Sentenced to love - A new begging

8 Me dê algo em que eu possa acreditar


Notas iniciais
Oiii... Na fanfic de hoje nós teremos um momentinho "recordar é viver"... Quem lembra da música do East of Eli - Crazy beautiful?? Lááá do iniciozinho da fanfic... Pois é, ela voltou! Espero que gostem do "andar da carruagem", tive um bloqueio enorme para escrever e não queria postar qualquer coisa, então hoje eu conclui esse capítulo e amanhã tem capítulo novinho de conectados!!

Point Of View Emma

— Oi, o choro dele te incomodou? – a enfermeira me olha e o coloca no chão

— Não, nesse momento é o que menos me incomoda – falo sem tirar os olhos do pequeno que ainda chora me olhando

— Você está bem? Precisa de ajuda? – ela parece preocupada

— Não – as lagrimas não parar de cair e ela me senta próximo ao bebê que estava no chão

— Ele foi abandonado pelos pais... – ela fala ao perceber minha atenção a ele – normalmente ele não mantem contato visual por tanto tempo assim, acho que gostou de você

— Os pais o abandonaram? – pergunto querendo saber o motivo

— Sim, vieram aqui falando que ele era doente, pois as crianças na idade dele eram bem vivas e ele não olhava no olho, não atendia pelo nome, não seguia movimentos, dificilmente sorrir... – ela me explica

— Ele chora muito – completo olhando para ele que se acalmava aos poucos

— Ele não gosta de muito contato, então começa a chorar do nada as vezes quando o pegamos – ela explica – ele parece não gostar do que crianças normais gostam... Isso assustou os pais... O abandonaram porque achavam que ele é doente, mas fizemos testes físicos e ele está bem

— Talvez ninguém se deu ao trabalho de entende-lo – falo enxugando as lagrimas – talvez ele não é uma criança difícil, só é uma criança com um tempo diferente das outras, mas quer ser amado da mesma forma e respeitado do jeitinho que é – sorrio para ele que não parava de me olhar e acaba apontando o dedo indicador para mim – você quer colo? – pergunto, mas ele não responde, então me aproximo para segurá-lo, mas ele chora – Ok, ok... Sem toques, tudo bem!

— Até que enfim te achei – Alex aparece na porta, chamando minha atenção – estava te procurando

— Não queria ser achada, Alex – olha para ela e volto para o menininho

— Podemos conversar aqui fora? – ela me chama e sei que não teria como escapar

— Eu já volto, ok? – falo com voz mansa para o menino e ele estende o dedo novamente – prometo que volto – toco com a ponta do meu dedo a ponta do seu e saiu

Sou surpreendida por Alex assim que saiu, achei que ela realmente quisesse conversar, mas assim que saiu ela me abraça forte e me ponho a chorar novamente.

— Não há nada que eu fale que possa te consolar, mas estou aqui sempre – ela sussurra no meu ouvido

— Obrigada, Alex – retribuo com força ao seu abraço

— Agora, conheço alguém que está precisando desse abraço forte... – ela me olha e me força a olha-la – É a única pessoa que conhece exatamente o que você está sentindo

— Emma – falo e ela confirma

Saímos do corredor e fomos para o quarto de Emma, ela está encolhida na cama e de costas para a porta, assim que dona Miranda me ver entrar, ela se afasta da cama e me olha com um pesar notório. Deito junto a Emma e abraço seu corpo, que se aconchega ainda mais ao perceber que sou eu.

Trilha sonora: Eric Clapton — Tears In Heaven

I must be strong and carry on / Eu devo ser forte e seguir em frente

'Cause I know / Porque eu sei

I don't belong / Que não pertenço

here in Heaven / Aqui no paraíso

Ficamos em silêncio por um tempo e as pessoas foram saindo do quarto como se quisessem nos dar privacidade, mas continuamos do mesmo jeito, abraçadas e em silêncio.

— Vamos ficar bem – Emma por fim fala, com voz falha

— Vamos sim – a abraço mais forte

Emma acaba dormindo e eu não demoro muito para fazer o mesmo, durante a noite nós nos acordamos diversas vezes, hospitais realmente não eram nosso forte, apesar de frequentarmos bastante. Logo de manhã nós recebemos a visita da doutora Cuddy, trazendo consigo o Robert e um interno.

— Como se sente, Emma? – ela pergunta com carinho

— Bem – minha esposa se limita a responder

— Vi seus exames e não existe motivo pra você continuar internada – ela olha o prontuário uma última vez – vou assinar sua alta e pode ir para casa

— Obrigada, Lisa – falo e ela assente

— Bem, como amiga e médica – ela se aproxima de nós – eu incentivo as duas a passarem pelo luto juntas, afinal, ninguém conhece essa dor melhor do que a parceira – ela segura nossas mãos e uma lágrima insistente minha acaba por cair – mas, apesar da dor, não desistam de ser mães... Quando se sentirem confortáveis, devem tentar de novo e vou ficar honrada em ajuda-las a realizar esse sonho

— Obrigada – falo novamente e Emma se limita a forçar um sorriso

— Querem que eu chame alguém? – Robert se aproxima assim que Cuddy e o interno saem

— Não, eu a ajudo e vamos de táxi – respondo

— Então, posso ao menos chamar o táxi? – ele pergunta cheio de dedos

— Pode – sorrio – obrigada pela preocupação

Assim que Robert sai, ajudo Emma com o banho e coloco uma roupa confortável nela, para deixa-la pronta para deitar quando chegar em casa. Ontem a noite a minha sogra voltou ao hospital, nos deixou uma muda de roupa limpa e levou a roupa suja da Emma. O táxi chega e fomos para nosso apartamento, que naquele momento, estava mais silencioso do que o normal. Aviso a Emma que vou tomar um banho e ela fala que só quer deitar, não falo nada e a deixo quieta na cama. Estava preocupada, pois não vi a reação de Emma ao receber a notícia e desde que tudo aconteceu eu não a vi chorar ou externar de alguma forma a dor de ter perdido um filho. Eu, no entanto, não conseguia conter as lagrimas quando ela não estava por perto, como nesse momento por exemplo. Saiu do banheiro e me deito devagar ao seu lado na cama, não sabia se ela queria companhia, mas minha dúvida é respondida quando ela procura meu braço para envolver seu corpo.

— Você precisa de algo? – pergunto

— Que fique comigo – ela responde e a abraço mais forte – preciso sentir algo diferente, Regina

— Como assim? – fico confusa

— Diferente da dor – ela me responde e engulo seco

— Então sente amor – a envolvo e entrelaço nossas pernas enquanto falo com voz de choro

Acabamos por adormecer e óbvio que não ficamos todo o tempo naquela posição, mas desperto ao sentir a cama vazia demais. Olho rapidamente para cama e não vejo ninguém, olho para a porta e Emma está sentada na poltrona perto da penteadeira. Ela parece se dar conta que eu a vi e levanta-se, como se estivesse inquieta.

— Emma? Tudo bem? – pergunto e ela nega, me fazendo levantar rapidamente da cama – O que está sentindo? – insisto e ela se esquiva – conversa comigo e para de andar de um lado para o outro... Emma...

Ela responde a minha pergunta com um abraço forte e olhos marejados, parece que ela não conseguia mais se conter, mas gostaria de tentar mesmo assim.

Trilha sonora: All I Need – Within Temptation

Can you still see the heart of me? / Você ainda pode ver um coração em mim?

All my agony fades away / Toda minha agonia desaparece

when you hold me in your embrace / Quando você me envolve em seu abraço

Don't tear me down for all I need / Não me deixe mal por tudo que eu preciso

Make my heart a better place / Faça do meu coração um lugar melhor

Give me something I can believe / Me dê algo em que eu possa acreditar

Sinto um beijo de Emma no meu pescoço e uma pegada mais forte na cintura, Emma queria transar?? Era isso mesmo? Ela me olha nos olhos como se implorasse por algo e apenas cedo ao seu beijo casto e carinhoso. Nossas bocas sintonizavam uma mesma frequência, sem pressa o beijo vai ficando mais intenso, Emma senta próximo a beira da cama e me coloca em seu colo. Nosso beijo não tem fim, apenas espaços pequenos entre um tempo para respirar e outro. Sinto minha esposa colocando sua mão por debaixo da minha camisola, com calma ela vai afastando minha calcinha para um lado e me penetra sem aviso.

— Emma – suspiro

— Shiii – ela me encara com carinho e colo minha testa à sua

Começo a fazer movimentos de vai e vem, sentada em seus dedos, tudo devagar para não machucar Emma, que ainda se recuperava. Aumento a velocidade gradativamente enquanto sinto a outra mão de Emma apertar meu corpo e sua boca me beijar com paixão evidente. Assim que chego ao meu clímax, Emma abraça rapidamente minha cintura se põe a chorar, apoiando sua cabeça em meus seios. Sentir algo diferente da dor parece ter sido o gatilho que ela precisava para extravasar a dor que ela sentia.

— Lembra do que você me disse? – pergunto, mas ela não fala nada – vamos ficar bem

— Eu não sei lidar muito bem com a dor – Emma diz com som abafado e ainda chorando

— Eu sei disso, mas você não vai passar por isso sozinha, ok? – a faço me olhar – eu te amo, Emma

— Te amo – ela se limita a falar e me beija ainda chorando

Ajudo Emma a deitar e ela apoia sua cabeça na curva do meu pescoço enquanto vejo seu corpo parcialmente sobre o meu. Faço um leve carinho em seus cabelos e ficamos assim até ela se acalmar e enxugar o rosto.

— Conheci uma criança no hospital ontem – falo quebrando o silêncio e ela me olha – os pais o abandonaram por acreditar que ele é doente e não aceitar as diferenças dele... Fiquei pensando no quanto a vida é injusta... Um filho abandonado por seus pais e duas mães que perderam um filho

— Aham – Emma fala com voz embargada e a aperto contra meu corpo – qual nome dele?

— Não sei, eu não perguntei – respondo por fim

Vejo que já está anoitecendo e Emma não comeu nada ainda, com exceção de um copo de leite que Robert a obrigou a tomar. Falo para ela que farei algo e ela se recusa, mas a lembro dos meus remédios e falo que só comerei se ela comer algo, isso a faz concordar. Eu não estava com fome, mesmo não tendo comido nada o dia inteiro e eu sabia que, se fizesse algo mais forte, Emma não comeria. Acabo por fazer um sanduiche e suco natural de laranja, era a nossa comida da tristeza. Está enjoada e não come? Caiu da escada e não quer comer? Amputou a perna e se recusa a se alimentar? Descobriu uma deficiência de B12? Tudo se resolve com sanduiche e suco de laranja. Acabo rindo silenciosamente do que havia pensado e levo a comida para Emma. Comemos pouco, mas o suficiente para ambas tomarem seus remédios e minha esposa logo voltar para o quarto. Arrumo tudo na cozinha e vou ver como ela está, para minha surpresa a vejo passando a mão na barriga e não falo nada, apenas me aconchego a ela na cama.

— Eu ainda tinha dúvidas sobre gerar um serzinho, mas desde que soube que estava aqui dentro tudo ficou diferente – ela olha para a barriga e me olha – só agora eu percebo o quanto quero ser mãe – Emma respira fundo na intenção de controlar o choro

— Amanhã de manhã, gostaria de ir até o hospital e conhecer o garotinho que falei? – falo e a Swan me olha desconfiada – quando o vi eu me senti tão bem

— Ok – ela topa ainda desconfiada e confusa

Ficamos um tempo em silêncio e acabamos dormindo novamente. Apesar de não termos feito nada o dia inteiro, meu corpo reclamava constantemente de cansaço e era inevitável dormir, acredito que o mesmo acontecia com Emma. Assim que acordamos de manhã, tomamos um banho, comemos frutas, pois foi só o que desceu, tomei meu remédio e fomos para o hospital. Quando chegamos na ala pediátrica de longe pude ouvir o seu chorinho desesperado e sorri, apontando para Emma o caminho que deveríamos seguir. Entro na sala e vejo varias crianças maiores que ele brincando no chão ou no braço de algum adulto e ele no cantinho, no braço de uma enfermeira diferente de ontem, vestido com um terninho maior que ele e chorando sem parar.

— Se você colocar ele no chão ele para de chorar – falo e Emma bate de leve no meu braço, como se pedisse para não me meter, mas a enfermeira faz exatamente o que falo e o choro, ainda incessante, diminui de volume

— Você o conhece? – a enfermeira pergunta, pasma

— Não, mas o vi ontem – respondo e me aproximo dele – você está lindo com essa roupinha, sabia?

— Foi uma doação que recebemos e assim que ele viu... – a enfermeira dar de ombros

— Vem cá, amor – chamo Emma – Olha garotão, essa é minha esposa, Emma

— Oi – ela fala meio sem jeito – qual o nome dele? – pergunta para a enfermeira

— Pietro, mas... – antes dela concluir ele faz cara de choro novamente e balança a cabeça em negativa – essa é a reação quando falamos o nome dele, então o chamamos de Fred

— Fred? Nome feio para uma criança – falo sem pensar e Emma me bate novamente

Puxo uma cadeira para Emma, pois ela ainda não estava em condições de ficar em qualquer posição. Brincamos um pouco com ele e pude ver algumas risadas da minha esposa, apesar de estarmos nos dando bem, todas as brincadeiras e conversas eram feitas com certa distância, para ele não chorar.

East of Eli — Crazy beautiful

“All these days and forever more

You need to know

You were one worth fighting for

And all these moments you given me

I can't believe

You're so crazy beautiful”

O celular de Emma toca e ela me avisa que é a mãe e que irá atender lá fora, parece que o Pietro se interessou por Emma, pois assim que ela sai os seus olhos a acompanham. Tento voltar a brincar, mas ele procurava a minha esposa com o olhar e aponta assim que a ver chegar.

— Alguém aqui te procurava – falo assim que ela se aproxima e ela sorrir

— Sentiu minha falta? Sério? – Emma fala com voz fofa e Pietro aponta para sua mão – acho que não foi de mim que ele sentiu falta – me mostra o celular

— Será que ele quer o celular ou a musica? – pergunto e Emma faz sinal para que eu espere

Emma coloca de novo a musica e ele sorrir pela primeira vez desde que chegamos ao hospital, depois de algumas músicas e sorrisos dele, somos interrompidas pela enfermeira que vi ontem, que me olha abismada por ter voltado e ter feito o Pietro sorrir. A enfermeira traz consigo um médico e nos explica que depois do que conversamos ontem, sobre cada criança ter seu tempo, ela foi pesquisar e chamou um médico para uma análise psicológica. Pergunto se podemos esperar para saber o que houve e o médico é bem rude quando diz que não somos da família, mas a enfermeira nos faz um sinal para que esperemos. Enquanto aguardamos, vemos o Chase passar em um corredor a nossa frente e Emma esconde o rosto, me explicando depois que fez isso porque sabe que ele a repreenderia por ter saído da cama.

— O que vocês fazem aqui? – Robert aparece atrás de nós – pensei ter reconhecido alguém aqui e não estava errado, mas preferiria que estivesse – nos olha com pesar – por que estão na pediatria?

— Viemos ver um menininho que conheci ontem, mas levaram ele para avaliação e estamos esperando – explico e ele respira fundo

— Existem várias formas de superar o luto, mas vocês não podem querer cicatrizar a dor ocupando o lugar do bebê que se foi – ele fala calmamente

— Sabemos que nosso filho morreu e ainda que gerássemos outro a dor de ter perdido um não seria aniquilada – explico – não estamos aqui para suprir uma dor, estamos porque um bebezinho precisa de uma mãe enquanto recebe um diagnostico

— Mas vocês não são as mães dele – ele se preocupa

— Nós sabemos disso, Robert, mas temos amor materno e ele é uma criança que foi abandonada – Emma explica – ele não é nosso bebê por que o nosso está morto, mas isso não nos impede de dar carinho a outra criança

— Só não quero que confundam as coisas – Chase fala com pesar

— Não estamos suprimindo a dor e realocando o nosso amor em outra criança – tento novamente – vamos continuar amando nosso filho

— Não estamos em negação, Robert, temos consciência de tudo que aconteceu – Emma explica novamente e ele parece se dar por vencido

A enfermeira volta e nos faz sinal para esperar, diz que o médico está acabando, mas já tem um diagnóstico. Ela diz que o Pietro apresenta características de TEA – Transtorno do Espectro Autista. Assim que a enfermeira sai, Robert nos explica que trata-se de um distúrbio do neuro desenvolvimento que compromete a capacidade da pessoa se relacionar com o mundo que a cerca. A enfermeira passa novamente e Robert a chama.

— É raro uma criança ser diagnosticada tão cedo, sei que algumas anormalidades começam entre 6 e 12 meses, mas ainda assim é raro – ele fala – como chegou a isso para chamar um psiquiatra para a avaliação?

— A partir de uma conversa com ela – a enfermeira aponta para mim – há um denominador comum entre os autistas que é a dificuldade de interação social e a presença de comportamentos repetitivos, a necessidade de manter uma rotina... Sempre ele fazia as mesmas coisas antes de brincar com algo, de manhã se mudássemos a rotina ele ficava estressado o resto do dia, não gosta de toques, não sorrir com facilidade e nem acompanha com frequência a pessoa que fala com ele... Mas pensei nisso tudo quando ela falou que ele poderia ter um tempo diferente, lembrei do autismo e relacionei com tudo que vi desde que ele chegou

— E agora? – pergunto

— Ele estava aqui ate poder receber alta, agora será enviado para adoção junto com a ficha medica – a enfermeira nos explica e fala que precisa ir

— Mas se ele é autista, deve precisar de uma família que entenda seu tempo e sua forma de ver o mundo – Emma fala

— A família que o adotar vai conhecer sua ficha médica, Emma – Robert nos explica

— O que não quer dizer que vá respeitá-lo como ele é – completo

— Ok, vão para casa e descansem... Não pensem em nenhuma besteira – ele nos fala e seu page toca – preciso ir, mas a noite ligo para vocês

Fomos para um restaurante ali perto, pois já passava da hora do almoço, apesar de não termos fome, precisávamos comer.

— Seria loucura imaginar o Pietro com a gente? – ela fala do nada

— Eu pensei o mesmo desde que nos vimos – sorrio

— Será que o Chase está certo e estamos querendo colocar ele no lugar do nosso bebê? – ela me pergunta

— Ninguém estará no lugar do nosso filho, pois uma criança não substitui a outra – explico e ela me olha atentamente – a dor de ter perdido um filho não vai diminuir porque estamos com Pietro, o que vai mudar é a alegria em tê-lo em nossa vida

— Uma soma e não uma subtração – ela completa

— Exato – sorrio e a beijo

Terminamos o nosso almoço e fomos para o apartamento, dou um jeitinho na casa e me aproximo de Emma, que está concentrada no computador. Acho que está trabalhando, mas ela me mostra alguns sites que estavam abertos explicando sobre adoção.

— Você realmente quer embarcar nisso? – pergunto sem acreditar

— Sim, você não? – Emma me pergunta temerosa

— Quero tudo, se for ao teu lado – respondo com um sorriso e a ajudo a pesquisar

Começamos a ver que tínhamos a opção de procurar um Departamento de Serviços Sociais ou tentar uma adoção independente, digo para Emma que independente do meio, o ideal era que nós marcássemos uma hora com um advogado especializado em adoção, pois ele já saberia lidar com o juiz e poderia até ser conhecido pelo mesmo.

— Algumas coisas nós podemos fazer sem o advogado, certo? – ela me pergunta animada

— Sim, podemos ver nossas informações pessoais, documentos financeiros e verificação de antecedentes criminais – explico – você pode ligar para a contadora e pedir a parte financeira e eu falo com Maggie para ver os antecedentes

— Ótimo – ela logo pega o telefone – você conhece um bom advogado?

— Bom, na vara de adoção eu não conheço, mas a Aurora já teve uns dois casos nessa linha, posso ver com ela – explico

Ligo para Aurora pedindo sigilo e ao invés de me indicar alguém a Aurora assume nosso caso. Comentei com ela sobre o que havíamos pesquisado e ela pergunta se poderia ir em nossa casa hoje a noite para que conversássemos. Jantamos um pouco mais cedo para arrumar tudo antes da Aurora chegar, fiz um café e Emma separou alguns biscoitinhos de leite para colocar na sala.

— Será que estamos nos precipitando? – Emma me pergunta

— Você tem duvidas sobre esse passo? – devolvo a pergunta

— Pior que eu não encontro nenhum motivo para desistir – ela sorrir e a beijo

A campainha toca e recebemos a Aurora em nossa casa. Nos sentamos e começamos a explicar tudo e surge nela a mesma duvida que Chase levantou no hospital, acabamos explicando o mesmo que dissemos a ele e a Aurora nos impulsionou a prosseguir. Voltamos a conversar sobre tudo que pensávamos e nossa advogada nos ouve com toda a calma do mundo.

— Vamos ver se entendi, ele está sob tutela do Estado, foi abandonado e foi diagnosticado com autismo... – Aurora fala e confirmamos – bem, a Adoção Doméstica seria mais fácil e sem processo... Eu ajudaria com a parte burocrática e, tudo dando certo, vocês poderiam ter a tutela, a guarda provisória e depois podem solicitar a adoção definitiva da criança

— E o que precisamos fazer? – Emma pergunta

— Para agora, o que podem fazer é ter uma boa noite de sono – ela brinca – vou entrar em contato com alguns amigos e falo com vocês à medida que o caso for evoluindo, mas o que vocês podem fazer é preparar um portfólio com suas informações e fornecer cartas de referência seria uma boa também...

— E depois? Isso é tipo fases? – Emma parece confusa

— Bem, primeiro nós entregamos o pedido de adoção com o portfólio e todas as informações necessárias, depois você precisam fazer palestras sobre questões comuns em crianças que sofreram abuso e abandono – ela explica – o Código de Washington ainda permite que uma assistente social faça uma avaliação da saúde de cada um dos pais adotivos e de seus recursos financeiros, para comprovar tudo o que você falaram nos documentos entregues, é provável que fale com os chefes da Regina, com seu sócio, parentes mais próximos e talvez vizinhos... Acaba sendo um pouco mais cauteloso porque não sei se ele sofreu abuso, então estou falando o caso mais demorado que poderíamos enfrentar

— Tudo bem – Emma sorrir e me olha – amanhã marco no hospital uma avaliação física completa para mim e Regina... Já falei com a contadora e Regina com uma amiga nossa que é policial, então teremos nossa avaliação médica, antecedentes criminais e recursos financeiros

— Perfeito, não sei nem porque precisam de mim – Aurora sorrir – eu vou ligar para meus contatos e tentar marcar uma hora com a assistente social, enquanto isso vocês recolhem todos esses documentos