Sempre te amei.
53 Capítulo 53: Testes
Notas iniciais
Por João Lucas
Estou emocionado. Nunca pensei que uma só palavra pudesse me causar tantas emoções... No dia em que minha filha falar "papa" nem sei o que farei, acho que vou ter um treco de tanta felicidade. E mesmo que a baba diga que não, sei que minha filha falou sim.
"Ela é uma criança prodígio..." Penso, e isso me enche de orgulho.
Olho para Eduarda, e as lágrimas escorrem por seu rosto.
JL: Como a "mama" ta se sentindo? — Digo, sorrindo.
Du: Eu sou a mãe dela Lucas...
JL: É sim Du, eu já falei mil vezes que... — Nesse instante, Eduarda beija minha boca interrompendo minha frase.
No começo me espanto, pois não esperava isso, mas logo correspondo o beijo apaixonadamente. Quando precisamos de ar, nos afastamos e eu digo ofegante:
JL: Se toda vez que a Martinha dizer algo você me beijar assim, vou dar um dicionário pra ela... — Falo, sorrindo.
Du: Lucas, tu não ta entendendo! Eu lembrei de tudo. Do nosso casamento, do seu pai morando aqui, dos acidentes, de absolutamente tudo!
JL: Lembrou? — Eu quase grito. — Finalmente meu amor! — Eu a abraço, e não consigo me controlar.Algumas lágrimas caem de meus olhos. — Já tava achando que esse dia não ia chegar... Mas você lembrou assim? Do nada?
Du: Quando eu ouvi ela falando "mama" tudo começou a fazer sentido. A nossa filha me trouxe de volta...
C: Mas ela não falou gente, ela só...
Du: Carmem, não estraga o clima! — Diz em tom de brincadeira. — Se eu to falando que ela falou, então ela falou!
C: Ok... — Diz, rindo.
JL: Du, a gente precisa conversar, tenho que te explicar tudo que aconteceu depois que você levou o tiro!
Du: Beleza! — Fala indo em direção a escada.
Estamos subindo os degraus, quando Ana chama Eduarda para tomar seu analgésico.
Du toma o remédio, e nós subimos para o quarto. Me sento na cama e faço sinal para que ela faça o mesmo, e então, começo a lhe explicar tudo.
Conto sobre as exigências de Fábio para doar sangue, sobre como resolvi o problema e tudo o que aconteceu nos dias em que ela esteve internada.
JL: E é isso...
Du: Então o mandante do sequestro do nossos filhos era o Merival... Mas por quê?
JL: Parece que ele é apaixonado por minha mãe, e culpa meu pai por eles nunca terem ficado juntos!
Du: Que cara doente... Mas ele foi preso?
JL: Foi sim...
Du: E seu pai? Ele não devia estar na cadeia também? Acho que fingir a própria morte é crime!
JL: Deveria... Mas tu sabe como funciona a "justiça" desse pais, né? Ele mexeu uns pauzinhos lá, e tá respondendo o processo em liberdade!
Du: Ele vai voltar a morar com a gente?
JL: Não, não... Voltou a viver na casa da minha mãe e dos meus irmãos!
Du: É... Mas quer saber?! Chega de falar de coisa chata! Eu to com saudades do meu marido. — Diz, mordendo os lábios. — Você também não ta com saudades da sua esposa?
JL: Ah, eu não... — Falo tentando parecer indiferente. — Nem um pouquinho de saudades, por que estaria?
Du: Só porque tu me ama, e sabe que eu sou a esposa mais perfeita de todas! — Diz, rindo.
JL: Olha, mas essa pancada na cabeça te deixou convencida, em? — Falo me aproximando de seus lábios. — Mas o pior é que tudo que tu falou é verdade!
Nossas bocas estão próximas uma da outra. Estamos com um sorriso gigantesco nos lábios! Eu me aproximo mais de Eduarda, e lhe dou um beijo.
Deitamos na cama lentamente, sem desgrudar nossas bocas, e ficamos trocando carícias ali.
Du: Meu marido... — Diz, mordendo minha orelha. — Como eu pude esquecer disso?
JL: Não sei! — Falo, e começo a rir. — Olha Du, tava pensando aqui, nós deveríamos tomar banho de sal grosso. Tá complicada pra gente!
Ela ri do que lhe digo, e diz:
Du: Com você eu tomo qualquer tipo de banho!
Sorriu, e volto a beija-la.
Começo a despi-la, e a cada peça tirada, é um beijo que deposito em seu corpo. Quando Eduarda fica nua, é ela que começa a arrancar minhas roupas.
Não estamos com pressa, curtimos o momento... Cada beijo que ganho e cada toque que sinto é único.
É tão bom te-la por completo de novo. Saber que ela sabe o quanto a amo e que se lembra do quanto somos felizes um com o outro.
Quando nós dois ficamos nus, eu me coloco por cima dela e nós começamos a nos amar.
Distribuo beijos por seu pescoço, e sinto suas unhas arranhando minhas costas.
O quarto logo se inunda com os sons e gemidos que saem de nossas bocas. Gemidos esses que são abafados a cada beijo nosso.
Quando chegamos ao ápice, eu continuo por cima dela por mais algum tempo.
Continuamos a nos beijar e a trocar carinhos.
JL: É tão bom ver seus olhos e perceber que tu não tenta esconder o olhar de apaixonada...
Du: Dá pra perceber só de me olhar? — Pergunta, sorrindo.
JL: Dá sim... Do mesmo jeito que dá pra perceber em mim o quanto eu te amo.
Du: Mas no seu caso não é cara de apaixonado. É de bobão...
JL: Aé? — Digo, começando a fazer cócegas nela. — Retira o que disse!
Eduarda começa a rir e tenta se afastar de mim.
Du: Para, para! — Fala em meio a risos. — Ta, eu retiro! Sua cara é de apaixonado!
Paro de fazer cócegas nela, saiu de cima de seu corpo e me deito a seu lado na cama.
JL: Du, eu tava pensando... Você quer ir viajar comigo? Só nós dois?
Du: Eu adoraria, mas não podemos...
JL: Ué, por que não?
Du: E o seu trabalho? E os nossos filhos? Não dá...
JL: Claro que dá Du! Eu falo com os meus pais, os bebes podem ficar aos cuidados deles. A Claraíde pode ajudar e a Carmem também! A gente passou por tantos problemas, precisamos de umas férias de tudo. Pra ficarmos nos curtindo... Aposto que meu pai me libera do trampo!
Du: Eu vou pensar, ainda não sei...
Subo em cima de Eduarda, e digo a encarando:
JL: Vou fazer cócegas em você, até tu aceitar viajar comigo!
Du: Não, não! — grita. — Eu topo! — Diz, rindo.
JL: Ual, foi mais fácil do que eu pensei...
Du: O que você não me pede sorrindo, que eu não faço chorando?!
JL: Então viajar comigo é tão ruim, que tu até chora. — Falo, fingindo uma cara de triste.
Du: Sem drama.. — Diz me puxando até perto de sua boca. — Eu te amo!
JL: Eu também te amo!
Nós nos beijamos e depois me deito novamente a seu lado.
Du: E então, pra onde você quer me levar?
JL: Não sei. Pra onde tu quer ir?
Du: Qualquer lugar que seja mais fresco que aqui. Vamos fugir um pouco desse calor...
Pego meu notebook, e pesquiso alguns destinos. Vemos vários lugares interessantes, até que um me chama atenção.
JL: Paris! Eu já fui algumas vezes... Você vai adorar!
Du: Ah não Lucas, que coisa mais clichê! Paris é muito coisa de casalzinho meloso...
JL: E a gente é o que, em? — Falo rindo. — Nós nos enquadramos no perfil de casais que vão para Paris!
Du: Sei lá, do jeito que a gente ta sem sorte, é capaz de esbarrar com um terrorista!
Começo a rir, e penso que Du tem razão. Melhor evitar dar sorte pro azar...
Pesquisamos mais um pouco, até que encontramos um lugar que agrada os dois.
Du: Veneza?
JL: Veneza!
Por Eduarda:
3 semanas se passaram desde que decidimos o destino da nossa viagem.
Como Lucas havia previsto, o pai dele realmente o liberou do trabalho, e ainda ficou extremamente feliz quando pedimos para os gêmeos ficarem em sua casa.
Nossas malas já estão arrumadas, nosso voo está marcado para amanha, 14 horas da tarde!
Ainda é noite, mas eu e Lucas não conseguimos dormir. Estamos ansiosos com a viajem.
Du: Veneza também é um lance de casalzinho meloso, mas mesmo assim to super animada.
JL: Eu também. Amo a Itália, to louco pra comer muita pizza...
Du: Vamos voltar uns 10 quilos mais gordos!
Conversamos mais um pouco, e passado algum tempo, Lucas adormece.
Eu continuo acordada pensando na nossa viagem... Irei sentir saudades dos meus bebes, serão 2 semanas sem pode-los apertar, abraçar...
Não sei porque motivo, mas de repente começo a pensar no que Lucas falou. Comer muita pizza! Só de imaginar meu estomago já embrulha e fico enjoada.
O enjoou fica mais forte, e eu vou até o banheiro para vomitar.
Será que comi alguma coisa estragada?
Quando me sinto melhor,vou até a pia e escovo meus dentes, abro a porta do banheiro e dou de cara com Lucas.
JL: Que foi?
Du: Não sei, passei um pouco mal...
JL: Será ansiedade pela viajem?
Du: Pode ser...
Me deito na cama, e fico de barriga pra cima olhando pro teto.
Du: Lucas... — Começo a falar, assim que ele se deita a meu lado. — Quando eu voltei do hospital, eu não tava tomando o anticoncepcional!
JL: E a gente transou sem camisinha. Meu Deus, será que você...
Du: Não, magina! — Digo, talvez tentando me convencer. — Quando você trocou meu remédio, a gente ficou junto um monte de vezes e mesmo assim não engravidei. Deve ser só ansiedade mesmo...
JL: E se não for?
Du: Lucas, eu já te falei que não quero outro filho agora!
JL: Mas se você estiver grávida, tu faria o que? — Fala, me encarando. — Ia pensar em abortar, igual quando estava gravida dos gêmeos?
Du: Claro que não! — Digo, levantando meu tom de voz. — Chega desse papo, eu não to grávida e pronto.
JL: Du, você sabe que se estiver, dessa vez não é minha culpa, né?
Du: Claro que é! Eu estava sem memória, você que deveria se lembrar de usar proteção. — Digo, quase gritando.
JL: Mas qual o problema? Não foi você mesma que disse que não está grávida e pronto?!
Du: Disse! E não to mesmo... Agora fica quieto e vamos dormir!
Me viro, e fico deitada de lado. O enjoou está voltando, e isso faz meus olhos se encherem de lágrimas.
Será que a minha sina é engravidar na primeira vez? Porque naquele dia, na minha cabeça, ia ser a primeira vez que dormiria com Lucas...
O enjoou volta, e eu corro pro banheiro! Sinto meu marido vindo atrás de mim...
Ele segura meu cabelo, e quando vê que já estou melhor, diz:
JL: Eduarda, amanha cedo eu vou comprar um teste de gravidez!
Du: Você deve estar adorando isso, né?- Pergunto.
JL: Você sabe que sim... Mas tu tem que entender que a culpa não é só minha! Eu não planejei nada, eu juro.
Du: Eu sei... — Digo, o abraçando. — Mas eu não to preparada pra isso. Que droga cara, e a nossa viajem?
JL: A gente viaja de qualquer jeito! E quer saber? Não pensa nisso agora! Eu vou buscar um remédio pra cortar esse enjoou, já volto tá?!
Ele sai e eu fico sozinha.
"Não pensa nisso agora" Como se fosse possível não pensar...
Me sento na cama, e fico esperando Lucas voltar. Ele rapidamente chega com um copo d'água e um remédio na mão e me dá. Eu tomo, e depois me deito pra tentar dormir.
Felizmente, o dramin faz efeito logo. Não só corta meu enjoou, como também me dá sono!
No outro dia, quando acordo, me levanto da cama e vou lavar meu rosto no banheiro. Quando abro a porta, Lucas me olhava com uma sacola na mão.
JL: Acordei as 8h da manha e fui comprar!
Du: Eu não quero fazer esse negócio, deixa para quando voltarmos da viagem..
JL: Não Du, é melhor saber agora! Faz esse exame logo, por favor!
Du: Você não entende? Se esse treco der positivo, não vou conseguir viajar!
JL: Eduarda, uma hora tu vai ter que encarar a realidade. Hoje, ou 2 semanas depois, o resultado vai ser o mesmo. Ou negativo, ou positivo!
Pego a sacola de suas mãos, e bato a porta quando entro no banheiro. Não acredito que to nessa situação de novo!
Abro a sacola e tiro os teste. Dessa vez Lucas trouxe 4!
Faço um por um, e me afasto para esperar o resultado. Me sento com as costa encostada na parede, e quando acho que os 5 minutos já passaram, chego mais perto para conferir.
1 linha= Negativo.
2 linhas= Positivo.
Pego um dos teste, e olho: 1 linha!
Abro a porta do banheiro e encontro Lucas sentado na cama.
JL: E então?
Du: Negativo! — Digo, começando a rir. — Meu Deus, que sorte. Nem acredito..
JL: Tem certeza Du? Acho que ainda não passou os 5 minutos...
Du: Lucas, para. Não adianta, eu não to grávida. — Há um sorriso gigantesco nos meus lábios.
JL: Ok, que bom pra você... — Ele está triste.
Du: Um dia a gente faz outro, tá? — Falo sorrindo. — Mas por enquanto não!
Volto pro banheiro e jogo todos os testes no lixo.
São 8:40 da manha, eu ainda estou morrendo de sono.
Du: Vamos voltar a dormir, a gente ainda tem tempo!
Me deito novamente e pego no sono rapidamente.
Quando acordo, 3 horas depois, dou de cara com Lucas:
JL: Levanta vai, vamos almoçar na casa dos meus pais.
Du: Ah, deixa eu dormir mais um pouquinho...
JL: Não dá Du! Levanta, se arruma e pega suas coisas. De lá nós vamos direto pro aeroporto!
Me levanto, morrendo de preguiça, e dou um selinho em Lucas.
Arranco minhas roupas e vou direto pra debaixo do chuveiro! Quando saiu, Lucas já está levando as malas pro carro.
JL: Se arruma rápido, senão vamos nos atrasar!
Vou até meu closet e pego uma roupa que já estava separada. Me visto e começo a me maquiar. Olho no relógio e já passam de 12:00. Nosso voo é as 14:00! Temos duas horas pra irmos até a casa dos pais de Lucas, almoçarmos, nos despedirmos, ir até o aeroporto,fazer o checking e embarcar.
É, acho que precisamos nos apressar...
Fico pronta e desço as escadas correndo.
Me despeço dos empregados, e vou com meus filhos até o carro.
Estou os colocando nas cadeirinhas, quando pergunto:
Du: Não ta esquecendo de nada, né? Já colocou todas as malas no carro?
JL: Já sim! Ta tudo certo Du...
Du: Você pegou as nossas escovas de dente?
JL: Não, mas não precisa, compramos outras lá!
Du: A gente vai estar em Veneza. Sério que você quer perder tempo comprando escovas de dente? — O encaro com um sorriso no rosto. — Eu vou busca-las e já volto!
Entro em minha casa e subo as escadas correndo. Vou até meu closet e pego uma necessaire para escovas de dente.
Vou até o banheiro da suite e quando pego a pasta de dente a deixo cair no chão. Me agacho para pega-la, e vejo um dos teste de gravides.
Du: Deve ter caído fora do lixo... — Penso em voz alta.
Quando vou jogar o teste, olho para ele e vejo duas linhas. Uma delas é bem mais clara que a outra, mas mesmo assim são duas!
Fico desesperada. Esse só pode ter dado errado...
Pego o lixo e o jogo no chão, rapidamente encontro os outros 3 teste.
2 risquinhos em todos.
Meu Deus!
Estou grávida!
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