Sendo Aline
33 Capítulo 33
Acordei bem tarde no dia seguinte, já que acabamos fazendo uma sessão de cinema na sala que durou mais ou menos até umas 4 horas da manhã. Me senti um zumbi bêbado na hora de dormir, e continuei um pouco zumbi depois que consegui me levantar.
Até que foi extremamente divertido ficar com aqueles dois retardados. Marcelo sempre foi bem legal, mas a Débora falando merda e fazendo piadas a cada cena daqueles filmes que já estávamos carecas de ver era impagável. Não sei como meu maxilar não estava doendo àquela altura.
Eu estava mais animada que o normal, e eu não conseguia esconder o motivo daquilo. Claro, eu estava mega feliz por Marcelo finalmente estar sorrindo verdadeiramente. E não era nem o fato de eu poder ficar com ele mais horas na semana. Era mais por ele ter se livrado daquele monstro que o pai dele revelou ser nos últimos tempos.
Mas, de qualquer forma, não foi aquilo que me deixou alegre ao acordar. Eu já estava alegre por isso no decorrer da noite passada. Eu fui despertada com o barulho de uma mensagem nova do Gabriel no meu celular. Eu não sabia se isso era bom ou ruim. A minha felicidade por isso, quero dizer.
Depois de tudo aquilo que eu tinha conversado com eles ontem, eu ficava mais confusa sobre meus sentimentos. A boa notícia é que parei pra pensar sobre o que eu sentia pelo Marcelo e de como aquilo tinha se transformado. Eu tinha ficado mais empolgada com a mensagem dele do que com qualquer outra coisa. A notícia ruim era basicamente a mesma: eu estava querendo ficar com outro garoto e não tinha a menor perspectiva de que isso aconteceria. O mínimo que eu já tinha conseguido até ali era saber que ele não é homossexual, o que nas minhas experiências já parecia bastante coisa.
Procurei meus chinelos embaixo do sofá e voei pela casa procurando o resto das pessoas, para poder compartilhar minha felicidade com elas. Fui até a frente da casa de pijama para poder encontrá-los, sem nem ligar.
- Encontrei vocês! — Exclamei atrás deles, os assustando.
- Você ficou maluca? — Débora me perguntou.
- Vem cá... — Meu pai se pronunciou — Você aparece aqui na frente, só de pijama e nem dá bom dia pra ninguém? Vem cá, garota do papai!
- Ah, pai! — O olhei com um pouco de desprezo — Podemos falar de amor mais tarde?
- Que abusada! — Ele entrou em casa reclamando sobre mim, de brincadeira.
- Que animação, hein? — Marcelo perguntou.
- Olha! — Peguei o celular do bolso da calça do pijama, e mostrei a eles.
- Agora tá explicado. — Ele disse, balançando a cabeça.
- Quando vai encontrar com ele? — Débora me perguntou.
- E eu sei lá? — Dei de ombros — Acordei agora e vim mostrar a vocês!
- E essa empolgação toda depois de ter dito que não sabia se queria ele... — Marcelo fez de novo aquele ar de detentor do conhecimento.
- Dá um tempo você! — Resmunguei — O que eu faço?
- Bom, ele disse que queria conversar com você, então... Que tal ir ver o que ele quer? — Ele comentou.
- Mas o que será que ele pode querer? — Indaguei.
- Você pode ir lá e perguntar, ué!
- Eu também acho, Aline. Marque logo isso pra poder nos contar se ele beija bem! — Débora exclamou.
- DÉBORA! — Dei um tapinha no ombro dela — Não vamos nos beijar. Ele escreveu conversar, viu? Con-ver-sar!
- Vem cá, Aline. Precisamos conversar. — Marcelo começou a atuar, fazendo uma voz diferente, se aproximando como se ela fosse eu.
- Diga, querido. — Débora olhou pra ele, séria.
- Ainda não sabemos muito um sobre o outro. — Ele continuava, agora com os braços envoltos sobre ela.
- O que você quer saber? — Ela disse, jogando a cabeça.
- Me beije! — Ele disse, a agarrando e a inclinando. Por um segundo achei que ele a tivesse beijado de verdade.
- Eu detesto vocês! — Resmunguei.
- Detesta nada! Duvido que você não queira beijar ele! — Ela falou.
- Não é que eu não queira. — Eu disse.
- Então o que é? — Marcelo me perguntou — Vai ficar com vergonha agora na frente da gente?
- Claro que não!
- Então o que?
- E se ele não gostar e eu acabar gostando dele?
- Aline. — Marcelo começou — Você está esquecendo uma coisa.
- O que?
- Parece que você já gosta dele. — Débora completou e ele concordou com a cabeça.
- Não sei se gosto dele. — Eu disse.
- Bom, você pode até não saber, mas que você tá afim de saber se ele beija bem pra poder começar, isso você está! — Débora falou e começou a rir do lado do Marcelo.
Ela estava certa e eu não queria dar o braço a torcer, mas eu queria beijar ele. Eu queria beijar ele desde aquele dia que ficamos jogando no quarto dele. Decidi entrar e responder à mensagem dele.
Eu não achei que seria tão rápido, mas ele me respondeu de volta, dizendo que queria me encontrar o quanto antes e me perguntou se eu iria com ele a um fliperama num dos maiores shoppings que haviam na cidade. Seria longe, mas achei que seria bem divertido. Ele me disse pra levarmos amigos, passarmos o dia por lá, e que então depois conversaríamos.
Decidimos marcar pra dali a dois dias. Eu já sentia os dois ponteiros do relógio retardando o tempo.
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