Sentimentos Desfragmentados
4 Trilha de Sentimentos
Um dia nos damos conta de que crescemos e nos deparamos com situações que nos fazem refletir.
Hoje, eu caminho por uma trilha sem volta. Ela possui altos e baixos e às vezes é mal iluminada. No decorrer desta trilha, vou descobrindo que caminho sozinha. Sabe,você começa a perceber que ninguém mais estará com você,nem entenderá seus sentimentos, angústias e necessidades,no fim, você entenderá que está sozinho.
O pior ainda nem é o fato de que se caminha sozinho, mas as palavras duras que vem de outras pessoas.Elas não sabem o que você passou,mas acham que podem julgar,dar ordens e manipular a sua trilha.
Aliás, os outros sempre podem não é? Podem despejar palavras amargas em cima de você,acreditando que estão fazendo algum bem, mas você não possui nem direito de resposta.Mal elas sabem que estas palavras matam aos poucos.Você não consegue repeti-las, mas sabe que foram cravadas em você.
Já notou que quando você está ao ponto de não segurar mais o fingimento de que é forte, ou opta por não se enganar escondendo sentimentos, quando resolve ser sincero consigo mesmo, sempre tem alguém que volta com aquela velha história “Mas já passou, por que você ainda está assim?” É incrível como elas se esquecem mais rápido do que você. Para elas foi só um momento e para você foi algo que se interiorizou. Logo vem aquela vontade de abafar todas aquelas malditas palavras, enterrá-las, ou jogá-las de volta na cara de quem as lhe pronunciou.
Durante a trilha, você percebe que apenas você pode salvar a si mesmo.Não será os seus pais, nem seus amigos, nem primos....Eles nunca entenderão o motivo que o fez chegar ali. Mesmo sabendo que o alívio para os problemas está em você, por mais que queira se salvar; uma hora essa trilha te engole junto com todas aquelas palavras cravadas em ti; e você fica ali escutando-as no vazio.
Logo você será dominado pelo peso delas querendo desistir do caminho,pois seguir já não fará mais sentido algum, você sentirá raiva de tudo o que fez e vivenciou até aquele momento. De repente você já não sabe mais quem foi, quem é e tampouco onde quer chegar.
Quando enfim resolve tomar uma decisão, lá vem a aquela história “O que os outros pensarão de..?” Eu nunca entendi de onde elas vem afinal. Essa frase me cansa e muito, me deixa exausta, me faz querer mudar o modo como as coisas são.
Se todos caminham sozinhos, por que se preocupar com o que as outras pessoas vão falar? Olho para os lados e não vejo mais ninguém aqui; há apenas um caminho de pedra e árvores ao redor. Cadê as outras pessoas, para me dizerem o que eu “tenho” que fazer? Não há ninguém e esta trilha já está bem complicada sem ninguém para me atormentar.
Há uma clareira grande logo à frente. Sinto o cheiro doce de frutas e flores. O aroma me faz querer voltar e recomeçar, procurar outro caminho talvez. Preparar-me melhor para essa caminhada, juntar objetos que possam me ser útil, coisas encontradas pelo caminho, ver a trilha com outros olhos.
Após essa clareira, passo por uma parte da trilha onde é estreita e escura, há muitas folhas secas no chão. Caminho por ela, não por quantos minutos, ela parece interminável. Pensamentos e sentimentos me invadem de repente e chega um ponto onde as coisas boas, parecem sobrepor as coisas, e você já não quer mais as boas, mas também não quer as ruins.
Não há nada de errado com as coisas boas, mas você passa a não mais merecê-las ,então parece errado tê-las. Não sei bem da onde veio esse sentimento e também não sei onde a trilha vai dar. Passo por lugares agradáveis e desagradáveis, de diferentes dificuldades. Não sei ao certo o que estou fazendo aqui, mas eu só tenho uma opção plausível, continuar a caminhando mesmo sem saber ao certo aonde chegar.
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