Separados Pela Profecia

3 2- Coincidências não existem


Notas iniciais
Tive que reescreve-lo, perdoem me.

A primeira aula era geografia. Eu odiava geografia. Pra piorar, a sala, pelo o que eu tinha encontrado de identificação, era do outro lado da escola. Andei um pouco rápido de mais e acabei não olhando para frente. Esbarrei no cara mais lindo que eu já vira. Cabelos loiros, muito loiros, olhos azuis, parecendo ondas do oceano, braços definidos e um monte de outras coisas perfeitas que não ia dar tempo de descrever antes de eu começar a babar pelo cara. Eu ia cair porque, quando esbarrei nele, acabei indo para o lado e virei o pé, daí me desiquilibrei, mas tinha uma parede atrás de mim. Sim, eu queria dizer a você que ele tinha me segurado, mas o cara simplesmente andou em frente, seguindo o caminho.

Que cara estupido! Pensei. Podia pelo menos ter pedido desculpas.

Recuperei a postura e voltei a caminhar, quase correr, para a minha sala. Dessa vez olhando para frente.

Cheguei lá e a aula já tinha começado. Ótimo!

Bati na porta e esperei alguém abrir. Para o meu azar foi o cara que eu esbarrei. Como é que ele chegou aqui tão rápido? Enfim, entrei e falei com a professora:

–Com licença. Eu me perdi, sou aluna nova. – ela olhou pra mim e eu mostrei o papel da autorização para ela.

–Tudo bem, Srtª Loccatelli, pode se sentar. – falou ela.

Fui para o fundo da sala e me sentei na última carteira do lado da porta. Ela começou a falar, falar e falar mais ainda. Eu não consigo me concentrar em teoria. De repente eu estava pensando no meu pai. Não me pergunte como, mas era isso que eu pensava quando entrava em escolas novas.

Passei a aula toda pensando nisso, todas as cinco antes do intervalo. Sim, a escola era de período integral.

Assim que aquele sinal sinistro tocou, eu fui rapidinho para fora da sala. E mais rápido ainda na cantina, simplesmente seguindo o fluxo dos alunos.

Peguei o almoço que a escola dava (arroz, carne, salada, purê de batata e suco natural). Gostei muito foi da salada e do suco (era de abacaxi), o resto eu meio que relutei em engolir. Tinha uma lojinha do lado da cozinha onde tinha doces, refrigerantes, salgados. Ainda bem que eu tinha deixado algum dinheiro do bolso da calça. Comprei dois chicletes de melancia e um Doritos.

Fiquei ali até terminar de comer. O intervalo era de 30 minutos. Ainda faltava 15. Segui as placas e fui até a biblioteca. A minha esperança era que tivesse livros bons, mas ali só tinha livros educativos. Odeio isso.

Voltei para a minha sala. O sinal não tinha tocado ainda, mas, dentro da sala, estava um professor e aquele menino que tinha esbarrado em mim. OK, eu tinha esbarrado nele. Eles estavam conversando, mas, quando me viram, ficaram em silêncio. Saí dali e fui ao banheiro, que era bem perto da sala.

Fiquei ali uns cinco minutos, depois voltei pra sala e o menino estava no lugar dele e o professor na mesa dele. E não tinha mais ninguém na sala. Ótimo, eles não querem que eu ouça o que eles estavam falando. Tudo bem! Fui à minha carteira, peguei a autorização, levei para o professor, voltei e sentei. Fiquei mexendo no meu caderno, escrevendo palavras aleatórias.

Quando o sinal bateu, os alunos voltaram para a sala e eu comecei a olhar o que tinha escrito, mas era o mesmo de sempre: morte, riqueza, poder, cavernas... Mas tinha um desenho no topo da folha, um lobo para ser exata. Se eu não soubesse a diferença de um lobo para um cachorro teria jurado que aquela era a minha cadela Sasha.

Quando todos sentaram o professor foi para o meio do quadro e falou:

– Bom, eu vou comunicar a vocês algo que poderá ou não ser um notícia agradável. Amanhã tenho aula com vocês, dois tempos para ser exato e, com a autorização da direção e coordenação, eu consegui uma aula ao – formou aspas imaginárias com os dedos – ar livre. – Houve muitas conversas naquele instante, mas o professor voltou a falar: – Com uma condição: cada aluno deve trazer um animal dócil, – deu ênfase na ultima palavra – para a próxima aula!

Quando ele terminou de falar e a bagunça começou, eu paralisei. Como assim? Animais? Seria coincidência a minha ter feito aquele desenho especifico? Será que alguém tinha um lobo caramelo com branco, identicamente a minha cadela e ainda por cima dócil?

A aula seguiu e eu continuei pensando na Sasha e no meu desenho. O que tinha acontecido? Coincidência? Mas coincidências não existem!