Sentimentos Inexplicáveis.
15 A estranha menina de cabelos negros
Notas iniciais
~le eu com medo~ Nos vemos lá em baixo o.o
Pietra POV
Acordei alguém batendo na porta do meu quarto, que ainda estava como eu havia deixado noite passada, e eu não estava com a menor vontade de arrumá-lo.
As batidas irritantes se intensificaram.
- Já vou – falei um pouco baixo para não acordar Mi que ainda estava dormindo na minha cama. Levantei-me preguiçosamente do meu amado colchão rumando em seguida em direção à porta, abri a mesma amaldiçoando o ser que me acordou em plena seis da manhã em um dia em que eu não ia à escola – coisa que eu não estava fazendo -. Adivinha quem era.
- Pietra eu vou fazer uma viagem de negócios, volto em dois dias – ela falou isso como se falasse um bom dia e simplesmente desceu a escada.
Fiquei dois segundos parada na porta do meu quarto digerindo a informação, para, só depois, descer as escadas correndo tentando alcançar ela.
- Mãe – fui ignorada – Mãe, espera – finalmente a alcancei no final da escada. Arfei cansada pela corrida, é isso que dá ser sedentária – Eu que devia ir nessa viagem.
- Falou bem, devia, não vai – Falou em tom de sarcasmo – Além do mais, não acredito que você possa fazer essas negociações.
“Calma Pietra, é só ignorar, como você faz com os anúncios do Youtube”.
Respirei fundo enquanto eu a via indo em direção à porta. Ela não ia sem me escutar antes.
Corri em direção a ela e segurei o seu braço forçando-a a me dar atenção.
- Meu pai deixou a empresa pra mim, eu devia ir, eu tenho esse direito! – Antes da morte do meu pai ele era muito ligado a mim, assim como eu a ele. Ele esperava me ensinar a comandar a empresa, mas por minha culpa ele não pode fazer isso.
Tenho que parar de pensar nisso.
- Eu que vou Pietra. Ponto final no assunto – Minha mãe saiu de casa batendo a porta fazendo um barulho quase ensurdecedor.
Respirei fundo algumas vezes antes de olhar o relógio. 6:10 a.m. eu tinha que acordar Mi. Eu estava triste, era verdade, mas as vezes nós temos que simplesmente seguir em frente, temos que sobreviver, ou simplesmente existir.
Subi as escadas vagarosamente, ou melhor, acho que vagarosamente não é o suficiente para definir minha lenteza, acho que se eu estivesse apostando corrida com uma lesma, acredite, ela ganhava.
Abri a porta do meu quarto, entrando no mesmo em seguida. Missão da manhã: Acordar Mi.
- Mi acorda – Falei balançando ela de um lado para o outro.
Ela balbuciou algumas coisas sem nexo, virou para o lado oposto e continuou a dormir.
Só me faltava essa!
- Mi você tem aula, levanta vai.
- Eu to com sono, me deixa dormir – Falou com a voz sonolenta e arrastada abrindo os olhos, que pareciam pesar, levemente para me encarar, e após isso, fechou-os novamente.
- Levanta logo, caso contrário não vai dar tempo pra você se arrumar. – Esse comentário a fez despertar e sair quase correndo para o banheiro, mas antes de abrir a porta ela parou.
- Pietra, obrigado.
Assenti silenciosamente enquanto eu obervava ela saindo pela porta, deixando-a aberta. Levantei para fecha-la.
Deitei na minha cama bagunçada tentando inutilmente dormir de novo, revirei na cama algumas vezes, mas meu coração doía, havia algo entalado na minha garganta, eu faria tudo pra fazer isso parar, após um tempo tudo ficou negro.
Batida e mais batidas na porta. Abri meus olhos que imploravam para se fecharem de novo, levantei e fui em direção a porta.
- Será que eu não posso ter paz nessa casa? – praguejei baixo abrindo a porta deparando-me com um Lucas sorridente.
– Lucas?! – Olhei o meu despertador – sim, eu comprei um – percebendo que eram 6:50, como eu dormi pouco.
- Bom dia pra você também Pietra – Falou em tom de brincadeira revirando os olhos. Como alguém pode ter bom humor em plena seis da manhã?
- Ah, bom dia – Sorri pra ele.
- Então, onde sua mãe está? Eu preciso falar com ela.
- Vish, ela viajou hoje, mas eu posso te ajudar!
- Ah, então deixa pra lá, acho que você não pode me ajudar – É impressão minha ou ele ficou corado? – Vou indo então, tchau.
- Tchau, e boa aula – Falei um pouco confusa.
- Como se isso fosse possível – Soltei uma risada baixa enquanto via-o indo até o seu quarto e chamando a pessoa que eu tive uma conversa até que amigável noite passada.
Fechei a porta do meu quarto indo em direção a minha cama dormir. Escutei a porta principal abrir e em seguida algumas coisas como “Vamos logo, a gente vai se atrasar”, “Miranda, você faz isso depois” e até um “Vamos logo para o presídio”, ri com o ultimo comentário que provavelmente veio de Gabriel.
Revirei-me na cama de novo e de novo e nada do sono aparecer.
Senti minha barriga protestar de fome, e como eu não consegui dormir, decidi descer e fazer uma boquinha.
Desci as escadas tropeçando nos meus próprios pés e infelizmente caindo no último degrau.
- Ai – gemi me levantando do chão e seguindo para a cozinha.
Fiz torrada com uns pães que eu achei jogados no armário, fiz meu café com leite e comi meu café da manhã. Nem tinha percebido que tava com tanta fome.
Enquanto lavava os pratos lembrei-me que tinha um quadro pra terminar, lembrei-me também que estava sem tinta, repreendi-me mentalmente. Liguei para uma loja especializada em tintas, pincéis, quadros, essas coisas para artistas, eles tinham entrega em domicílio o que facilitava muito a minha vida, imagine eu, uma sedentária, indo até o outro lado da cidade, a pé, para comprar tintas, não dá né?!
Liguei para a loja, e como eu sempre comprava lá eles já conheciam que endereço. As tintas chegaram por volta de uma hora já que o transito ajudou, nesse meio tempo eu fiquei assistindo desenho na TV da sala e comendo um chocolate que eu achei na geladeira, acho que era da minha mãe.
Escutei o barulho da campainha, provavelmente era o entregador, abri a porta, paguei as tintas e conversei um pouco com Daniel, o entregador, nós éramos amigos e sempre que podemos nos falamos. Ele tinha cabelos dourados que brilhavam no sol e olhos de um azul tão intenso e profundo que poderíamos compara-lo com o fundo do Atlântico.
- Então Pietra, a gente se vê depois, tenho e trabalhar, qualquer dia a gente pode se encontrar o que acha? – Ele falou entrando no carro que pertencia a loja.
- Ótimo então, qualquer dia – Antes dele entrar eu beijei sua bochecha e falei um breve tchau enquanto via o carro dele desaparecendo no horizonte.
Suspirei cansada entrando em casa, subi a escada e abri a porta do meu quarto, meu mundo preto e branco. Me direcionei ao quadro quase acabado, só restavam alguns detalhes, uma arvore com os galhos secos, um balanço amarrado a arvore e uma menininha de cabelos longos e negros que não deixava ver seus olhos trajava um vestido branco e longo estava com os pés descalços, os mesmos não alcançavam o chão, diferente do seu cabelo que se estendia sobre o mesmo. Abri as tintas despejando-as, em seguida, em alguns pratinhos que jaziam em cima de uma mesa de madeira, vez em quando fazia algumas misturas com as tintas, vez em quando as deixava puras.
Fiz algumas flores de sakura no seu triste e longo vestido branco. O cenário fúnebre, até então, ganhara mais vida com os pássaros que eu pintei, eles voavam pra longe de tudo isso, sem tristeza, sem mágoas, sem passado, só com a companhia do vento, eles voavam pra longe daquele cenário mortal. Eu nunca havia desejado tanto ser um pássaro na minha vida.
- Por que você tinha que partir?
Notas finais
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