voz gritou, chamando atenção.
— Não machuquem o Pluto! — era a voz de Gabriela que vinha de algum lugar acima do cão. A sua voz foi o suficiente para deixá-los em confusão.
— Só porque ele é grande, assustador e tem presas enormes não significa que ele é mal. — dessa vez era a voz de Samantha que estava desmontando do cão.
— Por Zeus... — Lucca falou boquiaberto. — Onde vocês duas conseguiram isso?
— Isso — Gabriela apontou em deboche — é o presente que recebi do meu pai. E o Pluto é bem educado, não é garoto? — o cão respondeu balançando a enorme cauda.
— Sam? — o Yuri olhou preocupado.
— Não se preocupe, ele é... Hm... Adestrado. — ela sorriu ao responder.
Gabriela e Samantha vestiam peitorais de couro com arestas circulares e douradas por cima juntamente com saias de batalha feitas de couro e o mesmo material das arestas por cima como proteção ao couro. Suas pernas recebiam greaves até próximas ao joelhos e seus braços eram protegidos até os cotovelos com braceletes que tinham a mesma forma do peitoral, em coro e arestas douradas.
Lucca se aproximou tocando uma parte nua do braço de Samantha. Ao mesmo tempo em que ela sentiu um pouco da água do mar na pele, ele sentiu as sombras do Mundo Inferior envolverem sua mão. Automaticamente se afastaram, trocando um olhar rápido de compreensão que passou despercebido por todos.
— Como é que isso vai te proteger? — ele perguntou tentando pensar em outra coisa além das sombras.
— Você não está aqui pra isso, filho do mar? — ela retrucou sorrindo. Seu olhar parou no pescoço de Lucca, onde o colar e o pingente que havia feito para ele pendiam. — Achei que nem tinha mais. — comentou, tocando o pingente, não se importando com a sensação de molhado que o toque proporcionou.
— Meu Diamante, lembra? — ele respondeu, tocando a bochecha dela, sentindo as sombras envolveram sua mão novamente.
Esse gesto, porém, não passou despercebido. Enquanto se tocavam, em sua volta, um cone de água e sombras pairava em volta deles, atraindo atenção.
— Sam! — Martin gritou preocupado.
Interromperam o toque assustados assim desmanchando o cone.
— O que foi isso? — quem perguntou foi Meggie.
— A profecia. — responderam simplesmente.
Passou muito tempo enquanto esperavam Rachel e Bela. Estavam todos agoniados e inquietos. A única semideusa que não estava nesse estado era Mayara, que parecia estar perdida em pensamentos.
Porém, distante deles, vindo de Nova Roma, dois brilhos verdes flutuavam em direção ao Coliseu. Ao se aproximar, identificaram quem emitia o brilho verde. Rachel e Bella tinham sua pele em tom verde claro que emitia brilho próprio. Suas íris eram em verdes mais escuros cobrindo suas pupilas, enquanto os lábios também eram da cor verde dos olhos.
— Delfos não permite que nos machuquemos. — As duas disseram em uníssono como se suas mentes estivessem juntas.
— Vocês estão parecendo uma luminária. — Henri debochou. As garotas viraram os pescoços em sua direção rápido demais o assustando.
— Não ganhamos somente uma armadura por debaixo da pele. — comentaram.
— A hora chegou! — Mayara gritou chamando a atenção. — Que Nix me proteja. — sussurrou a última parte.
Começou a caminhar no espaço acima do chão, flutuando. Os semideuses foram envolvidos por uma película negra. Envolvidos pela noite. Ninguém mais os via.
POV Meggie
Caminhar sendo coberta pelas sobras parecia não ter usado nada de minhas forças, era como acordar na clareira em que estamos. Era uma clareira grande. Passamos mais tempo nas sombras, observando. Uma deusa brilhava no centro da clareira, mas ela parecia cansada, parecia resistir. Dois gigantes estavam ao lado dela, discutindo.
— Os sete não haviam mandado todos eles para o fundo do Tártaro? — Sam perguntou, se aproximando do Martin para apertar sua mão, mas olhando com medo para o Lucca.
Tínhamos concordado que eles não deveriam se tocar para não nos denunciar, mas isso estava parecendo uma tortura agora. Eu estava finalmente me sentindo bem com o fato do Lucca não amar a mim, quando tudo desandou para o meu lado. Não só para o meu.
Mayara finalmente saiu do seu transe de encarar a Lua e se voltou para nós. Suas órbitas cintilavam em um tom prateado, cobrindo as suas íris e suas pupilas.
— As perdas serão recompensadas. Não lamentem. — sua voz era distante. — Salvem a deusa.
A noite a nossa volta desapareceu, nos revelando no meio do campo de batalha. Com um rugido, o tempo parou. Eu senti cada fibra da lança se aproximar de nós, enquanto Mayara se movia em uma velocidade sobre humana e se postava em minha frente. Henri me puxou para si, enquanto eu paralisava e via cada centímetro da lança perfurar a testa dela e abrir um espaço entre os cabelos dela onde saiu.
A filha da noite se foi. A noite perdera uma estrela.
O corpo despencou lentamente enquanto o sangue escorria do buraco que a lança havia feito. Eu caí de joelhos enquanto meus amigos e colegas empunhavam suas armas, gritavam e corriam para atacar. Eles estavam se movimentando devagar de mais. Ou seria eu que ainda estava paralisada.
Henri tocou meus ombros e se abaixou ao meu lado, sussurrando:
— As perdas serão recompensadas. — citou as últimas palavras de Mayara. — Temos que proteger os outros. — me levantou pelo braço e me colocou em sua frente. — Descubra o que aconteceu com a deusa. Eu te protejo.
Então eu corri, ao lado de Henri, um romano e uma grega, um defendendo ao outro. Era sincronizado. Ao longe, via Augusto avançando com o seu arco, de tempos em tempos retirando algo da mochila idêntica a de Henri. Desde que cheguei ao Acampamento Júpiter, me hipnotizei pelo modo como ele lutava, observando-o escondida. Samantha havia comentado que ele havia perdido alguém por culpa dela, mas eu a apoiei, dizendo que a culpa não era dela e sim da profecia. Mas depois de um tempo vendo-o treinar com os olhos focados e, às vezes, marejados, sentia pena dele. Ele não merecia o sofrimento que recebeu.
"Foco!" minha mente gritou. Precisava proteger Henri e chegar a deusa. Com meu estilingue, mirei na empousai que se aproximava, hipnotizando ele, e atirei. Ele parou confuso e olhou para o pó que se desintegrou no ar.
— Uma empousai, vamos! — eu gritei para ele.
Ele balançou a cabeça e correu para o meu lado. O estilingue, presente de meu pai, Hermes, não errava. Era escolher o alvo, pensar e atirar, sempre em cheio, na mosca. E nada de simples pedras. Bolinhas de bronze celestial que abriam espinhos venenosos ao serem lançados. Atacava sempre na retaguarda de Henri, assim como ele fazia com o seu machado. Lançava ele em suas costas de uma forma que, inicialmente, achei que seu alvo fosse eu, mas o machado dava a volta em mim, matava algum monstro e voltava a sua mão. Da sua mochila, retirava várias armadilhas e deixava no caminho, agarrando algum monstro desatento.
Definitivamente, foi um mistério saber como nós chegamos até a deusa sem sermos alvos dos gigantes.
— Fale com ela. Eu cuido dos monstros. — Henri falou corajosamente, empunhando seu machado e dando as costas para mim.
Aproximei-me da deusa que estava mais pálida que eu me lembrava de que algum imortal poderia ser. Seus cabelos eram loiros queimados que um dia foram brilhantes, mas que agora eram secos e arrepiados. A pele era bronzeada, o que tornava a palidez mais apavorante. Estava de joelhos com as mãos no chão em sua frente.
Eu me aproximei devagar, com cautela, mas não fui discreta, queria que ela me notasse.
— Pobre filha de Mercúrio. — a deusa resmungou com a voz rouca.
— Você é romana. — eu constatei.
— E isso difere? — ela indagou, levantando a cabeça para me encarar.
Automaticamente fui arrastada para seus olhos da cor do mar, ondulando sinistramente, como as ondas.
— Sim, eu sou uma filha de Hermes, não de Mercúrio. Mas não reconheço você. — então me arrependi no mesmo instante. — Digo...
— Não se preocupe. — ela me interrompeu. — Poucos se lembram de mim. A rainha dos mares. Meu nome é Salácia, esposa de Netuno. Você me conhece por Anfritite. — ela suspirou, as ondas em seus olhos ficando agitadas. — Em parte, foi por culpa dessa falta importância que eu caí nessa armadilha. Alguns deuses não são notados.
— Por que?
— Eu estava cansada de viver a sombra de Netuno, semideusa. Poucos faziam sacrifícios a mim. Mas então alguém me deu a ideia de despertar o anti-Netuno. Destruiria meu marido e eu seria a deusa do mar. Porém fiquei com receio. — ela tentou se sentar, mas suas mãos pareciam presas ao chão, então só conseguiu uma expressão de dor. — Até descobrir outra traição de meu marido. Como se não bastasse um descendente ciclope, aturar Percy Jackson no nosso palácio ainda teria que aturar mais Lucca, o semideus novo na família.
— Você ficou com raiva. — conclui.
— Raiva? — ela soltou uma risada cansada. — Raiva foi pouco. Aceitei despertar Polibotes novamente. Mas eu não planejava virar bolsa de energia para dois gigantes. Nunca quis despertar Alcioneu. Eu me arrependo, filha de Mercúrio.
— É Hermes! — resmunguei. — E meu nome é Meggie.
— Meggie... Nome bonito. — ela sorriu de lado. — É o diminutivo inglês para Margarete, que vem do francês sabia?
— Minha mãe era francesa.
— Era?
— Ela morreu, tentando me levar para o sátiro que deveria me levar em segurança até o Acampamento. — respondi com pesar, lembrando-me do dia em que minha mãe morreu. — Uma fúria perfurou seu coração depois que eu fui para a proteção de Kleiton, meu protetor.
— Eu sinto muito pela sua mãe. — ela disse com compaixão. — O nome dela era Margarida?
— Era. — respondi confusa. — Como sabe?
— Seu nome é o modo francês de escrever o nome dela. — ela soltou um protesto, com dor, quando forçou mais uma vez as mãos.
— Eu vou te tirar daí. — disse confiante.
— Sua mãe tem orgulho de você, pequena Meggie.
Sorri e me concentrei. "O estilingue faz mais que matar monstros Meg." Foi o que meu pai disse. "Ele retalha a terra, meu bem." Puxei o elástico imaginário do estilingue, pensei em cadeados explodindo, cadeados de terra. E soltei.
Gritei ao mesmo tempo.
Enquanto eu vi a deusa soltar suas mãos e olhar para mim, perplexa, eu vi também uma lança de pedra cruzar meu peito, em um movimento cruel e brutal. Caí ajoelhada, quando a deusa se aproximou de mim e me envolveu em seus braços.
— Eu... eu... — ela dizia.
— Shii... — eu falei sem forças. — As perdas serão recompensadas, salvem a deusa. — mencionei Mayara, que caíra antes de mim. — Eu te libertei, — respirei tentando encontrar mais oxigênio em um esforço inútil, só me deixando mais desesperada por ar. — Saia daqui, termine de se salvar.
— Eu te agradeço filha de Hermes. — ela falou tocando meu peito, em cima da ferida.
Senti uma onda me invadir, levando o que sobrou de mim, enquanto meu corpo desfalecia em seus braços e Henri gritava de raiva ao longe. Mas eu o escutei. Escutei Augusto sussurrar com dor, ou apenas imaginei.
"De novo, não."
POV Orphelia
Quando fui convidada a me juntar aos campistas que iriam até o Acampamento romano, eu meio que não quis vir. Falei com minha irmã e ela ficou tão empolgada que me contagiou e eu logo fiquei animada com a viagem. Oprah sempre fora mais corajosa que eu, agora, sua coragem me despertava para a luta.
Graças a nossa mãe, nós não precisávamos de armadura. Cada ataque contra nós era desviado por pequenas raízes. Quanto mais próximas do chão, mais eficiente elas eram. Quando elas não podiam crescer para desviar, eu e minha irmã fazíamos uma espécie de lançador e criávamos raízes voadoras. Se estivéssemos com nossos irmãos do Chalé de Deméter, eles nos elogiariam.
Em nossas mãos, adagas atacavam com eficiência que não era totalmente nossa.
"Ampliaram suas habilidades, minhas filhas" foi o que nossa mãe disse.
Estava certo que nós tínhamos mais força e lutávamos mais rápido, mas os golpes eram nossos, as estratégias eram nossas. Nossos pensamentos, mas com a força de nossa mãe.
Nós atacávamos sempre avançando na direção de Lucca ou de Possati, mantendo o objetivo de protegê-los.
— Orphelia! — minha irmã gritou, indicando que eu me abaixasse. Um galho extremamente pontudo passou a milímetros do meu cabelo enquanto eu me abaixava.
Quando me levantei, vi uma dracaenae se desintegrando no lugar onde o galho fora cravado.
— Mamãe pode nos dar mais do que apenas raízes, irmã. — ela relatou.
Eu sabia disso, mas não tinha controle sobre esse poder. E Oprah sabia. Era a maneira dela de me incentivar.
É claro que na maioria das vezes não funcionava.
Apenas sorri de leve e pedi para que as raízes envolvessem meus pés queimados, o que gerou uma sensação de frescor. Meus passos se tornaram mais rápidos e ágeis. Uma explosão de energia tomou conta de mim.
Usei meu novos calçados como patins, fazendo do chão de barro uma pista de gelo imaginária. Usei mais raízes como lâminas na mão esquerda enquanto a mão direita golpeava monstros com as adagas de meu cinto.
Comecei a sentir mais energia, então me concentrei nos gigantes. Vim ao lado de minha irmã e contei o que tinha em mente.
— Se usarmos essa tática de agora, nos aproximamos dos gigantes e podemos ganhar tempo para Lucca e Samantha. — propus.
Oprah sorriu e assentiu. As ideias boas eram sempre dela.
— Boa ideia, mana. — disse imitando meus movimentos.
Começamos a nos aproximar do primeiro gigante por trás. Ele estava tão concentrado em focalizar sua raiva em Lucca que não nos viu aproximar de suas pernas verdes escamosas. Cada uma parou atrás de uma delas e, trocando um olhar de contagem, começamos a erguer raízes, o prendendo no chão.
Ele soltou um grito enfurecido quando percebeu.
— Malditas filhas de Deméter. — ele gritou pondo-se a arrebentar as raízes, cada vez que ele arrebentava uma, duas assumiam seu lugar, sempre roubando-lhe outro grito de raiva.
Soltei uma risada, olhando para o lado por tempo suficiente para perceber outro gigante mirando sua arma em nossa direção.
— Oprah! — gritei para minha irmã, já invocando a armadura de raízes, frutas e galhos que nossa mãe havia nos ensinado a criar como presente.
Porém, minha irmã olhou para mim por um tempo cruel até agir. Um tempo extremamente necessário.
Quando ela começou a invocar a sua armadura, vi a lança de pedra do gigante atravessar seu peito. Foram milésimos de segundos intermináveis que se passaram até eu ser atingida pela mesma arma, mas, ao contrário de minha irmã que teve o peito perfurado lentamente em minha frente, eu senti uma dor física mínima e fui lançada longe,
Eu vi o gigante que prendemos se libertar, minha irmã cair e o gigante que nos atacou rir enquanto desmaiava pela dor no meu peito e pelo aperto no meu coração, sentindo as lágrimas descerem por meu rosto.
Eu tinha perdido a minha irmã, a gêmea, a minha única irmã que realmente era sangue do meu sangue.
POV Augusto
Ver Meg cair me fez muito mal em campo. Meus ataques ficaram perdidos, mas raivosos. Eu não me concentrava em estratégias, só em atacar e atacar. Eu queria vingança. Eu tinha perdido a Luane quando a Sam sumiu por culpa dessa profecia e agora tinha visto Meg cair, perecer nos braços da deuas.
Eu observei Meg todos os dias no acampamento. Inicialmente achei que era medo de ela explodir o Fórum como Leo, aquele filho de Hefesto. Porém, depois, percebi que havia começado a treiná-la com mais vigor.
E também tinha o fato de que impedi o Yuri de continuar a treiná-la. Disse que sentia uma ameaça vindo dela, que queria vigiá-la de perto. Ele me olhou desconfiado, mas permitiu. Eu a treinei com tanto afinco, que ela estava com praticamente a mesma força que eu. Porém ela havia sido morta. Morta por Alcioneu. E eu só conseguia pensar em chagar até ele e matá-lo. Mas eu não tinha um deus para me ajudar com isso, então apenas protegia com muita determinação.
Henri se aproximou de nós, carregando sua mochila entreaberta.
— Descobri algo. — disse indicando a mochila, mas me olhando com dor e com um pedido de perdão. A culpa não era dele, eu sabia disso. A culpa era daquele maldito gigante.
— Henri. — me aproximei dele e toquei seu ombro pelo máximo que pude, antes de puxar uma flecha da aljava e mirar em um monstro as suas costas. — A culpa não é sua.
Ele assentiu, como um agradecimento.
— Bom, — ele disse forçando a voz. — a bolsa não nos dá só armadilhas.
Então ele tirou pequenas bolinhas e as lançou. No ar, elas se tornaram lar de vários espinhos envenenados que acertaram algum monstro qualquer, derrubando-o e o afogando em agonia.
— Legal... — o Ricardo comentou, com um sorriso divertido e começando a tirar as pequenas bolinhas de dentro de sua mochila;
— Tem mais... — o Henri falou colocando a mão no fundo da sua bolsa. De lá, ele puxou o punho de uma espada que se materializou em sua mão.
— Tudo que você quiser sai daqui. — ele comentou, admirando a espada.
Com um golpe rápido ele desmembrou uma harpia sorrindo.
— Tente não se divertir tanto. — eu disse para Henri. — deixe alguns monstros para mim.
Ele assentiu com um sorrindo e saiu correndo pela direita, enquanto Ricardo ia pela esquerda. Respirei fundo, montando meu objetivo.
"Vingar Meggie e Luane, ou chegar ao mais próximo disso."
Comecei a correr em direção ao Lucca e à Samantha que lutavam em sincronia, mas nem se olhavam, concentrados de mais em se proteger para prestarem atenção um no outro.
Naquele momento, eu senti inveja deles. Queria eu estar lutando assim ao lado de Meggie, mas aquele maldito gigante a matara e agora eu corria com um desejo de vingança inflamando minhas veias.
Enquanto lutava, retirava armas, armadilhas e instrumentos venenosos de dentro de minha mochila, matando alguns grupos de monstros rapidamente. Tudo com a mente no automático.
"Vingança."
Não pensei, porém, no fato de meu avanço estar chamando muita atenção dos gigantes, apenas atava uma vez seguido de outra.
Foi somente uma fisgada rápida. Mas eu reconheci a lança que transpôs meu abdômen.
A mesma lança que matara Meggie, agora havia tirado o meu último suspiro.
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