Sempre foi Você

1 Naquela manhã de outono


Notas iniciais
Oi, gente! Eu tenho sfv postada em outra plataforma há bastante tempo, mas só agora resolvi me aventurar por aqui também. Espero que gostem!

"Quero apenas cinco coisas...

Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... Sem que me olhes.
Abro mão da primavera para

que continues me olhando.

— PabloNeruda’’

Nova York – Novembro

Diariamente temos chances de recomeços. Basta se permitir sentir.

POV ROBIN

6:00AM

Era começo de uma manhã comum como qualquer outra. Uma manhã que para uns seria a ida ao trabalho, para outros uma caminhada. Todos passavam em suas pressas e correrias habituais, que ditam o ritmo de uma cidade grande, onde ninguém tem um mísero segundo a perder. Porém, para mim, foi tudo diferente. Foi a manhã... Foi naquele começo de dia que eu a vi.

Era meu segundo dia em Nova York. Como de costume sai para minha caminhada matinal antes de um dia exaustivo, que eu tinha certeza que teria pela frente. Lá estava ela, com uma beleza inexplicável, que eu nunca vira antes. Poderia ser exagero? Poderia, mas ela era realmente dona de uma perfeição fora do comum. Peguei-me admirando aquela mulher sem nenhum senso do ridículo.

Meus olhos buscaram sua imagem, como um ímã busca o metal. Era manhã de outono, as árvores adotavam um alaranjado comum da estação, os raios solares começavam a aparecer, dando um ar apaixonante. Lá estava ela, sentada em um banco de madeira, lendo um livro que não sei o nome, em meio ao Central Park, com uma calmaria incomum para a tamanha agitação daquela cidade. Pela sua feição, poderia dizer que está lendo um romance, e me veio um súbito desejo de saber mais sobre ela. Sobre o que ela estava pensando nesse exato momento, sua opinião sobre o livro que ela lê com uma concentração de se invejar, sobre sua vida... Isso pode parecer meio louco, não? Eu também acharia se não estivesse vivenciando isso eu próprio, mas, neste caso em particular, posso apenas sentir. Dizem por ai que algumas coisas não precisam de explicações, elas só precisam ser sentidas. Eu nunca fui muito de acreditar nisso, mas ali, vendo-a ler, completamente alheia ao mundo, nada poderia ser mais verdade do que este tão antigo ditado.

Permaneço parado a observando. Minha vontade é de ir ate ela, perguntar seu nome. Quem sabe não nos tornamos amigos? Mas seria muita loucura da minha parte. Ela poderia me achar um louco que para, no meio do nada, e fica preso num transe, sem nem saber o porquê fica ali, apenas a observando. Ela poderia até fugir de mim e isso é tudo que eu menos quero. Posso passar mais uns minutinhos aqui, certo? Ela nem me viu mesmo.

Sinceramente, eu poderia passar todos os minutos que me sobram de vida observando essa mulher. Não me achem um psicopata, pelo amor de deus! Eu só não consigo explicar o que eu senti ao vê-la. O jeito que ela mexe no cabelo, colocando atrás da orelha, o sorriso discreto, provavelmente por alguma parte do livro que lê, mas que mesmo assim me faz querer ver esse sorriso por mais tempo. Estou me saindo um belo romântico daqueles que habitam os inúmeros livros de romance, quem diria hm?

Meu transe se desfez no momento que ela fechou o livro e delicadamente foi se levantando, seguindo entre as folhas alaranjadas caídas das árvores. Vendo-a se afastar cada vez mais, tomei minha direção com o pensamento longe... Em quando veria aquele sorriso outra vez. Com toda certeza, este seria um dia longo.

POV OFF

♡♡♡

POV ROBIN

6:00 AM – Dia seguinte

Acordei no mesmo horário de ontem, quem sabe assim consigo chegar a tempo. Levantei e fui direto para o banheiro, trabalhando para ficar pelo menos uma pessoa apresentável a essa hora da manhã, o mais rápido que consegui. Coloquei minhas roupas apropriadas para caminhar e preparei o café, comendo o mais rápido que posso.

Chaves em mãos... Hora de sair.

O dia parecia exatamente igual. Pessoas apressadas, trânsito em seu começo de dia, eu seguindo em direção ao Central Park. Tudo seria exatamente igual se eu não estivesse indo por um único e exclusivamente motivo, ou melhor, pessoa. Ela. A mesma morena que estava fazendo morada em meus pensamentos. Estou ficando louco? Talvez, mas, quem sabe ela não está lá. No mesmo banco do dia anterior, com aquele sorriso que não saiu da minha cabeça desde que meus olhos os fitaram. Quem sabe a sorte não está a favor de um cara maluco que só precisa apreciar mais um pouco daquele sorriso, mesmo que seja como um telespectador distante. Nunca fui de criar muitas esperanças. Nunca fui de agir assim, na verdade. Mas desde que a vi ali sentada, coisas aconteceram, coisas que talvez nem o mais sábio dos humanos pudesse explicar-me. Também fiquei me perguntando como pude sentir tanta coisa apenas observando de longe... A verdade é que eu não faço a mínima ideia.

Caminhei pelo parque com a minha esperança recém-adquirida de encontrá-la, olhando em volta sem perder nenhuma pessoa de vista. As folhas alaranjadas, caídas no chão, só reforçavam o quanto aquilo me parecia nostálgico. Não foi preciso muitos passos. Não precisei andar muito para encontrar o ponto de luz em meio aquele parque. Lá está ela, sentada no mesmo banco. Agradeci aos céus por poder vê-la mais uma vez. Hoje, diferente do dia anterior, ela está com os seus cabelos negros soltos, deixando-a ainda mais encantadora, coisa que eu não sabia que seria possível. Reparei no livro que ela levara desta vez, um de capa dura azul, e ali estava ela iluminando o parque com aquele sorriso. Como eu esperei por ele. Esse, diferente do anterior, foi um pouco mais receptivo, como se ela estivesse sorrindo especialmente pra mim. Coisa que, com certeza, deve ser alucinação da minha cabeça.

POV OFF

Robin permaneceu um bom tempo ali parado observando-a feito um bobo, mergulhado em seus próprios devaneios e anseios. Tempo esse que ele não fizera nem questão de contar. Por ele, passaria quantos segundos fossem precisos. Porque ali a contagem do tempo não se fazia necessária. Queria criar coragem para ir ate lá.

Os movimentos dela fizeram com que ele despertasse do seu mundo paralelo bruscamente. Quando deu por si, a morena já estava tomando a direção da saída. Amaldiçoou-se internamente por não ter tido coragem o suficiente de ir ate ela e deixar mais essa chance escorrer entre seus dedos, como areia no deserto. Dentro de si, o sentimento que reinava naquele momento era o da perda. A decepção de tê-la deixado escapar mais uma vez. Mais uma coisa que diferenciava o dia de ontem do agora, é que agora, bem... Agora ele já não tinha mais certeza se vai reencontrá-la outra vez.

♡♡♡

POV REGINA

6:00 AM – Dia anterior

Decidi sair um pouco da rotina e ir ler no parque, uma das coisas que me deixavam mais tranquilas para enfrentar um longo dia. Amo ler ao ar livre, amo o cheiro das árvores e amo, principalmente, essa estação do ano. Geralmente as pessoas não gostam do outono, mas eu, particularmente, acho de uma poesia estonteante. A forma como as folhas alaranjadas sobre o chão fazem contraste com o céu, azul e cristalino, é inspirador. Laranja e azul se conversam.

É engraçado ver as pessoas passando com suas respectivas carrancas de início de manhã, imersos em suas pressas corriqueiras. Viver em Nova York demanda certa habilidade para não deixar que o excesso de movimento te engula. Ter um refúgio é uma boa maneira de se manter sã nessa loucura toda, e bom, eu encontrei o meu. Os livros, e estar em contato com a natureza, são ótimas maneiras de equilibrar a vida.

Escolhi um banco de madeira que ficava localizado no meio do parque, em volta há pistas de caminhada, um lago com vários patinhos e as benditas folhas caídas no chão, típicas do outono. Já disse que fico encantada com essas cores? Provavelmente sim.

Trouxe comigo um livro, dentre tantos que possuo. Escolhi um de romance. O mundo fica mute quando estamos mergulhados nas páginas cobertas de letras. Viajamos sem sair do lugar, e acordamos com uma súbita vontade de explorar cada canto que a realidade nós presenteia. De viajar o mundo. É mágico, não é? Eu acho!

Mas, hoje o mundo não está no mute, aliás, até determinado tempo estava. Quando eu o vi, ali parado me observando, senti uma coisa estranha acontecer dentro de mim. Não, não estava passando mal. Pelo menos eu acho que não. E rapidamente não estava prestando mais atenção ao meu amado livro. Minha atenção estava toda nele, seus cabelos com um leve tom de dourado, aqueles olhos azuis que me fitavam com uma intensidade que jamais senti antes. Sem falar naquele corpo, mas vamos focar nos olhos, não é?

Ele parou no meio do parque e não tirava os olhos da minha direção. Poderia parecer estranho e até psicopático, mas naquele momento, eu só queria que ele estivesse ali, olhando para mim.

Tentei não deixar transparecer os meus pensamentos, mas foi impossível não sorrir com o modo que ele parecia estar em um transe. Um sorriso discreto, é verdade, mas o suficiente para que aqueles olhos me fitassem ainda mais curiosos.

Será que coisas assim acontecem diariamente, quando você vai casualmente ao parque ler? Digo, encontrar um cara e não conseguir se desligar. Isso soa um pouco bobo.

Eu continuo a olhá-lo de soslaio, me permitindo admirar ainda mais aquele rosto a me observar. Será que ele está sentindo o mesmo? Claro que não!

Talvez seja coisa da minha cabeça. Ninguém encontra uma alma gêmea em meio ao Central Park. Desfaço-me dos meus pensamentos, voltando para realidade. Realidade na qual coisas como essa simplesmente não acontecem. Fecho meu livro, levanto delicadamente e vou embora, sentindo, no entanto, uma necessidade absurda de ficar.

Quem sabe nossos caminhos se cruzam novamente...

POV OFF

♡♡♡

POV REGINA

6:00 AM – Hoje

Estava querendo testar a sorte ou talvez o acaso. Resolvi voltar ao parque, quem sabe eu não encontre o loiro dos olhos intensos, não é? E se a sorte não estiver a meu favor, pelo menos irei aproveitar uma manhã com mais um livro que escolhi da minha recheada coleção.

É engraçado se formos parar pra pensar e tentar buscar a racionalidade nisso tudo. Eu não o tirei dos meus pensamentos um minuto sequer, talvez não tenha nada de racional nisso. Quem não consegue tirar uma pessoa da cabeça sem ao menos conhecer?

Como eu disse antes, é tudo muito estranho. E como eu sempre costumo dizer, coisas acontecem sem muita explicação. Elas só esperam que a gente as sinta da melhor forma possível.

O dia estava agradável, coloquei um casaco leve, deixei meus cabelos soltos e escolhi o meu livro do dia, um dos meus favoritos, com uma capa com um tom de mistério nas cores azul. Azul passou a ser uma cor de intensidade pra mim, no exato momento que fitei aquela imensidão.

Sentei no mesmo banco do dia anterior. Só me resta esperar pra ver se eu estava certa em alimentar qualquer que fosse o que estivesse acontecendo comigo.

Abri meu livro e não demorou muito pra que eu percebesse a aproximação dele. Ponto para o destino. Parando exatamente onde estava no dia que passara. Vê-lo repetir movimentos é até engraçado. Não pude deixar de reparar no quanto ele está charmoso com aquela calça de moletom e uma camisa azul. Já disse que azul é a minha cor favorita? Se não, passou a ser.

Dessa vez não pude conter o sorriso, quando dei por mim, meu rosto já trasbordava a alegria de vê-lo novamente. Rosto traidor!

Fiquei um tempo considerável sentada no banco, esperando o moço de olhos azuis intensos tomar alguma iniciativa, mas ele parece submerso demais no seu transe particular. Parecia que estava em um mundo só dele e nem reparará que eu estava o fitando. Em meu peito começo a sentir uma mistura de ansiedade com decepção. Não era possível eu ter inventado tudo isso, era?

Espero que ele venha na minha direção e me faça perceber que tudo isso não é criação da minha cabeça, mas ele não o faz isso. Deveria imaginar que isso não acontece na vida real, onde já se viu criar algum tipo de sentimentos da noite para dia e ainda mais com um estranho?

Decido deixar meus devaneios para outrora e ir embora, mas aquele sentimento de ímã se apossou de mim novamente, dessa vez mais forte. Tinha que tomar alguma atitude, não poderia ser só coisa inventada. Crio coragem e caminho na direção dele. Chegando perto o vejo olhando pra mim sem entender nada. Bobinho, mal sabe ele que eu também estava nesse mesmo barco.

POV OFF

Narração

— Vai vir falar comigo ou só vai ficar olhando mesmo? – essa seria a hora de Regina saber se aquilo tudo tinha algum fundo de verdade ou se estava ficando mais louca.

— O-oi- ‘’aja como a pessoa madura que você é, Robin! Ela só lhe fez uma pergunta’’ pensou ele. — Eh, hm, você percebeu? – nesse momento Robin chegou a conclusão que ela tinha percebido, já que parecera um louco parado a olhando. — Me desculpe se te incomodei de alguma forma, não foi minha intenção.

— Tudo bem, você não estava me incomodando. Então, você estava me observando mesmo? — perguntou sem muitas cerimônias, afinal ela precisava saber a resposta.

Ele tinha que responder algo sólido antes que ela o achasse louco ou psicopata, isso é tudo que não precisava que ela pensasse dele.

— Sim, desculpe, mas não conseguia tirar os olhos de você. – ‘’eu e minhas malditas desculpas’’. A essa altura Robin já não sabia o que estava fazendo e, principalmente, falando.

Por essa a morena não esperava, seu rosto ganhou um tom ruborizado com a resposta dele, denunciando-a. ‘’Então não é coisa da minha cabeça afinal’’ constatou.

— Não precisa se desculpar. – o olhar dele sobre ela era de uma intensidade que poderia facilmente ver além da sua alma. Se fosse qualquer outro estranho, poderia deixá-la incomodada, mas com ele tudo soava tão diferente e intenso que a levava a crer que o desconhecido não existe ali... Entre ambos.

Regina se perguntava se isso tudo que está acontecendo poderia ser real. Será que não está mergulhada em um dos seus incontáveis livros e não estava discernindo a realidade da ficção? Talvez, mas essa ligação entre aqueles olhares parecia mais que uma história tirada de um livro.

Robin permanecia no seu transe habitual desde que vira aquela moça de cabelos negros sentada no meio do parque. Nada parecia mais certo pra ele naquele momento do que mergulhar na imensidão daqueles olhos chocolates, carregados de uma intensidade que poderia ser comparados ao universo. Tudo que ele queria ali era poder desvendá-los.

— Você está se sentindo bem? – foi tirado de seus devaneios por aquela voz doce que fazia seu coração dar leves saltos. – Parece um tanto atordoado. – era exatamente assim que ele se sentia.

— Estou sim, são só pensamentos, nada demais. – a quem ele queria enganar? Estava completamente atordoado por aquela mulher. – Nós nem nos apresentamos. – levou sua mão em direção a ela em sinal de comprimento. No exato momento que seus corpos entraram em contato um com o outro, Robin sentiu um leve formigamento percorrer toda a extensão de seu corpo, quase como uma se uma corrente elétrica o atravessasse.

— Então me diga seu nome, senhor observador. – quando ela sentiu o toque dele na sua mão, uma corrente invadiu-a. Não sabia de onde tinha vindo ou porque, mas chegara à conclusão que ele poderia a tocar dessa forma sempre.

— Prazer, Robin. Robin Locksley. Posso saber o seu nome, pessoa observada? – precisava saber o nome dela.

— Sem nomes para você, desculpe! – Regina lhe deu um sorrisinho de vitória ao perceber a fisionomia de decepção no rosto dele, era impagável. Robin era uma pessoa encantadora... Sim, Robin, agora sabe o nome do loiro de olhos azuis que vagou por sua mente desde o dia anterior.

— Tudo bem, então, senhora ‘’sem nomes pra você’’. – ao ouvi-lo, ela não conseguiu controlar sua gargalhada. Ela saiu mais fácil que o normal, como tudo ali.

Ao ouvir o som da gargalhada da morena a sua frente, as batidas de seu coração se elevaram a patamares altíssimos. Aquele som poderia ser considerado sinfonias para os seus ouvidos. A cada minuto que passava com a ‘’senhora sem nomes’’ era como se uma tonelada de preocupações saísse de seus ombros. Tudo era tão simples e leve ao lado dela, mesmo com algumas horas de observação e poucas de palavras. Era fato, tinha algo mais ali.

— Você não quer se sentar? Conversarmos sentados é bem mais confortável.

A passos lentos como se não quisessem que o tempo agisse no seu curso natural, ambos se dirigiram ao banco de madeira que Robin a vira sentada, tão compenetrada em sua leitura. Tanto ele quanto ela, estão em um conflito interno para saberem lidar com essa enxurrada de sentimentos que os atinge. Para eles tudo é muito novo, cada centímetro daquela linha que os uniu, cada faísca dos seus toques sobre a pele um do outro, cada troca de olhar que revelavam mais que as próprias palavras em si. Eles sentiam juntos, mas para ser justo, eles não sabiam que um ocupara os pensamentos, e porque não, talvez o coração um do outro.

E se não fosse recíproco? Essa pergunta sobressaia na cabeça deles. Afinal, essas coisas não acontecem a cada volta na esquina, não é?

Em meio a tantos conflitos, um silêncio entre eles foi estabelecido. Não daqueles desagradáveis, pelo contrário, se fez necessário para colocarem aquele turbilhão de coisas em ordem. Ou ao menos tentarem.

POV REGINA

Sentamos no banco no qual eu estava há poucos instantes atrás. Robin me fitava com aqueles olhos que me faziam querer desvendar cada nuance de azul. Estávamos em silêncio. Por alguns segundos, horas pareceram se passar. Mas ali, olhando pra ele, definitivamente nada me incomodava, nem mesmo o silêncio. Minha mente voou longe, um pouco intimamente demais, onde ficam guardadas todas as coisas com as quais eu não queria lidar no momento. Toda aquela conexão estranha e inesperada que surgira que pra falar a verdade eu não sabia como lidar. Nem sabia se existia alguma coisa para ser lidada. Ao fitar os seus olhos mais uma vez, naquela manhã eu pude ver que eu não era a única com sentimentos sobressaltados ali. Que mal tem ouvir o coração quando ele pede pra ser ouvido, hm? E o meu gritava para que eu o escutasse.

POV OFF

Narração

— Regina. Meu nome é Regina. – A morena quebrou o silêncio que se estendia por segundos demais. –Não sou mais a ‘’senhora sem nomes’’. – Quando aquelas palavras chegaram aos ouvidos dele, um sorriso de covinhas nasceu instantaneamente fazendo com que o coração dela desse pulos em seu peito.

— Então senhorita que agora tem um nome — Ele não poderia perder a piada e quem sabe assim tentar disfarçar o quanto estava encantando por ela. – O que faz no parque numa manhã de outono?

— Estava esperando alguém aparecer e ficar me observando de longe. – Naquela hora ela só queria entender de onde surgiu esse sarcasmo, mas tinha que confessar que era divertido ver a cara dele.

— Então que bom que eu fui essa pessoa, hm? – Quem os visse de longe imaginaria que seriam dois velhos amigos num papo confortável.

Essa pergunta à fez divagar ainda mais nos seus próprios pensamentos: ‘’Se eu confirmasse seria muita loucura da minha cabeça? Com certeza seria, mas o que eu posso fazer se isso é a mais pura verdade? E pelo palpitar do meu coração, ele também concorda que é uma verdade indiscutível. O que se pode ser feito quando essas coisas acontecem? Bem, eu não sei. Nunca senti isso por um desconhecido que até o momento só sei o nome, mas que, para falar a verdade, não me importo nem um pouco. Então que se dane! ‘’.

— Digamos que você tenha um pouco de razão. – Regina permitiu-se ir de encontro com suas orbes azuis, que exerciam um poder magnético sobre si. É como se ali, olhando bem no fundo de sua alma, encontrasse respostas para todo esse caos que se instalou.

— É bom ter razão então. – Deu um singelo sorriso depois que o som de suas palavras foram ouvidas. É engraçado como tudo flui com facilidade ao lado dela, pensou ele. –Me fale um pouco mais de você, quem é essa bela morena que atende pelo nome de Regina?

— Hm, quem sou eu? Essa é uma boa pergunta. – O interesse dele a tirava dos eixos. – Porém, ainda não sei como responder. Por que primeiro não me conta quem é a pessoa que pareceu ter parado o mundo para me observar?

— Que tal começarmos pelo básico? Meu nome você já sabe, tenho 26 anos e estou a menos de uma semana aqui em nova York. Ainda estou tentando me adaptar a essa correria de cidade grande. – Robin poderia notar através daqueles olhos, o quanto de mistério eles carregavam e como um bom curioso que era, não poderia deixar de desvendá-los.

— O básico me parece bom. – Deu um leve sorriso, aliás, sorrir se tornou um hábito constante ao lado dele. — Tenho 24 anos e acho que já estou a um bom tempo nessa cidade. Mas me diga o que te atrás aqui, em nova York? Trabalho ou um amor?

— Bem, a princípio me mudei pelo emprego, mas confesso que um amor não me parece uma má ideia. – ‘’Droga! Onde você aprendeu a conversar assim, Robin!’’ ele já tinha perdido seu foco a tempos. – Digo não que vim atrás de um, não vim atrás de namorada... Não tenho namorada... Hm, você entendeu. – Diante de seu constrangimento poderia agradecer se tivesse um buraco ali.

— Entendi sim. Não precisa ficar sem graça. – Era tão fofo a forma que ele ficava sem jeito. – Eu também não acho uma má ideia. Nem tenho relacionamento, não que eu saiba.

Se dissessem que o sorriso dado pelo loiro não caberia em seus lábios poderia soar como brincadeira, mas era a mais pura verdade. Saber que ela não estava ligada a ninguém só fez com que aumentasse a esperança que nem sabia que existia, pelo menos não até aquele momento. — você gosta de livros? Esses dias que te vi você sempre estava acompanhada de algum.

— Sim, amo livros, amo ler, na verdade. É como se pudesse sair desse mundo, como se não existissem problemas enquanto eu estiver fora. Faz com que eu possa ter um equilíbrio maior nessa loucura toda. – Regina se deu conta que ele não tinha percebido que acabara por confirmar que estava mesmo há observando no dia anterior. Poderia ter soltado alguma gracinha, seria ate engraçado ver sua cara, mas não quis deixá-lo desconfortável.

— Sei sim, é bom ter uma válvula de escape quando se é necessário. Qual o seu preferido?

Ela poderia passar horas falando sobre livros, era realmente um assunto que nunca a cansaria. Saber que Robin gostava, e ainda mais, entendia o que ela falava só a fez ficar ainda mais encantada. – Hm, deixe-me pensar. Tenho vários, mas com toda certeza ‘’Depois do Fim’’ é o que está no topo da lista. Ele me ensina muito, sabe. Que sempre vão existir dias coloridos, mesmo que o cinza se mostre dominante. Que sempre podemos recomeçar, independente do que aconteça. – Era realmente algo em que acreditava e buscava exercer em sua vida. – Ás vezes tenho esses sobressaltos, me desculpe. Você já leu?

— Não se desculpe, poucas vezes vi pessoas com um pensamento tão... hm, humano. E não, ainda não li, mas se você me emprestar, quem sabe.

— Claro. – Deu-lhe seu sorriso mais sincero.

— O que você gosta mais de fazer além de ler e vir no parque?

— Hm, não tenho muito tempo pra muitas coisas, mas gosto de sair pra dançar, não que eu seja uma ótima dançarina — deu uma bela gargalhada e qualquer um ali poderia notar os olhos de Robin sorrindo para ela. E ela poderia constatar mais uma vez o quanto tinha amado aquela mirada. Já disse que amei esses olhos? Ela se permitiu indagar-se. – Gosto de sair pra comer, porque isso é sempre bom, cinema, teatro, essas coisas.

— Confesso que também não sou um dos melhores dançarinos do mundo, mas dá para o gasto. Você tem razão, comida é sempre uma ótima opção.

— Acho que o senhor é um pouco convencido demais. – O som de sua gargalhada pode ser ouvido mais uma vez.

Robin estava completamente encantado por aquele som maravilhoso. Por esse motivo se arriscaria em se transformar na pessoa mais boba que pudesse existir, se isso significasse ouvir aquilo algumas vezes mais. Se alguns dias atrás o contassem que ele estaria sentando num banco, com a garota mais interessante que já conheceu e que fazia com que ele sentisse tudo aquilo sem aos menos saber o porquê, no meio do Central Park, provavelmente chamaria a pessoa de louca. Hoje é tudo diferente. Hoje, ele só quer ser um bobo para arrancar mais gargalhadas daqueles lábios. Com certeza poderia fazer isso muitas vezes ao dia. –Só estou te falando à verdade ué, um dia te mostro, prometo! – Respondeu ele.

— Vou cobrar isso. – Conversar com ele era tão leve e divertido.

— Costumo cumprir minhas promessas, Regina. – Essa com toda certeza já estava no topo de sua lista de compromissos que gostaria de cumprir.

É engraçado como coisas simples fazem seu dia valer a pena. Conversar com Robin estava contribuindo muito para isso. Coisas simples te trazem felicidade. Quando você menos espera ela aparece, sem dizer de onde ou pra que, ela só aparece e te faz enxergar que tudo por algum motivo vale a pena.

As horas foram passando e nenhum dos dois se deu conta, a conversa fluía perfeitamente como se aquela cena fosse bastante corriqueira. Como se eles compartilhassem um ao outro há bastante tempo. Como se soubessem que o destino os queria juntos.

Foram tirados do mundinho que só eles compartilhavam pelo toque estridente do celular de Robin, avisando que aquele momento tinha chegado ao fim, que tinham que voltar a realidade e que, por mais que quisesse, não poderiam prolongar aquela conversa.

— Acho que já está na sua hora, não é? – Não queria admitir, mas seu coração perdera algumas batidas. A conversa estava tão agradável que nem se quer percebeu o tempo passar, ter a companhia de Robin naquela manhã a fez muito bem.

— Infelizmente sim, perdi a noção do tempo. Parece que já nos conhecemos há bastante tempo, tudo é tão natural. Não sei se você também se sente assim, mas eu realmente gostei bastante de ter conversado com você, que bom que você deu meia volta e veio ate mim. – Sentiu uma necessidade absurda de falar, afinal, não tinha ideia se a veria de novo.

— É verdade. Pode ter certeza que também me senti do mesmo jeito, chega a ser bizarra essa conexão, não acha? – nossos olhos estavam na mesma guerra infinita de suas cores. – É, acho que foi a coisa mais certa que fiz alguém tinha que tomar uma iniciativa. – disse já dando um sorriso.

— Coisas acontecem por vários motivos, Regina. E eu sinto que essa foi pelo motivo certo. – Robin sentiu seu rosto corar violentamente. ‘’Como essa mulher me tira do eixo, deus!’’ pensou ele.

— Devo concordar! – a essa altura não existia mais batimentos contínuos e sim um sobressalto deles.

"Nada acontece por acaso,

tudo tem um porque.

Ou você acha que as folhas do

outono caem porque querem ?’’

Debora Evelyn

— Agora tenho mesmo que ir – O loiro não queria ter que ir embora e, se pudesse a arrastaria consigo. – Foi um prazer te conhecer. Adorei ter passado essa manhã com você.

— O prazer foi meu, Robin. Posso te dizer o mesmo.

Com um certo receio os dois levantaram para se despedir. Parecia uma dança ensaiada, já que seus corpos sabiam como reagir. Parecia algo natural para eles. Quando Robin e Regina sentiram seus corpos juntos outra vez, constataram a mesma eletricidade de mais cedo. Com uma mão ele tocou sua cintura, esse gesto fez com que a morena sentisse as famosas borboletas no estômago e era algo realmente fora do comum para ela, Robin levou sua outra mão ate o rosto dela onde deixou um leve afago antes de depositar um beijo carinhoso. Foi exatamente nessa hora que fizera um pedido aos céus para que aquele momento pudesse ser eternizado.

A despedida durou um pouco mais que o necessário, mas ali, nenhum dos dois queria que tivesse fim. Queriam permanecer um nos braços do outro, sem pressa ou responsabilidades. A conexão que eles possuíam parecia que tinha saído de um dos livros de Regina. Quando o contato entre eles cessou, ambos sentiram que faltava algo. E pra falar a verdade, faltava... Seus olhos travaram aquela guerra mais uma vez, deixando claro que não queriam perder aquele contato.

— Agora preciso ir pra valer. – Era no abraço dela que ele queria estar. No abraço dela que seu corpo escolheu fazer morada. Aquela troca de carinho foi muito mais intensa que só uma despedida. Talvez tenha sido o jeito que suas almas encontraram para dizer que aquilo não poderia ser um adeus.

— Tudo bem, se cuide! – Era mais um “deixe-me cuidar de você”, do que qualquer outra coisa. Quando Regina já estava se virando pode sentir suas mãos a tocando com delicadeza em seu antebraço, fazendo com que ela permanecesse parada.

— Quando posso te ver de novo? — Perguntou-a, com a maldita esperança batendo outra vez em sua porta.

— Quando o destino achar que for a hora. – Regina o encarou uma última vez, travando mais uma batalha pelo desconhecido. Robin desfez o toque entre eles, causando uma súbita falta na morena. Assim que o momento foi desfeito, seguiram seus caminhos em direções opostas.

O único desejo que ambos tinham naquele momento era que o destino apressasse os seus marcadores.

Notas finais
Esse é o primeiro capitulo de toda a história, espero que tenham gostado. Beijos!!