Sentimentos
1 One - shot
Notas iniciais
Era mais um dia. Um dia em que não aconteceu nada de diferente em minha vida, em que eu novamente não me declarei para ele, em que não tive coragem de falar tudo que sinto, tudo que está guardado em meu peito, todo este sentimento que me machuca, me asfixia. Um dia em que praticamente eu deixei o medo me dominar e fazer de mim o que quer: uma covarde, que não tem coragem de assumir o que sente, porém amanhã será diferente, amanhã eu crio coragem e me declaro para ele.
Hoje eu o vi parado em frente aos armários e quando pensei em me aproximar dele e, finalmente, abrir meu coração e dizer tudo que sinto uma morena surge do nada gritando "-Meu amooooor" e praticamente pula no colo dele e o beija com paixão e ele corresponde à altura retribuindo o beijo com empolgação. Eu fiquei totalmente sem reação, o cara dos meus sonhos, o garoto que eu sempre amei em segredo, o homem da minha vida estava beijando outra. Ao ver essa cena senti como se estivessem enfiando uma faca em meu peito. Lágrimas rolavam pelo meu rosto enquanto os dois praticamente se engoliam no corredor.
Após essa cena lastimável eu precisava me "aliviar" colocar para fora toda essa dor que estava me matando. E foi o que fiz, me dirigi até o banheiro da escola, abri o zíper da minha mochila e de lá tirei uma lâmina bem afiada, feito isso coloquei meu punho dentro da pia e comecei a cortar meu pulso, fazia cortes profundos para ver se junto com o sangue que saía esse sentimento também era expulso do meu corpo. Enquanto me cortava, flashs daquele momento vinham em minha cabeça e me torturavam mais ainda, até que não aguentando mais tanto sofrimento resolvi cometer uma loucura (para os outros, porque para mim era a solução de todos os meus problemas). Sempre fui uma garota introvertida, que não fazia amigos. Minha família nunca quis saber de mim, meu pai bebia e batia em mim e em minha mãe, até que um dia ele chegou completamente bêbado em casa e abusou de mim. Eu contei para minha mãe, mas ela não acreditou em mim e ainda me expulsou de casa. Sozinha, sem documento, sem nada acabei indo parar em um prostíbulo, me prostituía para sobreviver. Quando cresci entrei para a escola (arranjei documentos falsos) e conheci Carly Shay, ela virou minha melhor (e única) amiga. Agora eu a via beijando Freddie Benson o cara que eu gostava. Com esses pensamentos, mirei a lâmina bem no meu pescoço (mais precisamente na minha veia jugular), e dei um corte mortal para logo após cair totalmente inconsciente no chão do banheiro.
Só foram dar pela minha falta quando já não se tinha mais o que fazer. Uma faxineira foi limpar o banheiro e encontrou o meu corpo caído envolto por uma poça de sangue.
Ninguém compareceu no meu velório (somente a minha "melhor amiga", que sabia do meu sentimento pelo Benson e mesmo assim ficou com ele), ninguém chorou por mim e ninguém colocou um mísero vaso de flor no meu túmulo.Como não tinha parentes que se preocupavam comigo, nem mesmo amigos ou conhecidos acabei sendo enterrada como uma indigente.
Nasci sendo um nada e morri sendo um nada.
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