Sentimentos Entorpecidos
1 Não Vá
Notas iniciais
Boa leitura o/
“- Tem medo de mim, mulher? – perguntou ele, pela centésima vez.
- Não. – sussurrou. – Não tenho não.
Ao ver seus restos sendo engolidos pela escuridão, Orihime chorou.”
Orihime Inoue começou a gritar da sua cama. Ela sonhara com ele novamente. Por quê? Já fazia um ano...
Kuchiki-san e todos os outros voltaram. Apenas Chad, Ishida e ela tinham uma forte pressão espiritual e sabiam como lutar. Ela, admitia, sabia lutar mais ou menos. Kurosaki-kun, porém, perdera sua pressão espiritual e não era mais capaz de ver qualquer shinigami, fantasma, hollow... E ele sentia falta disso. Orihime conseguia ver muito bem.
Se fosse antes, seria a chance ideal para conquistar o Kurosaki-kun. Ela tentaria seu máximo para conquistá-lo. Mas agora, depois de tudo o que aconteceu naquele período, grande parte de seus sentimentos mudaram.
Não que ela não sentisse mais nada por Ichigo, apenas sentia algo por ele também.
Orihime se achava tão idiota... se apaixonar por um garoto que não lhe dava a mínima, e por um ser que passara o tempo todo a manipulando e fazendo seus amigos sofrerem. Amor é outro nível de burrice.
A ruiva se levantou e esticou o corpo. Até quando esses pesadelos a atormentariam? Ela foi até a cozinha, sonolenta. Ela pegou um copo com água e começou a beber.
- Você não mudou nada, mulher. – ele sussurrou em seu ouvido. Orihime cuspiu a água. Seu corpo estava todo arrepiado. Que sensação era aquela? Ela o sentiu se afastando.
Devagar, Orihime se virou. Estava com medo, porém precisava conferir se era ele.
E era sim. Mesmo no escuro Orihime reconheceria aquele corpo em qualquer lugar.
Noturno, ágil, amedrontador, um morcego grande. Era assim que ele parecia.
- Não queria me ver? – Ulquiorra quis bancar o inocente. Apesar de sua tentativa fracassada, ele ainda era frio.
- O que está fazendo aqui? – Orihime guinchou.
- Shh... – Ulquiorra fez um sinal para Orihime. Orihime apertou sua garganta. Estava se sentindo sufocada. – Eu só vim dizer
- Como você não morreu? – atrapalhou Orihime.
Ulquiorra foi pego de surpresa.
- É segredo. Mas não foi por isso que vim aqui.
- Então por que foi? – Orihime sussurrou. Ulquiorra Schiffer se aproximou, como fizera inúmeras vezes quando ela era uma prisioneira.
- Para te dizer – O coração de Orihime batia tão forte que ela temeu ser ouvida. Era muita informação de uma vez só.
- O quê? – Orihime notou que estava vestida apenas com uma camisola branca, que nem ao menos era comprida. Ela pensou em se esconder, tímida. Mas depois rejeitou a ideia. Afinal, era só Ulquiorra, que incrivelmente ressurgira dos mortos.
Só um fantasma imaginário. Só isso.
Ulquiorra a pressionou contra a parede e tirou a mecha do cabelo de Orihime da frente do rosto. Ela sorriu. Ele abaixou a cabeça a ponto dos dois quase triscarem os lábios.
- Obrigado por me fazer querer ser um reles humano. – sussurrou ele, em resposta.
Em seguida, a beijou.
Quantas vezes Orihime ficara curosa sobre como era ser beijada pelo arrankar? Quantos pensamentos sobre ele? Incrivelmente, os dois se completavam. Pelo menos no beijo ele não era tão frio.
Receosamente Ulquiorra se afastou. Orihime ficou olhando-o apenas. Ele começou a virar pó, igual àquela vez. Orihime tentou segurar seu braço magro, mas este desapareceu.
Ulquiorra não disse nem uma palavra, nem mesmo quando seu corpo estava quase por desaparecer completamente.
- Por favor. – pediu Orihime.
Ulquiorra sumiu.
A garota desabou.
- Não vá. – sussurrou, chorando.
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