Senhor, Perdoa-me por não Saber Rezar

1 Senhor, perdoa-me por não saber rezar


Vivi todos os meus dias

Fantasias miraculosas

Honrosas e até sujas

Imundas de tanto peso em minha consciência

Clemência nem posso pedir, pois não sei rezar

Orar para enfim

Talvez um fim não tão maldito

Este bandido dos sonhos venha a ter

Senhor, faço-lhe uma suplica

Duplica meus bons atos

São fatos que infelizmente não tenho em excesso

Pois meu resto de alma pede perdão

Diante da escuridão que será o meu destino

Ímpeto será minha queda no dia de minha morte

Com sorte pagarei por poucos sonhos destruídos

Iludido eu era em pensar

Que o pesar desse dia nunca chegaria

Eu ria daqueles que viviam a se lamentar

Orar e rezar, pedindo perdão de seus erros fantasiosos

Horroroso foi a vista do meu abismo de solidão e sofrimento

Ao relento da noite serei entregue para sofrer pelo resto dos tempos

Isentos de alguma preocupação comigo estarão àqueles que prejudiquei.

Peque contra eles, e hoje podem rir de meu erro

Mas preferem ver a minha vitória

Pois ver minha derrota seria fácil de mais

Ou aliás, poderiam até me amar

Dar-me um sentimento bom seria um erro grave

Pois tu sabes, meu senhor, que de bom, fui muito pouco

Um poço de mágoas e rancor

Guardei com fervor para arrastar para os abismos

Meus inimigos, que eu os fiz vilões em minha vida

Sem sequer terem a chance de ida ao pedestal

Para repararem o mal que, supostamente me fizeram...

Os deleites da vida não soube aproveitar

Gastar meus minutos sagrados em fornicação

Satisfação essa que eu conhecia

Minha própria ilha de fantasias

Magias que eu encontrava entre as pernas de uma mulher

Qualquer que fosse sua história ou vida

Apenas eu tinha o interesse em algo carnal

Tão banal que nem me dei conta do mal que me fez

E hoje, mais uma vez, estou aqui, pedindo perdão por meus pecados

Melados em sangue daqueles que matei

Roubei seus sonhos e esperanças e atirei

Sem alguma sombra de remorso

No ócio estava, então resolvi executar meu desejo

Um beijo bem demorado em uma das minhas fiéis amigas

Que hoje vejo em seus olhos que sempre foi minha inimiga

Ó Morte, não me leves para teus aposentos

Pois são ao soprar desses ventos que sofrerei o pior de meus castigos

Abismos lotados de almas que sofrem eternamente

Sem algo em mente, apenas a dor para lhes acompanhar

E então desdenhar do sofrimento que tanto causaram em seus iguais

Não mais sorriem com as lágrimas de seus irmãos

Não mais tem em mãos as armas causadoras do sofrimento

O vento será seu único companheiro

Derradeiro na terrível caminhada ao inferno

De terno todos acompanham para uma visita

Da pior vista que terão pro resto de suas vidas.

Senhor, perdoa-me por ser o melhor dos piores

Ores por minha alma, pois orarei, mesmo sem saber

Por aqueles que não posso ver, mas que sei que prejudiquei

E magoei de alguma forma

Formosa são tuas obras

A mais honrosa delas é o perdão

Pois peço, então

Senhor, perdoa-me e deixa que, pelo menos

Eu viva entre os que não fizeram tanto mau.

Notas finais
Mais uma vez, espero que tenham gostado (Já tá virando clichê ¬¬) ^^
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!