Separados Pela Profecia

11 10- Cuidado com o que faz!


Notas iniciais
Desculpem pela demora, mas a criatividade não me chegava...

Acabou a aula e você deve estar se perguntando o que eu e o Lucca fizemos. Bom, se eu disser que nós dois saímos pela escola fazendo tudo conter tipo de besteira, como os outros idiotas da escola, é mentira. Se você lesse isso agora e aqui estivesse escrito que no último dia de aula eu fui expulsa da escola por vandalismo como alguns marginais, seria uma coisa que só passou pela minha cabeça, não que eu realmente tivesse feito. Se eu disser que passamos a aula toda na biblioteca lendo livros, como os nerds, é mentira, também. Poderia dizer que eu e ele ficamos correndo como loucos, suando que nem porcos, como os atletas da escola, que também seria mentira.

A verdade, é que não foi nada de tão emocionante com a qual eu tenho certeza que você estava esperando, mas que pra mim, foi muito emocionante, mas vai me deixar com uma saudade dele pior do que eu sentiria se nada do que aconteceu, tivesse realmente acontecido.

Então, vamos por partes. Quando a professora nos liberou nem eu e nem ele sabíamos o que íamos fazer, o que ficou ridicularmente estranho para mim, afinal a ideia tinha sido minha. Nós ficamos acho que uns vinte minutos andando pela escola tentando ter ideias do que poderíamos fazer. Quem teve uma ideia, na verdade, não foi eu e sim o Lucca. Ele queria me mostrar um lugar onde ele tinha se perdido no primeiro dia de aula dele aqui. O problema é que tínhamos que andar um pouquinho, ou melhor, andar bastante, pra chegar lá o que me fez rir muito por ele ter se perdido.

Quando estávamos chegando ele cobriu os meus olhos, disse que queria que fosse surpresa. Demorou um pouquinho, eu tropecei bastante e ele ria de mim, mas eu não me importava a risada dele era linda de mais pra eu brigar por ela ser de mim.

Depois de um tempo, ele parou e me deixou ver aonde tinha me levado. E o melhor era que o lugar realmente era de mais, mesmo. Vou tentar descrever, mas você vai ver que só vai conseguir imaginar. Era uma estufa, uma enorme estufa. Tinha lindas flores, todas bem coloridas, algumas em vaso, outras na terra fofa. Tinha algumas árvores, com os frutos bem maduros e sem sinal de nenhuma peste presente em lugar algum. Em um cantinho mais vazio, tinha um chão cheio de verduras e legumes. Um lugar muito bonito, até eu reparar no chão. Não era um chão comum, tinha pedras como caminho, mas não era pedras de pessoas normais. Pense que essas pedras eram de granito, e nesse granito tinha outras pedras coloridas que foram soldadas ali, mas pareciam que o lugar delas sempre foi ali. Agora junte essas plantas e esse chão ao teto de vidro que fazia os raios de sol brilharem por todos os cantos. Bem, era um lugar muito perfeito, e com o Lucca ali do lado, acho que as coisas se tornaram mais lindas, ou eu estava ficando meio boba mesmo.

–Lindo aqui não? – ele perguntou, olhando pra mim.

–Lindo de mais! – virei e sorri pra ele.

–Quando eu vim aqui pela primeira vez, não estava tão bonito assim. Eles começaram a arrumar um tempo depois, mas eu sempre vinha aqui o intervalo, até você chegar aqui na escola.

Eu sorri de novo e comecei a andar pela estufa. Em alguns lugares tinha equipamentos para jardinagem, em outros, tinha bancos de madeira pintados de branco. Me sentei em um deles e fiquei observando as flores. O Lucca apareceu com uma flor em uma mão e uma maçã na outra.

–Trouxe pra você – ele me entregou com as bochechas um pouco vermelhas, mas com um sorriso muito fofo no rosto. A flor que ele tinha na mão era muito escura, então não reconheci de cara, foi só quando ele se aproximou que eu reconheci a rosa vermelho-escuro. Era uma rosa linda! Eu adoro flores escuras. – Essa fui eu que cultivei... A diretora não acreditou que eu conseguiria fazer uma rosa escura. – ele sorriu meio debochado. – Eu meio que tive uma ajudinha, mas ainda não está no tom certo, eu a quero bem negra. – ele sorriu de novo e olhou pra mim.

Peguei a rosa da mão dele e senti o perfume antes mesmo de aproximá-la do nariz. Era algo doce, suave, mas ao mesmo tempo viciante e relaxante. Lembrava o mar na época que ele não era tão assustador pra mim. Então, olhei para ele. Ele estava me olhando fixamente, e eu nem tinha percebido. Lembrei-me do primeiro dia em que o vi, no qual ele tinha me empurrado, e no mesmo dia que eu percebi em como seus olhos eram de azul profundo. E aqui estava eu, mais uma vez perdida naqueles azuis profundos. Ele levantou a mão e passou na minha bochecha. O toque foi suficientemente caloroso para eu voltar a raciocinar. Desviei o olhar e levantei do banco, com a rosa na mão. Respirei fundo e olhei ao meu redor. O que tinha dado em mim? Mamãe já tinha me falado que eu poderia me apaixonar, mas eu não iria, não com tudo que acontecia comigo.

Fiquei ali, em pé, respirando fundo, me negando a olhar para ele, quando senti uma mão no meu ombro, indicando que tinha alguém na minha frente. Eu sabia que era ele, conhecia o toque da mão dele.

–Olha pra mim. – eu balancei a cabeça em negativa, eu não ia ceder. – Por favor... – ele falou com a voz meio suave meio dolorida. Eu tinha magoado ele, sabia disso, mas eu não ia deixar isso acontecer, não ia me deixar apaixonar. Isso foi o que eu pensei o que eu fiz já é outra coisa. Quando ele colocou a mão no meu queixo e me fez levantar a cabeça eu não consegui ficar sem olhar.

Olhar naqueles olhos azuis era se perder no paraíso. Um paraíso calmo e aconchegante, mas misterioso. Fiquei olhando por muito tempo aqueles olhos, assim como ele não parava de olhar nos meus.

–O que você quer de mim? – falei baixinho, achando que ele não tinha ouvido que me surpreendi quando ele respondeu.

–Eu não sei, só quero ficar com você. Preciso ficar com você... É como se eu fosse feito para ficar do seu lado... – ele me respondeu, falando tão baixo quanto eu. – E agora, pensando, não vejo como vou conseguir passar essas férias.

Então, como algo que viesse de dentro de mim, mas sem autorização da minha razão, as coisas que viram acontecer podem ser tão estranhas para você como foram para mim.

Notas finais
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