Sempre foi Você

18 Não vai embora


Eu,

que nunca soube o tamanho

do infinito,

te vi sorrindo

e descobri na hora.

@VHwriter

Suas respirações estavam tranquilas, dormiam no aconchego dos braços um do outro. O rosto sereno da morena estava sobre o mesmo lugar de quando pegara no sono, — entregando-se a Morfeu — com um loiro afagando, delicadamente, seus fios negros, sobre o peito de Robin, tão aconchegada como se estivesse deitada sobre plumas. Os braços dele estavam envoltos no corpo de Regina, como uma forma protetora e seu peito acompanhava a respiração em um vai e vem ritmado, tranquilo.

Ele prometera que ficaria ate que ela pegasse no sono, mas fora ele quem acabara dormindo. O calor de seus corpos juntos estava tão bom que nem se quer passou pela cabeça do loiro acordar. A morena mexeu um pouco, e fora o suficiente para que o loiro despertasse. Aos poucos seus olhos cristalinos foram abrindo-se e encontrando um ambiente ainda mergulhado na penumbra do fim da madrugada e o começo de um novo dia.

Seus orbes abriram-se preguiçosamente e o cheiro dos cabelos de Regina invadiu suas narinas, coisa que o fez respirar ainda mais fundo. Ele amava sentir seu cheiro. As frestas na cortina davam a ele o privilégio de olhá-la, o rosto permanecia sereno, nem parecia que estava com o pé imobilizado e, consequentemente, sentindo dores. Ela parecia entregue aos anjos, ou melhor, ela era o próprio anjo. Serena e tranquila.

Ele imaginava que não poderia achá-la ainda mais linda, mas, vendo-a ali, aconchegada em seus braços e com o semblante mais parecido com o de um querubim, o coração de Robin apaixonou-se ainda mais, poderia dizer que se apaixonaria sempre que a olhasse. Ele tinha absoluta certeza disso.

O loiro passou a observá-la, os dois juntos ali, parecia ser a coisa mais certa, e por ele moraria naquele abraço. Com as pontas dos dedos e com a maior delicadeza, Locksley percorreu toda a extensão da lateral do rosto de sua amada. Tocou em suas maçãs, seguiu até a têmpora e desceu até os seus lábios, tocando em sua cicatriz, como se estivesse venerando a obra mais valiosa em exposição de um museu de arte.

Como que se uma luz ascendesse, o loiro destravou a tela de seu celular e tomou um susto quando viu que horas eram. Os números pareciam gigantes na tela do aparelho, 05:16, para ser mais exato. Ele dissera que ficaria até que ela dormisse, e não que dormiria com ela. “Será que ela pensaria que ele estaria se aproveitando?” Um suspiro escapou de sua garganta e com cuidado, e totalmente contra sua vontade, ele tirou-a de seu peito, aconchegando-a na cama, rezando para qualquer um que seja, que ela não acordasse. Regina mexeu-se um pouco, como se também sentisse falta do abraço dele, fazendo com que um sorriso discreto surgisse nos lábios dele, mas o rosto de seu anjo voltara a ser sereno novamente.

Robin afastou alguns fios que estavam sobre sua face, depositando-lhe um beijo carregado de amor e carinho em sua testa. Saiu do quarto, deixando a porta entreaberta. Antes de ir embora o loiro deixaria o café da manhã pronto, não queria que ele se esforçasse e que de algum modo prejudicasse sua recuperação.

Caminhou a passos preguiçosos até a cozinha e começou a preparar tudo. Minutos depois estava tudo pronto e com uma bandeja, o loiro retornou para o quarto da morena. Deixou tudo em cima da mesinha de cabeceira, deu-lhe mais um beijo em seu rosto; desejando-lhe bons sonhos e, logo depois, ajeitou as cobertas para que ela permanecesse aquecida. E, por fim, saiu do quarto indo para seu apartamento.

A luz do sol adentrava as fretas da cortina – de tons neutros – e a claridade anunciava que um novo dia já tinha nascido. Regina despertava preguiçosamente, com os olhos chocolates ainda acostumando-se com a luz. Espreguiçou todo o corpo e por alguns segundos esquecera que estava com o tornozelo imobilizado, mas, ao sentir uma pressão neste, lembrou-se rapidamente.

A morena acordou com uma sensação muito boa, durante toda a noite ela permaneceu aquecida – e não era por seus edredons, só não saberia dizer do que se tratava aquele sentimento — e dormiu como a muito não dormia. Mas, essa sensação de aconchego logo fora embora. Ela não sabia o porquê, mas queria sentir-se daquela forma novamente.

Seus olhos passearam por todo o quarto e viu a bandeja de café da manhã posta em cima da mesinha. Um sorriso de incredulidade brotou em seus lábios, balançou a cabeça em negação sabendo que isso era obra do loiro. Ele sempre pensava em tudo. Aproximou-se um pouco mais e viu um bilhete depositado próximo à xícara de café, com a caligrafia redonda enfeitando o papel branco.

“Bom dia, morena!

Espero que tenha dormido bem, acabei pegando no sono junto com você, desculpe-me essa invasão de seu espaço, mas seus braços envolveram-me de uma forma tão boa e não tive como me manter acordado.

Sai antes que você pudesse acordar, mas antes quis te fazer um café da manhã para que não precise se esforçar.

Estou levando a chave, mais tarde voltarei e se precisar de qualquer coisa me avise que irei na mesma hora.

Aproveite o café.

Com amor, Robin!”

Regina sorriu ao ler aquelas palavras, amava a forma como ele era tão atencioso com ela. Então fora no braço dele que ela dormiu, fazendo com que um sentimento estranho apossasse-se de seu âmago. Ele já tinha dormido lá outra vez, mas as circunstâncias eram outras. Queria muito ter acordado e visto seu rosto ao amanhecer.

Deixou o bilhete em cima da cama e começou a comer. Pegou seu celular para ver se tinha alguma mensagem e o contato de Zelena fora o primeiro que ascendeu. Gargalhou ao ler suas palavras e uma curiosidade a atingiu para saber do que ela estava falando. Tratou de respondê-la e contar a ela o que tinha acontecido no dia anterior.

Zelena Leigh (19:34): Eu espero que esse seu sumiço signifique que esteja aproveitando esse frio de uma forma bem quente.

Zelena Leigh (19:34): Tenho novidades. Espero que minha noite seja tão agradável quanto a sua, e estou ficando com um pouco de ciúmes.

Zelena Leigh (19:34): Meeh!”

Mensagem On

Regina Mills (07:34): Como você é abusada, Leigh! Não, não estava aproveitando de uma forma quente. (emoji triste) Acabei machucando meu tornozelo quando estava patinando, e Robin achou melhor irmos a um hospital.

Regina Mills (07:34): Estou nesse momento com uma bota horrenda no pé.

Regina Mills (07:35): Quero saber do que se trata essas novidades haha! E não precisa ter ciúmes babe. Meeh!

Mensagem Off

Regina fechou a conversa com Zelena e abriu a do loiro. Queria agradecê-lo pelo café da manhã, queria que ele soubesse que não tinha se chateado por ele ter dormido lá, muito pelo contrário.

Mensagem On

Regina Mills (07:38): Bom dia, Robin! Desculpa ter feito você dormir aqui, hm... Deveria ter continuado dormindo, sem problemas. Você deve ter saído bem cedo.

Regina Mills (07:38): Bom, obrigada por esse café da manhã maravilho, vou aproveita-lo e comer tudinho, pode deixar! Até mais tarde. Beijos!

Mensagem Off

Bloqueou o celular e voltou a apreciar aquele belíssimo banquete.

♤♤♤

Já era um pouco mais que dez da manhã, os raios solares já apontavam um pouco mais fortes em meio ao céu azul. Era um domingo de temperatura agradável.

Zelena vestia um robe de cetim verde musgo, que realçava ainda mais seus olhos e seus fios acobreados, presos em coque frouxo e totalmente desajeitado, o que a deixava ainda mais bonita. Seu corpo estava escorado no batente da porta, e suas mãos seguravam a gola da camisa social de Chris.

— Obrigado pela pelo jantar e principalmente pela noite, senhorita. – agradeceu o loiro, brincando com alguns fios soltos de seu cabelo.

— Eu quem agradeço, acho que a mancha de café na minha blusa foi muito bem recompensada. – soltou uma piscadela para ele, que sorriu imediatamente para ela.

O jeito espontâneo de Zelena a deixava ainda mais encantadora.

— Isso é bom! Talvez nos esbarremos mais por aí. – uma gargalhada escapou da garganta dela, e ele poderia dizer que era um dos melhores sons que já escutara.

— Tem certeza que não quer que eu te leve? – ela o perguntou mais uma vez. – Para mim não é problema algum.

— Tenho ruiva! Eu pego um táxi na portaria, não precisa se preocupar. – levou a mão até seu rosto, deixando um leve carinho no local.

Ele se aproximou ainda mais dela, retirando sua mão de rosto e levando-a até seus cabelos encaracolados, emaranhando-a entre os fios, enquanto a outra permaneceu na cintura dela. Não demorou muito para que seus lábios estivessem colados mais uma vez, buscando um contato que ambos gostaram. Quando o ar se fizera necessário, eles finalizaram o beijo.

— Até mais, ruiva! – se despediu, deixando mais um selinho em seus lábios.

— Até mais, Chris!

Zelena fechou a porta e caminhou ate o sofá, jogando-se sobre este. Pegou o celular que estava apoiado no braço do móvel, desbloqueando-o. Assim que viu o nome da amiga aparecendo na tela de seu celular, tratou logo de abrir a mensagem. Seus olhos claros focaram na mensagem que ela tinha se machucado e uma preocupação atingiu-a.

Mensagem On

Zelena Leigh (10:25): Só vi suas mensagens agora. Você está bem?

Regina Mills (10:27): Sem problemas, ruiva! Estou sim, só torci o tornozelo mesmo.

Zelena Leigh (10:27): Com quem você está? A Maria tá ai?

Regina Mills (10:27): Não, hoje ela está de folga.

Zelena Leigh (10:28): Chego aí em dez minutos.

Regina Mills (10:28): Não precisa se preocupar, Zel.

Zelena Leigh (10:29): Não estamos abertas a negociações, Regininha. Em dez minutos estou chegando, beijos!

Mensagem Off

Ela largou o celular o celular no sofá e foi até o banheiro. Arrumou-se rápido, pegou sua bolsa, as chaves e saiu.

♤♤♤

Pouco mais de dez minutos depois, Zelena chegou até o prédio da morena. Estacionou o carro e seguiu até o apartamento dela. O barulho incessante da campainha fez com que Regina tirasse a concentração do livro que estava lendo, e pela insistência ela já sabia quem era. Colocou o pé para fora da cama e com muito custo seguiu até a sala.

Sabia que não deveria estar fazendo um esforço desse tipo, por estar recente e ainda dolorido. Se o loiro visse-a agora, com certeza a colocaria nas costas. Amparava seu peso nos objetos que tinha pela frente, levando mais tempo que o normal para chegar até a entrada de sua casa. Quando abriu a porta deu de cara com a amiga.

— Uma tartaruga seria mais rápida que você. – Zelena soltou.

— Se você não reparou, estou com essa coisa que impossibilita meus passos. – bufou, apontando para a bota ortopédica.

— Estou brincando com você, babe. – entrou no apartamento. – Você nem deveria estar se esforçando assim. Vem, eu te ajudo. – fechou a porta atrás de si, estendendo o braço para que ela se apoiasse.

— Alguém precisava abrir a porta. – falou, se apoiando em Zelena.

— Como isso foi acontecer? – perguntou, guiando Regina até o sofá. Sentou-a e colocou algumas almofadas embaixo do pé para que ficasse o mais confortável, apoiando-o na mesa de centro.

— Fomos patinar ontem, e como eu estava bem enferrujada, acabei levando um tombo. – começou a contar o ocorrido para ela.

— E está tudo bem? Foi muito grave? – perguntou começando a ficar preocupada.

— Está tudo bem, foi só uma torção. – informou. – Robin fez questão de irmos ao hospital, só para garantir. Vou ter que ficar com essa coisa de uma a duas semanas, e já quero arrancá-la fora. – revirou os olhos, arrancando um sorriso de Zelena. – Odeio ficar parada, você sabe.

— É, eu sei, mas é para seu bem. E eu imagino o quanto foi difícil para o Robin te arrastar até um hospital. – gargalhou.

— Foi mesmo, mas ele sabe contornar minha teimosia. – sorriu. Zelena reparou na cara de boba que ela fazia, era assim desde a primeira vez. – Bem, para de olhar assim. – as bochechas dela ganharam um tom mais avermelhado.

— Não estou fazendo nada. – ergueu as mãos em sinal de redenção.

— Okay! Vamos parar de falar de mim e me conte qual a novidade, estou morrendo de curiosidade. – confessou, querendo saber o que tinha acontecido.

— A curiosidade matou o gato, Regininha. – Zel gargalhou mais uma vez ao ver a expressão de incredulidade da amiga. – O que? Só devolvi na mesma moeda.

A morena desferiu um tapa no braço da ruiva que protestou de imediato.

— Okay, Okay. Não precisa ser agressiva assim. – alisou o braço. – Bom, ontem quando eu estava na revista, esbarrei em um cara...Chris, o nome dele é Chris! – Regina a ouvia atentamente tudo que ela dizia. – Por sua culpa. – ergueu as sobrancelhas.

— Minha? – olhou-a sem entender.

—Você que tirou minha atenção sendo fofa com seu romance. – quando viu que iria ganhar outra tapa, protegeu-se com uma almofada. – Voltando... Acabou que a gente se esbarrou e ele derramou café em minha blusa e...

— Você tirou a blusa no meio da revista? – sorriu maliciosa.

— Pensei nisso, mas não. – elas riram juntas. – Ele ficou super constrangido por ter sujado minha roupa e no fim me chamou para jantar, para recompensar o ocorrido. – continuou.

Zelena contou toda a situação para ela. Desde o acontecido na revista, até a noite que eles tiveram juntos.

— Você vai me julgar por que eu dormi com ele na primeira noite? – perguntou ela.

— Claro que não, Zel! – assegurou-lhe. — Você sabe que isso não é um problema para mim, e não deveria ser para ninguém. Se você se sentiu a vontade com ele e curtiu o momento, o que tem de mais? – disse, sorrindo para a ruiva.

— Eu sei, isso nunca foi um problema para mim também. É só que, eu me senti diferente com ele. Não foi só uma transa casual, sabe? – Regina meneou a cabeça em confirmação. – Ai me veio essa neurose que eu nunca tive. Você sabe, eu sempre aproveito tudo o que a vida tem a me oferecer, mas com ele tive um receio de ter apressado as coisas. – falou pensativa.

— Você não tem que ter receio por uma coisa que te fez bem, Zel. Você mesma me disse que o tempo não importa muito se o que sentimos é verdadeiro. E eu nem estou falando que ele é o amor da sua vida ou que você precisa casar-se com ele. – ponderou. – Você sentiu no momento, e isso é o mais importante. Você tem a escolha de transar na primeira noite ou na vigésima, isso não te faz inferior, ou faz do momento mais ou menos importante.

— Você tá coberta de razão, foi bom... Muito bom, aliás. – disse, com uma cara maliciosa para a morena. – E eu nem sei o porquê estou assim, eu nunca fui de me prender a essas coisas. – bufou.

—Talvez exista algo a mais, e isso só o tempo irá dizer. – Zelena a observou e meneou a cabeça pensativa.

— E você e o bonitão? – perguntou sugestivamente.

— O que tem eu e o bonitão? – arqueou as sobrancelhas, sabia o que viria pela frente.

— Quando vão aprofundar a relação? – perguntou com uma naturalidade absurda, fazendo com que Regina revirasse os olhos, arrancando uma gargalhada da ruiva.

— Você mais do que ninguém sabe como tudo é intenso entre a gente, tivemos o medo de assumir o que sentíamos no começo, por ser cedo demais ou qualquer coisa do tipo, mas não foi uma coisa que deu muito pra controlar, não é? – a ruiva confirmou. – E sobre o que você perguntou, só não tivemos oportunidade. Não vou dizer a você que é fácil me controlar perto dele, porque não é... Meu deus! Ele é maravilhoso. E mesmo que eu quisesse, não vai rolar. – disse apontando para o pé. – Acho que no momento certo as coisas vão acontecer. – disse por fim.

— Se eu fosse você não resistiria mesmo. – gargalhou. – Você tem razão. Logo, logo você tira essa botinha maravilhosa e dá “uns pegas” no meu amigo. – sorriu maliciosa.

— Você não existe! – meneou a cabeça em negação. — Tá me pintando como uma pervertida.

— Estou te pintando com as tintas que você está me dando, Regininha! – mostrou-lhe a língua. – Está com fome? – Regina confirmou. – Vou preparar um almoço pra gente.

Zelena assentiu e foi até a cozinha preparar alguma coisa para ambas. Regina permaneceu onde estava, descansando o pé. Nada mais tirava sua paz do que não poder andar e fazer suas coisas. Odiava ficar de cama.

Seu celular ascendeu, era Robin querendo saber como ela estava, se estava precisando de alguma coisa ou se queria que ele a fizesse companhia. Claro que ela queria a companhia dele, não precisaria nem perguntar. Um sorriso bobo brotou nos lábios da morena, ela não cansaria de sorrir quando o motivo fosse ele, por mais bobo que fosse.

A morena disse a ele que não precisaria se preocupar, pois a ruiva estava com ela. Robin afirmou que mais tarde passaria no apartamento dela para fazer companhia, o que ela aceitou de bom grado. Ele poderia estar ali agora mesmo, só não queria incomodá-lo ainda mais do que já estava incomodando.

Continuaram trocando mensagens até que a ruiva retornou à sala dizendo que o almoço já estava pronto. Zelena ajudou Regina ir até a cozinha e sentar-se à mesa. Ambas se serviram e continuaram a conversa de alguns minutos atrás. O almoço seguiu regado de sorrisos e boas histórias.

A ruiva passou a tarde toda com Regina. Elas adoravam quando ficavam assim juntas, sem nenhum motivo. Só o fato de estar na presença uma da outra, a presença de Zelena, trazia alegria para a morena. Assistiram filmes, com direito a pipoca e brigadeiro de panela. Tudo que um domingo com a melhor amiga tinha direito.

Já era começo de noite, elas nem perceberam o tempo passar. Regina estava sentada no sofá com os pés sobre a mesa de centro, usava um vestido de alcinhas branco coberto por girassóis. Seu cabelo estava preso em um coque desajeitado e sua atenção estava voltada para o filme que passava. Ela tinha um balde pipoca em seu colo, amava pipoca, ou qualquer coisa que fosse comestível, convenhamos. Zelena estava deitada no outro sofá, também com um balde de pipoca ao seu lado.

A campainha tocou tomando a atenção das duas, e a ruiva bufou por ter que sair do conforto do sofá. Regina sorriu e continuou prestando atenção no filme. Antes que a ruiva chegasse até a porta, a mesma fora aberta e a figura de Locksley invadiu os olhos cristalinos da ruiva. Ele olhou-a e sorriu.

— Se tinha a chave por que tocou a campainha? – revirou os olhos. – Você me tirou do sofá. – bufou.

— Nossa! Que recepção maravilhosa. – chegou perto dela, dando-lhe um abraço e um beijo na cabeça. – Só não quis invadir o espaço dela sem avisar antes. – esclareceu.

— Pare de ser besta, ela não vai ligar nem um pouco se você fizer isso. – olhou para ele sugestiva.

Eles caminharam juntos até a sala, Regina estava tão entretida com o filme que nem vira os dois chegando. Robin caminhou ate ficar atrás dela e levou uma das mãos ate o queixo da morena, suspendendo-o até que seus orbes se alinhassem. De início, o toque assustou-a, mas quando sentiu que era ele, sorriu boba. O loiro grudou seus lábios no dela, dando-lhe um beijo rápido.

— Oi! – disse baixinho, depois de desgrudar os lábios dos dela.

— Oi! – respondeu a morena, com os olhos brilhando, e o loiro sorriu em resposta. – Nem vi você chegando.

— Estava tão lindinha concentrada que quis chegar de surpresa. – beijou-lhe novamente, de forma rápida.

Ele deu a volta no sofá e sentou-se junto a ela. Regina aconchegou-se nos braços do loiro... Como ela amava aquilo. Deitou a cabeça no peitoral dele, recebendo um beijo em sua cabeça, e voltou a prestar atenção no filme. Os dedos do loiro afagavam o topo da cabeça dela, em um vai e vem delicioso.

A cada cena engraçada do filme eles davam gargalhadas. Conversavam entre si, e sorriam das palhaçadas de Zelena e, principalmente, das insinuações dela sobre os dois.

Quando os créditos finais preencheram a tela da televisão, a ruiva despediu-se dos dois. Mas, deixando claro para a morena que se precisasse, ela voltaria. Deu-lhe um beijo no rosto e Robin levou-a até a porta, despediram-se e ele caminhou até a morena novamente.

— Quer comer alguma coisa? – perguntou, recebendo um aceno negativo. Seus olhos brilhavam toda vez que a figura dele invadia suas retinas.

— Não... Só senta aqui. – bateu ao seu lado no sofá. O loiro sentou-se e a trouxe para perto, aconchegando-a em seu corpo; como queria ter feito o dia todo. Colocaram outro filme, mas ambos não prestavam atenção. Todo o foco do seu corpo ia para o toque do loiro na pele exposta de seu braço, com as pontas dos dedos ele ia até a mão e voltava até um pouco mais acima.

♩♫ Like I’m Gonna Lose You – Jasmine Thompson ♫♩

— Robin? – ela chamou-o, fazendo com que o loiro saísse de seu torpor e voltasse sua atenção para ela. Levantou a cabeça para encará-lo, conectando suas íris nos azuis que tanto dava-lhe paz nos últimos tempos e ele amava aqueles olhos. Poderia ver cais neles.

— Hum? – a encarou intensamente, esperando que prosseguisse.

Ela permaneceu calada por alguns segundos, apenas encarando-o. Mergulhada em tamanha conexão, envolvida por aquele par de olhos. Sentiu os dedos dele indo de encontro ao seu rosto, em um afago delicado e, por alguns instantes ela permitiu-se encerrar a conexão de suas miradas.

— Por que foi embora hoje de manhã? – perguntou por fim, suas palavras saíram mais roucas que o normal, tinha curiosidade naquilo. – Digo, ter saído sem despedir-se. – completou seus pensamentos, acomodando-se melhor em seus braços.

— Eu não quis que pensasse que estava invadindo seu espaço. – começou a falar olhando em seus olhos. – Eu disse que iria embora quando você dormisse, mas ficar abraçado a você... Sentindo seu cheiro, seu calor... Foi tão bom. – os olhos castanhos dela brilharam, e os seus lábios contraíram-se em um sorriso doce. Voltou a acariciar com o polegar o rosto dela. – Acabei me deixando levar pelo cansaço. Não quero que você pense que estou apressando as coisas ou qualquer coisa do tipo. Eu quero cuidar de você, — disse olhando diretamente em seus orbes. — Tudo que eu sinto por você é o que de mais verdadeiro tenho nesse momento.

— Robin... – Seus olhos castanhos brilhavam com todas as palavras dele. Era tanto sentimento que seu peito doía. – Você não está invadindo meu espaço, e se estivesse te avisaria, okay? – ele meneou a cabeça em afirmação, prestando atenção em suas palavras. – É natural, estamos juntos. – aquelas duas últimas palavras ressoavam em sua mente. – Eu amei dormir em seus braços, e quando você foi embora senti um vazio, mesmo que eu não soubesse de fato que você estava ali, mas meu corpo sabia. – ela sorriu e ele retribuiu com suas covinhas. – Tudo que eu sinto aqui. – pegou a mão dele e depositou no lado esquerdo de seu peito. – É a coisa mais verdadeira que poderia existir.

Robin não estava esperando por todas aquelas palavras dela. Regina Mills, como sempre, sendo uma caixinha de surpresas. Agora eram os dedos dela que percorriam o rosto do loiro, com as pontas, em um carinho. Regina se aproximou do rosto dele, sem desfazer o contato com seus dedos na pele dele. Seus lábios tocaram os dele com um selinho, seus olhos estavam conectados. Dera mais outro selinho molhado no loiro, mais outro e mais outro, até que seus lábios encontram-se em um beijo.

Um beijo sem pressa, um beijo que os deixavam sentir tudo que suas palavras queriam dizer e por qualquer outro motivo que não disseram. O loiro levou uma mão até a nuca dela, emaranhando seus dedos nos fios negros, aproximando ainda mais seus corpos. Suas línguas lutavam por espaço, por dominância. O beijo que começara lento, sem pressa, agora era intenso. Robin deixou sua mão na cintura dela, apertando-a com um pouco mais de intensidade.

Eles queriam mais, seus corpos queriam. Mas, infelizmente não poderiam. Quando seus pulmões imploraram por ar eles afastaram-se. Suas respirações estavam totalmente descompassadas, seus corações batiam nitidamente descompassados. O hálito quente deles misturavam-se ainda por conta da proximidade.

— Regina... – chamou baixinho, agora com as testas coladas e os olhos ainda fechados. – Sua perna.

— Eu sei. – disse com frustração.

O loiro abriu os olhos, olhava-a com adoração. Colou seus lábios mais uma vez aos dela, um beijo que dizia estar tudo bem, tudo na sua hora. Ele esperaria sua hora, seu tempo.

A trouxe para mais perto de seu peito, fazendo-a escutar seus batimentos cardíacos. E os seus batiam tão rápidos quanto. Voltaram a assistir ao filme, ou pelo menos tentariam.

Já estava tarde e o sono da morena era visível. Robin levou-a para o quarto e entregou um pijama para que ela pudesse trocar de roupa. Regina vestiu um conjunto de pijama de short e uma blusa de alças finas de cetim prata. A morena estava sentada no meio da cama, sua cabeça estava apoiada na cabeceira e seus olhos estavam fechados. O loiro adentrou novamente o quarto com um copo d’água e um comprimido em mãos.

— Morena, está tudo bem? – Robin chamou-a assim que entrou no quarto.

Ela abriu seus olhos e olhou-o.

— Sim. – Respondeu. Pegou o copo de suas mãos e tomou o remédio para dor que a Doutora Torres havia receitado, agradecendo-o. Ela entregou o copo, que fora colocou no criado mudo. – Fica aqui? – ela pediu.

— Tem certeza? – ela apenas meneou a cabeça afirmando. – Tudo bem.

— Tem uma calça de moletom junto das minhas coisas, é mais confortável. – Robin olhou-a, erguendo as sobrancelhas. – O que? É do meu irmão. – ela gargalhou com a cara que ele fizera. E ele amava ouvir aquele som.

Robin trocou-se rápido e voltou para o quarto, vestido com uma calça moletom cinza e sem camisa. Regina olhou-o e seus olhos enegreceram.

— Te incomoda? – perguntou a ela, referindo-se ao fato de estar sem camisa.

— Nem um pouco. – mordeu o lábio inferior de leve.

Ele caminhou até a cama e aconchegou-se entre os lençóis, logo colocando alguns travesseiros embaixo do pé dela para que ela ficasse mais confortável.

Robin trouxe-a para junto de si e Regina descansou sua cabeça no peitoral desnudo dele. Depositou a mão delicadamente em seu peito, deixando um carinho com as pontas de seus dedos. O loiro afagava seus cabelos até que ela pegasse no sono.

— Robin? – chamou-o baixinho, sua voz já denunciava que logo entregar-se-ia ao sono.

— Hum? – perguntou.

— Não vai embora. – pediu, sua voz estava um pouco mais alta que um sussurro. Esse pedido poderia estar relacionado a muitas coisas, mas, por hora, ela o queria ali, ambos os corpos aconchegados um no outro. As almas unidas e os corações batendo no mesmo ritmo. Ela queria Robin Locksley por perto.

— Eu não vou. – garantiu. Depositando outro beijo em seus fios.

Regina voltou a fechar os olhos, aproveitando o calor daqueles braços. Um calor que ela não queria deixar de sentir.

Nem hoje e nem nunca.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.