Sempre te amei.
38 Barraco
Notas iniciais
Por João Lucas
Vejo toda cena de longe. Minha mulher indo em direção a Priscila, colocando a mão em seu ombro e agora as duas se encarando.
Não consigo ouvir o que elas estão dizendo, a música está muito alta e por enquanto as duas ainda não gritam... Mas só de olhar suas expressões faciais sei que isso não vai durar muito tempo.
E não durou mesmo!
P: Eu fiquei com o Lucas muito antes de você! Ele é muito mais meu do que seu. — Priscila grita.
Eduarda dá uma risada irônica, e lhe responte.
Du: Minha querida, você tem algum tipo de problema mental? — Diz erguendo sua mão esquerda — Ta vendo isso? É uma aliança! Ele é meu marido, é o pai dos meus filhos! Ele nunca foi seu, só em teus sonhos! — Ela responde no mesmo tom de voz.
Todas as pessoas do barzinho observam as duas em silêncio. A música parou de tocar. Todo mundo está querendo entender o que acontece ali.
P: Ele só casou com você porque tu deu o golpe da barriga.
JL: Cala boca, garota! — Digo entrando na conversa — Eu amo a Eduarda, amo como nunca amei ninguém!
Du me olha, e vejo que ela preferiria que eu não tivesse entrado na conversa. Mesmo assim, fica feliz com o que digo e me lança um sorriso.
P: Você veio... — Diz me olhando — Pensei que essa aí tivesse te trancado no banheiro e vindo no seu lugar!
Du: Acho que você ainda não entendeu... Desde o começo era eu! Quem você acha que marcou esse encontro?
P: Não foi você, Lucas? — Pergunta frustrada.
JL: Nunca!
Du: Fui eu que marquei! E é pra te avisar: Ou você esquece o meu marido por bem, ou eu vou fazer você esquecer! E o meu método pra causar amnésia não é nenhum pouco agradável!
P: Você acha mesmo que eu tenho medo de você? — Diz começando a rir.
Eduarda se aproxima mais de Priscila e lhe dá uma bofetada na cara.
O tapa foi tão forte, que minha ex caiu no chão. Du lhe olha de cima, e diz:
Du: Ainda não tem medo de mim?
Priscila se levanta e tenta revidar o tapa, mas os seguranças do local chegam antes que ela possa atingir minha esposa.
S: Vocês saiam imediatamente, ou eu irei chamar a polícia! — Diz um dos homens.
JL: Vamos Eduarda, eu não quero que nossos filhos tenham uma mãe presidiaria! — Digo a puxando pra perto de mim.
P: Agressão é crime sua vaca! Eu vou te denunciar...
Du: Aé?! — grita — Acho ótimo. Aposto que vai sair em todos os jornais "Priscila Tamborindeguy vai a delegacia denunciar agressão sofrida. Motivo? Mexeu com o marido dos outros!" Vou adorar que todos saibam que você é uma vadia.
P: Eu vou te mostrar a vadia — Diz tentando novamente agredir Du.
Os seguranças, mais uma vez, a impedem.
S: Já disse pra se retirarem. Vão brigar na rua, não aqui!
JL: Nós vamos embora, desculpa! — Digo puxando Eduarda.
Arrasto minha esposa até a saída e vamos em direção ao carro. Du está zangada comigo.
Du: Você não deveria ter vindo. Atrapalhou tudo! Eu nem consegui dar uma boa surra naquela bisca!
JL: Acho que você perdeu a noção! Já passamos por um escanda-lo a algumas semanas atrás, por causa das fotos com o Rodrigo...
Du: É, eu sei. Não precisa lembrar... Mas já passou! Valeria muito a pena sair nos jornais de novo, só pra ter o prazer de quebrar a cara daquela filha da mãe!
P: Agora não tem ninguém pra me segurar, vou mostrar quem vai quebrar a cara de quem!
Olho para Priscila e fico sem acreditar. O que essa mulher tem na cabeça?! Ela quer mesmo apanhar!
JL: Eu não vou deixar vocês duas brigarem de novo! Essa história já acabou. — Me viro e encaro Priscila — Não iria querer ficar com você, nem que estivesse solteiro. Me esquece! E tu Eduarda, para de agir como se fosse uma adolescente barraqueira! Pensa nos nossos filhos que estão em casa e vamos embora! — Digo abrindo a porta do carro e entrando.
Eduarda parece ouvir o meu conselho, e dando as costa para Priscila, vem em direção ao carro também.
Antes que Du conseguisse entrar no automóvel, minha ex corre até ela e puxa seu cabelo.
Atacar pelas costa, ela foi muito baixa...
Eduarda se vira rapidamente e dá um forte tapa na cara Priscila. As duas colocam as mãos um no pescoço da outra, mas Eduarda é mais rápida e consegue imobilizar Priscila.
Du: Garota, foi você que pediu! — Diz lhe dando mais um tapa. Sua cara certamente ficará roxa.
JL: Para com isso Du! — Digo saindo do carro.
Du: Se você separar essa briga agora, eu não falo mais com você! — Ela diz, enquanto torce o braço de Priscila.
P: Me solta sua desgraçada...
Du: Só quando você me implorar! — Fala a jogando no chão.
Du se senta em cima de Priscila, e começa a distribuir bofetadas em seu rosto.
P: Me larga sua cretina! Nojenta! Socorro, socorro! — Grita.
Du: Já religaram a música, ninguém vai te ouvir!
Eduarda continua a bater em Priscila, e eu começo a ficar com pena dela.
P: Para, por favor! Ta doendo...
Du: É pra doer mesmo, é pra tirar sangue!
JL: Chega Eduarda, já ta bom!
Du se levanta e encarando minha ex, pergunta:
Du: Você vai procurar meu marido de novo? Vai atrapalhar nossas vidas mais uma vez? — Ela não responde, apenas fica no chão chorando. — Anda, responde! — Grita.
P: Não... Eu nunca mais vou ligar, nem procurar. — Fala limpando as lágrimas.
Du: Ótimo, você não é tão burra assim! — Diz indo pro carro. — Ah, só mais uma coisa. — Fala voltando a olha-la. — Vai logo pra casa colocar gelo nesse rosto... Só um conselho, pra você não achar que eu sou tão má!
Eduarda entra no carro, no bando do motorista, e eu me sento ao lado dela logo em seguida.
JL: Meu Deus Du, a gente não pode deixar ela assim... Coitada! Como ela vai pra casa?
Du: Não to nem aí Lucas. Se a mãe dela não a ensinou que ela não pode ter tudo na vida, eu ensino! Além do mais, eu não quebrei as pernas da Priscila, ela que vá sozinha procurar ajuda...
JL: Isso é maldad...
Du: Por que ta tão preocupado assim? — Diz, me interrompendo — Se gosta tanto dessa aí, pode ir ajudar ela...
JL: Vai ter crise de ciumes agora? — Digo, a encarando — Estou preocupado sim, apesar de tudo ela é uma pessoa, né? E não é só com ela, é com você também!
Du: Mas eu to ótima, nunca estive melhor!
JL: É Du, mas e se ela for mesmo na polícia?
Du: Ela ir na polícia? Até parece... Pra todos ficarem sabendo que ela apanhou por mexer com o marido alheio?! Duvido! Ela se importa demais com o que a sociedade pensa!
JL: Mas ela vai ter que explicar pra alguém o porquê das marcas roxas... Porque vai ficar roxo!!
Du: Eu aposto o meu vídeo game favorito, que ela vai inventar alguma coisa! Que foi assaltada ou sei lá! Vai ficar pagando de coitadinha! — Diz colocando a chave no carro.
JL: Ok... Vamos logo então!
Eduarda me olha, e com um sorriso tímido no rosto fala.
Du: Você pode dirigir?
JL: Eu? Por que? Tu adora pilotar, e já me disse que não quer que eu dirija seu carro!
Du: É, eu disse... Mas minha mão ta doendo e...
Começo a rir e Eduarda para de falar.
JL: Com o tanto de tapa que você deu nela, nada mais normal que isso! — Digo pegando em sua mão — Deixa eu dar um beijinho pra passar.
Eduarda sorri, e me fala:
Du: Ta bom, agora vem cá... Mas ó, não se acostuma não. É só hoje, ainda ta de pé o negócio de você não dirigir o meu carro... — Fala enquanto mudamos de assento.
Passo meu corpo por cima do de Du, e ela se senta ao meu lado, no bando do passageiro.
JL: Isso me lembrou uma cena... Quando a gente foi pro baile funk e eu fiz você ir dirigindo! — Digo a olhando com um sorriso — Se alguém me dissesse naquela época que eu ia casar com você, e que tu daria uma surra em alguém por mim, nunca ia acreditar!
Du: Não foi só por você seu convencido — Diz colocando o cinto — Foi por mim também. Não tenho vocação pra ser trouxa!
Riu do que Eduarda fala e vamos pra casa.
Quando chegamos, Du vai direto pro quarto dos bebes. Precisa liberar logo a baba, já está tarde!
Nos despedimos de Carmem, e eu fico olhando meus filhos enquanto Du toda banho.
Os bebes já estão dormindo, mas eu gosto de ficar os observando. As vezes quero que eles cresçam logo, que andem e falem! Mas em outras, torço pro tempo passar devagar, sem pressa! Dá medo pensar que meus filhos nem sempre estarão protegidos por mim, que não vão estar debaixo dos meus olhos.
Eduarda entra no quarto, com o cabelo preso em um rabo de cavalo, e uma camisola branca bem curta. Nunca tinha visto Du vestindo uma coisa como aquela...
Du: Gostou? — Diz assim que percebe meu olhar — Comprei a poucos dias...
JL: Eu adorei.. — Digo indo beijar sua boca — Mas prefiro sem!
Du: Nem vem Lucas, estou morta de cansaço! Bater em alguém acaba com as energias...
JL: Tá bom — Digo rindo. — Mas uns beijinhos eu quero...
Eduarda beija minha boca várias vezes, e pegando na minha mão fala:
Du: Vamos pro quarto, você ainda tem que tomar banho...
Vamos até nossa suite, e eu vou direto pro banheiro. Quando já estou de baixo da ducha, percebo que esqueci uma coisa.
JL: Du — Grito. — Trás uma toalha pra mim!
Em poucos segundos, Eduarda entra no banheiro.
Em uma de suas mãos, está a toalha que lhe pedi. Na outra, encontrasse uma caixinha de remédio.
JL: Que isso? — Pergunto
Du: Com toda essa correria, quase esqueci de tomar o anticoncepcional...
Eduarda me entrega o que eu lhe pedi e sai do banheiro.
Fecho meus olhos, ainda de baixo do chuveiro, e me lembro do que fiz.
Quando Du me disse que os comprimidos que o doutor havia lhe receitado eram iguais ao remédio que ela toma pra não engravidar, uma ideia me ocorreu: Enquanto ela estava no banho, eu troquei as cartelas.
Na verdade, o que ela está tomando todos os dias não passa de um remédio para cortar o vômito... Espero que não dê nenhum efeito colateral!
Por um lado me sinto um pouco culpado. Sei que estou fazendo uma coisa errada... Mas sei também que Du vai ficar feliz quando engravidar, mesmo que agora ela não queira, sei que vai gostar da notícia. Talvez estranhe no começo, mas vai acabar aceitando... Assim espero!
Ainda não parei pra pensar no que direi para consola-la no dia em que ela descobrir a gravidez. Certamente ficará chocada. Tenho que treinar bastante. Não sei mentir, terei que ser um bom ator.
"Nossa amor, eu não acredito! Estou muito feliz... Esse bebe queria nascer mesmo, foi mais forte que os remédios..." É, essa parece ser uma boa frase para se dizer.
Saiu do banho e me enxugo com a toalha deixada por Du. Vou até nosso closet, e visto apenas uma cueca.
Du: Vai dormir assim?
JL: Sim, por que? Não gostou? Posso tirar... — Sorriu maliciosamente.
Du: O que ta acontecendo com você? Nos últimos dias só está pensando nisso! — Diz sorrindo pra mim.
Me sento na cama e não respondo. Não quero mentir, e a verdade seria: "Estou assim, porque além de te amar e desejar muito, to querendo te engravidar logo." Acho que ela não iria gostar.
Me deito ao lado de Eduarda, a abraço, e ela rapidamente dorme.
Enquanto a observo, já imagino que meu filho esteja dentro de sua barriga.
Modéstia a parte, eu caprichei na noite passada... Se já fiz gêmeos em uma noite, mesmo sem querer, imagina querendo! Adoraria ter trigêmeos, mas acho que Eduarda surtaria. Um já está bom!
Fecho meus olhos e o sono logo vem. Aposto que nas próximas semanas já ficarei tendo noticias do meu mais novo herdeiro.
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