Sentimentos Inexplicáveis.
5 Inferno parte III
Notas iniciais
Boa leitura.
Pietra POV
‘Ah não, eles chegaram’
Então é isso? É só isso que eu consigo fazer... Pensar. Minha vida está prestes a virar um inferno e eu só consigo fazer isso? Eu só consigo pensar. O que o papai diria agora? Ele sempre dava bons conselhos.
Flashback on
Era pra ser divertido, era para ser legal com todas aquelas crianças, mas não foi.
Saí correndo e chorando daquele lugar, não queria ver eles, nenhum deles!
Achei um lugar afastado para poder chorar. Sentei abraçando minhas pernas.
– Pietra minha filha, o que você ta fazendo aqui? – meu pai disse sentando ao meu lado – e por que está chorando? Uma menina tão bonita como você não deveria chorar assim.
Eu olhei para ele.
– Eles papai, eles que ficam me irritando – eu disse tentando enxugar as lágrimas que escorriam.
– E o que você vai fazer? Vai ficar aí chorando? – Ele me perguntou.
Assenti com a cabeça.
– Pietra meu anjo, sabe o que eu faria se estivesse em seu lugar?
Neguei.
– Iria enfrentar os meus problemas, não fuja deles. Assim eles vão achar que você tem medo deles, você tem medo deles?
Neguei novamente.
– Então vá lá e enfrente os seus problemas – Ele disse enxugando a ultima lágrima que escorria pelo meu rosto.
Flashback off
‘Então vá lá e enfrente os seus problemas’
Eu não fugiria dos meus problemas, pelo menos não desse problema.
Respirei fundo e olhei pela janela. O céu já anunciava outra tempestade. Pelo menos choveria.
Respirei fundo novamente e peguei meus fones de ouvido.
‘Papai me ajude’
– Papai, o senhor disse um dia que eu não poderia fugir dos meus problemas. Eu não vou fugir, eu prometo, farei isso pelo senhor – Disse pra mim mesma.
Coloquei meus fones de ouvido, saí do meu quarto trancando a porta e desci.
Tocava you da banda The pretty reckless
Eu desci as escadas vagarosamente, cada passo que eu dava era como um passo para a morte. Ok, eu exagerei.
Fui em direção à sala, mas eles não estavam lá. Provavelmente estavam na cozinha.
E estavam.
‘Vai lá Pietra, você já superou eles, você não é de guardar ressentimentos, certo?’
Verdade, eu já superei eles, eu também não guardo ressentimentos, não sou vingativa e perdoo as pessoas facilmente.
Adentrei na cozinha com o sorriso mais falso que eu já dei.
– Oi – Eu disse normalmente.
Todo mundo olhava pra mim. Droga! Odeio ser o centro das atenções.
– Oi Pietra – Gabriel disse me olhando de baixo a cima, legal (sintam a ironia se materializando), já corei. A nossa ‘conversa’ não passou disso. Perfeito!
– Pietra?! – Lucas disse me abraçando.
– Lucas?! – Disse retribuindo o abraço – Quanto tempo agente não se vê.
– Pois é – Ele disse me soltando do abraço.
Eu não odiava Lucas, só Gabriel.
Nós ficamos conversando um pouco, mas eu evitava falar e olhar para Gabriel.
– Então quer dizer que vocês vão passar um tempo indeterminado aqui – Mi disse com cara de ‘dou o cu’ para eles. Garota idiota.
– Isso – Gabriel disse.
Tomara que esse tempo seja curto. Bem curto.
Eu continuava com os meus fones de ouvido. Eu escutava Otherside de RHCP.
Estava alheia a conversa. Só prestava atenção nas partes importantes.
– Vocês vão estudar no mesmo colégio que Miranda e Pietra – Minha mãe disse.
Calma aí. Para tudo, quer dizer que eu vou ter que estudar no mesmo colégio que ele? Destino, tu adora fuder comigo né?
– Vou dormir – eu disse sobindo às escadas.
– Pietra, mostre os quartos deles, por favor – Minha mãe disse. Na frente dos outros é por favor né?
Tava pronta pra responder um não, mas não queria ficar sem meu PC.
Bufei.
– Tá – Disse feliz (sintam a ironia e respire ela)
Eles subiram as escadas comigo.
Mostrei o quarto de Lucas.
– Pode entrar, esse é o seu quarto – Disse pra Lucas.
O quarto de Lucas era bem simples. Tinha uma cama de solteiro, uma TV, um guarda-roupa médio, uma escrivaninha e uma estante. As paredes tinham um tom de branco, mas com uma parede preta. Como o meu quarto.
Segui para o quarto de Gabriel. O quarto dele era como o de Lucas, mas não tinha a parede preta.
– Esse é o seu quarto.
– Valeu, e Pietra, se você tiver um pesadelo, pode vir dormir comigo – Ele disse com um sorrido de lado.
Eu simplesmente mostrei o dedo pai pra ele. O seu sorriso logo morreu.
– Acorde cedo, amanhã tem aula – Dito isso, fui para o meu quarto.
Entrei no meu quarto e fui direto para o banheiro.
Despi-me rapidamente e entrei no Box. Deixei a água gelada deslizar pelo meu corpo, relaxando meus músculos que estavam um pouco tensos.
Saí do banho, coloquei um pijama, e fui para a varanda.
Fiquei olhando a lua, que mesmo escondida por traz das nuvens de chuva ainda brilhava. Lua cheia. Suspirei, adorava a lua, assim como o meu pai. Sinceramente, acho que eu parecia mais com ele de que com a minha mãe.
Alguns pingos de chuva começaram a cair, por isso fui obrigada a entrar no meu quarto e fechar a porta de vidro que dava para a varanda.
Liguei a TV do meu quarto e fiquei assistindo até dormir.
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