Notas iniciais
Bom, perceberam que é muito presente pra poucos merecerem? São TRÊS capítulos! Olha como sou fofa! Ah, nas notas finais tem mais uma surpresinha. E tem condição para a história continuar! Também nas notas finais! Saibam que eu estou perdendo meu descanso para alegrá-los no meu aniversário. Se não cumprirem a condição, eu excluo a fic. Um bom final de semana para vocês! Boa leitura!

Agora o Martin se encaminhava ao meu lado, e eu sabia que ele queria me fazer sentar, não iria me deixar arrumar aquilo. Ele não era ninguém para me impedir de consertar o meu lar. Mantive-me firme no meu lugar. Aurum e Argentium rosnaram o fazendo parar no lugar e olhar confuso para mim.

–Chega dessa bagunça. – olhei com cansaço brilhando em minhas íris. Todos olharam para mim ao me ver desafiar ele. – Hoje essa Legião vai mudar, ela vai deixar de ser essa raiva e ódio e voltar a ser o ambiente em que eu cresci.

E eu iria continuar a falar, mas algo explodiu. E vinha do lado de fora. Alguém sussurrou na minha mente “Está na hora”. Meus guerreiros se levantaram.

–Sentem-se! – eu gritei sobre a euforia, os fazendo olharem para mim como se duvidassem da minha sanidade. Mas ninguém me questionou.

Uma fumaça verde entrou por debaixo das portas. Ela se espalhou por todo o piso, criando um tapete de névoa verde. Subiu pelas paredes, fechando as janelas já fechadas com a mesma névoa. No teto, ela formou uma abobada verde de névoa arrepiante.

As portas se abriram em um clique assustando meus guerreiros. Lá fora, estava escuro. Eu nem havia percebido o quanto a hora havia passado. Lá no escuro um vestido branco vestia um corpo claro, mas o que mais chamava a atenção era a fumaça verde que saia de olhos completamente preenchidos pela névoa verde que nos cercava. E, como se fosse para nos assustar, uma grande quantidade de cabelos ruivos rebeldes envolvia seu rosto em estado semelhando ao um sono, porém com uma expressão macabra.

E para piorar: eu não tinha ideia de quem era àquela garota. Ela entrou caminhando calmamente e parou a minha frente.

Suas feições eram delicadas, com um toque de inocência, mas estavam obscurecidas pela névoa verde que saia de seus olhos. Dei um passo para trás pronta para sacar a espada. “Confie” a mesma voz de antes sussurrou em minha mente. Engoli em seco e voltei a minha postura de antes. A garota se virou para a Legião e estudou cada mesa, cada grupo e cada face amedrontada. Voltou-se para mim e eu perguntei:

–Quem é você? – minha voz vacilou.

A garota sorriu demonstrando covinhas e dentes muito brancos. Seu sorriso deixou-a mais macabra, mas provavelmente colocaria mais beleza ao seu rosto se não fosse toda aquela névoa.

–Eu sou Delfos. Espírito do Oráculo. Vim aqui a pedido de Marte. – eu sorri imaginando a risada do meu avô ao ver isso tudo acontecendo. – Porém irei te ajudar em algo a mais assim que cumprir a minha missão. – disse com a voz tão vítrea que me lembrou de filmes de terror, me deixou arrepiada. – Você têm ótimos guerreiros e líderes aqui. – assenti, engolindo o orgulho que eu sentia da minha Legião por isso. Ela era assustadora de mais. – A sua profecia começa. – disse focando o olhar em mim com a expressão tão vítrea quanto à voz. Ela fez eu me perder na imensidão verde que eram seus olhos. – Uma frase ao outro lado foi revelada. O oposto tem o mesmo direito. – ela se fixou ao chão parecendo uma estátua e me encarou. – Poderosos de mais juntos eles são. – e voltou a relaxar. Ela voltou a andar entre os meus guerreiros enquanto eu entrava em estado de espanto.

Você deve achar que esta frase trouxe total sentido a minha vida atual. Bem, não trouxe. Eu pisquei e quando focalizei a visão, já não estava mais no refeitório. Estava observando o que aconteceu comigo no dia em que saí da Legião.

“Eu havia levantado com pressa. Hoje era o dia de visita aos templos. Pelo menos o dia em que éramos obrigados a ir. Eu ia todos os dias. Meu treino começaria em 30 minutos quando ouvi um som que lembrava o arranhar de garras em madeira vir da porta. Lá estava uma mensagem. ‘Vá ao templo de Marte primeiro’.

Eu sempre visitava o do meu pai primeiro. Lá nós dois conversávamos, mesmo que isso fosse proibido. Porém, se me pediram que fosse primeiro ao do meu avô, eu iria. Eu tinha 12 anos.”

Foi a única coisa que me aconteceu. Pisquei novamente e estava de volta ao refeitório. Nada de uma superelevação. Só. Isso.

–Agora eu irei lhe ajudar. – a garota me disse. – Você precisa de líderes. Eu irei lhe mostrar os melhores.

Seus olhos vítreos se direcionaram a primeira mesa para onde ela começou a ir. Lá ela fez uma garota esguia e loira com cabelo comprido, um garoto pequenino, Isabelle e um garoto com seus 17 ou 18 anos se levantarem e virem a minha frente.

–Eu lhe indico estes. – ela apontou para eles. – Cabe a você escolher o melhor para o seu destino. – e então se direcionou para a segunda mesa, me deixando olhar para eles.

Dentro de mim vinha um sensação de que eu conseguiria julgar os melhores, mas tinha medo. “Você consegue, ignore o medo” a voz voltou em minha mente. “Eu tenho que escolher os melhores” pensei.

–Como Centuriã, Isabelle, é a melhor líder que a Primeira poderia precisar. – olhei para ela com um sorriso e ela o retribuiu. As palavras vinham de dentro de mim e eu tinha certeza que estava correta. – Você. – apontei para o menino de 17 ou 18 anos. – Apresente-se.

–Meu nome é Julian. Estou servindo a Legião há sete anos. Sou filho de Belona. – abri a boca, chocada. Ele era irmã da minha treinadora. Ele seria perfeito para a Primeira.

Coloquei os dois ao meu lado e dispensei os outros dois. Segurei a mão de cada um e ergui no ar.

–Primeira Coorte, saúdem seus nossos Centuriões! – a primeira mesa explodiu em aplausos e gritos de euforia enquanto os dois se dirigiam com sorrisos bobos nos rostos.

E então, Delfos voltou, com quatro novamente. Dessa vez era da Segunda Coorte. E a Centuriã não estava entre eles. Ri por dentro com isso. Na minha frente encontravam-se duas meninas e dois meninos. Havia uma garota pequena de cabelos pretos e olhos verdes, e uma menina alta de cabelos castanhos claros e olhos pretos. Entre os garotos estava um menino de estatura mediana, um pouco forte e loiro, e um garoto alto com os cabelos castanhos, esguio e forte.

–Apresento meus candidatos, escolha-os. – eu olhei para o rosto de todos. – A próxima está perfeita com o comando que tem. – falou se referindo a Terceira e já se direcionando a Quarta Coorte. Já tinha me acostumado a sua voz fantasmagórica. Fui à frente da menina alta e falei:

–Você. – ela corou só de falar com ela. Seu corpo era tão perfeito que a julguei sendo mais uma filha de Vênus. – Apresente-se. – ela se encolheu, mas me respondeu.

–Meu nome é Lilian. Sirvo a Legião há quatro anos. Sou filha de Concórdia. – ela me respondeu e a ficha caiu. “Dãh, é claro, corpo perfeito, cada milímetro no seu lugar.” Pensei na deusa da harmonia e sua perfeição. Julgue-me, mas ela sempre será mais linda que Vênus.

Fiz ela ficar ao meu lado enquanto eu me dirigia ao garoto alto. Quando Delfos colocou os garotos a minha frente, já sabia que ele seria o Centurião perfeito.

–Guerreiro, como se chama? – falei olhando para ele. A mesa dos pretores ficava a dois degraus acima do chão do refeitório e eu me encontrava a frente da mesa, porém, mesmo com aqueles dois degraus, o garoto ainda era maior que eu.

–Meu nome é Yuri Danielewsk Gould. Sou filho de Marte e estou servindo a Legião há nove anos. – ele falou com uma voz forte, poderosa. Tinha uma postura rígida, o que mostrava que era um ótimo líder. Perfeito.

–Suba. – eu disse mesmo sabendo que eu e a Lilian nos sentiríamos duas tampas de Coca-Cola com ele do nosso lado. Tanto que eu senti uma risadinha fraca dele. Ele parecia um cara legal. E eu ainda teria mais um tio. Acabei rindo com ele. – Segunda! Eles serão os guerreiros que deveram seguir a partir de hoje!

Eles foram até a sua mesa sendo recebidos por uma salva de palmas, porém a Valência se levantou e veio até mim.

–Com licença pretora, mas eu sou a Centuriã dessa Coorte. – ela olhou para mim com ódio.

–Entenda Valência, você não é a pessoa certa para liderar esses guerreiros. – eu lhe respondi olhando por cima de sua cabeça.

–Você não pode me substituir sem a decisão de ambos os pretores! – ela cuspiu as palavras. – Toda essa... Essa... Eleição! Não passa de besteira! O Martin, nunca irá concordar com você!

Dei uma risada sarcástica e desci para encara-la, olho a olho.

–Quer apostar? – disse com superioridade na voz. Ela simplesmente ficou me encarando com o queixo erguido.

–Martin Alexandre Vittori, filho de Marte, legionário da Primeira Coorte, líder nato e pretor da XII Legião Fulminata. – falei em alto e bom som para que todos me ouvissem. Ele já estava me encarando e sabia que isso era o que eu falava quando o desafiava a discordar de mim. – Você, que foi colocado na pretoria para minha proteção e meu aconselhamento, discorda em algo do que faço? – ele engoliu em seco quando todos o olharam, mas não respondeu. – Você, um filho de Marte que foi treinado para superar sua ânsia de sangue e ódio, discorda da seguinte afirmação?

–Qual afirmação, senhorita? – ele falou formal, como era de se esperar.

–Esta Legião não é mais uma família como sempre deveria ter sido! Estes guerreiros estão mais para inimigos de batalha do que irmãos de uma grande família. Discorda de mim quando eu digo que está tudo errado? E acima de tudo, de que as Coortes precisam estar completas e que a Segunda Coorte não tinha uma boa liderança?

Ele ficou encarando a todos menos a mim e a Valência. Ela o encarava, provavelmente pensando “Mostra pra ela que eu sou mais importante, mostre que ela não é nada”. E então ele me encarou e eu erguia uma sobrancelha como se perguntasse “E então?”.

–Esta Legião... – ele sorriu pra Valência que estufou o peito e virou para mim me encarando se sentindo vitoriosa. – estava totalmente errada! Somos uma família não inimigos! – Valência piscou, o encarou e abriu a boca para falar algo, mas foi interrompida. – Valência, todos sabemos que você não tem capacidade para guiar uma Coorte, agora se sente!

E em silêncio ela se sentou em sua mesa cabisbaixa. O Martin piscou pra mim e eu lhe dirigi um acenar de cabeça simples e voltei a minha atenção para Delfos que vinha em minha direção com mais três legionários.

–Estes são os indicados, escolha. – ela se virou e andou, parando na frente da mesa da Quinta Coorte.

Logan era o único garoto, então eu sabia que eu estava certa sobre a liderança masculina daquela Coorte. A minha frente estava uma garota que era de altura média com cabelos dourados e lindos olhos negros puxados, e outra um pouco mais baixa que a primeira que tinha cabelos loiros tão claros que facilmente seriam confundidos com um cinza platinado ou branco, seus olhos eram de um violeta perfeito. As duas poderiam ser filhas da deusa da beleza, mas algo me dizia que não eram.

–Logan, suba aqui, já sabemos que você será o líder perfeito. – lhe dirigi um sorriso amável enquanto ele subia e se colocava ao meu lado. – Meninas, vocês lindas. – disse para elas e as mesmas sorriram. Meu instinto dizia que a de olhos violetas seria perfeita para a Coorte, mas até ele se encontrava em duvida. – Martin. – o chamei indicando o meu lado e sussurrei ao ponto de só ele me ouvir. – Sinto que as duas serão boas Centuriãs, mas só posso colocar uma no poder. – virei de costas para a Legião e apertei seu braço com muita força. Sabia que não teria o efeito doloroso que teria num braço menor, mas só a surpresa foi o suficiente. – Você é um Pretor, aja como tal e escolha a melhor Centuriã. E não coloque ninguém no poder pela aparência. – virei-me novamente para frente e continuei alto. – Apresentem-se!

A de olhos violetas falou primeiro.

–Meu nome é Katharina Genebra. – ela falou com um sotaque que lembrava muito o italiano, suas feições indicavam que sua descendência era essa também. Sou filha de Cupido. Estou servindo a Legião há seis anos. – eu quase acertei. – a outra menina, que tinha olhos negros e puxados, deu um passo à frente e começou a se apresentar.

–Eu me chamo Bella Avinê. Sou filha de Jano e sirvo a Legião há cinco anos. – Jano era o deus dos inícios, das decisões, das escolhas e da luz, o que explicava o cabelo brilhante.

Martin encarou as duas com expressão reflexiva. Ali estava o homem que foi treinado por Jason e por Reyna. Ele estava equilibrando sua raiva e seu ódio para poder escolher o melhor para a Legião. “Que orgulho eles sentiriam agora se ainda estivessem aqui” pensei.

–Entendam que as duas são ótimas líderes, e eu posso afirmar pela convivência com vocês. Porém, acho que a Quarta seguirá melhor com a Katharina. – Martin falou.

Ela subiu ao meu lado e eu exclamei:

–Quarta Coorte receba bem os seus novos líderes! – eu falei, porém de lá não veio muito entusiasmo. – Eu disse: receba bem seus novos líderes! – disse com poder na voz e ouvi algumas palmas forçadas e urros falsos, e suspirei. – Vamos ter que trabalhar mais com eles. – falei baixo, somente para os líderes que estavam em frente à mesa. Os Centuriões assentiram e foram para sua mesa.

Delfos não me trouxe mais ninguém. No entanto estava parada em frente à mesa da Quinta Coorte.

–Samantha! – estremeci com o meu nome sendo pronunciado por aquela voz macabra. – Esta Coorte tem ótimos líderes, mas há algo pessoal que implica com a harmonia. – ela falou e veio a minha frente. – Há algo mais que eu posso lhe dar, mas só dou se pedir. – ela sorriu.

–Sam... – o Martin começou e eu sabia que ele não iria aceitar a minha decisão, então o interrompi.

–Martin, precisamos de profecias. Conversamos depois. – ele me encarou com incredulidade e raiva misturadas no olhar, mas eu não tive medo. Já enfrentei uma Legião, posso enfrentar um filho de Marte, um pretor. – Delfos, me apresente um Leitor. – pedi suplicante.

Ela voltou à mesa da Quarta e indicou que a Bella se levantasse. Acompanhou-a até o meu lado e se posicionou a um degrau abaixo de mim, falando com a Legião.

–Romanos estes são seus líderes! – disse nos indicando. – Respeitei-os e prosperaram. Desafia-os e contraiai-los e afundaram em desgraça. – ela respondeu e se virou a mim. – Esta é sua leitora. Agora tenho que ir. Ela andou em direção à saída levando toda a névoa com ela, mas parou no solado da porta. – Eu voltarei. – as portas se fecharam com a névoa assim como abriram.

Na frente da mesa estavam Aurum, eu, a Bella (que estava em choque ainda), o Martin e o Argentium. O poder da Legião estava ali.

E eu comecei a fazer a lista das atuais conquistas e das futuras.

O que consegui hoje? “Você completou a Centúria; Você mostrou seu poder como pretora; Você conquistou a confiança de alguns; Você tem uma leitora; Você está conquistando o que é seu por direito” pensei.

O que eu preciso conquistar? “A união das Coortes; A confiança de Bella e de Martin; As desculpas de seu pai; A aceitação da Legião” conclui mentalmente.

E a voz retornou a minha cabeça: “Você precisa descobrir com quem irá lutar em uma batalha próxima” falou. “Será o mar ou a guerra? O grego ou o romano? Lucca ou Martin?” perguntou.

Notas finais
Condição número um: Pelo menos cinco comentários! (A salvo se houver recomendação). Condição número dois: Me deem parabéns. Condição número três: Se desculpem por serem fantasminhas. Surpresinha: http://youtu.be/HF6fTcf0MR0