Sentimental

1 Sentimental — capítulo único


Como uma personagem saída de um livro antiquado cheia de frivolidades ou um filme da década de oitenta. Uma alma romântica e refinada, doce como daifukumochi, tudo que permeava sua personalidade era leve e sutil como ninguém que ele já tivera a oportunidade de conhecer. Ela era o espectro positivo na personalidade abusiva e ansiosa do irmão, que por vezes a colocara como a passiva do duo que formavam graças a curiosidade dela, sem uma opinião forte para decidir o que seria melhor ou não em uma competição, mas ele discordava disso. A passividade de Mako era tremendamente expressiva em sua dança. Era delicado, suave e requintado. De uma categoria além da dele.

Era suave. Sua memória auditiva lhe agraciava com a sutileza com a qual seus sapatos tocavam e deslizavam pelo tablado conforme dançavam. O sorriso sempre expressivo, não havia uma ruguinha em seu rosto denotando uma expressão forçada.

Mako Akagi era de outro mundo com sua doçura! Ela o abraçava docemente e aceitava suas falhas tranquilamente, desde que ele a guiasse como o fizera naquela primeira vez que dançaram juntos, no parque, diante dos comentários ácidos de Sengoku sobre a relação dos irmãos.

Mas o toque gentil do encontro de seus corpos quando dançavam, ah, este era o detalhe que ele reverenciava. Dentre as três, Mako era a única que o encarava como um espelho em incerteza, apenas refletindo o que ele sentia e fora gozado como dois semelhantes dançaram tão bem. De uma forma nada esperada, mas bem. Se não fosse por Mako, ele certamente não saberia como era transformar as inseguranças de sua parceira em arte, um espetáculo, tal como ter as mãos suadas da garota deslizando sobre as dele enquanto seus pés a guiavam — os guiavam — coreografia a frente.

Nunca haveria pressa na maneira como ela andava, falava ou o acompanhava, apenas a sutileza de alguém que parecia reverenciar a dança tanto quanto ele. E ele não conseguia deixar de se sentir saudoso diante dela. Da figura que era Mako Akagi.

Certa vez ela comentara como ele se adaptava diante de suas parceiras, o suor desta vez fazendo com que a franja lhe colasse a testa, como ele mudava de acordo com quem guiava e de como ela pensara que havia perdido o Tatara que a guiara certa vez e ali ele concluíra outro detalhe fabuloso sobre ela. Por mais semelhantes que fossem, Mako jamais se dobrava a seus parceiros, sempre sendo honesta a sua natureza a sua dança por si só.

E mais uma vez, Tatara entretera o pensamento de que gostaria de poder ser mais como ela.

Seu coração ainda pulsava pelo treino, os pés doíam e ele se encontrava sozinho num estúdio repleto de pessoas quando se levantara novamente e decidira por algo incomum, uma dança que não pertencia ao currículo. Os passos não eram desafiadores, apenas seguiam um fluxo leve, ditados por notas suaves de sua cabeça e em seus braços, ele imaginava uma figura diferente.

A figura sorridente de Mako o acompanhando e esperando pelo próximo passo.

Notas finais
Olá meus queridos! A quanto tempo não dou as caras por aqui, não é mesmo?
Acontece que por mais rascunhos que eu tenha, minha vontade em dar continuidade a eles andava bem baixa por conta do esgotamento que o trabalho vinha me dando, tanto que mesmo estando de férias ainda não consegui disposição para meter as caras neles. Este drabble que publico agora sendo a única produção que consegui finalizar até o momento.

Escrevi embalada por uma música do Jonghyun que acabou virando o título.
Não era o que eu queria de início mas funcionou. A primeira tentativa acabou num poema, heh, mas eu queria mesmo descrever uma dança.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!