Sentidos
2 Capítulo 2 - 10 maneiras de enlouquecer o meu pai (POV Draco)
Era difícil dormir com tudo aquilo, meu pai me empurrando a marca negra, e me forçando a servir Aquele Que Não Deve Ser Nomeado, ele não sabe o quanto me dá calafrios pensar em chamar aquela criatura de mestre.
Mas eu preciso provar minha coragem, e, afinal de contas, ele é o meu pai, não ia querer o meu mal, certo? Errado. Todo mundo quer o meu mal.
Por outro lado, como comensal da morte, eu vou poder mostrar ao Harry Potter que ele precisa mesmo aprender a escolher melhor os amigos, e vou fazê-lo pagar por cada humilhação desde nosso primeiro dia em Hogwarts.
Não esqueço um desaforo. Não esqueço um babaca. Todos os babacas precisam pagar, eles envergonham o mundo Bruxo.
E eu não quero ser uma vergonha para o mundo Bruxo.
Esta não era a primeira noite que eu passava em claro, imaginava se eu teria alguma razão para desobedecer meus pais, e, ao mesmo tempo, se teria alguma para obedecê-los.
Minha vida era uma grande contradição.
— Draco, apaga essa droga de luz! – Goyle resmungou se sua cama cobrindo os olhos com o lençol.
Eu não queria Goyle acordando mal-humorado no meio da madrugada, e me enchendo de perguntas, então desfiz o feitiço “lumus” e a ponta da minha varinha se apagou.
Encostei a cabeça no travesseiro, ainda estava muito cedo para levantar, dormir estava fora de cogitação, então só me restava pensar.
Pensar em algo menos desagradável que meus pais e comensais da morte. Porque, afinal de contas, eu ainda tinha aquele probleminha com ela.
Eu nunca iria admitir que me apaixonei, nunca mesmo, amor é para os fracos, te prende a alguém e te coloca em risco. Eu já estou cansado de ver meus pais obedecendo ordens contra sua vontade, para que eu permaneça a salvo.
Mas eu não posso morrer sem saber como é um verdadeiro beijo, isso é tudo que eu quero, um beijo de verdade, com sentimento, de alguém que faça meu corpo se arrepiar apenas com um olhar, de alguém que consiga enxergar um homem dentro de mim, apesar das minhas atitudes egoístas. E como não há nada que eu queria que eu não consiga, ela já deve estar apaixonada por mim, só preciso vencer a resistência.
Ainda bem que Luna não é de se gabar das coisas, se não ela já teria contado para meia dúzia de menininhas e Hogwarts inteiro comentaria a fofoca, que eu teria que desmentir e todos acreditariam, obviamente, porque ela é louca, mas então afundariam completamente minhas chances de beijá-la sem ser à força. E eu queria saber como é ser amado de verdade por alguém pelo menos uma vez na vida.
Sabe quando você se vê em uma posição onde todos que não te odeiam, te invejam? Não, você não sabe, porque o único que está nesta posição sou eu. Todos os meus amigos são falsos, andam comigo por interesse no status que eu ofereço. E eu ando com eles para não andar sozinho.
Eu sei que ninguém aqui me ajudaria se eu precisasse, por isso trato de nunca precisar de nada.
A única pessoa em todo o colégio que não me odeia, nem me inveja, acaba sendo ela, Luna Lovegood. E acho que esta foi minha fraqueza. Me apaixonei ridiculamente pela capacidade dela de ser neutra a sentimentos ruins.
Mas ela é um deles. Amiga da ralé. Não posso desfilar com uma namorada que pertence à ralé.
Invadir os sonhos dela todas as noites não estava mais sendo eficiente, ela se esquivava e acordava cada vez mais rápido. E não dava nenhum sinal de que eu a estava influenciando, de alguma forma.
Algum tempo depois, fui tomar um banho. Quando entrei novamente no quarto, aproveitei que não havia mais ninguém ali, e abri a minha mala, eu já sabia o que ia fazer. Um presente. Mulheres gostam de presentes.
Peguei um anel que pertenceu à minha avó. Mas eu não poderia dar um anel de esmeraldas a ela, não dentro do colégio, sem que ninguém visse.
Cuidadosamente, tirei a esmeralda do anel e guardei no bolso.
Então saí para tomar café.
— Draco, bom dia! – Disse Pansy com aquele sorriso cheio de dentes, completamente falso. – Dormiu bem?
Acho que vou acabar me casando com ela um dia, é a garota que mais puxa meu saco. E eu a odeio.
— Bom dia, Pansy. – Falei sério. – Não te interessa como eu dormi.
Não gosto de dar esperanças a ela, sei que vai continuar se derretendo pelo meu dinheiro, não importa como eu a trate.
— Hoje tem waffers no café da manhã, se arruma logo! – Goyle dizia para Crabbe, que se enrolou vestindo a capa.
— Calma, seu morto a fome! Já estou indo! — Crabbe revidou.
— Não sou morto a fome!
— É sim, você não passa de um gordo morto a fome!
— Você é um imbecil!
— Burro!
— Idiota!
— Covarde!
— Jumento!
E eles começaram a brigar. Toda manhã era isso.
— Parem com isso, seus débeis. – Falei passando direto por eles.
Este era o nível de “amigos” eu tinha.
Seguimos para a nossa mesa de café, e eu a vi, de frente para mim, na mesa da Corvinal, lendo aquele jornal estúpido que o pai dela edita.
Recebi meu exemplar do Profeta Diário e comi em silêncio enquanto lia, ouvindo as brigas de Crabbe e Goyle e os suspiros falsos de Pansy, que sempre se sentava do meu lado.
Vi Luna levantar e passar pela mesa da Grifinória, parece que procurava por alguém que não estava lá, então ela saiu.
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