Separados Pela Profecia

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Notas iniciais
Aos meus lindos leitores. Eu estou trabalhando o/ Demoro mais para postar então... Sorry, demorou, eu sei. Ao Yuyu: Deixe de ser tão desesperado! Ao lucian: Seu lindo obrigada pela leitora nova ♥ A Thaynara: BEM VINDA! Tomara que goste ♥

POV Sam

Eu continuei encarando eles, e eles me encarando, até uma garota começar a correr e gritar.

— Lucca! — eu tive um vislumbre dela correndo e identifiquei-a, era a Meg. — Lucca, você está bem? Meus deuses, eu achei que você tinha sido sequestrado! — ela gritava descontrolada, obrigando o Lucca, que estava cansado a ficar de pé.

Aproximei-me dos dois, sendo corroída pelo ciúme e os separei.

— Meggie, você está na minha Legião, no meio dos meus guerreiros. Respeite-os. — minha voz era fria. — O seu teste foi curto não foi? — não precisei que ela respondesse, estava estampado em seu olhar. — O Lucca e o Possati foram testados por três dias. — me virei para os Centuriões. — Eles precisam de descanso, mas precisam de Coorte para isso, assim como os novos integrantes.

— Acho que seria nosso dever colocá-los em Coortes. — o Yuri falou.

— Mas eu não obrigarei nenhum Centurião a aceitá-los, então, somente sugerimos. — sorri para ele. — Acredito que o Lucca e a Rachel, seriam bem recebidos na Segunda Coorte.

— Sim, Pretora. — o Cysne falou com o peito estufado fazendo a Lilian soltar uma risadinha leve. — Que foi?

— Você deve ter a opinião da sua colega de liderança, antes de decidir algo pela Coorte. — o Yuri disse com um sorriso.

— Ah! Desculpe Lilian... Empolgação de mais... — ele se desculpou, coçando a sua nuca, sorrindo bobo.

— Tudo bem, também acho que os dois são guerreiros perfeitos para a nossa Coorte. — ela disse suave.

Indiquei com a cabeça para que os dois se juntassem a mesa que era da Segunda e chamei os outros gregos.

— Bom, de vocês eu conheço somente o Possati e a Meggie... — disse.

— E de mim não lembra? — um garoto perguntou, me fazendo olhá-lo com mais atenção.

— Ricardo! — dei um abraço nele. — Desculpe, eu não te reconheci! — mandei um sorriso leve para ele que o retribuiu. — Bom, com exceção dos três, vocês poderiam se apresentar?

Um garoto deu um passo a frente, primeiro que os outros. Seu cabelo loiro era jogado para um lado só em sua testa. Os cílios grandes e dourados emolduravam olhos verdes. A pele branca, a boca fina e o nariz arrebitado, carregado de outros muitos detalhes, o tornariam desejável.

— Meu nome é Natanael, sou filho de Apolo, o deus grego do Sol. — ele se apresentou.

— Você é irmão... — eu comecei, mas fui interrompida.

— Não. Ele renegou a família. Tolo. — ele declarou.

— Ok... — eu disse confusa, evitando encarar o Possati. — Próximo?

Uma garota pequena de cabelos da cor da areia, pele morena e olhos castanhos veio ao lado de Natanael, enquanto outra menina idêntica a ela também fazia o mesmo.

— Meu nome é Orphelia. — a primeira garota disse.

— E eu sou Oprah. — a outra complementou.

— Somos filhas de Deméter. — a Orphelia disse. — Gêmeas. — ela antecipou a minha pergunta. — E para saber quem é quem, é só olhar para nossos pés.

Eu ia perguntar o porquê, quando olhei para eles. O pé de uma delas era muito branco e havia cicatrizes que lembravam a cicatrização de uma queimadura.

— Orphelia teve os pés queimados com fogo grego em uma piadinha dos irmãos Stoll, os filhos de Hermes. — disse à menina que agora eu sabia que era Oprah. — E nós sempre estamos descalças, gostamos de sentir o solo.

— Bom, Ricardo, você pode me dizer quem é seu pai? — não havia mais gregos. Eram poucos.

— Eu sou um filho de Hefesto. — ele disse sem se mover.

— Bom, eu acho que as gêmeas devem ficar na Quinta, para que Cinthia as instrua, já que são... Bom, acho... Irmãs? — o Yuri se confundiu no final, mas eu sorri para ele. Sabia o quanto aquilo era novo pra ele.

Cinthia olhou com os olhos brilhando para o Jonathan que gargalhou e assentiu.

— A Quinta as aceita. Sejam bem vindas. — o Jonathan disse.

— Podem se sentar com eles, meninas. — disse sorrindo calmamente para elas. — Ricardo... Acho que você deve ficar na Terceira.

— Ele será bem vindo em nossa Coorte. — Amada e Patrick disseram juntos.

— Ótimo. — o Yuri completou. — A Quarta Coorte aceita Meggie... — eu o interrompi.

— A Quarta não... Primeira Coorte? — falei.

— Aceitamos os outros gregos, Pretora. — Isabelle disse alto, depois de ter uma rápida conversa sussurrada com o Julian.

— Então temos nossos novos legionários acomodados em suas respectivas Coortes. — eu disse. — Centuriões, apresentem para os novatos seus aposentos e expliquem as regras de nossa Legião.

— Depois deixem os mesmos descansaram por hoje. — o Yuri continuou. — Aos outros, já para as suas atividades normais.

Eu sorri e vi meus guerreiros saindo do refeitório. Voltei-me para o Yuri e suspirei.

— Você será um bom Pretor, Yuri. Acredito que o Cysne também seja um bom Centurião.

— Vou dar o meu melhor, Pretora.

— Não esperaria menos de você. — sorri. — Só que teremos que esperar o Martin terminar o seu acesso de raiva e esvaziar o quarto de Pretor dele e você poderá se alojar lá, tudo bem?

— Sim, assim poderei ter algumas noites com meus legionários, companheiros de Coorte. — ele falou. — E ainda poderei explicar umas coisas para o Cysne também.

— Não serão necessárias muitas noites. O Martin deverá liberar o dormitório até amanhã a tarde. — eu falei séria. — Agora, deixe eu te apresentar aos seus novos escudeiros. — terminei com um sorriso ao sentir Aurum e Argentum se aproximarem.

Duas semanas depois

No dia seguinte a sua expulsão do cargo seu quarto estava vazio e Martin havia voltado para sua Coorte. Seus Centuriões me faziam um relatório diário porque eu tinha medo que ele se revoltasse a qualquer momento. Desde aquele dia, ele andava afastado, solitário e calado. Seus treinamentos eram mais agressivos que o normal.

E eu estava estressada para variar um pouco as coisas.

Todos os dias eu começava o dia feliz, ou quase. Yuri estava inquieto. Ele não dormia muito tempo a noite, e eu o ouvia andar sobre o chão de madeira do seu dormitório a noite toda, o que me impossibilitava de dormir todos os dias, mas ver o Lucca todos os dias de manhã melhorava, e muito, o meu dia.

Durava pouco, pois, depois do café da manhã, eu supervisionava todos os treinos de todas as Coortes no Coliseu. Observava o Martin lutar agressivamente contra seus colegas e contra bonecos. Observava o reforço dos gregos, que voltavam no final do dia. Observava a Meg dando em cima do meu Lucca, TODOS OS DIAS! No final dos treinos eu estava imaginando formas de matá-la lentamente. Muito lentamente.

Três vezes por semana eu visitava o templo do meu pai, conversando com ele, trocando ideias, recebendo ajudas. Após isso eu ia ao templo de Marte que me ajudava com o meu passado, me revelando coisas do dia que sumi.

Por exemplo, eu sumi no final de uma tarde, próxima do final da semana, junto com a minha mãe, que morava em Nova Roma. Somente notaram a minha falta no dia seguinte, quando um dos lobos que vigiava os arredores do Acampamento não apareceu e nem eu ao treino matinal que eu tinha com Reyna, Jason e Martin, logo após o café da manhã, mas longe dos outros legionários. Na mesma tarde, os Pretores saíram do Acampamento em busca de mim, levando mais dois guerreiros. Seus nomes eram Melina e Dennis. Melina era uma filha de Belona, uma irmã de Reyna, uma paixão de infância do meu amigo, o Augusto. Dennis era um filho de Quirino, deus do Estado romano, amigo de Cysne. Quatro semideuses atraem muita atenção, mas no momento do desespero, segundo Marte, cometeram uma falha gravíssima.

Depois de um mês sem noticias, com Octavian já no comando da Legião, outra equipe de busca foi montada, com apenas três. Porém eles mal chegaram a se afastar da fronteira do Acampamento por muito tempo. Lupa os trouxe de volta. E proibiu qualquer outra saída em busca de mim, ou dos Pretores. Na mente do Octavian ela sussurrou que já era tarde de mais. Ou seja, acreditavam que todos nós estávamos mortos.

E depois que Octavian saiu da Pretoria, o Martin se tornou Pretor, onde tudo começou a desandar. Ele impediu que a Legião tivesse um leitor e não se importava em substituir um Centurião se não houvesse lucro pra ele. Mas, fora tudo o que eu descobri com meu avô, eu só tinha um problema. A insônia do Yuri.

Eram aproximadamente três da manhã e ele ainda andava de um lado para o outro dentro do seu quarto. Eu já não dormia há duas semanas por isso. Durante o dia meus olhos fechavam e logo eu cochilava, mas, em seguida, era acordada por alguma coisa. Não havia olheiras em meus olhos, mas sim, olhos nas minhas olheiras. Eu precisava descansar urgentemente.

Enrolei-me no cobertor, abri a porta do meu quarto e bati na porta do dele. Rapidamente ele abriu a porta, se surpreendendo por me encontrar parada na soleira.

— Sam? Eu te acordei? — ele perguntou preocupado.

— Na verdade, eu nem dormi... — suspirei. — Nas últimas duas semanas. — terminei com um bocejo.

Ele ficou me encarando boquiaberto. Eu me abaixei e passei por debaixo do seu braço pra entrar no seu quarto. Enquanto ele fechava a porta, eu me sentei em cima da sua cama com lençóis bagunçados, me enrolando mais no meu cobertor.

— Desembucha. — sem mais nem menos, eu falei direta.

— Estou tendo sonhos, Sam. Isso é normal. — ele deu de ombros, visivelmente cansado.

— Realmente é normal... Mas não por duas semanas! — eu me exaltei. — Eu sinto falta de dormir sabia? — brinquei.

— Desculpa, mas isso me atormenta... Não me deixa dormir. — ele disse suspirando e sentando no chão a minha frente. — Esse sonho maldito.

— Conte ele para mim, quem sabe eu possa te ajudar.

— Será?

— Confie em mim.

— Bom, o cenário é sempre o mesmo, me lembra da floresta em volta da Casa do Lobo. Tem uma garota lá, uma garota morena, um pouco mais baixa que eu, cabelos cacheados e olhos castanhos. Seu rosto é assustado e ela me chama pelo nome. Sua voz é suave, delicada, mas carregada de medo. Ela grita e corre em minha direção, me abraça pela cintura e fica falando que eu preciso ajudá-la, encontrá-la. As lágrimas dela deixam minha camisa molhada enquanto eu vou acordando.

— Estranho... — eu declaro confusa.

— Calma, não acaba aí. A minha camisa dica molhada de verdade. — ele pegou a minha mão e colocou em uma parte do tecido em seu peito, que estava úmida.

— A garota a molha no sonho, mas aqui, na realidade, ela também é molhada.

Fico encarando ele, com mil perguntas na cabeça que foram logo substituídas por um único pensamento: dormir. Eu me levantei da cama e indiquei que ele se levantasse do chão.

— Deita, você vai dormir. — ele começou a protestar, mas eu o interrompi com um aceno de mão. — E prometo que amanhã nós descobrimos mais sobre o seu sonho, mas nós dois precisamos descansar pra isso. — ele assentiu e se deitou, enquanto eu pedia ajuda de olhos fechados. — Somnus, que esta noite, o Pretor desta Legião descanse em um sono profundo e sem sonhos. Ouvi-me do Olimpo, ó grande deus do sono.

Quando eu abri meus olhos, encarei um Yuri de olhos fechados e boca aberta, quase me fazendo gargalhar. Agora era minha vez.

Voltei para o meu quarto e deitei em minha cama.

De manhã...

Acordei em meios aos berros que vinham do lado de fora do meu quarto. Eu mal havia aberto meus olhos, mas já pensava como os mataria. Finalmente eu tinha conseguido dormir, e algum filho de Saturno estava brigando no corredor!

Levantei com raiva, de pijama, empurrando o cobertor. Transformei meu chicote, abri a porta do quarto e estalei ele ao lado de um dos que estavam gritando.

— Que porcaria é esse? — nem mascarar a raiva eu tentava.

— Pret... — o garoto engasgou pelo susto. — Pretora... — eu olhei fixamente para quem havia começado a falar, o mesmo que teve o chicote estalando ao lado do seu corpo, e que por acaso era o Lucca. — O Martin levantou hoje falando que você cometeu um erro e veio direto para cá.

— Continue! _ eu ainda tinha raiva, mas que aos poucos ia dando lugar a preocupação, não melhorando a minha expressão.

— Ele abriu a sua porta, mas você estava dormindo, então fechou com calma e chutou esta porta com a espada em punho. Ele se trancou lá dentro e começou a gritar.

— Ah! Merda! Eu sabia que ele ia explodir! — comentei e chutei a porta igualmente o Martin tinha feito há alguns momentos.

O Martin segurava um Yuri meio dormindo e meio acordado, gritando com ele.

— Acorde covarde! — ele gritava.

— Martin! Para! — eu gritei o assustado.

Ele soltou o Yuri na cama que caiu sem delicadeza nenhuma, mas continuava meio confuso. Ele estava tão cansado que mal acordava.

—Sam... Que bom que você acordou. — o Martin soltou uma risada nervosa. — Você cometeu um erro... — eu o encarei, desacreditada. — Olha, todos nós erramos, mas você pode corrigir.

— Como é que é?

— Me tirar da Pretoria foi um erro, Sam. — ele disse como se isso fosse óbvio. — Olhe para esse aí! Está dormindo tanto que nem acorda! E esse grego que vive como seu guarda-costas? — ele riu de novo. — Somente erros.

— Martin... — eu suspirei. Ele tinha pirado. — Você enlouqueceu! O Lucca na é meu guarda-costas, ele é o meu guerreiro da profecia, está aqui para me proteger. Aceite isso, pare com esse ciúme todo! — o sorriso presunçoso dele começou a diminuir a cada palavra. — E o Yuri não dorme a semanas! Quando eu finalmente consigo paz para ele dormir, você vem com essa palhaçada toda!

O Yuri começou a se sentar aos poucos esticou os braços e abriu os olhos de vez, mas logo os arregalou ao ver todas essas pessoas em seu quarto.

— O que? — ele murmurou confuso.

— Bom dia! Dormiu bem? — tentei mudar de assunto.

— Sim, muito obrigado, mas me explique o que é que está acontecendo? — ele perguntou, se levantando.

— A Sam esta com alguns problemas com seus erros. Não quer corrigi-los. — o Martin me interrompeu.

— Tirar você da Pretoria não foi um erro! Foi o melhor que eu podia ter feito por esta Legião! — eu gritei.

— Não! Claro que não foi! Eu sou... — então ele foi calado por um soco dado pelo Yuri.

— Cala a boca seu pivete! Você mal sabe limpar a bunda! Quer liderar um exército sendo arrogante estúpido e querendo ser o centro do universo? — o Yuri gritou se aproximando dele. — Você pode ser quase um adulto, mas o seu cérebro não acompanhou o desenvolvimento dos músculos. — ele sussurrou a última parte cara a cara com ele.

— Cala a boca você! — o Martin estava vermelho de ódio, empurrou o Yuri para trás. — Esta é a minha Legião! Só eu sei o que é melhor para ela! — depois foi calado por mais um soco.

— Nunca soube! Deixou que uma garota se tornasse Centurião e destruísse uma Coorte só para ter alguém para te satisfazer depois que a Sam sumiu e a sua paixãozinha morreu tentando encontrá-la! — ele retrucou e eu fiquei boquiaberta com aquilo. — A Larissa não vai voltar Martin! A Legião precisa de um líder e não de uma criança com músculos... — ele sussurrou a última parte.

Ele se virou para ir mexer em alguma coisa quando o Martin se recuperou e foi em sua direção pronto para atacar com a espada. O Yuri previu o golpe, se abaixou e contra-atacou. Eu gritava para os dois pararem, mas eles não me ouviam.

O Yuri parecia concentrado em acertar o Martin com facilidade e se esquivar dos seus golpes ao mesmo tempo, enquanto o Martin deixava muitas brechas em sua defesa. Quando o Martin se encontrava de joelhos e desarmado perante o Yuri passos pesados, mas suaves, ecoaram pelo corredor. O Lucca foi até a porta e abriu, revelando um lobo.

Ou melhor, a loba, Lupa. Ela ficou os olhos no Martin aos pés do Yuri.

— Ele é meu agora. — ela disse em meus pensamentos, e eu suspeitava que nos do Yuri também, pela sua expressão. — Ele sofreu muito. Eu irei reeducá-lo. Quando estiver preparado ele voltará para o seu lar.

Ela colocou a cabeça para dentro do quarto, mordeu o colarinho do peitoral de Martin e o arrastou para fora. Ele não relutou, mas eu via lágrimas saindo de seus olhos.

Notas finais
Comentem *o* 22-07-14