Sempre te amei.

30 Parado na sua.


Por João Lucas.

Olho para Eduarda e ela dorme tranquilamente sobre meu peito... O dia já está amanhecendo, logo teremos que ir pra casa.

Fico a observando dormir por um bom tempo, acho que por horas... Não me canso disso! Quando Du acorda, lhe dou um selinho e com um sorriso nos lábios digo.
JL: Bom dia meu amor!
Du: Bom dia... — Eduarda parece se lembrar de alguma coisa, e ao se sentar na cama me pergunta — Que horas são, em? Temos que ir pra casa!
JL: Fica tranquila, ta tudo sob controle! — Digo a puxando pra meu peito novamente.
Du: Mas a gente tem que ir Lucas, não dá pra deixar os bebes a vida todo com seu pai!
JL: Tudo bem, você tem razão... É que eu esqueço do resto do mundo quando estou com você! — Digo me levantando da cama — Você viu a minha calça por aí?

Eduarda ri, e em seguida aponta para o chão.
Du: To boba até agora com tudo isso que você preparou...

Recolho minhas roupas do chão e enquanto as visto digo.
JL: Você merece muito mais! Eu pensei em alugar um iate, mas fiquei com medo de ficarmos enjoados... Eu sempre enjoou em alto-mar! — Digo sorrindo pra ela.
Du: Eu achei perfeito do jeito que foi... — Fala vindo até mim e me dando um rápido selinho. Em seguida Du se vira de costas e diz — Agora me ajuda, não to conseguindo fechar o zíper do vestido!

Eu ajudo ela a se vestir, e quando termino, digo.
JL: Não gosto de fazer isso...

Eduarda se volta pra mim e olhando em meus olhos pergunta.
Du: Por que não?
JL: É que eu prefiro fazer o contrário... Te despir é bem melhor!

Minha esposa sorri e me beija calorosamente. Quando o ar começa a ficar escasso, nós paramos e ela me fala.
Du: Até que concordo com você... Despir é bem melhor! — Eu a pego pela cintura e a trago pra mais perto de mim. Já estou quase a arrastando de volta para cama quando Eduarda diz: — Não para... É sério Lucas, vamos embora! Continuamos isso a noite!
JL: Tudo bem! — Digo lhe dando um selinho — Mas a noite você não me escapa.
Du: Como se eu quisesse escapar...

Vamos em direção a saída e quando colocamos o pé pra fora, um carro já nos espera.
JL: Ta vendo? Pensei em tudo!
Du: Pensou mesmo... Fala sério Lucas, como você fez tudo isso?
JL: Sacomé, né? — Digo rindo — Tenho meus contatos! Liguei pra uns amigos, aluguei um galpão, comprei umas velas, uma cama...
Du: Só você mesmo! — Diz entrando no automóvel — De quem é esse carro?
JL: Gostou? — Digo lhe dando as chaves — Você dirigi!
Du: Eu amei!
JL: Que bom... Comprei pra você!

Eduarda olha pra mim e por alguns segundos fica sem reação.
Du: Se tá falando sério, Lucas? — Diz finalmente sorrindo — Mas pra que isso? Não é meu aniversário nem nada!
JL: É eu sei, mas você precisa de um carro, né... Daqui a pouco eu volto a trabalhar e como uso o meu pra ir pra império, você ficaria sem ter como se locomover pela cidade! Tu não pode andar de ônibus! Não com dois bebes pequenos!

Observo Eduarda e ela está parecendo uma criança que acabou de ganhar um presente legal. Não consegue disfarçar a felicidade.
Du: Obrigada meu amor! — Diz me beijando — Eu adorei! Adorei muito!
JL: Então vamos estrear esse carro logo! Partiu casa?
Du: E pelo caminho mais longo! — Diz ligando o seu mais novo automóvel e pisando no acelerador.

Conforme dito, Du segue pelo caminho mais demorado. Ao invés de chegarmos em 20 minutos em casa, acabamos gastando quase 1 hora. Assim que minha mulher estaciona o carro na garagem, nós dois logo subimos para o quarto de nossos filhos. Ana está com eles.
JL: Bom dia Ana... Eae, como eles se comportaram?
A: Maravilhosamente bem! Acordaram cedo pra mamar, dei a mamadeira e eles rapidamente voltaram a dormir!
Du: Ótimo... Eu vou tomar um banho e logo venho ficar com eles.

Eduarda vai rumo a nossa suite, e eu a sigo.
JL: Eu vou tomar banho com você, tá? — Digo a abraçando por trás.
Du: Ah não Lucas, eu quero tomar uma ducha rápida, to querendo ficar um pouco com meus filhos...

Solto Eduarda e ela se vira pra mim. Lhe dou um delicado beijo na boca e digo.
JL: Deixa vai, só pra tomar banho mesmo...
Du: Mas nada? Só banho? — Diz me olhando com um sorriso no rosto.
JL: Alguns beijinhos também... Mas só isso!
Du: Tá bom então, vem!

Du me arrasta pro banheiro e nós dois tomamos banhos juntos. No meio de risadas e brincadeiras, um ajuda o outro a se esfregar. No intervalo de cada riso, eu lhe dou um beijo.
JL: Eu amo te beijar de baixo d'água!
Du: Só de baixo d'água? — Eduarda me encara com um olhar sedutor.
JL: Não... Eu amo te beijar em qualquer lugar!

Quando saímos do banho, nos trocamos e vamos buscar nossos filhos em seu quarto.

Eu pego Marta enquanto Du carrega Alfredinho no colo.
Du: As vezes eu fico pensando... Será que eles não ficam entediados de ficarem só nesse quarto?
JL: Bebe entediado? — Digo rindo — Só você Du!

Vamos para sala e colocamos nossos filhos no carrinho, do lado do sofá. Quando ligamos a TV, vemos que está passando Titanic. O filme já está na metade, mas resolvemos assistir mesmo assim.

Assistimos juntinhos e quando o final se aproxima, ao olhar para Du, percebo que ela está chorando.
Du: Eu sempre me acabo em lágrimas com esse filme...- Diz secando o rosto com a manga de sua blusa — Pô, o Jack não deveria morrer!
JL: Nós já vimos esse filme mil vezes... Como você ainda consegue chorar?
Du: Eu que pergunto: Como você consegue não chorar?

Ficamos discutindo sobre o filme por algum tempo, quando finalmente chega a hora do almoço.

Meu pai, que até então estava em seu quarto, desce para comer conosco.
JA: Como estão os pombinhos? — Diz se sentando a mesa.
Du: Ótimos... E o senhor? Como passou a noite? Os bebes deram muito trabalho?
JA: Não muito... Na verdade eu adorei ficar com eles, pode me pedir sempre que quiser!
JL: Obrigada pai!

Acabamos de almoçar e voltamos para o sofá.
Du: O que a gente faz agora, em? Vamos ver outro filme?
JA: Eu não sei vocês, mas eu vou sair... Já que a Ísis não vem até mim, eu vou até Ísis!

Meu pai sobe para seu quarto, talvez para se arrumar e Eduarda me diz rindo.
Du: Se até seu pai que está morto vai sair, eu que não vou ficar em casa hoje!
JL: Vamos pra onde então?
Du: Ta maior calorão lá fora, vamos tomar um sorvete, sei lá!
JL: Depois podemos dar uma passadinha na minha mãe, faz tempo que ela não vê os bebes.

Com a ajuda de Du dou banho e arrumo meus dois filhos. Quando nós 4 ficamos prontos, vamos em direção a sala. Meu pai já saiu, só Ana está em casa.
Du: Não voltamos pro Jantar, pode ir embora mais cedo hoje! — Diz Du antes de se despedir de nossa empregada.

Vamos até o novo carro de Eduarda e depois de instalar e colocar os bebes nas cadeirinhas, digo:
JL: Conheço uma sorveteria ótima aqui perto! Vamos?

Minha esposa topa e seguindo minhas indicações, logo chegamos no local. É um lugar calmo,não tem muita gente. A essa hora a maioria das pessoas estão no trabalho...

Descemos do carro junto de nossos filhos e ao coloca-los no carrinho de bebe, entramos no estabelecimento.

Uma mulher bem simpática nos atende, fazemos nossos pedidos e ficamos esperando o nosso sorvete. As poucas pessoas que passam por nós, sempre param para dar uma olhadinha em nossos filhos "Eles são tão fofos... Parabéns" É o que sempre dizem.

Nossos sorvetes chegam, o meu de morando, o dela de chocolate.
Du: Me dá um pouquinho do seu? — Diz enfiando sua colher na minha taça.
JL: Dou, mas você tem que me dar um pouquinho do seu também!

Eduarda pega um pouco de seu sorvete, e com a colher leva até minha boca.
JL: Não, não quero assim! — Digo rindo.

Pego minha colher, coloco no sorvete de Du e em seguida sujo sua boca com ele.
Du: Que isso Lucas? — Diz levando a mão até a boca para se limpar.
JL: Não — Falo pegando em seu braço — Deixa que eu mesmo limpo.

Beijo seus lábios com gosto de chocolate e quando o folego me falta, me afasto e digo.
JL: Gostou do meu método para limpar bocas sujas de sorvete?
Du: Adorei... — Diz me dando um selinho — Mas não sei, ainda não tenho certeza se funciona! Acho melhor a gente tentar de novo! — Diz vindo em minha direção para mais um beijo.
P: Oi Lucas! Eduarda... — Paro de beijar minha esposa e olho para a dona da voz. É a Priscila.- Estava passando aqui de carro e vi esse cabelo vermelho super chamativo da Du! Resolvi parar pra tomar um sorvete com vocês! Posso? — Diz puxando uma cadeira e se sentando ao nosso lado.
JL: Pode... — Digo um pouco decepcionado. — Quer que eu peça um sorvete pra você?
P: Claro, quero um igual o seu... Morango também é meu sabor favorito! Até nisso combinamos!

Olho para Eduarda e ela está pra voar no pescoço de Priscila. Busco o sorvete que minha ex pediu e quando volto, ela está com meu filho nos braços. Olho pra Du, que está com cara de pouquíssimos amigos, e ela me diz.
Du: A Priscila pediu pra segurar o Alfredinho no colo... — Diz fingindo um sorriso.
JL: Eles são lindos... — Falo na tentativa de quebrar o péssimo clima que nos rodeia.
P: Puxaram a beleza do pai!
Du: Já chega, não sou obrigada a aguentar essa garota! — Ao dizer isso,Eduarda se levanta da cadeira e continua a falar: — Eu vou pro carro com meus filhos, paga a conta ai, se despede da sua amiga e vamos embora! — Diz pegando Alfredo dos braços de Priscila.
P: Quem deveria estar incomodada com sua presença sou eu! Você é uma garota sem classe, sem berço... Quando eu namorava com o Lucas, não deixava ele se meter com gente da sua laia.
JL: Eu não admito que você fale assim da minha esposa! — Digo a encarando. — Quer saber? Você não é minha amiga, eu nem ao menos gosto de sentir sua presença! Por favor, quando você ver a gente, não venha nos cumprimentar! — Tiro uma nota 50 da carteira, coloco em cima da mesa e vou em direção ao carro junto de Du.

Quando já estamos sentados no banco, eu no carona, ela no de motorista, Eduarda me diz.
Du: Gostei de você ter me defendido... Garota insuportável!
JL: Eu sempre vou te defender, ok? — Digo pegando sua mão e dando um beijo nela — Vou te defender não só porque você é minha mulher, mas sim porque quando te ofendem, também me sinto ofendido... Somos um só, né!
Du: Obrigada! — Ela fala também beijando minha mão — Mas Lucas, você não achou estranho? Primeiro a gente encontra ela na praia, agora na sorveteria... É como se ela estivesse nos seguindo, sei lá!
JL: E por que ela faria isso? Será que ainda não me esqueceu? Eu sei que sou gostoso, mas a gente já terminou a muito tempo! Nem me lembrava da existência dela!
Du: Nossa, como você é convencido... — Diz rindo — Mas falando sério, você não viu na internet? A família dela faliu! Ela tem tando orgulho de dizer que tem berço e sobrenome chique mas na realidade não tem mais onde cair morta! É por isso que voltou da Europa!
JL: Serio mesmo? -Digo já colocando o cinto — Mas o que isso tem a ver com ela correndo atrás de mim?
Du: Ué... Tu além de lindo e charmoso é rico! Aposto que ela vai ficar correndo atrás de você. — Diz mostrando estar enciumada.
JL: Ah, para de bobeira... Se ela estiver querendo mesmo me pegar, vai quebrar o nariz... — Digo colocando meu rosto perto do dela — Eu estou completamente parado na sua.

Beijo Eduarda e ela me corresponde. Em poucos segundos já precisamos de ar, nos afastamos com um sorriso no rosto e ela me fala.
Du: Vamos pra casa da sua mãe agora?
JL: Vamos!

Du dirige rumo a minha antiga casa, e no caminho fico em silêncio... Estou com um sorriso bobo nos lábios, não consigo tira-lo. Olho em volta do carro e minha felicidade só aumenta!

Eduarda, eu, meus dois filhos... Nada pode ser melhor que isso!