Sentenced to love - A new begging
8 Me dê algo em que eu possa acreditar
Notas iniciais

Point Of View Emma
— Oi, o choro dele te incomodou? – a enfermeira me olha e o coloca no chão
— Não, nesse momento é o que menos me incomoda – falo sem tirar os olhos do pequeno que ainda chora me olhando
— Você está bem? Precisa de ajuda? – ela parece preocupada
— Não – as lagrimas não parar de cair e ela me senta próximo ao bebê que estava no chão
— Ele foi abandonado pelos pais... – ela fala ao perceber minha atenção a ele – normalmente ele não mantem contato visual por tanto tempo assim, acho que gostou de você
— Os pais o abandonaram? – pergunto querendo saber o motivo
— Sim, vieram aqui falando que ele era doente, pois as crianças na idade dele eram bem vivas e ele não olhava no olho, não atendia pelo nome, não seguia movimentos, dificilmente sorrir... – ela me explica
— Ele chora muito – completo olhando para ele que se acalmava aos poucos
— Ele não gosta de muito contato, então começa a chorar do nada as vezes quando o pegamos – ela explica – ele parece não gostar do que crianças normais gostam... Isso assustou os pais... O abandonaram porque achavam que ele é doente, mas fizemos testes físicos e ele está bem
— Talvez ninguém se deu ao trabalho de entende-lo – falo enxugando as lagrimas – talvez ele não é uma criança difícil, só é uma criança com um tempo diferente das outras, mas quer ser amado da mesma forma e respeitado do jeitinho que é – sorrio para ele que não parava de me olhar e acaba apontando o dedo indicador para mim – você quer colo? – pergunto, mas ele não responde, então me aproximo para segurá-lo, mas ele chora – Ok, ok... Sem toques, tudo bem!
— Até que enfim te achei – Alex aparece na porta, chamando minha atenção – estava te procurando
— Não queria ser achada, Alex – olha para ela e volto para o menininho
— Podemos conversar aqui fora? – ela me chama e sei que não teria como escapar
— Eu já volto, ok? – falo com voz mansa para o menino e ele estende o dedo novamente – prometo que volto – toco com a ponta do meu dedo a ponta do seu e saiu
Sou surpreendida por Alex assim que saiu, achei que ela realmente quisesse conversar, mas assim que saiu ela me abraça forte e me ponho a chorar novamente.
— Não há nada que eu fale que possa te consolar, mas estou aqui sempre – ela sussurra no meu ouvido
— Obrigada, Alex – retribuo com força ao seu abraço
— Agora, conheço alguém que está precisando desse abraço forte... – ela me olha e me força a olha-la – É a única pessoa que conhece exatamente o que você está sentindo
— Emma – falo e ela confirma
Saímos do corredor e fomos para o quarto de Emma, ela está encolhida na cama e de costas para a porta, assim que dona Miranda me ver entrar, ela se afasta da cama e me olha com um pesar notório. Deito junto a Emma e abraço seu corpo, que se aconchega ainda mais ao perceber que sou eu.
Trilha sonora: Eric Clapton — Tears In Heaven
I must be strong and carry on / Eu devo ser forte e seguir em frente
'Cause I know / Porque eu sei
I don't belong / Que não pertenço
here in Heaven / Aqui no paraíso
Ficamos em silêncio por um tempo e as pessoas foram saindo do quarto como se quisessem nos dar privacidade, mas continuamos do mesmo jeito, abraçadas e em silêncio.
— Vamos ficar bem – Emma por fim fala, com voz falha
— Vamos sim – a abraço mais forte
Emma acaba dormindo e eu não demoro muito para fazer o mesmo, durante a noite nós nos acordamos diversas vezes, hospitais realmente não eram nosso forte, apesar de frequentarmos bastante. Logo de manhã nós recebemos a visita da doutora Cuddy, trazendo consigo o Robert e um interno.
— Como se sente, Emma? – ela pergunta com carinho
— Bem – minha esposa se limita a responder
— Vi seus exames e não existe motivo pra você continuar internada – ela olha o prontuário uma última vez – vou assinar sua alta e pode ir para casa
— Obrigada, Lisa – falo e ela assente
— Bem, como amiga e médica – ela se aproxima de nós – eu incentivo as duas a passarem pelo luto juntas, afinal, ninguém conhece essa dor melhor do que a parceira – ela segura nossas mãos e uma lágrima insistente minha acaba por cair – mas, apesar da dor, não desistam de ser mães... Quando se sentirem confortáveis, devem tentar de novo e vou ficar honrada em ajuda-las a realizar esse sonho
— Obrigada – falo novamente e Emma se limita a forçar um sorriso
— Querem que eu chame alguém? – Robert se aproxima assim que Cuddy e o interno saem
— Não, eu a ajudo e vamos de táxi – respondo
— Então, posso ao menos chamar o táxi? – ele pergunta cheio de dedos
— Pode – sorrio – obrigada pela preocupação
Assim que Robert sai, ajudo Emma com o banho e coloco uma roupa confortável nela, para deixa-la pronta para deitar quando chegar em casa. Ontem a noite a minha sogra voltou ao hospital, nos deixou uma muda de roupa limpa e levou a roupa suja da Emma. O táxi chega e fomos para nosso apartamento, que naquele momento, estava mais silencioso do que o normal. Aviso a Emma que vou tomar um banho e ela fala que só quer deitar, não falo nada e a deixo quieta na cama. Estava preocupada, pois não vi a reação de Emma ao receber a notícia e desde que tudo aconteceu eu não a vi chorar ou externar de alguma forma a dor de ter perdido um filho. Eu, no entanto, não conseguia conter as lagrimas quando ela não estava por perto, como nesse momento por exemplo. Saiu do banheiro e me deito devagar ao seu lado na cama, não sabia se ela queria companhia, mas minha dúvida é respondida quando ela procura meu braço para envolver seu corpo.
— Você precisa de algo? – pergunto
— Que fique comigo – ela responde e a abraço mais forte – preciso sentir algo diferente, Regina
— Como assim? – fico confusa
— Diferente da dor – ela me responde e engulo seco
— Então sente amor – a envolvo e entrelaço nossas pernas enquanto falo com voz de choro
Acabamos por adormecer e óbvio que não ficamos todo o tempo naquela posição, mas desperto ao sentir a cama vazia demais. Olho rapidamente para cama e não vejo ninguém, olho para a porta e Emma está sentada na poltrona perto da penteadeira. Ela parece se dar conta que eu a vi e levanta-se, como se estivesse inquieta.
— Emma? Tudo bem? – pergunto e ela nega, me fazendo levantar rapidamente da cama – O que está sentindo? – insisto e ela se esquiva – conversa comigo e para de andar de um lado para o outro... Emma...
Ela responde a minha pergunta com um abraço forte e olhos marejados, parece que ela não conseguia mais se conter, mas gostaria de tentar mesmo assim.
Trilha sonora: All I Need – Within Temptation
Can you still see the heart of me? / Você ainda pode ver um coração em mim?
All my agony fades away / Toda minha agonia desaparece
when you hold me in your embrace / Quando você me envolve em seu abraço
Don't tear me down for all I need / Não me deixe mal por tudo que eu preciso
Make my heart a better place / Faça do meu coração um lugar melhor
Give me something I can believe / Me dê algo em que eu possa acreditar
Sinto um beijo de Emma no meu pescoço e uma pegada mais forte na cintura, Emma queria transar?? Era isso mesmo? Ela me olha nos olhos como se implorasse por algo e apenas cedo ao seu beijo casto e carinhoso. Nossas bocas sintonizavam uma mesma frequência, sem pressa o beijo vai ficando mais intenso, Emma senta próximo a beira da cama e me coloca em seu colo. Nosso beijo não tem fim, apenas espaços pequenos entre um tempo para respirar e outro. Sinto minha esposa colocando sua mão por debaixo da minha camisola, com calma ela vai afastando minha calcinha para um lado e me penetra sem aviso.
— Emma – suspiro
— Shiii – ela me encara com carinho e colo minha testa à sua
Começo a fazer movimentos de vai e vem, sentada em seus dedos, tudo devagar para não machucar Emma, que ainda se recuperava. Aumento a velocidade gradativamente enquanto sinto a outra mão de Emma apertar meu corpo e sua boca me beijar com paixão evidente. Assim que chego ao meu clímax, Emma abraça rapidamente minha cintura se põe a chorar, apoiando sua cabeça em meus seios. Sentir algo diferente da dor parece ter sido o gatilho que ela precisava para extravasar a dor que ela sentia.
— Lembra do que você me disse? – pergunto, mas ela não fala nada – vamos ficar bem
— Eu não sei lidar muito bem com a dor – Emma diz com som abafado e ainda chorando
— Eu sei disso, mas você não vai passar por isso sozinha, ok? – a faço me olhar – eu te amo, Emma
— Te amo – ela se limita a falar e me beija ainda chorando
Ajudo Emma a deitar e ela apoia sua cabeça na curva do meu pescoço enquanto vejo seu corpo parcialmente sobre o meu. Faço um leve carinho em seus cabelos e ficamos assim até ela se acalmar e enxugar o rosto.
— Conheci uma criança no hospital ontem – falo quebrando o silêncio e ela me olha – os pais o abandonaram por acreditar que ele é doente e não aceitar as diferenças dele... Fiquei pensando no quanto a vida é injusta... Um filho abandonado por seus pais e duas mães que perderam um filho
— Aham – Emma fala com voz embargada e a aperto contra meu corpo – qual nome dele?
— Não sei, eu não perguntei – respondo por fim
Vejo que já está anoitecendo e Emma não comeu nada ainda, com exceção de um copo de leite que Robert a obrigou a tomar. Falo para ela que farei algo e ela se recusa, mas a lembro dos meus remédios e falo que só comerei se ela comer algo, isso a faz concordar. Eu não estava com fome, mesmo não tendo comido nada o dia inteiro e eu sabia que, se fizesse algo mais forte, Emma não comeria. Acabo por fazer um sanduiche e suco natural de laranja, era a nossa comida da tristeza. Está enjoada e não come? Caiu da escada e não quer comer? Amputou a perna e se recusa a se alimentar? Descobriu uma deficiência de B12? Tudo se resolve com sanduiche e suco de laranja. Acabo rindo silenciosamente do que havia pensado e levo a comida para Emma. Comemos pouco, mas o suficiente para ambas tomarem seus remédios e minha esposa logo voltar para o quarto. Arrumo tudo na cozinha e vou ver como ela está, para minha surpresa a vejo passando a mão na barriga e não falo nada, apenas me aconchego a ela na cama.
— Eu ainda tinha dúvidas sobre gerar um serzinho, mas desde que soube que estava aqui dentro tudo ficou diferente – ela olha para a barriga e me olha – só agora eu percebo o quanto quero ser mãe – Emma respira fundo na intenção de controlar o choro
— Amanhã de manhã, gostaria de ir até o hospital e conhecer o garotinho que falei? – falo e a Swan me olha desconfiada – quando o vi eu me senti tão bem
— Ok – ela topa ainda desconfiada e confusa
Ficamos um tempo em silêncio e acabamos dormindo novamente. Apesar de não termos feito nada o dia inteiro, meu corpo reclamava constantemente de cansaço e era inevitável dormir, acredito que o mesmo acontecia com Emma. Assim que acordamos de manhã, tomamos um banho, comemos frutas, pois foi só o que desceu, tomei meu remédio e fomos para o hospital. Quando chegamos na ala pediátrica de longe pude ouvir o seu chorinho desesperado e sorri, apontando para Emma o caminho que deveríamos seguir. Entro na sala e vejo varias crianças maiores que ele brincando no chão ou no braço de algum adulto e ele no cantinho, no braço de uma enfermeira diferente de ontem, vestido com um terninho maior que ele e chorando sem parar.
— Se você colocar ele no chão ele para de chorar – falo e Emma bate de leve no meu braço, como se pedisse para não me meter, mas a enfermeira faz exatamente o que falo e o choro, ainda incessante, diminui de volume
— Você o conhece? – a enfermeira pergunta, pasma
— Não, mas o vi ontem – respondo e me aproximo dele – você está lindo com essa roupinha, sabia?
— Foi uma doação que recebemos e assim que ele viu... – a enfermeira dar de ombros
— Vem cá, amor – chamo Emma – Olha garotão, essa é minha esposa, Emma
— Oi – ela fala meio sem jeito – qual o nome dele? – pergunta para a enfermeira
— Pietro, mas... – antes dela concluir ele faz cara de choro novamente e balança a cabeça em negativa – essa é a reação quando falamos o nome dele, então o chamamos de Fred
— Fred? Nome feio para uma criança – falo sem pensar e Emma me bate novamente
Puxo uma cadeira para Emma, pois ela ainda não estava em condições de ficar em qualquer posição. Brincamos um pouco com ele e pude ver algumas risadas da minha esposa, apesar de estarmos nos dando bem, todas as brincadeiras e conversas eram feitas com certa distância, para ele não chorar.
“All these days and forever more
You need to know
You were one worth fighting for
And all these moments you given me
I can't believe
You're so crazy beautiful”
O celular de Emma toca e ela me avisa que é a mãe e que irá atender lá fora, parece que o Pietro se interessou por Emma, pois assim que ela sai os seus olhos a acompanham. Tento voltar a brincar, mas ele procurava a minha esposa com o olhar e aponta assim que a ver chegar.
— Alguém aqui te procurava – falo assim que ela se aproxima e ela sorrir
— Sentiu minha falta? Sério? – Emma fala com voz fofa e Pietro aponta para sua mão – acho que não foi de mim que ele sentiu falta – me mostra o celular
— Será que ele quer o celular ou a musica? – pergunto e Emma faz sinal para que eu espere
Emma coloca de novo a musica e ele sorrir pela primeira vez desde que chegamos ao hospital, depois de algumas músicas e sorrisos dele, somos interrompidas pela enfermeira que vi ontem, que me olha abismada por ter voltado e ter feito o Pietro sorrir. A enfermeira traz consigo um médico e nos explica que depois do que conversamos ontem, sobre cada criança ter seu tempo, ela foi pesquisar e chamou um médico para uma análise psicológica. Pergunto se podemos esperar para saber o que houve e o médico é bem rude quando diz que não somos da família, mas a enfermeira nos faz um sinal para que esperemos. Enquanto aguardamos, vemos o Chase passar em um corredor a nossa frente e Emma esconde o rosto, me explicando depois que fez isso porque sabe que ele a repreenderia por ter saído da cama.
— O que vocês fazem aqui? – Robert aparece atrás de nós – pensei ter reconhecido alguém aqui e não estava errado, mas preferiria que estivesse – nos olha com pesar – por que estão na pediatria?
— Viemos ver um menininho que conheci ontem, mas levaram ele para avaliação e estamos esperando – explico e ele respira fundo
— Existem várias formas de superar o luto, mas vocês não podem querer cicatrizar a dor ocupando o lugar do bebê que se foi – ele fala calmamente
— Sabemos que nosso filho morreu e ainda que gerássemos outro a dor de ter perdido um não seria aniquilada – explico – não estamos aqui para suprir uma dor, estamos porque um bebezinho precisa de uma mãe enquanto recebe um diagnostico
— Mas vocês não são as mães dele – ele se preocupa
— Nós sabemos disso, Robert, mas temos amor materno e ele é uma criança que foi abandonada – Emma explica – ele não é nosso bebê por que o nosso está morto, mas isso não nos impede de dar carinho a outra criança
— Só não quero que confundam as coisas – Chase fala com pesar
— Não estamos suprimindo a dor e realocando o nosso amor em outra criança – tento novamente – vamos continuar amando nosso filho
— Não estamos em negação, Robert, temos consciência de tudo que aconteceu – Emma explica novamente e ele parece se dar por vencido
A enfermeira volta e nos faz sinal para esperar, diz que o médico está acabando, mas já tem um diagnóstico. Ela diz que o Pietro apresenta características de TEA – Transtorno do Espectro Autista. Assim que a enfermeira sai, Robert nos explica que trata-se de um distúrbio do neuro desenvolvimento que compromete a capacidade da pessoa se relacionar com o mundo que a cerca. A enfermeira passa novamente e Robert a chama.
— É raro uma criança ser diagnosticada tão cedo, sei que algumas anormalidades começam entre 6 e 12 meses, mas ainda assim é raro – ele fala – como chegou a isso para chamar um psiquiatra para a avaliação?
— A partir de uma conversa com ela – a enfermeira aponta para mim – há um denominador comum entre os autistas que é a dificuldade de interação social e a presença de comportamentos repetitivos, a necessidade de manter uma rotina... Sempre ele fazia as mesmas coisas antes de brincar com algo, de manhã se mudássemos a rotina ele ficava estressado o resto do dia, não gosta de toques, não sorrir com facilidade e nem acompanha com frequência a pessoa que fala com ele... Mas pensei nisso tudo quando ela falou que ele poderia ter um tempo diferente, lembrei do autismo e relacionei com tudo que vi desde que ele chegou
— E agora? – pergunto
— Ele estava aqui ate poder receber alta, agora será enviado para adoção junto com a ficha medica – a enfermeira nos explica e fala que precisa ir
— Mas se ele é autista, deve precisar de uma família que entenda seu tempo e sua forma de ver o mundo – Emma fala
— A família que o adotar vai conhecer sua ficha médica, Emma – Robert nos explica
— O que não quer dizer que vá respeitá-lo como ele é – completo
— Ok, vão para casa e descansem... Não pensem em nenhuma besteira – ele nos fala e seu page toca – preciso ir, mas a noite ligo para vocês
Fomos para um restaurante ali perto, pois já passava da hora do almoço, apesar de não termos fome, precisávamos comer.
— Seria loucura imaginar o Pietro com a gente? – ela fala do nada
— Eu pensei o mesmo desde que nos vimos – sorrio
— Será que o Chase está certo e estamos querendo colocar ele no lugar do nosso bebê? – ela me pergunta
— Ninguém estará no lugar do nosso filho, pois uma criança não substitui a outra – explico e ela me olha atentamente – a dor de ter perdido um filho não vai diminuir porque estamos com Pietro, o que vai mudar é a alegria em tê-lo em nossa vida
— Uma soma e não uma subtração – ela completa
— Exato – sorrio e a beijo
Terminamos o nosso almoço e fomos para o apartamento, dou um jeitinho na casa e me aproximo de Emma, que está concentrada no computador. Acho que está trabalhando, mas ela me mostra alguns sites que estavam abertos explicando sobre adoção.
— Você realmente quer embarcar nisso? – pergunto sem acreditar
— Sim, você não? – Emma me pergunta temerosa
— Quero tudo, se for ao teu lado – respondo com um sorriso e a ajudo a pesquisar
Começamos a ver que tínhamos a opção de procurar um Departamento de Serviços Sociais ou tentar uma adoção independente, digo para Emma que independente do meio, o ideal era que nós marcássemos uma hora com um advogado especializado em adoção, pois ele já saberia lidar com o juiz e poderia até ser conhecido pelo mesmo.
— Algumas coisas nós podemos fazer sem o advogado, certo? – ela me pergunta animada
— Sim, podemos ver nossas informações pessoais, documentos financeiros e verificação de antecedentes criminais – explico – você pode ligar para a contadora e pedir a parte financeira e eu falo com Maggie para ver os antecedentes
— Ótimo – ela logo pega o telefone – você conhece um bom advogado?
— Bom, na vara de adoção eu não conheço, mas a Aurora já teve uns dois casos nessa linha, posso ver com ela – explico
Ligo para Aurora pedindo sigilo e ao invés de me indicar alguém a Aurora assume nosso caso. Comentei com ela sobre o que havíamos pesquisado e ela pergunta se poderia ir em nossa casa hoje a noite para que conversássemos. Jantamos um pouco mais cedo para arrumar tudo antes da Aurora chegar, fiz um café e Emma separou alguns biscoitinhos de leite para colocar na sala.
— Será que estamos nos precipitando? – Emma me pergunta
— Você tem duvidas sobre esse passo? – devolvo a pergunta
— Pior que eu não encontro nenhum motivo para desistir – ela sorrir e a beijo
A campainha toca e recebemos a Aurora em nossa casa. Nos sentamos e começamos a explicar tudo e surge nela a mesma duvida que Chase levantou no hospital, acabamos explicando o mesmo que dissemos a ele e a Aurora nos impulsionou a prosseguir. Voltamos a conversar sobre tudo que pensávamos e nossa advogada nos ouve com toda a calma do mundo.
— Vamos ver se entendi, ele está sob tutela do Estado, foi abandonado e foi diagnosticado com autismo... – Aurora fala e confirmamos – bem, a Adoção Doméstica seria mais fácil e sem processo... Eu ajudaria com a parte burocrática e, tudo dando certo, vocês poderiam ter a tutela, a guarda provisória e depois podem solicitar a adoção definitiva da criança
— E o que precisamos fazer? – Emma pergunta
— Para agora, o que podem fazer é ter uma boa noite de sono – ela brinca – vou entrar em contato com alguns amigos e falo com vocês à medida que o caso for evoluindo, mas o que vocês podem fazer é preparar um portfólio com suas informações e fornecer cartas de referência seria uma boa também...
— E depois? Isso é tipo fases? – Emma parece confusa
— Bem, primeiro nós entregamos o pedido de adoção com o portfólio e todas as informações necessárias, depois você precisam fazer palestras sobre questões comuns em crianças que sofreram abuso e abandono – ela explica – o Código de Washington ainda permite que uma assistente social faça uma avaliação da saúde de cada um dos pais adotivos e de seus recursos financeiros, para comprovar tudo o que você falaram nos documentos entregues, é provável que fale com os chefes da Regina, com seu sócio, parentes mais próximos e talvez vizinhos... Acaba sendo um pouco mais cauteloso porque não sei se ele sofreu abuso, então estou falando o caso mais demorado que poderíamos enfrentar
— Tudo bem – Emma sorrir e me olha – amanhã marco no hospital uma avaliação física completa para mim e Regina... Já falei com a contadora e Regina com uma amiga nossa que é policial, então teremos nossa avaliação médica, antecedentes criminais e recursos financeiros
— Perfeito, não sei nem porque precisam de mim – Aurora sorrir – eu vou ligar para meus contatos e tentar marcar uma hora com a assistente social, enquanto isso vocês recolhem todos esses documentos
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