Sendo Aline
16 Capítulo 16
- Eu disse pra você que ia ficar tudo bem – Ele me disse.
- Eles podem não ter dito nada a você – Comecei -, mas tenho certeza de que hoje ou amanhã vão querer “bater um papo”.
- Ah, Aline...
- Ah, Marcelo – Continuei. – Eu te pedi. Pedi de novo. Você me ouviu? Claro que não!
- Aline...
- Se eu ficar sem você, eu vou te matar!
- Mas como vai me matar se quer me ver?
- Eu vou te matar pra poder ter um motivo pra não te ver!
- Mas isso não faz sentido...
- Cala a boca!
- Mas Aline, não vai acontecer nada, eu prometo.
- Para de prometer uma coisa que você não pode! – Eu brigava com ele, e me entristecia por dentro.
- Eu posso sim – Ele continuou, mais sério. – Não tenta esconder que não está triste. Eu sei que está. E não vai acontecer nada. Se seus pais resolverem fazer algo, não importa. NADA importa.
- Claro que importa! – Continuei – As coisas vão ficar muito difíceis.
- Não importa, Aline – Ele continuou, tentando ser o mais calmo possível. – A gente vai dar um jeito. Seja lá como for.
- É cara, mas e se...
- Ah Aline, para de pensar demais, por favor – Ele me cortou.
- Mas...
- Sério – Ele persistiu. – Seus pais já não deixaram você vir comigo? Então não podem estar sendo tão irracionais.
- Marcelo...
- Pare de racionalizar tudo – Ele me abraçou, de repente. – Assim você não vai conseguir fazer nada do que quer...
- Marcelo eu... – Meu coração se abriu – Eu te amo.
- Eu sei – Ele disse -, eu também. Mas agora, meu primo te acha bonitinha, e eu vi o balde de baba que você estava carregando depois de vê-lo, então pode fazer o favor de... SER SIMPÁTICA?
Corri para o outro lado, onde o primo dele estava sentado. Marcelo pediu que ele nos desse um minuto, tendo em vista os acontecimentos. Não que ele precisasse. André com certeza tinha notado a cara de espanto dos meus pais. Não foi nada muito agradável ou confortável demais de qualquer forma.
Acho que se fosse outra situação – Ou pelo menos, se eu não estivesse dentro dela – até seria engraçado. Lembrou-me daqueles cartoons com o queixo caído até o chão, de incredulidade.
- Oi André – Eu disse, meio tímida -, desculpa pela nossa demora.
- Não se preocupa – Ele disse, curvando os lábios em um sorriso torto, sem mostrar os dentes -, eu posso imaginar. Fazia um tempo que eu não via o Marcelo, mas a decisão que ele tomou de assumir isso é corajosa.
- É, acho que sim – Não que eu tenha parado pra pensar muito nisso e deixado meu egoísmo de lado.
- Não precisamos conversar sobre isso – Ele disse, tentando parecer descontraído. – O que você acha de tomarmos um sorvete?
- Eu adoro sorvete.
Dei a mão pra ele, e fui.
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