Sense of wonder
1 Sense of wonder — capítulo único
Os primeiros voos de vassoura de Atsuko foram completamente desastrosos, para se dizer o mínimo. Mas ela não era do tipo que desistia facilmente — isso nunca.
Não até que ela estivesse decolando, suas botas não mais tocando o chão, voando pelas nuvens no céu em sua própria vassoura.
Ela só não esperava que fosse conseguir isso com a escola toda a assistindo. Ao menos agora a prova de que todos precisavam para deixarem de caçoá-la estava ali, ninguém poderia dizer um 'A' de que ela não poderia ser uma bruxa de verdade.
— Como é poder voar?
Fora a pergunta que Andrew a fizera em uma tarde que passavam no banco de uma praça, aquilo acabara se tornando algo recorrente entre os dois, por insistência do destino diga-se de passagem.
— Você nunca viu a Diane voando de vassoura?
— Como se ela fosse deixar. Você foi a primeira bruxa que vi voando em uma.
Realmente, Diane parecia ser reservada demais para o próprio bem. Por sorte, fora com a vassoura que Atsuko chegara aquele lugar, por acidente, era para ser apenas mais uma aula de condução mas ela acabara exagerando na dose. De novo.
Uma ideia surgira na mente da jovem bruxa em treinamento.
— Que voar comigo?
A expressão de Andrew ia de surpreso a temeroso.
As ideias de Atsuko nem sempre davam cem por cento certo.
— Tem certeza de que é uma boa ideia?
— Claro que tenho! Senão, eu nem tinha perguntado.
Dito isso ela pegou a vassoura em mãos, se colocando sobre a mesma, chamando por Andrew logo em seguida que pegou sua mão, se colocando sobre a vassoura logo atrás dela.
— Pronto?
Andrew suspirou.
— Pronto.
Atsuko colocou ambas as mãos sobre o cabo da vassoura, olhando para cima completamente confiante de sua capacidade. Poucos segundos depois estavam os dois flutuando sobre a praça, para logo em seguida cruzarem por nuvens brancas parecendo algodão, enquanto aves planavam ao redor.
A cidade parecia minúscula dali de cima.
— E aí, o que achou? É legal voar de vassoura, né?
Os olhos de Andrew estavam vislumbrados demais para responder no ato a pergunta que a bruxa em treinamento fizera. Ele nunca se imaginara de fato, voando em uma vassoura, sequer imaginava que conseguiria ficar sobre uma.
E ali estava ele, acima de qualquer lugar possível.
Sonhar não perecia ser tão impossível, seguir seus próprios desejos então — Atsuko não falhava em tirar-lhe as palavras da boca.
Ela só não esperava o ouvir rindo. Não naquele momento.
Mas nada a impedia de rir também.
— Eu sei que sou incrível — brincou a jovem bruxa mudando a direção de seu curso.
E ele não poderia deixar de concordar.
— É, você realmente é incrível, Atsuko.
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