Sempre foi Você
14 Kiss me
Meus olhos
Te beijam
Toda vez
Que olham
Pra ti
@VHwritter
Era sábado, finalmente o fim de semana havia chegado e com ele a animação de Henry em poder encontrar o tio, para o passeio que tanto falara ao decorrer da semana. Ele, literalmente, estava contando os dias com a ajuda dos mais velhos. A temperatura estava um pouco mais baixa, mas não deixara de estar agradável. O céu parecia ter saído de alguma pintura para lhes presentear com um dia prazeroso.
A semana servira para que ela pudesse entender um pouco mais o que se passava em seu coração. A conversa que teve com Cora não dava descanso em sua mente, mencionar em voz alta que, talvez, estivesse apaixonada por ele tornara tudo aquilo ainda mais sólido.
A semana do loiro não fora tão diferente da dela, Elisa às vezes sondava-o para descobrir como estava o coração do filho depois de tudo. O loiro sentia-se feliz em ter a mãe por perto naquele momento para aconselhá-lo.
Com toda certeza, não era só o pequeno que estava ansioso para esse passeio, Robin e Regina ansiavam igualmente por aquele dia. Não era segredo para ninguém que eles amavam a companhia um do outro. A semana fora cheia para ambos, principalmente para o loiro que estava com alguns projetos para serem finalizados. Queriam ter a sensação do novo, de estarem juntos depois do que ocorrera. Ambos estavam nesse processo de descoberta.
Já estava tudo combinado, Robin passaria na casa de Regina, pegaria os dois e seguiriam rumo ao passeio, que até então estava sendo mantido em segredo. A morena fizera de tudo para saber ou ao menos ganhar uma pista, mas o loiro garantira que queria fazer uma surpresa para os dois. Mesmo com relutância, ela acabou aceitando, pelo menos por hora.
Emma passara na casa da cunhada para deixar o menino, que insistiu em chegar um pouco antes do horário, afirmando à loira que era para que não perdesse o horário. Swan permanecera mais um pouco até que a morena terminasse de arrumar.
Ficara acertado que, mais tarde a morena o levaria de volta, assim a cunhada não teria de ir buscá-lo, e com isso ela poderia aproveitar o dia com o marido, como sugerido pela morena. Henry não parava de falar um minuto sequer sobre o quanto estava ansioso para o passeio com o tio Robin, arrancando algumas risadas das duas. Alguns minutos depois, a loira despediu-se dos dois, indo embora.
Regina estava vestida com um short jeans claro, uma camiseta branca com alguma frase escrita, e uma sapatilha para ficar mais confortável e o cabelo estava levemente ondulado. Já Henry estava com uma bermudinha jeans, uma camiseta cheia de bichinhos, na cor verde, e um sapatinho. A morena agradecia aos céus por o dia estar fresco e agradável para o passeio que fariam. A mochila do pequeno já estava pronta, e agora só esperavam Robin chegar.
Henry brincava no tapete da sala com seus bonecos de super-heróis, Regina estava sentada no sofá prestando atenção no sobrinho, e como era fácil para ele se divertir. De vez em quando perguntava a tia se Robin já havia chegado, e ela respondia a mesma coisa: que o loiro estava a caminho.
— Será que o tio não vem mais? – mudou o foco dos brinquedos para a tia, com seus olhinhos castanhos refletindo toda aflição do pequeno. – Eu quero muito passear com vocês.
— Claro que ele vem, meu amor! Ainda não está na hora, nós é que estamos adiantados. – falou com a voz suave, Robin já a tinha avisado que tinha saído de casa e logo estaria ali. –Logo, logo ele estará aqui. – ele meneou a cabeça confirmando, voltando a brincar.
Depois de algum tempo, o barulho da campainha chamou-os atenção. Só poderia ser o loiro, visto que o Sr. Thomas, o porteiro do prédio, já o conhecia e o interfone não tocara. Henry logo levantou-se do chão, correndo até a porta, sem dar chance à tia.
— Eu atendo, titia! – Regina permaneceu sentada no sofá olhando para a entrada, rindo da euforia do garoto.
— Só toma cuidado para não cair, Henry! – pediu, mas quem disse que ele estava prestando atenção?
O pequeno abriu a porta com um enorme sorriso no rosto e ao ver a figura do homem loiro a sua frente, seu sorriso se expandiu ainda mais.
— Oi, tio Robin! — se jogou contra o corpo do mais velho, que logo pegou-o nos braços.
— Hey, campeão! Animado para nosso passeio? – o loiro perguntou, fechando a porta.
— Siim! – gritou, envolvendo seus bracinhos no pescoço de Robin dando-lhe um abraço apertado.
— Cadê sua tia? – Henry apontou para a sala.
A morena continuava sentada no sofá, ouvindo as gargalhadas de seus meninos. Aquele som poderia ser sempre calmaria para seu coração. Quando voltou sua visão até a entrada, os dois estavam indo ao seu encontro.
Seu coração parara de bater por alguns segundos, era como se todo o ar tivesse esvaído de seus pulmões. Ele estava ainda mais lindo do que sua mente se lembrava. O loiro estava vestindo uma bermuda também jeans, uma camisa preta e um relógio adornava seu pulso. Regina analisava-o, Deus tinha sido realmente muito generoso com ele.
Robin segurava o garoto em seus braços em uma espécie de avião, ele adorava essa brincadeira e algumas gargalhadas preenchiam a sala. Ao ver a cena, o sorriso da morena surgiu de imediato, seu coração sempre se aquecia quando os dois estavam assim juntos.
Ao vê-la no sofá, olhando para eles e com aquele maravilhoso sorriso que emoldurava sua face, o loiro sorriu. Um sorriso que evidenciava suas covinhas. Suas orbes estavam conectadas, o azul inundava o castanho. Aos poucos eles foram aproximando-se, e Locksley colocara o menino no sofá que logo resmungou por ter acabado a brincadeira.
Robin dera mais alguns passos até ficar atrás dela, que por sua vez ergueu a cabeça, encostando-a no sofá para olhar melhor o “amigo”. O loiro inclinou um pouco seu corpo, aproximando-se de seu rosto devagar sem perder a conexão de suas íris, seus lábios foram de encontro com a pele dela, deixando um beijo casto em sua testa, Regina sorriu com o ato. Amava quando ele fazia aquilo, ela se sentia protegida. O beijo durou alguns segundos a mais, segundos que eles não faziam questão de contar.
— Oi! – Locksley quebrara o silêncio, sua voz saíra um pouco mais alto do que um sussurro, mas cheia de carinho. –Você está linda! – sorriu, alisando sua bochecha.
— Oi! – respondeu. Eles continuavam na mesma posição, mantendo suas íris conectadas, e um sorriso brincando em ambos os lábios. Eles estavam tão perto. – Obrigada!
— Nós podemos ir agora? – a voz infantil do menino os tirara do transe no qual estavam submersos. Regina endireitou o corpo, olhando para o pequeno.
— Podemos senhor apressado. – levantou-se do sofá. –Vamos? – perguntou ao loiro, que apenas afirmou com a cabeça. – Me ajuda com a cadeirinha?
— Claro! – se prontificou.
Regina pegou as coisas que o garoto poderia precisar, enquanto o loiro pegou a cadeirinha. Henry logo estava de mãos dadas com o tio, indo até a porta.
— Estou vendo você me trocando pelo Robin, viu mocinho. – falou com uma falsa irritação.
— Acho que tem alguém com ciúmes, Henry. – cochichou para o sobrinho.
— Não precisa ficar com ciúmes, tia. Eu posso dividir com os dois, meu coraçãozinho é grandão, cabe todo mundo. – se existisse criança mais fofa que aquela, Regina desconhecia, sentia vontade de apertá-lo a cada minuto.
Foram até onde a BMW do loiro estava estacionada, Robin arrumou a cadeirinha no banco de trás, colocando a criança em seguida.
— Para onde nós vamos? – a morena perguntou, sentando no banco do carona e colocando o sinto de segurança.
— Tinha esquecido o quanto você é curiosa. – gargalhou com a cara de birra que ela fizera.
— Eu não sou! – fez bico, virando o rosto para a janela.
— Ah, não? – o loiro arqueou as sobrancelhas.
— Um pouco! – usou os dedos para demonstrar o pouco.
— Sei! – gargalhou, e recebeu um tapa sem força da morena.
Robin ligou o carro e seguiram a caminho da diversão. Quando pararam em um sinal vermelho, o loiro pegou a mão da morena, deixando um carinho, fazendo-a olhá-lo com um sorriso de canto. Repetiam o ato sempre que podiam. Foram o caminho todo se divertindo com as pérolas do pequeno. Henry perguntava a cada minuto se já estavam chegando, talvez a curiosidade fosse de família. Quando o loiro parou o carro no estacionamento de um parque de diversões, a alegria do pequeno contagiou a todos.
— Eu não acredito que estamos em um parque de diversões, Robin! – falou sorrindo ao ver todo o mundo de brinquedos que tinha ali.
— Não gostou? – virou-se para ela.
— Claro que gostei! Você é incrível. – tirou a visão do parque, olhando para o loiro com um sorriso aberto em seu rosto.
— Eba! – Henry tinha os braços levantados, alegre por ver o parque recheado de diversão. – Podemos ir em todos esses brinquedos?! – perguntou encantado.
— Claro que podemos, pequeno! – respondeu o loiro. – Só temos que ver a altura necessária para cada um, e se a sua for compatível, você poderá brincar em qualquer um. – explicou.
— Eu já tô grandão, tio!
Saíram do carro e foram de mãos dadas até a entrada do parque. Henry estava no meio dos dois, e pulava à medida que iam se aproximando mais da entrada, arrancando gargalhadas dos mais velhos. Robin comprou os ingressos e logo entraram.
Henry observava tudo atento para não perder nenhum detalhe. Seus olhinhos miúdos refletiam a animação que não conseguira conter, listava para os tios em quais brinquedos gostaria de andar e o que gostaria de fazer. Ele estava encantado com tantas cores, brinquedos, personagens que ele gostava. Sempre que via algum apontava animado.
O garoto parou diante de vários carrinhos que estavam agrupados em um cercado, pedindo para que brincassem ali primeiro. Robin pegou os tickets para a corrida, e os três aguardaram na fila.
À medida que a fila fora andando, eles escolheram os carros que iriam usar. Regina escolhera um carro azul, enquanto Robin optou por um carrinho na cor vermelha. Henry pegou na mão da tia, avisando-a que iria com ela.
— Não fica triste, tio. Mas, eu preciso cuidar dela, não é? – o pequeno falara, não queria deixá-lo triste por ter escolhido ir com a tia. A morena comprimiu os lábios em um sorriso contido, diante das palavras do pequeno Mills.
— Você está certo, Henry. Temos que tomar conta da nossa garota. – disse, olhando diretamente para suas orbitas.
Ela já dissera o quanto às palavras do loiro aqueciam seu coração? Pois se não, elas aqueciam verdadeiramente. Eles permaneceram na troca de olhares, não precisavam dizer mais nada, não é? Eles já estavam cientes.
— Que honra ter sua companhia. – falou, direcionando a palavra ao garotinho.
Regina ajudou o sobrinho a entrar no brinquedo, deixando-o o mais seguro possível, se acomodando em seguida. A rodada já iria começar quando a morena escutou a voz do loiro.
— Espero que os dois sejam rápidos, vou estar logo atrás. – seus carrinhos estavam um ao lado do outro, então ela poderia ouvi-lo normalmente.
— Ah, é? – arqueou as sobrancelhas. –Vamos mostrar pra esse metido como é que se corre certo, Henry?
— Sim! – gritou com euforia.
O sinal tocou, alertando-os que já poderiam dar inicio a brincadeira. Os dois carros seguiram em direções opostas. Regina percebeu que Robin estava vindo em sua direção, e antes que o loiro pudesse atingir seu carrinho, ela desviou arrancando uma gargalhada de Henry, que se divertia vendo os tios baterem um no carro do outro. A criança estava empolgada com aquela disputa, porém, os dois adultos estavam se divertindo na mesma medida.
— O tio Robin é muito molenga. – o garoto pronunciou, arrancando uma gargalhada da mulher.
Em um movimento ainda mais rápido, Regina virou seu carro atingindo em cheio o brinquedo ocupado por Locksley. O garoto vibrara de felicidade, não poderia estar se divertindo mais. Eles ainda seguiram na brincadeira por alguns minutos, até que o sinal tocou, avisando a todos que o tempo tinha chegado ao fim.
O menino comemorava animado por seu carro não ter sido atingido, e na cabecinha dele, eles tinham ganhado o jogo.
— Vocês deram sorte. – o loiro pronunciou. Robin tinha sua mão na base das costas dela, e Henry estava de mãos dadas a ela.
— Titia, o tio Robin não sabe perder. – o garoto afirmou, recebendo em troca cosquinhas vindas do tio. – Ai, para! – gargalhou. – Socorro, tia Regina! – o loiro estava na altura do menino, que se contorcia em seus braços.
A morena ajudou o pequeno a escapar das cocegas do tio em meio a gargalhadas dos três. Logo após saírem do carrinho bate-bate, escolheram mais um brinquedo para se divertirem. Henry optou pelo carrossel, como aquele brinquedo possuía sinto de segurança, não seria necessário à presença de um adulto. Uma moça que tinha seus cabelos presos em um rabo de cavalo, ajudara o pequeno a acomodar-se, enquanto Regina e Robin permaneceram próximos à grade. O loiro estava atrás dela, tinha os braços envoltos à sua cintura abraçando-a, descansando seu queixo no vão de seu pescoço. Eles acenavam para o garoto a cada volta que ele dava por eles. Ficaram daquele mesmo modo até que o tempo do brinquedo chegara ao fim.
Estavam há algumas horas no parque de diversões, os três se divertiam juntos parecendo que não existia diferença de idades entre eles. Já tinham ido em quase todos os brinquedos permitidos para a idade do garoto, até que o pequeno reclamou de fome, e eles foram até a praça de alimentação pegar algum lanche.
Escolheram uma mesa um pouco mais afastada da agitação e acomodaram-se.
— O que vai querer comer querido? – a voz suave da morena chamara a atenção do menino que tinha seus olhinhos voltados para um rapaz que estava vestido de super-herói.
— Hambúrguer com batata frita. – respondeu feliz da vida.
— E você... Um hambúrguer duplo, com bastante queijo e Coca-Cola. Acertei? – Robin perguntou, recebendo um sorriso em seguida. Ela ainda não tinha se acostumado com o quanto ele a conhecia.
— Como ninguém. – mandou um beijo no ar para ele.
O loiro se afastou dos dois, indo em direção a lanchonete fazer seus pedidos. Após alguns minutos de espera, Robin estava de volta à mesa segurando uma bandeja vermelha com os seus respectivos pedidos. Regina ajudou o loiro a arrumar melhor a comida para que não caísse nada no chão, e em seguida serviu o sobrinho, que tratou de devorar tudo.
Regina saboreava seu hambúrguer com toda concentração do mundo, até que o sorriso do loiro tomou sua atenção.
— Do que está rindo? – perguntou confusa, arqueando a sobrancelha, ato que o loiro julgava bastante sexy, amava quando ela fazia aquilo.
— Acho que eu trouxe duas crianças ao parque hoje, não apenas uma. – zombou. Regina continuava sem entender, olhou para Henry que estava mergulhado na tarefa de comer todo seu sanduíche e depois voltou a mirar o loiro novamente. –Você não consegue comer hambúrguer sem se sujar. – esclareceu, apontando para seu rosto.
— E você não deixa escapar nada, está monitorando minha boca Locksley? – talvez ela nem tenha se dado conta do que acabara de falar, tinha um sorriso brincalhão nos lábios. Ou talvez, tinha. Arqueou as sobrancelhas.
— Digamos que é por ai. – falou, levando sua mão até o canto dos lábios da morena, limpando-o com um guardanapo onde estava sujo do molho. –Prontinho! – disse, encarando-a. — Eu queria mesmo era ter feito isso de outra maneira. – falou próximo ao ouvido da morena, vendo-a corar e logo um arrepio percorreu todo o corpo de Mills.
Terminaram de lanchar e, depois de alguns minutos descansando, resolveram continuar o passeio. Henry que parecia ter uma bateria infinita, agora corria na frente dos tios, desviando dos corpos maiores, enquanto os dois observavam o pequeno e seu momento de liberdade.
Sem que prestassem atenção, ou dessem importância para o que isso poderia parecer, suas mãos estavam juntas. Eles andavam lado a lado, de mãos dadas, compartilhando sorrisos um com o outro. O loiro avistou uma barraquinha de arco e flecha e teve uma ideia.
— Vem, vamos ali! – apontou com a mão livre na direção de onde estava a barraca.
— Henry, querido, venha cá. – aumentou um pouco o tom de voz, tomando a atenção do menino que estava alguns passos à frente deles, estendendo a mão para que ele pegasse.
Caminharam até a barraca, o garotinho ficara eufórico quando o tio lhe contou o que estavam indo fazer. Robin comprou as fichas, e pegou o arco e as flechas em mãos. Sentia falta de fazer aquilo, era seu esporte favorito quando criança, mas que por instruções de seu pai, tivera que deixar de lado. Respirou, deixando as lembranças tristes para trás, não era momento para elas.
— E aí, campeão, o que vai querer? – Robin perguntou, demonstrando toda a confiança que possuía.
Henry olhava para dentro da barraca, procurando com seus olhos miúdos algo que o agradasse, quando bateu os olhos em um bichinho de pelúcia verde, tivera a certeza do que queria. – Eu quero o dinossaulo, tio! – disse animado. Olhou para a tia em seguida como quem estivesse pensando, colocando o dedinho no queixo e disse: — Como que fala mesmo, titia?
— Dinossauro, meu anjo!
— Isso! Di-no-ssa-u-ro – falou pausadamente, arrancando uma risada dos mais velhos.
O loiro posicionou o objeto da maneira correta, mirou no alvo, respirou fundo e atirou acertando bem no centro. O garotinho pulava em animação.
— Você conseguiu! – pulou. – você é um arqueiro de verdade, tio! Como nas minhas histórinhas. — Robin entregou o dinossauro verde ao garoto, e gargalhou ao ouvi-lo.
— E a senhorita, o que deseja? – sua pergunta agora fora em direção à morena.
— Me surpreenda! – piscou para ele.
“Surpreenda mais do que já faz, se é que isso era possível.”
Robin colocou a flecha no arco e atirou mais uma vez, usando sua segunda ficha, acertando precisamente no centro dele. Olhou todos os prêmios que estavam pendurados na barraca, quando viu um panda em meio aos outros brinquedos.
— Aquele. – apontou para o bichinho de pelúcia. Agradeceu ao moço do estabelecimento, e voltou-se para ela, que tinha um enorme sorriso estampado em seu rosto. – Aqui. – entregou-a.
Henry estava tão alheio à situação, brincando com seu novo dinossauro que nem sequer percebera quando a tia colou seus lábios aos do loiro, em um selinho rápido, mas que não deixara de ter seus significados.
Como eles sentiam falta dos lábios um do outro, chegava a ser surreal.
— Obrigada! – disse após desfazerem o contato.
— Se eu for ganhar um beijo por cada bicho de pelúcia, vou permanecer atirando. – roubou-lhe mais um selinho, dessa vez um pouco mais demorado.
— Bobo! – sorriu.
O dia já estava no final, à claridade do sol já dava espaço para a sombra do fim de tarde e a todas as luzes coloridas do parque de diversões. O céu já adquirira outros tons de sua aquarela, não era apenas o azul hipnotizante que reinava naquela imensidão, agora ele dava espaço para cores tão hipnotizante quanto. Uma mistura de laranja, com alguns tons amarelados, parecendo uma obra de arte saída da mente mais brilhante. Mas, o final de tarde era uma arte, não era? Trazia tanta poesia consigo. Embalava tantos apaixonados, como Robin e Regina. Arrancavam suspiros e sorrisos de quem se permitisse admirar a obra.
Antes de irem embora, eles decidiram ir à roda gigante. A temperatura já começava a esfriar, então preferiram colocar um casaco quentinho no menino. Henry pediu colo resmungando que estava cansado, e também pudera, o pequeno aproveitou o dia todo de brincadeiras e risadas ao lado dos tios.
O menino estava com a cabeça apoiada no ombro de Regina, e Robin estava por trás abraçado a cintura dela brincando com o menino. Quem olhasse certamente diria que eles se tratavam de uma família feliz, levando o filho ao parque.
Passados alguns minutos na fila do brinquedo, acomodaram-se em uma cabine. O loiro ajudou Regina a sentar-se, visto que, ela estava com o sobrinho nos braços, que parecia ter adormecido durante o caminho. Ela o ajeitou melhor em seu colo, e Robin passou o braço por trás dos ombros da morena.
♫♩ Kiss Me – Ed Sheeran ♩♫
A roda-gigante ganhava altura aos poucos, era como se o tempo estivesse seguindo lentamente, apenas para contemplar aquele momento. O silêncio se fazia presente entre eles, não um silêncio que incomodasse, muito pelo contrário, a ausência de sons nunca fora um problema entre os dois, não quando tinham suas orbes conectadas a todo momento.
Do alto dava para ver grande parte de Nova York e todas as suas luzes magníficas da cidade que não dormia, acesas. Regina apreciava a visão como se estivesse vendo uma obra-prima, enquanto o loiro tinha suas miradas voltadas para outro lugar... Ou melhor, apenas uma pessoa.
As orbes azuis cristalinas, como o céu que ela tanto admirava, observava cada traço e expressão de seu rosto. Ela era sua obra-prima, não precisaria ir a museu algum quando se tinha Regina Mills bem diante de seus olhos, e tão perto de seu toque. Ele colocou um fio de cabelo que estava no rosto dela atrás da orelha, e então ela voltou suas orbes castanhas até ele.
Eles sorriram cúmplices.
And your heart’s against my chest
Your lips pressed to my neck
I’m falling for your eyes
E seu coração encostado em meu peito
Seus lábios pressionados no meu pescoço
Estou me apaixonando pelos seus olhos
— Você é linda, sabia? – falou baixinho, proferindo a maior certeza que ele tinha. Regina Mills era linda como um anjo, mas o levava a perdição como o diabo.
Seu polegar agora passeava pela bochecha da morena, em um afago carinhoso. O castanho e o azul se cruzaram, como os imãs que sempre atraíam um ao outro.
Não existiam palavras, só o desejo de realizarem o que eles ansiavam desde que se viram mais cedo. Desde que trocaram os primeiros olhares do dia. Suas íris se olhavam com tanta intensidade que, o paraíso particular de ambos estava ali. A mão do loiro já estava na nuca dela, buscando apoio, enquanto a outra permanecia depositada em seu rosto. Em um ímpeto seus lábios se tocaram, e uma fagulha se acendera dentro deles.
O beijo era calmo, eles exploravam cada canto de um caminho que ambos gostariam de decorar. E mais uma vez, estavam em um mundo só deles. Tinha carinho, cuidado, tinha paixão. Quando o loiro buscara aprofundar um pouco mais o contato, ouviram o resmungo de Henry em descontentamento por, de repente, o espaço ter diminuído significativamente. Findaram o contato com um selinho casto.
— Obrigado! – sussurrou contra a boca dele.
Eles sorriram ainda de lábios colados, separando-se depois de mais alguns selinhos. E como um passo de mágica, a roda-gigante voltara a girar.
Kiss me like you wanna be loved
You wanna be loved, you wanna be loved
Beije-me como se quisesse ser amada
Quisesse ser amada, quisesse ser amada
Aproveitaram os poucos minutos que restaram para apreciarem a vista. O loiro passou um de seus braços pelo ombro dela, acolhendo-a em um abraço, deixando um beijo em seus cabelos.
Quando já estavam no chão, Robin pegou o pequeno do colo de Regina, aconchegando-o no seu. Decidiram que já estava na hora de ir, tendo em vista que o menino fora vencido pelo cansaço e o tempo começara a esfriar.
Acomodaram o menino ainda adormecido na cadeirinha e seguiram viagem até a casa do pequeno, já que Regina dissera a Emma que o levaria de volta diretamente para casa. Quando chegaram, Mills retirou-o com cuidado, e o loiro ajudou-a pegando sua mochila e indo até a porta da casa do garoto.
Robin agora dirigia até o apartamento de Regina. Fizeram o percurso em um harmonioso silêncio. Um silêncio que os proporcionou pensar no dia que passaram e muito mais neles. O loiro prestava atenção na estrada a sua frente, enquanto ela tinha o rosto apoiado na janela. Uma música suave ressoava por todo o carro, embalando os pensamentos e os sentimentos de ambos. Quando o loiro estacionou em frente ao prédio dela, Regina despertou de seus devaneios.
Eles olharam-se em silêncio por algum tempo, estudando as expressões que ambos externavam em seus rostos. Mas, fora a morena que quebrara a ausência de palavra.
— Quer subir? – perguntou, esperando uma resposta positiva, mas nada veio.
Robin não precisou responder com palavras, apenas saiu do carro, indo até a porta do passageiro abrindo-a para que a morena saísse. Seguiram para dentro do prédio abraçados, ao passar pela portaria cumprimentaram o Sr. Thomas com um “boa noite” em uníssono, recebendo um “aproveitem a noite, meus jovens” em resposta.
Chegaram ao espaçoso apartamento da morena, que às vezes parecia grande demais para ela. Regina repetiu as palavras de sempre, para que ele ficasse a vontade, coisa que ele já fazia. Deixou o panda de pelúcia que ganhara do loiro em cima do sofá, indo até a cozinha em seguida, voltando com uma garrafa e duas taças preenchidas com o liquido de sabor peculiar que os dois tanto apreciavam.
Vasculhou a sala a procura dele, mas não o encontrou em nenhuma parte. Será que fora embora e não a avisara? Claro que não!
Uma brisa vinda da varanda a chamou atenção, caminhou até lá com as taças em mãos e, lá estava ele de costas, admirando a vista Nova-iorquina com seus belos pares de olhos azuis turquesas.
Aproximou-se dele, que parecia ter sido trazido para a realidade com a presença e o cheiro dela adentrando suas narinas. Regina entregou-lhe a taça e se pôs ao seu lado, olhando a imensidão do céu negro e suas estrelas. Amava a imensidão delas.
— O que faz aqui fora? – perguntou, virando o rosto para olhá-lo por instantes.
— Pensando. – foi rápido na resposta. Levando a taça que tinha em mãos aos lábios, bebericando um pouco do liquido.
Ela nada respondeu, permaneceu com a visão no horizonte. O vento fazia com que seus cabelos se mexessem na harmonia de uma dança. Robin apreciava aquela visão, seus olhos analisavam-na, parecia um anjo em meio à escuridão do céu, sua face serena e os olhos fechados como se apreciasse o momento, tanto quanto apreciasse o vinho.
— Obrigado por hoje. – disse ainda de olhos fechados, e com uma voz suave parecendo veludo. – Foi um dia maravilhoso, Henry se divertiu bastante. – abriu os olhos, mirando os dele mais uma vez. – Ele estava com muita saudade sua. – aquela troca de olhares era tão intensa que eles pareciam ver a alma um do outro, sem nenhuma armadura ou empecilho.
— E você? – perguntou, dando mais um gole em seu vinho, tentando esconder um pouco sua curiosidade.
— O que tem eu? – devolveu a pergunta, sabendo aonde ele queria chegar.
— Sentiu saudade? – respondeu a pergunta com mais outra.
O silêncio tomara conta mais uma vez, por alguns segundos ela nada disse, apenas mantinha fixa suas orbes castanhas nas íris azuis dele. A morena sorveu um gole de sua taça e logo em seguida as palavras saíram por entre seus lábios, com tanta verdade e uma certeza absoluta.
— Mais do que eu poderia imaginar. – certo, quando foi que ela perdera o controle das palavras?
Um sorriso, que trazia consigo as covinhas, brincava nos lábios de Robin, que logo fora acompanhado por um da morena tão genuíno quanto o dele.
— Devo admitir que estou com uma vontade incontrolável de te beijar agora. – com a mão livre, o loiro passou o polegar pelo rosto pálido de Regina, e que em reflexo fechou os olhos. Ela amava sentir tal toque contra sua pele.
— Então por que não beija? – sua voz saiu entrecortada, em sussurro que mais se parecia uma súplica.
Robin não precisou mais que dois segundos para processar o pedido. Com seu desejo de ter aqueles lábios juntos aos seus outra vez, o loiro em um súbito colou seus corpos, diminuindo qualquer distância que existia entre eles. Seus rostos estavam tão próximos, que ambos sentiam as respirações densas demais um do outro. Seus pulmões pareciam estar tendo um trabalho duplo para levar o precioso oxigênio para seus corpos. Seus corações batiam em um ritmo acelerado, como se estivessem fazendo aquilo pela primeira vez.
Regina levou o olhar até os lábios de Robin, mordendo a parte inferior, ele era tão sexy, por Deus! Voltou a olhar em seus olhos novamente. A morena levou os lábios até a ponta do nariz de Locksley, deixando um selinho ali. Seus narizes se tocavam com delicadeza, Robin externava desejo por aqueles lábios carnudos. Sua mão tocava-lhe o rosto, fazendo a dela juntou-se a dele.
Suas bocas estavam entreabertas.
Eles esperaram o dia todo por aquilo. Para ser mais preciso, esperaram a semana toda.
Seus lábios pareciam brincar com toda aquela tensão que os rodeavam, buscavam o reconhecimento. O ar quente que saiam de suas respirações, fazia contraste com o ar gélido da noite. Sem que nenhum dos dois aguentasse mais a espera, suas bocas se chocaram. Ninguém saberia dizer quem tomara a atitude, talvez, os dois juntos.
Seus corpos estremeceram de imediato com o contato.
Robin tomou por completo os lábios cheios dela, o encaixe era tão perfeito que parecia até um quebra-cabeça. O beijo começara calmo, apenas para matar a saudade dos dias que não sentiram o gosto um do outro. Um beijo tímido, mas que explorava cada centímetro que deveria e merecia ser explorado. Depois de algum tempo naquela troca reciproca de carinho, suas línguas pediram passagem para seguir caminho até o outro, exploravam cada canto que podiam. A mão dele deixava uma leve pressão em sua nuca, enquanto as delas seguiam em um vai e vem nas costas largas do loiro.
Kiss me like you wanna be loved
You wanna be loved, you wanna be loved
This feels like falling in love
Falling in love, we're falling in love
Beije-me como se quisesse ser amada
Quisesse ser amada, quisesse ser amada
É como se eu estivesse me apaixonando
Me apaixonando, nós estamos nos apaixonando
Sabe quando você quer eternizar uma cena para que se possa revivê-la sempre? Com certeza essa seria uma dessas.
Aliás, todas as cenas deles poderiam ser eternizadas.
O beijo seguia fugaz, suas peles estavam quentes, e nada sentiam da frieza da noite. Como se quisesse diminuir mais ainda o espaço entre seus corpos, a mão do loiro estava entre os fios sedosos dela.
Quando o ar se fizera realmente imprescindível naquele momento, eles foram cessando o contato.
Malditos pulmões que não poderiam passar alguns minutos sem levar oxigênio para o corpo!
Alguns selinhos foram dados, até finalmente seus lábios desgrudarem.
As respirações de ambos seguiam totalmente descompassadas, suas testas permaneciam coladas, e suas orbes fechadas. Aproveitavam para sentir aquela imensidão de sentimentos que estavam fazendo um redemoinho no âmago de cada um. Era um grande festival de borboletas que se fazia presente.
— E agora? – a voz descompassada e rouca rasgou o silêncio que perdurava ali.
Eles se afastaram um pouco, apenas para estabelecerem contato visual. Olhavam para os olhos um do outro, buscando algo seguro.
— Acho que devemos deixar o tempo decidir o que vamos nos tornar ou o que não vamos. – alisou a barba por fazer dele com o dorso da mão. –Afinal, ele se mostrou bem eficiente até agora, hm?
Robin colocou a taça de vinho em cima da mesa de centro que tinha ali, e com as duas mãos segurou o rosto dela. Colou seus lábios mais uma vez, sim, o tempo não poderia ter sido melhor com eles.
— Acho que não tem como escapar mais. – Robin falou depois que puseram fim ao contato, suas mãos ainda permaneciam uma em cada lado das bochechas dela.
— E quem disse a você que eu quero? – disse, com um sorriso travesso estampado nos lábios vermelhos pelos beijos do amado.
Ele já dissera que Regina Mills era sua perdição?
Robin sorriu junto à ela, acariciando a maçã de seu rosto. – Acho bom senhorita Mills. Porque escapar não é uma resposta aceitável no momento. – concluiu.
— Você tá falando demais, senhor Locksley. – dera mais um sorriso travesso em direção a ele.
Regina o puxou pela gola da camisa para um beijo apaixonado. Sim, eles não cansariam de fazer aquilo, só queriam matar a saudade que gritava por dentro.
Settle down with me
And I’ll be your safety, you’ll be my lady
I was made to keep your body warm
Fique comigo
E eu serei seu guardião, você será minha dama
Eu fui feito para manter seu corpo aquecido
This feels like falling in love
Falling in love, we're falling in love
É como se eu estivesse me apaixonando
Me apaixonando, nós estamos nos apaixonando
Eles permaneceram ali, e a cada beijo era uma sensação nova. Nem mesmo o frio da noite fora capaz de interromper o momento que ambos compartilhavam.
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