Sentimentos Inexplicáveis.
12 Memórias mortas.
Notas iniciais
Pietra POV
Abri lentamente meus olhos, estava em frente a uma casa, vi uma grama verde, e uma família feliz. Eu usava um vestido negro, solto que batia um pouco acima do meu joelho. Fiquei a observar a família.
Era um típico dia de março, o clima estava ameno e nós saímos para comemorar. Era o meu aniversário, eu tinha oito anos na época.
-Papai, papai, aonde nós vamos?
- É uma surpresa Pietra.
Eu reconheci a cena.
-NÃO, POR FAVOR, NÃO VÃO, POR FAVOR, POR FAVOR – Tentei alertá-los, porem eles não me ouviram.
Eles entraram no carro e seguiram seu rumo, e logicamente, eu fui junto.
Após alguns minutos, eles pararam e foram em direção a um parque, ao meu parque, nessa época, ele ainda tinha vida.
- Nós vamos fazer um piquenique – Uma mulher de cabelos negros e pela pálida falou.
- Certo mamãe – dava pra perceber a alegria no rosto infantil.
- Mamãe, eu e Pietra vamos brincar nos balanços – falou a mais nova indo para os balanços sendo seguida pela mais velha.
- Cuidado – a mãe alertou.
E eu, bom, eu apenas fiquei a observar a cena com ar de melancolia, elas eram tão lindas.
As irmãs brincavam no balanço enquanto os pais terminavam de arrumar o piquenique. Após alguns minutos os pais terminaram e rapidamente comeram e saíram.
- Papai, vamos para o parque de diversões? – a mais nova perguntou, já no carro.
- Claro, o que você acha Pietra?
- Tudo bem pra mim.
E assim seguiram para o parque.
A família passou o resto do dia lá, só voltando para casa á noite. E eu fiquei como telespectadora.
- Crianças, eu estacionei o carro longe, eu vou pegar ele e já volto – disse o pai.
- Papai, eu vou com você – a mais velha disse correndo para atravessar a rua.
-NÃO – gritei com todas as minhas forças, infelizmente, nada eu podia fazer para evitar esse fatídico dia.
O pai saiu correndo para alcança-la, pois um carro vinha em direção a mais velha. Ele a empurrou da frente do carro, sendo atropelado pelo mesmo.
Eu corri, corri com todas as minhas forças sentando-me ao lado do corpo no asfalto frio enquanto uma multidão se formava ao redor.
A mais velha se juntou ao corpo ensanguentado no asfalto e comaçou a balançá-lo. A mãe e a mais nova se juntaram alguns minutos depois.
- Pai, pai acorda – a mais velha falava enquanto balançava o corpo sem vida no chão, lágrimas rolavam pelo seu rosto – PAPAI POR FAVOR, ACORDA.
- NÃO, ACORDA PAI, ACORDA – Eu gritava sentada no asfalto do lado da mais velha – POR FAVOR PAI, VOCÊ NÃO SABE QUE EU TE AMO?
A mãe e a mais nova estavam sem reação.
E eu, bom, eu estava sentada ao lado do corpo do meu pai chorando, tentando reanimá-lo.
-Pai – a mais nova caiu de joelhos no asfalto.
- Jhon, JHON — a mãe gritava o nome do seu marido. Ela chegou para a mais velha que tinha as mãos ensanguentadas – Pietra, o que foi que você fez? – perguntou pegando-a pelos ombros e a sacudindo – O QUE VOCÊ FEZ?
A mais velha só se limitava a chorar e a negar com a cabeça, como se ela não acreditasse nisso.
Era minha culpa, eu causei isso, eu matei meu pai. Eu era a mais velha.
-Pietra, acorda Pietra – Nanda falou me sacudindo enquanto eu abri lentamente meus olhos me libertando do meu sonho ruim, minhas memórias mortas.
- Nanda? Que horas são – perguntei me recompondo.
- Eu não sei, pega – ela falou me dando um comprimido e um copo com água.
- Lembra de alguma coisa da noite passada Nanda?
- Não, e você?
- Também não. Eu acho que não tem ninguém em casa.
- Também acho, vamos descer pra comer alguma coisa?
- Certo, Nanda, faz tempo que você tá acordada?
- Não muito, Karol ainda tá dormindo – ela falou com um sorriso.
Me obriguei a sorri e descemos as escadas para tomar café da manhã.
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