- Eu disse pra você que ia ficar tudo bem – Ele me disse.

- Eles podem não ter dito nada a você – Comecei -, mas tenho certeza de que hoje ou amanhã vão querer “bater um papo”.

- Ah, Aline...

- Ah, Marcelo – Continuei. – Eu te pedi. Pedi de novo. Você me ouviu? Claro que não!

- Aline...

- Se eu ficar sem você, eu vou te matar!

- Mas como vai me matar se quer me ver?

- Eu vou te matar pra poder ter um motivo pra não te ver!

- Mas isso não faz sentido...

- Cala a boca!

- Mas Aline, não vai acontecer nada, eu prometo.

- Para de prometer uma coisa que você não pode! – Eu brigava com ele, e me entristecia por dentro.

- Eu posso sim – Ele continuou, mais sério. – Não tenta esconder que não está triste. Eu sei que está. E não vai acontecer nada. Se seus pais resolverem fazer algo, não importa. NADA importa.

- Claro que importa! – Continuei – As coisas vão ficar muito difíceis.

- Não importa, Aline – Ele continuou, tentando ser o mais calmo possível. – A gente vai dar um jeito. Seja lá como for.

- É cara, mas e se...

- Ah Aline, para de pensar demais, por favor – Ele me cortou.

- Mas...

- Sério – Ele persistiu. – Seus pais já não deixaram você vir comigo? Então não podem estar sendo tão irracionais.

- Marcelo...

- Pare de racionalizar tudo – Ele me abraçou, de repente. – Assim você não vai conseguir fazer nada do que quer...

- Marcelo eu... – Meu coração se abriu – Eu te amo.

- Eu sei – Ele disse -, eu também. Mas agora, meu primo te acha bonitinha, e eu vi o balde de baba que você estava carregando depois de vê-lo, então pode fazer o favor de... SER SIMPÁTICA?

Corri para o outro lado, onde o primo dele estava sentado. Marcelo pediu que ele nos desse um minuto, tendo em vista os acontecimentos. Não que ele precisasse. André com certeza tinha notado a cara de espanto dos meus pais. Não foi nada muito agradável ou confortável demais de qualquer forma.

Acho que se fosse outra situação – Ou pelo menos, se eu não estivesse dentro dela – até seria engraçado. Lembrou-me daqueles cartoons com o queixo caído até o chão, de incredulidade.

- Oi André – Eu disse, meio tímida -, desculpa pela nossa demora.

- Não se preocupa – Ele disse, curvando os lábios em um sorriso torto, sem mostrar os dentes -, eu posso imaginar. Fazia um tempo que eu não via o Marcelo, mas a decisão que ele tomou de assumir isso é corajosa.

- É, acho que sim – Não que eu tenha parado pra pensar muito nisso e deixado meu egoísmo de lado.

- Não precisamos conversar sobre isso – Ele disse, tentando parecer descontraído. – O que você acha de tomarmos um sorvete?

- Eu adoro sorvete.

Dei a mão pra ele, e fui.