Senhor Das Moscas
1 I — A Cruz
Tu, que és fiel às cruzes brancas
E vives em um revés edênico
Ou pensas que é algo próximo disto
Lamento profundamente,
mas tua ilusão,
de vida fiel
a um deus de pedra e barro
de vestes monocromas,
é uma farsa
crê em palavras de homens
endeusando o que desconhecem.
Me digas então,
Quem é o ludibriado
Entre os que estão a litigar
e os que aceitam
condições e doações
a um crime hediondo
de comprar vagas no Éden?
E quem és tu,
que diz que minha deidade é errada
quando a tua usa
embasamentos vetustos
para sustentar
teus delitos
diante a humanidade
que desdenha.
Afinal, és o pior tipo;
dissimulado és, pois argumenta teus atos com palavras alheias.
Quem és tu, diante da cruz
com o coração funesto,
pecador és,
que diante da cruz
chorarás,
pois não aguentas,
o peso despótico de teus pecados
tampouco pagarás por eles.
Quem és tu para desdizer do mundo,
quando mal dizes quem és.
Brincando com palavras,
como se fossem corações,
e talvez sejam
talvez seja o teu, pecador.
Brincas contigo mesmo, e acabas contigo mesmo.
Vale a pena, pecador, ludibriar o mundo e corromper a ti mesmo?
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